“Texto inspirado na entrevista que Clarissa Yakiara fez com Laura Gutman, psicoterapeuta e investigadora da conduta humana.
Imagine que uma criança possa salvar a humanidade. Como seria isso? Essa é a ideia desenvolvida pela psicoterapeuta Laura Gutman no seu livro “Uma civilização ninocêntica”. Para a autora há muito tempo nossa civilização perdeu o respeito à natureza dos seres humanos. O que gerou uma civilização baseada em violência, maus-tratos, guerra e doenças. Mas é possível mudar para um contexto de harmonia e amorosidade, isso depende de nós adultos, mas as crianças que nos darão essa oportunidade.
Se pensarmos no desenho original do ser humano e olharmos, por exemplo, um bebê recém nascido aconchegado confortavelmente nos braços de sua mãe, observamos que ele nasce amoroso, suave, disponível e também necessitado, dependente dos cuidados maternos. Se os bebês humanos recebem ternura, presença, amorosidade, disponibilidade, fusão emocional, alimento, contato e a satisfação de todas as necessidades básicas, pouco a pouco essa amorosidade com que nascem vai se estendendo para a vida toda, como uma reação em cadeia. Se nós adultos recebemos quando crianças tudo o que necessitávamos segundo nosso desenho original, o que iria brotar é a amorosidade com a qual nascemos. Caso contrário, se não recebemos a presença, o contato corporal, a afetividade que necessitávamos não vamos ser amorosos, pois tivemos que sobreviver a uma situação hostil.
Para Laura Gutman, nós humanos nascemos com uma enorme capacidade de amar, mas durante a infância, que é um período longo de tempo, temos que receber e ter satisfeitas todas as nossas necessidades básicas físicas, emocionais, afetivas, de alimento, ternura, etc… até que tenhamos a condição de sermos autônomos. Temos que viver certas condições para podermos usar nossa capacidade de amar que está no nosso desenho original. Se não vivemos, nos tornamos pessoas hostis e nossa amorosidade fica trancada em algum lugar. A maioria de nós, ainda hoje, tem o impulso de continuar fazendo o que fazia ao longo da infância e adolescência, e o que nos liberta desse padrão é a nossa consciência. Quando nossos(as) filhos(as) nascem, eles(elas) abrem as portas da nossa consciência, mas cada um de nós decide se atravessa ou não.
Se somos mães de crianças pequenas, como vamos dar à elas as condições que necessitam? Laura Gutman afirma que o primeiro passo é fazer um trabalho interno: abordar a realidade da qual provenho, olhar para o passado de maneira realista, para as experiências infantis que vivi. Ou seja, é preciso abordar a realidade real que você viveu sob o ponto de vista da criança que foi. E abordar o que você fez para sobreviver a esse cenário. Laura Gutman desenvolveu uma longa metodologia para chegar a essa realidade: a biografia humana. Mas eu te convido agora a fazer uma breve reflexão sobre a sua própria história. Responda essas questões de maneira sincera e profundamente: como você nasceu? Você foi amamentada? Onde você dormia? Quem cuidava de você? Quais os fatos marcaram a sua infância?
Nós adultos, em geral, tivemos infâncias muito violentas. E se passamos nossa vida adulta clamando por aquilo que não tivemos, não terminamos de amadurecer, não assumimos nossa responsabilidade, e as crianças que nascem hoje não vão se tornar adultos maduros. Assim continuamos uma cadeia de violência, destrato e desamor, pois estamos sempre prejudicando as crianças em função de nós mesmos(as).
Eu acredito em uma civilização mais consciente e amorosa. Nós mulheres, nesse momento, vamos assumir uma tarefa mais difícil a favor de nossos(as) filhos(as) que serão mães e pais daqui 20 anos, e não terão que passar por esse processo de forma tão dolorosa quanto nós estamos passando. Temos que cortar essa cadeia transgeracional de dor, sofrimento, dominação e desamor. Isso requer compromisso emocional sabendo que provavelmente na nossa vida não podemos mais resolver, mas podemos fazer pelas nossas crianças. Elas nos convocam ao amor. Elas nascem com uma quantidade de amor muito grande e somos nós que não sabemos abordar em sua verdadeira dimensão. Vamos juntas mudar essa realidade!” Isadora Sette
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Texto escrito por Isadora Sette, mãe da Anita e Pedro, educadora perinatal, bióloga e pedagoga, que tem o propósito de acolher, inspirar e apoiar mulheres na arte de gestar, parir, amamentar e cuidar através da escuta empática e do atendimento individual. Madrinha do Zum Zum de mães da Bee Family.
O auto-amor é um exercício. Me olhar, me amar, me aceitar, me perdoar ainda são lembretes que precisam estar estampados com letras garrafais e cobertos de purpurina, com luzinhas que piscam e setas indicando a consigna clara e auto explicativa.
Assim que me tornei mãe, me amar não cabia em mim. Eu amava com todas as células do meu corpo aquele serzinho que dependia do meu amor e dos meus cuidados para sobreviver. E é curioso, mas foi justamente depois que me tornei mãe que me amar passou a ser urgente. Talvez porque a gente começa a perceber que para cuidar, precisamos antes de tudo, nos cuidar, e aí o cálculo do amor também tem que bater. E entre tantas demandas a gente vai, muitas vezes aos trancos e barrancos, aprendendo a se cuidar e a se amar. Coisa simples, que pode ser desde a uma ida silenciosa e tranquila ao toilette, chegar ao fim de uma refeição ainda quente ou até escovar os dentes se olhando no espelho. Na lista dos auto cuidados conseguimos incluir uma infinidade de coisas simples e corriqueiras, mas que nos fazem um bem danado. Agora, o auto-amor, ah esse passa batido na maioria das vezes… E sim, eu sei que o auto-cuidado é um ato de amor próprio, mas tô falando de se amar meeeeesmo, de encarar o espelho e não julgar as imperfeições que temos a ilusão de ter, de encarar nossas limitações e características da nossa personalidade sem sermos duras demais, de encarar o erros, as pisadas na bola, os esquecimentos sem nos culparmos o resto da eternidade. Tô falando de amar, aceitar e perdoar a gente assim, do jeitinho que a gente é.
É um exercício diário e, exercício é tipo um esporte, uma dança, um instrumento mesmo, a gente tem que praticar SEMPRE, senão perde o jeito e acaba deixando de lado. Falo isso pra mim, pra você que, por algum motivo, está aqui comigo. A gente tem que se amar, e muito, e sempre. E não dá pra esperar que x outrx nos ame antes da gente se amar, amor próprio é urgente, é pra ontem.
E eu sei que tem dias que são “mamão com açúcar”, se amar é fácil e indolor, e outros que são tipo xarope “difícil de engolir”. Mas eu tenho descoberto que é no desafio que a gente mais tem que se amar. E não, não vai ser fácil (ou vai né? Cada umx sabe de si), mas a gente faz um pacto, um decreto de amor consigo mesmx : Irei me amar, me aceitar e me perdoar profunda e completamente todos os dias da minha vida, e assim é! E assim será!
Bora se amar?
Recentemente estava passando em frente a um apartamento e ouvi a fatídica frase: “Você quer apanhar?” Obviamente, pensei: “Hum, momento crítico à vista!” Claro, seria fácil julgar aquela mãe, mas é óbvio que ela estava no momento: falta de controle! E, TODOS que lidamos com crianças conhecemos bem este momento!
De alguma forma as crianças são seres capazes de nos colocar em contato profundo com nossas dificuldades emocionais! Por vezes, ficamos perdidas nestes momentos de descontrole, ao invés de sairmos fortalecidas e empoderadas com eles!
Vamos refletir mais sobre isso?!
Em diversos momentos a reflexão sobre a importância de lidar com as nossas emoções vêm à tona! E, como é complicado desconstruir nossa cultura de repressão e medo e nos reconstruirmos em novas bases para trabalharmos com nossos filhos! Este processo é uma grande jornada de busca, cura e profundo autoconhecimento!
No dia-a-dia quando nos deparamos com os desafios reais da vida, por vezes, agimos como se nossas emoções nos atrapalhassem! Sabe aquele momento em que você gostaria de fazer qualquer coisa menos chorar na frente dos colegas de trabalho? Ou aquela discussão com o marido em que você perde a cabeça e se comporta como uma criança birrenta que quer as coisas do seu jeito?! Ou mesmo aquela discussão sobre política em que você se exalta e não entende como a pessoa pode pensar tão diferente de você! Todas estas situações podem ser momentos de grande aprendizado ou de profundo descontrole!
Cada vez mais percebo o quanto este treinamento é importante: simplesmente ouvir e liberar minhas emoções! Isto porque, todas as vezes em que procuro contê-las, inevitavelmente, elas acabam explodindo em algum lugar “inadequado!” Claro, controlar isso é algo quase impossível. Mas, tenho aprendido que quanto mais espaço eu dou para estas emoções – que me são tão desconfortáveis -, melhor eu lido com elas e menos cenas de descontrole me acontecem!
Assim, tenho buscado vivenciar o que Jung dizia e eu sempre repito para mim mesma: “Tudo o que resiste, persiste!”
Convém confessar que eu sou extremamente mental e tenho um mundo de situações idealizadas na minha mente. A maternidade me trouxe este aprendizado de que é preciso fluir com a vida! Como se o convite fosse: “Vamos Gisele, vamos abandonar tanta rigidez, tanto controle, se jogue mais na vida, garota!” E, confesso, apesar de ter resistido bastante, disfarçado que topava o convite, fiquei tentando manipular tudo com minha mente, rs! E, qual o resultado disso? Estafa, cansaço mental e energético!
O convite é claro: Vem fluir! E, tenho mostrado para a vida que estou tentando aprender, apesar do medo que ainda me atrapalha bastante! Neste ponto, minha filha é uma fonte inesgotável de aprendizados, especialmente nesta fase dos 3 anos! Afinal, a frase que ela mais diz é: “Eu quero!” E, tristemente me peguei dizendo a ela para parar de querer um pouco, porque eu não aguentava mais tantos quereres!
Assim que disse isso, senti uma tristeza enorme, porque eu sabia que o impacto de dizer algo do tipo poderia ser grande! Neste momento, senti que estava “sabotando” o poder do querer em minha filha! E isso é valioso demais! Então, pedi a ela que me desculpasse e disse que ela poderia querer à vontade! Mas nem sempre eu poderia atender seus quereres e nem sempre as coisas sairiam do jeito que ela desejava! Claro, sei que sua compreensão do que eu disse deve ter sido muito limitada, mas me fez tão bem respeitar a vontade do querer dela! Inúmeras vezes eu me sinto na obrigação de atender aos pedidos dela e em tantos momentos me sinto exaurida, desnutrida mesmo!
O respeito é um dos elementos mais importantes de um relacionamento, na minha opinião! A partir do respeito construímos confiança, admiração, cumplicidade e o amor surge natural e inevitável! Deste modo, ao respeitar a força do querer de minha filha, percebi o quanto estava desrespeitando a força do MEU querer em tantos momentos!
Nesta idade dos 3 anos ela se sente absoluta no mundo e tudo o que ela quer precisa ser do jeito dela e agora! Este é o aprendizado dela: descobrir como construir e mediar os quereres dela no mundo! Já o meu papel enquanto adulta e responsável por ela é apresentar limites, regras e “os outros” com diferentes quereres!
Assim, quando aprendo a respeitar meus momentos, minhas emoções e meus quereres, ensino minha filha através do exemplo. Neste sentido, percebo que fico muito mais equilibrada para lidar com os desafiadores momentos de choro, de se jogar no chão e contestar o que é incontestável! Ou seja, quando estou nutrida por mim mesma emocionalmente eu SUSTENTO a observação dos processos emocionais da minha filha. Deste modo, eu não uso o argumento de que estou cansada, não me vitimizo com a situação… Na verdade, eu observo tranquilamente o temporal se formar e espero a chuva passar com a tranquilidade de quem sabe que o sol virá e não tem pressa!
Na construção de meus processos percebo fortemente a importância da nutrição emocional de mim mesma! Isto porque, a desnutrição se apresenta como falta de clareza mental, bagunça, descontrole emocional, desespero e desmotivação. Deste modo, acredito que nem seja preciso descrever mais, porque TODAS nós conhecemos bem este lugar!
Nossos pequenos são grandes espelhos de nosso estado emocional e minha filha já refletiu bastante a impaciência durante o cansaço. Nestes momentos, sempre penso: “por que ela não se entrega e dorme de uma vez?” Depois, paro e penso estarrecida: “Por que eu sempre quero assistir um filme, ver redes sociais ao invés de simplesmente dormir e descansar?!” Como temos necessidade de nos anestesiar, ao invés de oferecer ao nosso corpo o que realmente precisamos!?
Atualmente, tenho vivenciado um processo profundo de cura e observação de muitas emoções dolorosas. E percebo como é fácil se perder neste caminho! Às vezes ficamos vitimizados nos perguntando: “Por que precisei passar por tal coisa?!”; “Às vezes ficamos com raiva, porque sabemos que a solução não é culpar e se vitimizar. Mas sim aceitar e aprender e não sabemos COMO fazer isso! E, neste processo, percebo como fujo ou luto com minhas emoções quando o caminho é SENTI-LAS! Ou seja, permitir que elas tenham um espaço dentro de mim para se manifestarem!
Certa vez, vi o psicólogo Leo Fraiman usar esta expressão: “colo com molas” e achei ótima! As pessoas, geralmente, têm dificuldades em acolher as emoções! Diariamente, somos inundados por uma suposta e sufocante “perfeição”, através de propagandas ou estereótipos de sucesso. Assim, construímos a imagem de que força é esconder nossas emoções.
Neste sentido, recomendo fortemente o documentário The Mask You Live in que trabalha de forma brilhante os estereótipos de homens de sucesso de nossa sociedade. Este documentário ilustra a forma como os meninos têm sido educados e de que modo isso se reflete na sociedade atual em que tantos falam sobre paz, mas cultivam a violência! Mais do que trabalhar apenas o estereótipo masculino, o documentário ilustra como os meninos são ensinados a enxergar as meninas, alimentando a distância entre os sexos e a dificuldade nos relacionamentos.
Por isso, acredito que é preciso aprender a dar “colo com molas” para nós mesmas quando perdemos o controle, mas estamos fazendo o melhor que podemos! Isto significa nos acolher quando saem palavras que não gostaríamos de dizer! E mais importante que nos “punir” com o chicotinho da mãe ruim, é tomar consciência do que queremos a partir de agora!
O processo de tomada de consciência é uma jornada única e particular. No entanto, este “colo”, acolhimento é fundamental para que tenhamos força para seguir no caminho de nos impulsionar com “a mola” da autocompaixão. E esta autocompaixão é exercitada quando ao invés de julgarmos os outros, aprendemos a identificar as armadilhas que nós também caímos durante nossa jornada! Que tenhamos mais amorosidade durante este processo de aprendizagem contínua chamado vida e este exercício prático de amor chamado maternidade!
Gratidão pela leitura! Namastê! _/\_
SOBRE A AUTORA
Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE!
Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda e siga no instagram gm_conexaoprofunda
Ah filha minha, tão arredia!
Em mil comparações eu me perdia…
Me perguntei tantos porquês naquele mês
Porque não se faz de boazinha?
Porque não fica quietinha?
Porque não deita e dorme sozinha?
Já não me reconheço nos seus atos
Mas só me faltava essa!
Porque não está tentando agradar?
Ao contrário você quer é causar
Desse jeito vão todos nos julgar
Ah se eu gritasse e você me acatasse…
Se em nome do cansaço eu apelasse
Se para zona de conforto você me convidasse
E se eu aceitasse? E se eu entrasse?
Mas se eu grito, você grita de volta
Eu saio batendo o pé e você batendo a porta
Me lembro que um dia eu me dobrei
E da minha essência me distanciei
Sua audácia dói no fundo
Traz de lá as vozes arcaicas
Que sussurram para o meu eu
Que o poder não pode ser seu
O controle é minha herança
Lembrança do choro engolido
Agora é hora da vingança
Mas já não sou mais a mesma
Logo olho para minha criança interior ferida
Olá pequenina, agora está protegida…
Seguimos juntas iluminando nossa sombra
Agora já sei como entrar nessa dança
Acolhendo o que vem e sem dar satisfação a ninguém
Peço desculpas
Te olho nos olhos e a sua verdade me engole
E para mim mesma me devolve
Sou devorada mais uma vez pela dor desse amor arrebatador
Deixo a mãe perfeita morrer desse golpe
E então renasce a mãe aprendiz
Que segue, como bússola, o que o coração diz
Ainda agachada, te falo do pé do ouvido ao coração
Do meu amor e da minha razão
Da alegria que é ter você aqui
Da gratidão por ter me escolhido
Para tua proteção e abrigo
Veio me ajudar a findar o ciclo de presas e algozes
Veio silenciar de vez as vozes
Que dizem que crianças não tem diretos
Que crianças só devem respeito
Veio me provar que respeito é via de mão dupla
E que não se constrói sem escuta
Veio para me fazer repensar, questionar e estudar
Para de acordo com que eu acredito, atuar
Ah com você eu continuo meu despertar…
Veio para com meu sonho infantil me reconectar
Aquele ingênuo e puro, de um dia o mundo mudar…
SOBRE A AUTORA: Vivian Pessoa, Mãe da Ive de 3 anos, Geóloga, Participante da turma 5 do Zum Zum de mães, Educadora Parental pela Positive Discipline Association.
@viviancpessoa
Recentemente, assisti ao filme Beleza Oculta com Will Smith, um ator que me inspira e sempre me traz reflexões valiosas! Super recomendo o filme para aqueles momentos em que a gente está exausta! Sabe aqueles momentos em que a filha fica doente, a gente fica doente e gostaríamos de pedir pra descer do mundo, rs?!
Pois bem, assisti ao filme num destes momentos desafiadores e a sessão de inalação nem foi necessária! Isto porque o filme é ótimo para desobstruir os canais lacrimais e respiratórios, rs! Brilhantemente, o filme faz uma reflexão sobre três aspectos centrais em nossa vida: a morte, o tempo e o amor! Convido você para refletir um pouco a respeito, claro, sem prejudicar quem pretende assistir ao filme. Tratarei de cada um destes aspectos sob minha perspectiva reflexiva!
De início, preciso confessar que evito filmes sobre a morte e dramas do gênero! Entretanto, no dia em que assisti ao filme eu percebi que estava precisando enfrentar meus medos. Desta forma, me propus a olhá-los de frente para viver com mais profundidade, com propósito… Neste ponto, confesso que o trailer do filme já me deixou emotiva. Afinal, trata da dor de um pai que perdeu sua filha e resolveu escrever cartas para o Universo.
A morte sempre me pareceu traiçoeira, pois pega a gente desprevenida e, de surpresa, muda tudo! Geralmente, é um risco que eu prefiro nem pensar. Entretanto, muitas vezes, a vejo como um obstáculo que me impede de viver plenamente! Às vezes, lembro da sensação de medo intenso, de algo acontecer e aquele serzinho tão especial parar de respirar. Nestes momentos fica visível a fragilidade da vida!
Por outro lado, ah, como a vida deixaria de ser especial se não tivéssemos o contraponto da morte! Esta foi a inspiração que senti com o filme, o grande clichê, mas que sempre vale ser repetido: “Estamos morrendo o tempo todo!” E a grande questão é: como fazemos cada segundo valer a pena?!
Esta reflexão me insuflou de energia e passei a ver as coisas numa outra perspectiva. Isto é, mais distanciada do cansaço, do medo, da dúvida e enxerguei o milagre da vida. Ah, que missão cansativa ser mãe, mas que presente e que milagre testemunhamos cotidianamente! Desde o desenvolvimento daquela sementinha até a etapa de formação de frases e argumentações, que nos tiram a paz em muitos momentos! Vale a pena não perder de vista a preciosidade da vida e, infelizmente, muitas vezes quem nos mostra isso é a morte.
Nesta nossa sociedade onde o tempo voa de uma forma inimaginável, sinto que tenho muita dificuldade de estar presente e desfrutá-lo como ele merece! Inclusive, posso compartilhar uma experiência recente que me fez refletir muito a respeito do tempo! Para comemorar o aniversário de minha filha decidimos fazer uma pequena viagem para “resetar” nosso sistema. Assim, fomos para Joanópolis, uma cidadezinha perto de São Paulo com lindas montanhas e muita muita muita calmaria!
O que fazemos com o tempo quando podemos olhá-lo com profundidade? No início, sentimos o desconforto de quem está num carro em alta velocidade e inesperadamente pisa no freio. Simplesmente, a hora não passava e eu sentia uma ansiedade de fazer e acontecer, uma ansiedade de me divertir e aproveitar! No entanto, tudo saiu diferente do que eu planejava: chuva num lugar em que a atração eram cachoeiras! Confesso, escolhemos um lugar com uma proposta minimalista exatamente porque queríamos conexão profunda com nós mesmos e com a natureza! Contudo, minha filha de três anos parecia ter outros planos, que divergiam totalmente do que eu havia idealizado!
De repente, me vi precisando lidar com a energia de uma criança e com a minha frustração por ter imaginado uma viagem totalmente diferente! Nesta oportunidade eu pude olhar profundamente para minha necessidade de controle, para o meu apego aos meus planos, metas e idealizações. E, independentemente de minha frustração, as vaquinhas continuavam se deslocando nas montanhas na linha do horizonte que eu enxergava ao longe.
Enquanto isso, minha filha queria mais e mais atenção, parecia um reservatório sem fim de energia e solicitações. O tempo dela era o Aqui e Agora para ser aproveitado intensamente! Na verdade, este é o único tempo que todos nós temos a despeito de quaisquer fantasias de futuro ou passado.
O amor está em tudo! É certo que, muitas vezes, não conseguimos ver ou ele se esconde, mas está lá quando nos dispomos a enxergá-lo! Sei que parece fácil falar isso quando não sei os desafios que você enfrenta! Mas acredito que recebemos vários convites cotidianos para olhar o copo meio cheio ou o copo meio vazio!
Este filme me lembrou de algo que eu sei, mas vez ou outra esqueço: a vida é um presente! Nossa família, nossos desafios são oportunidades incríveis de crescimento e aprendizado, é preciso olhar para elas como tal!
Um dos principais objetivos do meu passeio à Joanópolis era conhecer a Cachoeira dos Pretos, uma linda cachoeira acessível com crianças! Entretanto, lá eu não me senti como imaginava que me sentiria. Não sei explicar, mas não consegui a Conexão Profunda que eu esperava estabelecer. Ao invés disso, me sentei e chorei, chorei e chorei. Ali eu me permiti sentir toda a raiva que eu estava contendo, todo o medo que eu vinha escondendo e fiquei olhando o rio que a cachoeira formava contornando as pedras.
Aos poucos toda aquela emoção represada veio à tona e eu limpei minha alma chorando! Quando olhei para minha filha, ela estava curiosa olhando para mim. Então, conversei com meu marido e assumi a responsabilidade plenamente consciente das minhas emoções e frustrações, de todas as minhas idealizações e tentativas de controle.
A partir disso, simplesmente soltei e foi assim que vi minha filha aproveitando a natureza, a amplitude, os animais. Neste momento, em que aceitei o que era para ser, percebi a satisfação dela ao ter a nossa atenção completa para ela! Assim, notei que a simplicidade a fazia feliz e que a beleza e o amor estavam em aceitar o que É e simplesmente SER com o momento!
A beleza oculta está na sutileza dos gestos, dos momentos e dos sentimentos. Muitas vezes, sabemos que existe beleza, mas simplesmente a esquecemos entretidos com a pressa do dia-a-dia, a preocupação com as expectativas ou com aspectos práticos da vida! Quantas vezes olhamos para nossa vida com olhos de amor, de gratidão, admirando a preciosidade que temos ao nosso alcance?
Em muitos momentos, mesmo numa pequena viagem comemorativa, ainda temos dificuldade de soltar e deixar fluir. Assim, ficamos represando emoções, rígidas no controle, idealizando e querendo fazer a vida caber dentro de nossas expectativas! A beleza oculta da vida, PARA MIM, está exatamente na fluidez de aceitar que o que é simplesmente SEJA! Isto representa um de meus maiores desafios: ACEITAR! Simplesmente, contemplar e aceitar sem querer mudar, transformar ou controlar…
Ao contemplar a Cachoeira dos Pretos e observar tanta água fluindo eu entrei sim em Conexão Profunda, rs! Inclusive, foi muito mais profunda do que eu podia imaginar, porque me permitiu SENTIR toda emoção que eu estava tentando controlar. Nas minhas lágrimas tinha muita raiva pelas idealizações que faço e não consigo realizar, muita mágoa pela sensação de insuficiência e impotência diante da vida. Apesar de saber que o caminho não é pela mente, por vezes me pego ainda nesta trilha… Observar toda aquela beleza manifesta da cachoeira me permitiu transbordar as emoções que me inundavam e que, sem sucesso, eu tentava sufocar.
Ao escrever este artigo percebo que minha Conexão Profunda não pode ser romantizada e idealizada com uma sensação gostosinha de enraizamento e segurança. Em alguns momentos minha Conexão Profunda vai passar por caminhos tortuosos de dor, mágoa, raiva e tantas emoções que eu aprendi a conter para “ser uma boa menina!”
Tenho escolhido um caminho de cura de mim mesma através da maternidade, da observação de minha criança ferida e de inúmeros processos de autoconhecimento. Esta busca nem sempre mostrará uma estrada repleta de flores e é preciso parar de negar a existência do espinho. Na verdade, este foi o insight do filme: é preciso ver a beleza oculta do espinho.
Escolher caminhos diferentes implica pagar preços diferentes. Algumas vezes, pesa muito a decisão de não seguir a manada! Em diversos momentos, fico receosa sobre minhas decisões! Há sempre o medo de errar, de não ser perfeita como gostaria! E, claro, por mais que saibamos que não existe perfeição e que os erros são grandes aprendizados, queremos o melhor para nossos filhos! Sabe-se lá por que imaginamos que este “melhor” seja algo perfeito, idealizado, controlado, planejado e escalonado numa planilha de Excel!
Entretanto, a vida não cabe numa planilha! A maternidade esfrega isto na nossa cara o tempo todo e quanto mais resistimos e queremos controlar, maior é o sofrimento! Minha conclusão disso tudo é que preciso ler muito mais o que eu escrevo; sentir minhas emoções com muito mais liberdade e fluidez; soltar meus medos e necessidades de idealização e controle! E vale o mantra: entregar, confiar, aceitar e agradecer!
Gratidão pela leitura! Namastê! _/\_
SOBRE A AUTORA
Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda e siga no instagram gm_conexaoprofunda
Tenho acessado minha ira com frequência. Sinto o corpo todo esquentar enquanto minha mente tagarela assume o controle. Isso tudo geralmente se intensifica quando estou perto de outras pessoas que podem ou não necessariamente compartilhar da mesma linha que escolhi para criar meu filho e, geralmente pelas quais tenho grande carinho apesar das diferenças.
Dentre elas, amig@s e familiares e, ainda que eu já tenha lido inúmeras vezes que no momento da crise de uma criança o mais importante é conexão com ela, minha mente (meu ego) me teletransporta para um tempo-espaço que ainda não chegou. Na realidade, nesse momento quero (pra não dizer exijo) respeito. Quero encarecidamente que meu filho pare de bater, gritar, fugir (de mim, do sono, do banho, da escovação dos dentes, da arrumação do quarto e de todas as atividades básicas de uma criança de três anos recém completos), quero enfim que ele se acalme e pare de me constranger e sobretudo de me apontar todas as possíveis falhas que cometi antes de chegar nesse caos.
Se você reparar bem (sem me julgar), esse ainda desconhecido (e temido) tempo-espaço, me fazem crer diante do caos que meu filho é uma criança incontrolável, mimada e desrespeitosa. Me iludo com a ladainha de que “se ele não for corrigido com rigor se tornará um adolescente e um adulto degenerado e que nunca irá me respeitar e que, e que, e que…” Alô mente tagarela! Peraí! Será que eu penso mesmo nisso?
A grande verdade é que, ao escrever neste exato momento, me dou conta de que nada disso passa realmente na minha cabeça. O que fica mesmo martelando aqui dentro é: “o que vão pensar de você?”, “O que vão pensar da sua competência enquanto mãe?”, ” O que vão pensar do SEU filho?”. Acredite, conscientemente sei que isso é obra do meu Ego que, para sobreviver, precisa se manter no controle, mas também sei conscientemente que, quando ele assume o controle, é o meu inconsciente quem dita as regras, as reações, os medos, as angústias e escancara as crenças que me limitam ser quem realmente, em essência, sou.
Mas então, como fazer? Como mudar o mindset? Como virar a chave que me faz usar com propriedade uma personagem inconscientemente agressiva para se manter no controle? Por que raios eu preciso tanto desse controle minha Deusa?
Se você me deu as mãos ali em cima e também deseja encontrar as respostas para todas essas perguntas, vamos juntas até porque eu mesma – sinto muito em dizer – ainda não conheço as respostas para as minhas perguntas. Mas, sei que encarar e lidar com meu filho nessas situações acima citadas, são o que mais me fazem ter, mais uma vez, a certeza de que não tenho controle de absolutamente nada. Descobri com o tempo que, é também nessas mesmas condições, que me dou conta de que meu grande desafio é justamente esse: baixar a guarda do Ego, tirar o alimento dele para que ele não assuma a liderança e me afaste cada vez mais da minha essência. E mais, outra verdade que encarei e assumi, é que é certamente muito mais simples fazer esse movimento de desidentificação com a mente tagarela no aconchego de nossas casas, no perímetro das nossas paredes protetoras, do que diante de olhos expectadores – ou nem tão expectadores assim.
À medida em que escrevo, percebo e integro a informação de que essas pessoas são personagens de uma história que precisava ser delicada e homeopaticamente revelada para mim. Elas são, nada mais que o meu reflexo no meu filho, elas são as atrizes e os atores da minha peça – chamada vida, que eu precisava para entender que, em realidade, elas não existem, estão apenas projetando o que já existe em mim, ancorado em algum canto do meu inconsciente, tentando me salvar de algum perigo que, algum dia – num outro tempo-espaço que minha mente consciente não se lembra – me marcou.
Então eu paro, olho e acolho as infinitas inseguranças inerentes da maternidade. Acolho aquilo que compreendo e também o que ainda não compreendo, acolho a mulher e a mãe que sou: possível, imperfeita e eternamente buscadora de uma melhor versão de mim mesma. E não que esse movimento introspectivo de se acolher seja tão natural quanto parece, acredite, me levou tempo para aceitá-lo e ainda me leva tempo para colocá-lo em prática, mas no final das contas, eu tô tentando. Permito-me ainda afirmar que, certamente esse movimento é tão desafiador quanto lidar com os desafios de educar meu filho com limites, gentileza e amorosidade, tudo junto e ao mesmo tempo. Mas, ainda assim, não tenho dúvidas que a grande chave para abrir essa porta desconhecida, é a tomada de consciência, onde o acolhimento e conexão só se tornam possíveis quando abrimos espaço para enxergarmos além da sombra. E aí, você aceita o convite?
Fui canonizada em 16/06/2016. A data é bonita, cheia de seis até combina com Santos Reis.
Antes disso ninguém me notava, era apenas uma mulher comum e aparentemente emancipada, do século XXI.
Eis que naquela data nasceu meu filho e com ele a língua afiada do mundo:
-Aonde ela vai essa hora da noite?
-Quem será que está com o filho?
-Por que ela não dá o peito toda vez que o bebê chora?
-Por que ela gritou com a criança?
-Ela já o colocou na escolinha?
E por aí vai. A exigência em relação à minha CONDIÇÃO DE MÃE foi tão assustadoramente preocupante para a sociedade, que eu cheguei à inevitável conclusão de que a partir do momento em que eu pari fui erguida à condição de Santa. Por isso insisto: fui canonizada.
Ser Santa não é tarefa fácil nos dias de hoje, se fossemos vistas com erros e defeitos, bem humanas, a expectativa sobre o nosso maternar seria diferente, e qualquer sinal de superação: aplausos.
Agora ser perfeita, QUADRADINHA, feito um pote de margarina “sorrisos à mesa” é duro, duro feito uma pedra de gelo, que nos deforma e nos deixa engessadas, quando na verdade nossa essência é livre como uma cachoeira.
O passado explica os muros altos que construímos sobre nós. De puta à Santa, a mulher passou por diversos papéis de autoprivação. O fruto da mulher contemporânea (veremos) parece um descompasso entre a conquista pela liberdade externa e a desconexão interna.
Começamos sendo coisa, a mulher era tratada como mercadoria, domesticada para servir o homem.
Enxergavam-na com o peso do pecado original (corpo sexuado) e a Igreja teria motivos, inclusive, para “castrar” a sexualidade feminina.
A sensibilidade e intuição deveriam ser extirpadas, já que apresentavam uma ameaça ao Estado Canônico. Daí surgem os inúmeros relatos de mulheres queimadas na fogueira feito bruxas (como Joana Darc).
As crianças também não eram dignas de qualquer consideração, sem acolhimento familiar ou assistência à saúde, morriam aos montes, pois suas mães não recebiam apoio na amamentação, nem tampouco na dedicação aos filhos.
Preocupados com a mortandade infantil, a partir do século XVIII as autoridades começaram a lançar os olhos para a proteção das crianças. E a solução passava pela construção da família ideal, inserindo a mãe como serva da família.
Nesse contexto surge a figura da MÃE SANTA, erguida à condição de ser humano capaz de criar filhos saudáveis e bem educados.
Quanto mais perfeita era a mãe mais protegidos estariam seus filhos. A mãe Santa deveria renunciar à própria vida em prol da dos filhos, amamentar a qualquer custo, viver um sacerdócio solitário na chamada “casa que habita”.
Mas os ventos contemporâneos mudaram e as algemas femininas receberam chaves para a libertação:
1) as mulheres foram inseridas no mercado de trabalho, 2) os eletrodomésticos foram criados, otimizando o tempo despendido em casa, 3) o voto feminino passou a ser um direito, 4) o anticoncepcional foi lançado como símbolo da liberdade sexual, 5) a Lei Maria da Penha foi criada para conter casos de violência contra a mulher e etc.
O grito da independência foi lançado, o mundo abriu suas comportas para a revolução política, social, cultural e sexual feminina.
Conquistamos liberdade no tempo e no espaço. A civilização caminhou a favor da evolução feminina, e podemos afirmar que a maioria das mulheres (principalmente no ocidente) já estão emancipadas.
Então por que ainda hoje as mães continuam a carregar a cruz da CULPA MATERNA?
Porque a MÃE SANTA persiste em existir dentro de cada uma de nós.
Convivemos com a necessidade diária de darmos satisfação de tudo, de nos desculparmos todo o momento, de irmos contra a nossa própria existência.
É exatamente neste ponto nevrálgico que os outros entram em nossas vidas. Damos passagem para os palpites alheios, porque estamos presas nesse padrão tóxico da perfeição.
A pedra que nos atiram bate em nossa mente (de gelo), ecoa um barulho estranho e sem fim, os outros passam a existir dentro da gente, a verdade é cruel: os outros somos nós, o inimigo externo não mais existe.
Por isso, é urgente que nos transformemos em cachoeira, mulheres de nado livre ao encontro da nossa verdade. Se eu me aceito como sou a pedra jogada não bate em mim. Ela atravessa minhas águas internas, não ouço barulho na minha natureza.
É também urgente percebermos que a revolução foi prática, de fora para dentro e não de dentro para fora.
Não é simples estalarmos os dedos e mudarmos aqui dentro. O convívio social nos mostrou que quanto mais nos controlássemos mais nos daríamos bem na sociedade.
O padrão sempre foi: deixarmos de lado quem a gente é de verdade, para nos transformarmos em quem deveríamos ser.
E foi assim que pouco a pouco evoluímos por fora e nos afastamos a cada dia da nossa energia feminina de dentro.
No livro “Mulheres Que Correm Com Lobos”, da escritora Clarissa Pinkóla Éste, aprendemos que precisamos nos aproximar o máximo possível do nosso instinto selvagem.
Selvagem não no sentido primitivo, rudimentar, não se sugere que deixemos o salto alto e voltemos às cavernas.
Precisamos resgatar a energia vital instintiva que existe dentro de cada uma de nós.
A mulher tem ciclos menstruais, carrega um feto no ventre, dá a luz, amamenta; quer algo mais natural do que isso?
A mulher é natureza pura, sabe quando é hora de plantar e sente quando é hora de colher, percebe quando algo precisa nascer, e se prepara para a hora de deixar morrer.
No entanto, a mulher do século XXI deixa viver a verdadeira mulher que existe dentro de si?
Quando engravida foca no enxoval do bebê, quando o filho nasce se atenta ao que tá escrito na internet, nas redes sociais, na TV.
Escuta tudo que os outros falam, e ela mesma fala o quê?
Nos momentos de desafio não olha com os olhos de dentro; intuição, sexto sentido, sentimentos, pelo ralo se vão.
A pedra de gelo emoldada pela sociedade é tamanha que reflete em casa. Privação atrás de privação.
Acostumadas a se aprisionarem para se defenderem, o resultado tem sido esconder até o prazer, prazer de cozinhar, cuidar do bebê, entram numa disputa com o parceiro pelo que cada um tem de fazer.
E de embate em embate nos separamos não do companheiro, mas de nós mesmas.
Talvez, se começássemos a fazer as coisas do nosso jeito, o nosso parceiro passaria a fazer a parte dele também por reflexo, de nos ver e ter vontade também de fazer com prazer.
O nosso jeito é a nossa verdade, as nossas energias primitivas do querer.
Sim, estamos fartas. Eu sei. Mas a pergunta que não quer calar é: há algum problema em ser simplesmente você?
Gosto de usar minha energia feminina para cozinhar, nutrir com amor o outro me alimenta internamente. Também gosto de usar minha energia masculina para trabalhar, sinto meus pés tocarem mais firmes sobre o chão.
Há tempos, deixei minhas algemas de lado. Mas vira e mexe eu me pego presa novamente.
Espero um dia nadar pelada numa cachoeira, para me sentir parte do mundo, e não refém. Nem puta, nem santa, o que me define só eu sei, mais ninguém.
SOBRE A AUTORA:
Este texto foi escrito por Lígia Freitas, Mãe do João e Participante do Zum Zum de Mães.
@ligiafreitasescritora
A maternidade me transbordou. E eu que já sou toda água na vida, me entreguei de corpo e alma nessa aventura que é se tornar responsável por alguém, mas sobretudo por mim mesma.
Talvez esse tenha sido um dos maiores aprendizados que tive ao me tornar mãe. Talvez a célebre frase do livro “O pequeno príncipe” passava realmente a fazer sentido em mim : “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Ser eternamente responsável pelo o que cativo é, em suma, assumir a responsabilidade, tomar as rédeas da minha vida, tomar a vida nas minhas próprias mãos. E confesso, aprender isso em meio ao puerpério foi quase que um tratamento de choque, pois, sejamos francos, como é confortável responsabilizar o outro pelo o que nos acontece!? Temos quase a sensação de um prazer mórbido, o de tirar o corpo fora. Aliás, que sábias palavras, “tirar o corpo fora“, é senão a personificação da não responsabilização, é ausentar meu próprio corpo de mim mesma, é sair de cena e continuar sendo a protagonista. Quantas vezes seguimos esse roteiro? Quantas vezes tiramos o corpo fora por medo de encarar a verdade? E que verdade pode ser mais dolorosa do que a dor de viver fugindo dela?
Essas são algumas das minhas reflexões quando penso na sensibilidade do trabalho da Clarissa, e posso afirmar com toda certeza que o Zumzum de Mães foi um divisor de águas na minha vida. Existe uma Iara antes e uma Iara depois do Zumzum. Me lembro, como se hoje fosse, quando finalmente consegui assistir ao workshop gratuito (tentara fazer outras duas vezes e não conseguia – obra do destino?). Tive então a certeza que eu precisava estar entre as mulheres daquela sexta turma que iniciava, tive a certeza também que, aqueles vídeos, disponibilizados generosamente, eram apenas uma pequena, embora generosa, amostra do que realmente a Clarissa tinha a nos oferecer. Fiz a inscrição, consciente de aquele não seria mais um curso online, aquele seria o meu comprometimento real comigo mesma, e assim foi e assim tem sido desde março de 2018.
Me lembro de cada desafio, de cada conquista, de todas as vezes que eu pensei em desistir, e hoje, um ano e meio depois percebo com gratidão o universo de infinitas possibilidades diante de mim. Agradeço por me comprometer diariamente comigo mesma, me auto responsabilizando e assim, promovendo as mudanças que desejo. Agradeço por cada desafio que me fez e me faz mais resiliente e cada vez mais consciente das minhas escolhas. Sou profundamente grata à generosidade e transparência da Clarissa que, com toda a sua entrega, nos conduz de mãos dadas a um despertar e desabrochar de nós mesmas, para que possamos, diante das dores e delícias de maternar, ser cotidianamente uma versão melhor e mais elevada de nós mesmas. Por nós, pelos nossos filhos, que são a faísca e também o combustível dessa mudança, pela nossa família, pelo futuro de todos nós que merecemos um mundo com muito mais amor, cuidado e acolhimento contornados pelo despertar da consciência com auto responsabilidade e comprometimento. Gratidão 💓
Engravidar, parir, amamentar, cuidar, educar são atos da maternidade carregados de desafios. A mulher contemporânea enfrenta diariamente muitos desafios para maternar e é sobre eles que vamos conversar.
Para Ana Paula Cury – médica antroposófica, fundadora da escola de pais do Colégio Rudolf Steiner e mãe de três filhos – o maior desafio é o fato da maternidade não se assentar mais sobre uma base natural e instintiva. Sendo que nós mães precisamos reaprender esse ofício sagrado, a partir de um esforço consciente. Precisamos a cada dia buscar por informação de como fazer e não fazer, nos alimentando de novos conhecimentos para agir de forma a maternar de maneira responsável.
Outra dificuldade que enfrentamos é o sentimento de estarmos sós. Desde o momento que o bebê nasce nos afastamos do mundo para nos entregarmos as demandas do pequeno ser, assim a cada dia o mundo também se afasta de nós. Para Ana Paula Cury, o fato de termos nos individualizado tanto gera uma polaridade entre o que sentimos, ora nos sentimos individual, livre e ora solitária. Isso gera em nós sentimentos de angústia, aborrecimento, tristeza e tédio.
Aliado a isso, outro obstáculo que enfrentamos é o nosso distanciamento da natureza interna e externa. Hoje em dia, vivemos longe da nossa natureza interna, de momentos de introspeção, de inspiração e também nos distanciamos da natureza externa, e habitamos um mundo artificial vazio que necessita ser preenchido de vida.
A pergunta que nos fazemos é: O que fazer para superarmos esses desafios?
Para Ana Paula Cury, a natureza é plena de referências sobre a vida, o viver e o educar. Observar a natureza nos ajuda a reconectarmos com as nossas próprias necessidades e as das crianças. Observando conseguimos muitas lições sobre a vida e as dificuldades que ela nos impõe. Observando descobrimos que tudo que é vivo transcorre em ciclos no tempo, alterna polaridades em uma linda dança pulsante, saber viver respeitando esse ritmo é um dos caminhos para uma maternidade com mais leveza, alegria e confiança.
Para Rudolf Steiner, fundador da antroposofia e da Pedagogia Waldorf, as primeiras coisas que devemos ensinar para uma criança é dormir e respirar. Ele não se refere aos ciclos biológicos que nos sustentam, ele se refere a aprender a dormir, restaurar e aprender a acordar e estar consciente, mantendo esse ritmo para dentro e para fora, fundamental para a saúde física e anímica.
Para assistir a ENTREVISTA com a DRA. Ana Paula AO VIVO clique na imagem abaixo e inscreva-se:
Para superarmos os desafios precisamos entender que as crianças nos trazem a possibilidade de crescer e evoluir. Elas trazem a oportunidade de nos tornarmos uma pessoa melhor e aprender a amar. Para Ana Paula Cury, os filhos são nossa maior motivação para que a gente cresça e se torne um ser humano melhor, porque eles vieram para nós pelo amor e nos elegeram como guardiões dos seus mistérios. Cabendo a nós adultos oferecermos à criança um ambiente na qual ela possa revelar seus mistérios no mundo. A médica antroposófica afirma que o primeiro ambiente que precisa ser trabalhado é o nosso próprio corpo, as nossas próprias emoções e fazemos isso através do autoconhecimento, da autoeducação.
Apesar das dificuldades diárias da maternidade, segundo Ana Paula Cury, o que nossos(as) filhos(as) esperam de nós, não é a perfeição, e sim o compromisso genuíno de amor e de dar a eles(as) o melhor de nós mesmas a cada momento. E sobre nossos erros… já estamos perdoadas antes mesmo de cometê-los.
TEXTO ESCRITO POR ISADORA SETTE, mãe de duas crianças, Pedagoga, Bióloga, participante do Zum Zum de Mães – Turma 8.
Texto inspirado na entrevista com Ana Paula Cury para o Portal da Escola de Pais Bee Family.
Desde que engravidei pela primeira vez, comecei a ouvir de algumas pessoas, sobretudo outras mães, as seguintes expressões: “Nossa, que CORAGEM!”, “Que CORAJOSA!”, “CORAGEM, hein?” ou outras expressões com o mesmo significado.
Acontece que nunca me achei tão corajosa assim, pelo contrário, sempre me julguei até muito medrosa! Devido a tanto ouvir tais expressões, e principalmente pelo fato da frequência com a qual as escuto ter aumentado nestes últimos quatro anos, resolvi refletir a respeito. É sobre esta reflexão que quero compartilhar com você.
Mas antes disso, o que é a CORAGEM?
Do Latim, CORAGEM é Agir com o Coração. Ou seja, agir de acordo com o que se sente, com aquilo que se acredita verdadeiro.
Nos dicionários, encontramos alguns significados como:
Algo interessante que descobri fazendo esta reflexão e pesquisando um pouco, é que, CORAGEM não é a ausência de medo, mas sim se colocar em ação apesar do medo.
A partir desta constatação, muitas fichas começaram a cair. Conclui de fato que sou mesmo uma pessoa muito corajosa, e tenho certeza que você também é!
Vamos aos fatos!
Para quem ainda não sabe, eu tive dois partos domiciliares planejados (Laís e Gael) e estou me planejando para o terceiro (Lara). Sempre tive o desejo de ter parto normal, daqueles tradicionais que a gente conhece, no hospital, deitadinha, com anestesia… Não que eu achasse que esta era uma escolha melhor para o bebê ou para mim, mas porque eu tinha medo da Cesárea, de ser cortada, de levar pontos e até então, eu desconhecia totalmente as alternativas de parto natural (hospitalar ou domiciliar).
Meu marido, osteopata, foi quem plantou em mim a sementinha do parto natural domiciliar. A princípio rejeitei a idéia, tive medo. Porém, me informei sobre o assunto e abracei a causa. Foi então que comecei a ouvir: “Que CORAGEM!” e algumas outras vezes também ouvia “Você é louca!” sempre seguidos por olhares de desaprovação.
Se tive medo? Claro que sim!
Acredito que independente do tipo de parto sempre existirá um pouco de medo, principalmente para a mãe de primeira viagem. São tantas coisas que podem acontecer, sobretudo quando a mulher não se prepara e não se informa.
Considerando que o bebê já está dentro de você, e que quando estiver pronto ele vai ter que sair de alguma forma, o que pode ser feito para minimizar o medo deste momento? Eu me informei, busquei pessoas capacitadas para me apoiar e encorajar.
Fiz minha escolha pelo parto domiciliar baseada em estudos e pesquisas que comprovam que, quando bem planejado e em gestações de baixo risco, o parto domiciliar é muito benéfico para mãe e bebê. Apesar do medo, segui em frente e agi conforme meu coração. CORAGEM!
Eu já compartilhei um pouco sobre a minha segunda gestação e também sobre a descoberta da terceira. Em ambas senti medo. Na verdade, ainda sinto.
O que quero dividir neste momento é que, com a gravidez do Gael passei a ouvir mais a tal da expressão: “Que CORAGEM!”. E agora então, com a Lara em meu ventre, imagino que você faça idéia do quanto esta expressão se tornou familiar para meus ouvidos. Duvido que você que está lendo este texto, e que é mãe de um ou de dois não pense a mesma coisa sobre quem é mãe de três, ou de quatro ou de mais. Principalmente quando os filhos são bem pertinho um do outro. Por aqui são três filhos em quatro anos. Dá para imaginar o Tsunami? Realmente é preciso muita CORAGEM! Agir com o coração apesar dos muitos medos que envolvem a maternidade.
Um outro fato da minha vida que faz com que as pessoas digam que sou corajosa foi o da mudança profissional.
Sou Engenheira de Alimentos, e desde a minha formação em 2006 atuei como tal (até agosto de 2018). Todavia, antes mesmo de ser mãe, eu não estava satisfeita com a minha vida profissional. Eu trabalhava como Supervisora de Produção em uma empresa multinacional de grande porte, sonho de consumo de muita gente. Tinha um salário bom, benefícios, mas trabalhava demais e não estava realizada com o que fazia. Estava procurando emprego em outras empresas com a idéia de que talvez mudando de ambiente eu pudesse me encontrar profissionalmente de novo e me realizar.
Laís nasceu e comecei a perceber que o mundo corporativo não fazia mais sentido para mim. Não adiantaria simplesmente mudar de emprego, eu queria um trabalho que me realizasse não apenas financeiramente, mas que estivesse alinhado com os meus valores, e que me permitisse maternar com mais qualidade. Fiz um processo de Coaching e me encantei. Em paralelo, estava participando do Zum Zum 4 e também me encantei. Percebi que eu podia unir as duas coisas e através do Coaching ajudar outras mães. Comecei a me preparar para isso fazendo uma formação em Coaching e estudando sobre Parentalidade Consciente, Ciência do Início da Vida, Disciplina Positiva… A idéia era terminar a formação, iniciar a nova carreira em paralelo à antiga, estabelecer-me na nova profissão, pedir demissão da empresa e depois engravidar do segundo filho.
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Mas… não temos o controle de tudo, e foi então que engravidei do Gael. Alguns planos precisaram ser revistos, inclusive o da transição de carreira. E agora?
Segui a gestação trabalhando e ao mesmo tempo me dedicando aos estudos e à formação para a nova profissão, todavia em passos mais lentos do que antes, pois outras demandas se tornaram prioridade. Continuar no mundo corporativo não dava mais. Dois filhos pequenos, pouca rede de apoio e meu marido viajando bastante a trabalho não combinavam com minha antiga vida profissional. Por outro lado, eu não estava com a nova carreira consolidada e pedir demissão naquele momento seria mais um ato de loucura do que de CORAGEM. Ainda assim, mais uma vez foi preciso CORAGEM para o próximo passo. Conversei com meu gestor sobre a possibilidade de um acordo ou demissão. Precisei retornar ao trabalho ao fim da licença maternidade e após dois meses a demissão aconteceu.
“Que corajosa!”, ouvi de muita gente. Trocar o certo pelo duvidoso é para a grande maioria um ato de muita CORAGEM.
De fato, a CORAGEM aqui foi fundamental, visto que a nova carreira ainda não estava totalmente consolidada quando sai do emprego. Muitos medos me rondavam e eu precisava enfrentá-los com bravura, com CORAGEM.
Em minhas reflexões, percebi que era comum eu pedir a Deus em oração por CORAGEM. E como obter CORAGEM se não diante de situações que exijam esta virtude? Deus, em sua sabedoria me atendeu enviando exatamente aquilo que eu precisava para colocar em prática a tão almejada CORAGEM.
Diante de tais fatos, e entendendo que CORAGEM não significa ausência de medo, como até então eu julgava ser, resolvi assumir a mulher CORAJOSA que sou. Não tem sido fácil nem gostosinho, principalmente porque me considero muito medrosa. Entretanto, acredito que CORAGEM é uma virtude fundamental para a maternidade. Instintivamente, quando nos tornamos mães nos tornamos mais corajosas. Fazemos coisas que jamais imaginávamos que seriamos capazes de fazer. Mas no meu caso eu sentia e ainda sinto que preciso de mais.
(Já estou me tremendo inteira só de pensar nas situações que o Universo vai preparar para que eu possa exercitar a CORAGEM em cada um dos casos que citei acima…)
Não sei o que você pensa sobre isso, mas para mim, quando nos tornamos mães, automaticamente ganhamos uma dose extra de CORAGEM. São tantas situações novas no nosso dia a dia que temos que lidar e não sabemos como, tantos medos diante do desconhecido. Mas como mães, temos consciência que não podemos ficar paradas diante do medo, temos que agir de alguma forma. Então surge a CORAGEM de onde nem imaginamos! E não tem essa de que o fato de eu ter três filhos me faz mais corajosa do que quem tem apenas um. A CORAGEM não está relacionada com o “tamanho do perigo”, mas sim com o “tamanho do medo” diante do perigo. Para exemplificar: talvez uma mãe que tenha só um filho exercite muito mais a CORAGEM do que uma mãe que tenha dois, três, ou quatro, considerando que a primeira não tenha se planejado para ser mãe, e a segunda se planejou para ter exatamente este número de filhos.
Ser mãe, por si só, é um ato de CORAGEM desde a gestação. Enfrentamos os riscos da gravidez, do parto, e depois o de cuidar de um serzinho que depende totalmente de nós. Estamos constantemente agindo de acordo com nosso coração. Precisamos nos reinventar, nos redescobrir… Muitas de nós, antes de ser mãe, nunca experimentou trocar uma fralda, dar um banho em um recém-nascido…e para estas, cada uma dessas simples ações exige CORAGEM.
Como tem sido com você?
Observe-se!
Quais os seus medos?
Como você pode agir para enfrentá-los?
De que maneira você pode encorajar-se?
Quero te convidar a aceitar mais este presente da maternidade e assumir a CORAGEM que existe em você!
Experimente sentir aquele friozinho na barriga ao enfrentar seus medos, aquele que a gente sente quando está em uma montanha russa. A vida com CORAGEM fica mais dinâmica e divertida.
Texto escrito por Amanda Balielo, Mãe da Laís e do Gael, Coach de Mães e participante da turma 4 do Zum Zum de Mães.
@amandabalielocoach
Http://facebook.com/amandabalielocoach
No artigo anterior A Maternidade e As Projeções comentei sobre uma ferramenta que, INFELIZMENTE, ainda vejo sendo muito utilizada para “educar”. Trata-se da comparação, julgamento e da vergonha! No passado, nós fomos educados sob os ditames destes parâmetros, mas isso não precisa se repetir! Afinal, quem aqui não se lembra de ser comparada com a amiguinha, com a prima ou seja lá quem for e ser desmerecida ao final?
Vale ressaltar, que estou fazendo um mergulho ainda mais profundo a respeito do tema merecimento em meu blog Conexão Profunda. Inclusive, já analisei esta questão sob a ótica da maternidade no artigo Merecimento e Maternidade. Contudo, sinto que este é um assunto profundamente enraizado em nossa cultura social e tem inúmeras interligações. Vamos analisar algumas delas!
Todos nós, para além das necessidades físicas básicas, temos as necessidade emocionais! Ou seja, todos PRECISAMOS nos sentirmos amados, aprovados, reconhecidos! Aliás, imagino que seja esta a emoção do toque em recém nascidos como destaca a reportagem Contato físico pode melhorar o desenvolvimento cerebral de bebês:
“Para os recém-nascidos, o contato pele a pele com os pais e cuidadores pode ajudar a moldar como seus cérebros respondem ao toque, um sentido necessário para conexões sociais e emocionais, sugere um novo estudo do Nationwide Children’s Hospital in Columbus, nos Estados Unidos, também publicado na revista Current Biology”. Disponível em:https://veja.abril.com.br/saude/contato-fisico-pode-melhorar-o-desenvolvimento-cerebral-de-bebes/
Assim, estudos mostram como o toque, a voz, o carinho e a atenção podem contribuir para o desenvolvimento físico de bebês. Para além disso, já sabemos como todo este envolvimento emocional interfere no comportamento e na capacidade relacional de uma criança!
Quantas vezes a solução de um problemas com criança NÃO passa por um brinquedo novo, uma festa, uma viagem… MAS passa por um olho no olho, brincar junto, conversar? Esta necessidade é humana de sermos olhados, reconhecidos, considerados! Atualmente, percebo isso de forma muito frequente em minha filha: ela quer muito brincar comigo, quer que eu VEJA cada conquista, cada ideia criativa que ela teve! Confesso que às vezes chega a ser sufocante porque NÓS estamos desconectados desta necessidade básica de amor!
Infelizmente, acredito que a maioria de nós estão buscando algum tipo de anestésicos (trabalho, comida, dinheiro, internet) para amenizar a dor de não nos sentirmos amados! Deixo o convite para assistirem a sensacional animação de 8 minutos Alike. Gentilmente, nossos filhos nos convidam para olhar para isso novamente! Minha filha sempre repete com as mãozinhas no meu rosto: “Olha me!”
Geralmente, adultos complicam muito as coisas! Tudo o que as crianças querem é atenção e interesse genuíno! Isto não se encontra no shopping, no currículo da babá ou na melhor metodologia educacional! A atenção e interesse que nossos filhos querem e, de fato, PRECISAM é a dos pais! Vale a pena assistir este vídeo de 2minutos que ressalta isso com a lógica dos adultos: Quem você convidaria para jantar?
A forma como exercitamos o amor com nossos filhos será sua grande referência de amor na vida! Ou seja, a forma como exercitamos o amor com nossos filhos será a forma como eles exercitarão o amor consigo mesmos e com o mundo!
Sim, eu sei que é um processo desgastante, especialmente se não estivermos atentas nos abastecendo e nutrindo também!
Uma das coisas que mais me chamou a atenção logo durante a gravidez foi o medo. De forma geral, eu percebia as pessoas com muito medo e isso era estimulado diretamente ou indiretamente em mim! Na verdade, costumo chamar este processo de terrorismo contra grávidas! Afinal, por que alguém em sã consciência precisa enaltecer para uma gestante que serão cortadas 7 camadas de pele numa cesárea? Ou pior, comentar dos inúmeros casos de morte no parto ou de aborto espontâneo que ela ouviu falar?!
Nossa sociedade vive apavorada e as pessoas já perderam completamente o senso, o respeito e o amor para decidir o que dizer e o que calar! Infelizmente, se apareceu no Jornal Nacional é verdade e se ela leu no WhatsApp é notícia! Assim, o medo impera sob a forma de ignorância e de controle social! Lamentavelmente ainda escuto mães falando do “homem do saco” para seus filhos e coisas do gênero e penso: “Meus Deus, até quando?!
Será mesmo que precisamos educar pelo medo, pela comparação, ameaça e julgamento? Será que o caminho não pode ser pelo amor, aceitação e valorização de cada ser em sua singularidade?
A comparação e o julgamento são grandes artifícios de controle em nossa sociedade! Isto ocorre porque tememos ficar para trás, tememos a competição e ninguém quer ser considerado um fracasso. Estes são os pilares da sociedade do consumo em que vivemos: competição, comparação e medo!
Certa vez, me perguntaram qual seria a coisa mais desejada por qualquer pessoa! A primeira resposta que me ocorreu foi o dinheiro! Afinal, ele parece justificar tantas escolhas e modos de vida! Entretanto, a pessoa que me fez a pergunta me disse que era sentir-se amado(a)! Sinceramente, eu nunca havia parado para refletir sobre isso, mas fez todo sentido do mundo! Todos queremos e precisamos de amor! A questão é que algumas pessoas pensam que dinheiro, fama ou poder serão os atrativos do amor, do reconhecimento e respeito!
Infelizmente, vejo muitos pais transferindo esta lógica da escassez para o Universo infantil! E isto se manifesta através do quarto do bebê, do enxoval, da escola, da festa de aniversário, dos brinquedos etc. Deste modo, as pessoas parecem querer assegurar que seus filhos terão um lugar privilegiado na hora da comparação! Ao invés disso, que tal pensar na importância da Essência? Que tal respeitar o ritmo de desenvolvimento e as singularidades que nossos pequenos trazem ao mundo? Ao invés de olhar a grama verde do vizinho para se colocar por baixo ou pisar no jardim morto do “adversário”, que tal parar de comparar?! Que tal olhar para dentro e com profundidade?
O livro A Coragem de ser Imperfeito: como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é! conquistou lugar seleto na minha cabeceira! Já avancei as páginas, mas amo tanto que volto a relê-las e cada vez tenho um insight mais importante e profundo no meu processo!
Neste livro a autora Brené Brown menciona suas pesquisas com a vergonha e explicita muitos mecanismos que usamos para nos defender de algo que nos incomoda tanto!
“Vergonha é o sentimento intensamente doloroso ou a experiência de acreditar que somos defeituosos e, portanto, indignos de amor e aceitação”. (Brené Brown: 2016, p.52)
Fato é que vergonha é um sentimento universal e primitivo, por isso nossa tentativa é fugir ao máximo dela! E, segundo a autora, quanto menos falamos de nossa vergonha, mais ela cresce e parece ser apenas nossa!
Muitas vezes, ansiosamente, queremos proteger nossos filhos de experiências de vergonha. Isto porque sabemos como ela é desconfortável e dolorosa! Neste momento, buscamos ensinar ferramentas para que nossos filhos se protejam deste “monstro”. Isto pode acontecer através de dinheiro: “olha, mostra como seu brinquedo é mais legal que o dele!” Ou, através dos pais que vociferam conquistas de seus filhos como se te convidassem para um duelo: “Olha, fala pra tia que você já não usa fralda!”. Enfim, acredito que todos nós conhecemos muito bem este caminho da comparação, julgamento e a tentativa de esquiva da vergonha!
O grande intuito deste artigo é exercitar a tomada de consciência de ações, muito automáticas, que já foram introjetadas em nosso cotidiano como “naturais!” Ou seja, parece que olhar para fora, comparar, julgar e perpetuar a lógica da escassez é a única forma de viver! Mas não é! Esta era uma lógica de sobrevivência, muito utilizada por nossos antepassados, e gratidão por nos trazer até aqui. Entretanto, agora, com mais consciência, podemos assumir as rédeas em nossas mãos e mudar o curso desta realidade!
Que tal construirmos uma cultura da suficiência? Onde somos o melhor que podemos e isso é suficiente, é o bastante! Podemos nos arriscar a viver com ousadia porque não precisamos ter medo da vida, da escassez ou da falta de amor! Que tal se nossos filhos se sentissem tão amados que soubessem como se amar e assim também amar aos outros? Que tal uma lógica baseada no auto-cuidado, na gratidão e na suficiência, usando com sabedoria todos os recursos que temos e desenvolvemos?
Nesta sociedade da suficiência, sabemos o nosso valor e ele está muito além do que fazemos! Somos seres únicos e, por isso não precisamos provar nada para ninguém! Só precisamos desfrutar da vida com sabedoria e plenitude, aprendendo com cada passo. Assim, sem medo de errar, sem medo de sermos autênticos, sem necessidade de pertencer a nada que não seja a nós mesmos, honrando nossa Essência! Este é o verdadeiro compromisso! Leia também Pertencimento: você se pertence ou anda se perdendo por aí?
Os pilares desta nova consciência, para mim, são o merecimento, a suficiência e a plenitude! Se você gostou deste texto, deixo o convite para acompanhar esta jornada de busca por uma nova consciência no site Conexão Profunda!
Gratidão pela leitura! Namastê!
SOBRE A AUTORA
Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda e siga no instagram gm_conexaoprofunda
Era um dia típico de trabalho, no final da tarde fui informada que seria indicada para uma viagem de campo na Escócia! Primeiro um frio na barriga e a sensação de iminência de perigo, talvez o alerta tenha sido fruto do instinto de fêmea mamífera, ou à tradicional culpa materna, ou quem sabe meus velhos padrões e crenças ainda em desconstrução… Seja lá o que foi, olhei, acolhi, senti, compreendi e enfim me permiti curtir a ideia!
Alguns dias depois tivemos uma primeira reunião com os instrutores e todos os indicados ate então, o primeiro assunto que trataram foram as datas, estava lá contido naqueles 10 dias, o domingo do dia das mães, pensei: “Tudo bem se nós não enfatizarmos a data em casa, minha filha não vai nem perceber”. Me concentrei de novo na reunião e de repente me veio à cabeça o calendário da escola, lembrei vagamente de ter visto uma apresentação das crianças para o dia das mães, diferente do ano anterior que só teve comemoração do dia da família. Procurei nos meus arquivos do celular e lá estava o calendário, com a apresentação marcada bem no meio da semana que eu estaria fora! Pensei comigo: “Não vou mais! Vou dar um jeito de fugir dessa vez!”
Com a voz tímida e com pouca esperança, alertei que a data pegava o dia das mães. “Ichi é mesmo” disse um colega, que em tom de brincadeira completou: “Ah, minha mãe vai entender!” Na sala haviam uns 7 homens e 3 mulheres contando comigo, dentre as mulheres só eu era mãe, porem nessa hora as outras duas também estavam apreensivas, talvez pensando em suas próprias mães. Além de indicadas, ambas estavam na organização de questões práticas e burocráticas do campo, virei para que estava ao meu lado e disse baixinho: “Isa, vou perder a apresentação de dia das mães na escola da minha filha.” Ela me olhou com toda a empatia de quem entendia a situação, interrompeu imediatamente um dos instrutores perguntando se havia alguma possibilidade de mudar a data, ele respondeu que sentia muito, mas a janela de clima era apertada e já tínhamos reservas na hospedaria em uma das ilhas, que o mês de maio era o mais concorrido e eram poucas as opções de hotel na região. Do outro lado da mesa, a terceira mulher ainda me olhava apreensiva, a reunião seguiu, meu desconforto persistiu até o final.
Terminada a reunião, os comentários e olhares, mesmo dos amigos que tinham filhos, eram de incompreensão, como se fossem coisas diferentes de mais em termos de importância para serem comparadas. Quando disse que existia a possibilidade de eu não ir por causa disso, pelas reações deles, percebi que não tinham noção da magnitude do meu dilema. Eu entendo, eles queriam que eu fosse, afinal uma oportunidade profissional dessa! Entendo que, do jeito deles, era uma tentativa de ajudar, de me motivar a não “desistir”. Mas quando me tornei mãe, sabia que em alguns momentos eu teria que abrir mão de alguma coisa, não poderia ter tudo sempre, e vamos combinar aqui entre nós, abrimos mão de tantas coisas, desde a gestação, são incontáveis as situações, vamos nos acostumando, vamos criando uma resiliência absurda em relação à isso…. Acho que eles jamais entenderiam.
Cheguei em casa e desabafei com meu marido, ele disse que daríamos um jeito, mas que eu não devia abrir mão dessa oportunidade, sugeriu simplesmente dela não ir na escola no dia da apresentação e pronto! “Mas meu Deus e os ensaios, e os presentes que ela mesma vai fazer?” Sim, essa poderia ser uma das soluções, mas não seria fácil, já é difícil para ela quando eu viajo e ainda mais numa época dessa! Entendo que foi o jeito dele de me apoiar, mas ainda me sentia solitária na minha duvida cruel! Senti raiva, esbravejei: “Como podia ser tão simples e racional para eles? Para todos eles?” Fui para o quarto me sentindo incompreendida, lembrei da solidariedade nos olhares das duas outras colegas e isso por hora me confortou!
De repente caiu uma ficha: “É isso! Outras mulheres, as mães da escola, e se eu dividisse com elas? E se elas me apoiassem e se pudéssemos mudar a data da festa na escola? Sem duvida elas me entenderiam.” Falei primeiro com as que eu tinha mais intimidade e elas foram simplesmente maravilhosas, falei de como eu me senti, elas foram tão empáticas, algumas compartilharam comigo situações parecidas e algumas bem piores no ambiente de trabalho. Percebi como ainda é muito complicado para nós mulheres assumirmos esses dois papéis, como que ainda dói, como que ainda estamos divididas sendo metade em cada um deles, quase nunca inteiras…
No dia seguinte, conversei com a secretária na escola, descobri que a festinha ia ser pequenina dentro da sala de aula mesmo, que provavelmente não haveria problema nenhum em mudar a data, mas que era preciso falar com a coordenadora, que dias depois me recebeu com um sorriso no rosto, dizendo que se todas as mães concordassem, a escola estaria disponível para a data que combinássemos. Na reunião escolar de início de ano letivo, pedi a palavra e expliquei a situação para cerca de 20 mães, duas eu tinha acabado de conhecer, mas elas foram unânimes em topar de cara a mudança de data. Agradeci com todo meu coração, cheguei em casa leve e foi só aí que comecei a me preparar e me animar para a viajem.
Os meses passaram e voei para longe, meus pés pisaram no lugar mais incrível que meus olhos já viram, aprendi muito, os instrutores eram os três vulcanólogos mais famosos da Terra, a geologia do lugar é única e a paisagem de tirar o folêgo, que privilégio eu tive.
O Frio atípico da primavera, sussurrou no meu ouvido histórias remotas, de uma civilização nativa que honrava o sagrado feminino, que assumia e enaltecia a força feminina em total equilíbrio e equidade com a masculina, que entendia as duas forças como complementares e harmônicas, como essências da própria natureza! Andando pelos mesmos caminhos que elas, senti a força daquelas mulheres que dançavam para lua, que abençoavam os ventres, que reverenciavam seus ciclos e os ciclos da natureza, do dia e da noite, das estações do ano, do plantio e da colheita, mulheres que estavam conectadas com o todo, sacerdotisas do próprio poder, de todo o poder que a condição feminina oferece, de intuição, de predição e da criação. Como deve ter sido incrível viver em uma sociedade estruturada para que as mulheres também atingissem todo seu potencial, onde elas se reconheciam poderosas e sagradas.
Depois de termos esvaziados nossos potinhos de pedras coloridas, como da outra vez (https://beefamily.com.br/percorrer-muitos-caminhos/), depois do vento frio e a chuva fina gelarem minha pele e meus ossos, voltei para casa com o coração aquecido de amor, com a mala cheia de presentes e historias, olhei tudo com olhos de primeira vez. Abracei cada pedacinho dos meus amores, dormi abraçadinha com eles e cheirando os cachinhos da minha florzinha!
Dias depois estava eu na porta da escola, esperando ansiosamente dar 18h para ver o sorriso e a dança da minha pequena, outras mães também foram chegando, uma balburdia danada, beijinhos e abraços para cá, conversas animadas para lá, uma excitação deliciosa, formando uma egrégora poderosa de alegria.
Fomos convidadas a subir, nos degraus das escadas, pegadinhas coloridas com os nossos nomes nos indicavam o caminho até à sala de aula, paramos diante da porta, a professora saiu para nos receber, um pouco tensa ela disse: “Meninas temos um problema! Tem uma mãe presa no transito, o que faremos? A decisão é de vocês.” E mais uma vez, elas, nós, fomos unânimes em um sonoro: ” Vamos esperar!” Uma de nós disse algo do tipo: “Vamos esperar todas, não vai ficar ninguém de fora, não quero nenhum rostinho triste hoje.” Fiquei ali, olhando extasiada aquelas mulheres incríveis, gentis e fortes, algumas fugidas literalmente dos seus escritórios/consultórios/chefes, ansiosas com o coração em festa, esperaram mais de uma semana por mim e pareciam ainda dispostas e felizes em doar mais alguns minutos de seus preciosos tempos por outra mãe.
A última mãe chegou enfim, pediu desculpas em chinês, nem sei se ela fala a língua portuguesa, mas foi recebida com sorrisos, que são universais. Entramos todas em fila indiana, os pequenos gritaram por nós quando nos viram, uma delícia a alegria contagiante daquelas fofuras. Nunca vou esquecer os olhos brilhantes da minha filha quando me viu, ela estava radiante de felicidade, sentamos de frente para o semicírculo que as crianças formaram e eles começaram a dançar enfim: “…Coisa linda, estou onde você está, não precisa nem chamar… Ah se a beleza mora no olhar, no meu você chegou e resolveu ficar, para fazer seu lar…” A Ive com flores no cabelo cantou e dançou lindamente, fazendo todos os gestos e passos olhando para mim, olhos nos olhos, o mundo parado lá fora, lágrimas escorregaram pelo meu rosto, mas não desfiz o sorriso nem um segundo sequer! E mesmo sem desviar os olhos da minha filha, pude perceber e sentir todas as outras lágrimas, molhando todos os outros sorrisos, nos rostos de todas aquelas mulheres emocionadas ao meu lado.
Mais uma vez pensei nas mulheres das tribos celtas, imagino que elas eram desse mesmo jeito, conectadas ao coletivo e ao mesmo tempo à si mesmas, vibrando pela alegria das suas crias e também pelas crias das suas irmãs. Que alegria e que honra celebrar aquele dia ao lado delas, para mim não era uma celebração do dia das mães, dia das mães é uma data comercial, dia das mães é todo dia, para mim era uma celebração da maternidade, intensa e transformadora que me arrebata de amor e cansaço todos os dias, uma celebração do amor e do vínculo que construímos com nossas crianças, dia a dia, as duras penas e contra todo o sistema. Me senti grata por ter encontrado, nos dias de hoje, essas mulheres sagradas. Por causa delas, por causa dessa tribo, eu pude pelo menos dessa vez ter tudo, pelo menos dessa vez eu não precisei abrir mão de nada, não tive que escolher, não precisei viver nada pela metade, tive as duas experiências inteiras e incríveis.
Esse texto foi escrito por: Vivian Pessoa, Mãe da Ive de 3 anos, Geóloga, Participante da turma 5 do Zum Zum de mães, Educadora Parental pela Positive Discipline Association.
@viviancpessoa