Como uma criança amorosa pode salvar a humanidade?

“Texto inspirado na entrevista que Clarissa Yakiara fez com Laura Gutman, psicoterapeuta e investigadora da conduta humana.

Imagine que uma criança possa salvar a humanidade. Como seria isso? Essa é a ideia desenvolvida pela psicoterapeuta Laura Gutman no seu livro “Uma civilização ninocêntica”. Para a autora há muito tempo nossa civilização perdeu o respeito à natureza dos seres humanos. O que gerou uma civilização baseada em violência, maus-tratos, guerra e doenças. Mas é possível mudar para um contexto de harmonia e amorosidade, isso depende de nós adultos, mas as crianças que nos darão essa oportunidade.

Se pensarmos no desenho original do ser humano e olharmos, por exemplo, um bebê recém nascido aconchegado confortavelmente nos braços de sua mãe, observamos que ele nasce amoroso, suave, disponível e também necessitado, dependente dos cuidados maternos. Se os bebês humanos recebem ternura, presença, amorosidade, disponibilidade, fusão emocional, alimento, contato e a satisfação de todas as necessidades básicas, pouco a pouco essa amorosidade com que nascem vai se estendendo para a vida toda, como uma reação em cadeia. Se nós adultos recebemos quando crianças tudo o que necessitávamos segundo nosso desenho original, o que iria brotar é a amorosidade com a qual nascemos. Caso contrário, se não recebemos a presença, o contato corporal, a afetividade que necessitávamos não vamos ser amorosos, pois tivemos que sobreviver a uma situação hostil.

Para Laura Gutman, nós humanos nascemos com uma enorme capacidade de amar, mas durante a infância, que é um período longo de tempo, temos que receber e ter satisfeitas todas as nossas necessidades básicas físicas, emocionais, afetivas, de alimento, ternura, etc… até que tenhamos a condição de sermos autônomos. Temos que viver certas condições para podermos usar nossa capacidade de amar que está no nosso desenho original. Se não vivemos, nos tornamos pessoas hostis e nossa amorosidade fica trancada em algum lugar. A maioria de nós, ainda hoje, tem o impulso de continuar fazendo o que fazia ao longo da infância e adolescência, e o que nos liberta desse padrão é a nossa consciência. Quando nossos(as) filhos(as) nascem, eles(elas) abrem as portas da nossa consciência, mas cada um de nós decide se atravessa ou não.

Se somos mães de crianças pequenas, como vamos dar à elas as condições que necessitam? Laura Gutman afirma que o primeiro passo é fazer um trabalho interno: abordar a realidade da qual provenho, olhar para o passado de maneira realista, para as experiências infantis que vivi. Ou seja, é preciso abordar a realidade real que você viveu sob o ponto de vista da criança que foi. E abordar o que você fez para sobreviver a esse cenário.  Laura Gutman desenvolveu uma longa metodologia para chegar a essa realidade: a biografia humana.  Mas eu te convido agora a fazer uma breve reflexão sobre a sua própria história. Responda essas questões de maneira sincera e profundamente: como você nasceu? Você foi amamentada? Onde você dormia? Quem cuidava de você? Quais os fatos marcaram a sua infância?

Nós adultos, em geral, tivemos infâncias muito violentas. E se passamos nossa vida adulta clamando por aquilo que não tivemos, não terminamos de amadurecer, não assumimos nossa responsabilidade, e as crianças que nascem hoje não vão se tornar adultos maduros. Assim continuamos uma cadeia de violência, destrato e desamor, pois estamos sempre prejudicando as crianças em função de nós mesmos(as).

Eu acredito em uma civilização mais consciente e amorosa. Nós mulheres, nesse momento, vamos assumir uma tarefa mais difícil a favor de nossos(as) filhos(as) que serão mães e pais daqui 20 anos, e não terão que passar por esse processo de forma tão dolorosa quanto nós estamos passando. Temos que cortar essa cadeia transgeracional de dor, sofrimento, dominação e desamor. Isso requer compromisso emocional sabendo que provavelmente na nossa vida não podemos mais resolver, mas podemos fazer pelas nossas crianças. Elas nos convocam ao amor. Elas nascem com uma quantidade de amor muito grande e somos nós que não sabemos abordar em sua verdadeira dimensão. Vamos juntas mudar essa realidade!” Isadora Sette

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Texto escrito por Isadora Sette, mãe da Anita e Pedro, educadora perinatal, bióloga e pedagoga, que tem o propósito de acolher, inspirar e apoiar mulheres na arte de gestar, parir, amamentar e cuidar através da escuta empática e do atendimento individual. Madrinha do Zum Zum de mães da Bee Family.

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