O antes

Quando tive minha filha eu já estava junto com meu companheiro há cerca de 12 anos, ele foi meu primeiro namorado, chegamos a ficar um período separados, e depois retomamos o relacionamento que perdura até agora, quase 15 anos.

Sempre tivemos um relacionamento respeitoso, compartilhamos alguns hobbies e paixões em comum como pela literatura, história, música, escrever. Quando fomos morar juntos, curtimos bastante a vida do nosso modo, gostávamos de estar entre casais amigos, e o que realmente nos definia era nosso amor a “nosso cantinho”, nossa solidão, lendo, cozinhando, vendo filmes, séries, vivendo no nosso mundinho particular. Que saudade desse tempo!

De certa forma, mesmo tendo coisas em comum, cada um também tinha seus próprios hobbies e manias, ele sempre dedicou seu tempo livre a sua revista, site e música, e eu aproveitava meu tempo vago pra cuidar da minha aparência física, pra ler livros e minhas revistas de moda e decoração, eu amava ficar vendo a nova tendência ou cor da moda.

Assim era nossa vida, nada nos abalava, vivíamos na “nossa bolha”, curtíamos nossa privacidade, nossa solidão por opção, éramos jovens pouco ambiciosos, muito acomodados na zona de conforto de um relacionamento tranquilo.

Como eram os sentimentos na relação

Na minha opinião, sempre existe entre o casal aquele que se interessa primeiro, e aquele que se deixa interessar. O que se interessa sempre vai “amar mais” que o outro. No nosso caso, foi meu companheiro que se interessou, e eu acabei gostando da forma como ele me tratava, me agradava, me elogiava mesmo quando estava desarrumada, me enchia de presentes.

Não foi paixão avassaladora nem amor à primeira vista de comédia romântica. Com o passar do tempo, a recíproca de sentimentos foi verdadeira de ambas as partes, vivemos muitos bons momentos juntos e felizes. Não era a relação idealizada perfeita, uma relação estável e real, eu tinha um companheiro que me respeitava e mimava, estava feliz assim.

Mas como nada é perfeito, também tivemos uma fase do nosso namoro que por ciúme e traição acabamos nos separando, o ciúme não justifica a traição, acredito que numa relação ambos são responsáveis. Por tanto tempo juntos, e o carinho um pelo outro, acabamos retomando com mais consciência de que um não era dono do outro, que a confiança era a sustentação de qualquer relacionamento.

Nossos conflitos antes de ter filhos

Quando resolvemos morar juntos, foi justamente como uma decisão para acabar com a distância que já havia desgastado nosso relacionamento de tantas formas. Resolvemos fazer um teste que acabou dando certo. Estando juntos na mesma casa, restabelecemos a nossa confiança, e voltamos a viver em harmonia.

Minhas brigas com ele eram sempre sobre coisas banais, era sobre o tênis jogado na sala, sobre eu “ter de pedir” para fazer alguma demanda da casa, e ele às vezes me falar que no tempo dele faria. Eu não conseguia respeitar o tempo dele, pois essa atitude me tirava do meu lugar de controle, e eu autossuficiente como era, muitas vezes resolvia fazer tudo sozinha pra ter o controle de tudo na hora que eu queria, e claro, reclamar dele depois.

Eu reclamava entre amigas dessas posturas, falando mal dos homens, do quanto eles eram mimados, folgados e acomodados, apesar do meu parceiro ser muito ativo e não ser nem metade disso, uma vez ou outra que ele não fazia algo ou quando eu achava que não tinha feito “bem feito”, eu me sentia injustiçada. Pensava que a divisão tinha de ser igualitária, e a vida acabava se tornando uma competição. Quem fazia mais, era melhor que o outro, e quem fazia menos, era pior. Claro, que muitas vezes, eu me achava superior. Hoje vejo o quanto isso dizia mais de crenças limitantes minhas relacionadas aos homens como herança do patriarcado, do que da real atuação do meu companheiro.

O que a chegada da nossa filha acarretou

Então, nossa filha nasceu, e os direitos iguais entre homens e mulheres que já falava alto pra mim, gritou, e a balança que na minha cabeça tinha que sempre estar equilibrada, senti que “pendeu totalmente pro meu lado”. Além das demandas da casa e comida que por muitas vezes eu assumia para ter o controle, ou seguindo os padrões da minha criação de que mulher que arruma a casa e cozinha, e o homem provê financeiramente e descansa, mas dentro de uma estrutura onde a mulher não trabalhava fora porque dentro da estrutura do nosso relacionamento onde os dois trabalhavam fora, ter um bebê dependente de mim vinte quatro horas por dia, me tirou o chão. Antes, eu dava conta sozinha, e ficava na minha superioridade, reclamava de vez em quando, mas não tinha maiores conflitos no relacionamento, e ia tocando. Mas com a chegada daquele bebê, tudo mudou. Eu não dava mais conta.

No começo, eu não tinha mesmo condições físicas de fazer nada, sou grata por ter contado com a ajuda da minha mãe, algumas vezes da minha sogra, e meu companheiro fazia o que ele podia, da forma que podia.

Depois que fui me recuperando, a “autossuficiente em mim” começou a reclamar que as coisas da casa feitas por ele, não estavam bem feitas, procurava motivos pra brigar.

Até o fato do bebê só se acalmar comigo – a mãe, eu achava equivocadamente que era porque meu companheiro não “assumia seu papel de pai”, por isso nossa filha queria ficar comigo o tempo todo, me sufocando. Como eu mencionei no meu texto anterior, eu nunca tinha ouvido falar sobre puerpério, sobre fusão emocional, exterogestação, sobre a criança se perceber nos primeiros meses de vida como uma extensão da mãe e continuar a espelhando emocionalmente por alguns anos a seguir. O que me restou, foi achar culpados pra tanta bagunça emocional, e obviamente que acabou respingando sobre a pessoa mais próxima, meu parceiro.

É claro que ele tem os defeitos dele, assim como eu tenho os meus, mas o filtro pelo qual eu o julgava era poluído de emoções embaralhadas, falta de informação, falta de autocuidado, falta de empatia, crenças limitantes de gêneros, crenças equivocadas de uma revolução feminista que pedia direitos trabalhistas iguais, e não direitos iguais dentro de uma estrutura familiar. Porque não, homem e mulher nunca poderão ser iguais dentro de uma família, o feminino abrange coisas que o masculino não, e vice-versa, e entender isso e me reconciliar com meu feminino dentro da minha família também está fazendo parte dos meus processos internos. Eu só consegui enxergar as coisas como elas realmente eram, e não como eu as imaginava, após terapias, o mínimo de autocuidado, e estudar muito. Muitos livros foram de grande valia nesse processo, eles sempre foram meus companheiros de viagem, e se tornaram meus grandes conselheiros.

O desejo de separação

A demanda só aumentava, trabalhar fora, fazer jornada dupla, e ainda lidar com a culpa de toda essa situação ficou pesado demais. Eu me culpava, e culpava meu companheiro por todo o caos que estávamos vivendo. Quando minha filha completou perto de um ano, eu comecei a pensar que já que eu tinha que “cuidar de tudo sozinha”, que melhor fosse a separação. Que aí sim, eu faria tudo sozinha, do meu jeito, e assumiria o peso de realmente estar sozinha com um bebê, porque esse era o sentimento confuso que eu apresentava em relação ao meu companheiro. Também começou a passar pela minha cabeça pensamentos de que eu merecia uma relação de contos de fada quando a minha nunca tinha sido, e agora então, estava péssima.

Esse é o momento do texto de esclarecer que a realidade não era assim como eu pensava e como descrevi acima, que eram essas as minhas percepções equivocadas, ego-ístas, minhas projeções decorrentes da minha profunda angústia puerperal, meu reforço às minhas crenças infantis de que eu tinha que fazer tudo sozinha, que eu tinha que dar conta de tudo sozinha… depois descobri também se tratar de uma espécie de depressão pós-parto.

O clima de tensão entre nós só piorava a cada dia, a presença de um já irritava o outro, eu ficava com raiva dele quando ele estava dirigindo e fazia qualquer comentário sobre o trânsito, impulsivamente corrigia quase tudo que ele falava ou fazia com nossa filha, e brigávamos na frente dela. Minha falta de autoconsciência era tanta que isso pra mim se tornou o normal, achava que minha filha tinha que se acostumar com as brigas, afinal o senso comum nos dizia para não poupar nossos filhos pois a vida é dura, deixar que aprendessem desde cedo, e quem não consegue ver a sua própria bússola interna segue o senso comum, que diz daquilo que fazemos sem questionar o porquê. Mas claro que não me sentia feliz com isso.

Então descobri e comecei a estudar sobre educação não violenta, sobre criação com apego, e minha cabeça ferveu mais ainda, a culpa aumentou e os desentendimentos com meu companheiro, pois queria aplicar aquelas premissas na criação da nossa filha à risca, e queria impor para ele que lesse mais a respeito e fizesse igual. Ledo engano o meu… achar que aplicaria uma educação não violenta, quando o clima da minha casa era de uma total violência, ainda que sutil, entre meu companheiro e eu.

Filhos como mestres

O estopim foi quando a minha filha teve pneumonia, e um dos significados dessa doença segundo a psicologia é falha na comunicação associada ao medo da morte. Sobre o medo da morte, abordarei oportunamente em outro texto, pois foi algo muito impactante pra mim.

Sobre a comunicação, eu e meu companheiro não conseguíamos trocar uma palavra sem brigar, e nossa pequena absorvendo tudo isso. Creio que nossos filhos não adoecem por acaso, e que cada doença traz um aprendizado específico para nós pais. O meu especificamente, foi um chamado para olhar pra mim mesma e toda essa situação.

Depois que ela adoeceu gravemente que pela primeira vez consegui enxergar que nós precisávamos de ajuda profissional. Foi quando fizemos osteopatia pediátrica na nossa filha, e começamos um tratamento de Microfisioterapia com ela e comigo, que se estendeu a toda família, e que nos ajudou imensamente a ter mais consciência do que estava acontecendo.

A mudança

Me encontrei também com um Programa de Alinhamento do Feminino e Masculino Internos, com a Clarissa Yakiara, que me trouxe tantos insights, tantos “tapas na cara”, e me fez tirar a máscara da autossuficiente e superior dentro de um relacionamento. Enxergando que tudo, ou quase tudo, se tratava de projeção minha sobre meu companheiro, vendo que aquilo que me incomodava nele, também dizia sobre mim.

Que as posturas que eu criticava dele, eu também as tinha, em menor ou maior grau. Muitas em maior grau, e eu não enxergava. Que somente assumindo a postura de autorresponsabilidade e co-responsabilidade pela relação estar no patamar que estava, assumindo a minha contribuição e minha parcela de culpa pelo relacionamento ir de mal à pior, algo poderia mudar.

Sem ajuda profissional, acho que eu não teria conseguido continuar no relacionamento, ou se tivesse continuado estaria vivendo num verdadeiro campo de batalha. Atualmente, eu e meu companheiro estamos nos refazendo enquanto casal, estamos enxergando mais um ao outro, e isso aumentou a empatia e o respeito na nossa família.

Práticas que fizeram a diferença

A primeira coisa que me fez mudar dentro da relação foi a minha auto-percepção, assumir meus erros com autorresponsabilidade, sem querer justificar minhas atitudes erradas em razão das atitudes erradas do outro, reconhecer que eu também tinha culpa da relação decadente que estava inserida.

Que da mesma forma que eu contribuía para a relação estar indo mal, eu podia contribuir para ela melhorar. Não com grandes gestos e nem rapidamente, mas com pequenas atitudes diárias, por exemplo “mordendo a língua” para evitar uma briga e engolindo o orgulho em prol da harmonia daquele momento. É claro que não é fácil, nem simples, mas se não começamos nunca, nunca melhora.

Fui desconstruindo as minhas crenças em relação a rotina da casa e alimentação, de que existe jeito certo pra arrumar isso ou aquilo, que a casa tem que estar arrumada sempre, que temos que comer brócolis todos os dias, que o único doce da criança tem que ser a uva passa religiosamente até os três anos, pois sempre que saia dessa linha era razão de briga e sofrimento pra mim.

Quebrei o paradigma de que tinha que dar conta de tudo e que meu companheiro era obrigado a me ajudar nessa missão e dividir as tarefas comigo matematicamente em todo o tempo, e a rigidez da rotina e da relação foi se suavizando. Percebi, por exemplo, que eu competia com ele em relação a descansar, eu ficava com raiva dele quando ele descansava enquanto eu estava acordada e fazendo as coisas que “tinham que ser feitas”, mas na verdade eu vi que não se tratava de quem descansava mais, e sim do quanto “eu não me permitia descansar”. E projetava nele essa raiva, que era muito mais de mim do que dele.

Abandonei a minha crença do relacionamento de contos de fadas, e passei a fazer força pra enxergar as coisas boas que sempre foram tantas na minha relação, as qualidades do meu companheiro que sempre prevaleceram sobre os defeitos, enxergar nele com olhos menos julgadores a pessoa de bem, que sempre me respeitou, me tratou com carinho, zelou pelo meu bem estar e de nossa família, o pai incrível que ele sempre se esforçou e se esforça pra ser.

Essa ilusão de relacionamento perfeito tem que cair por terra pra começarmos a olhar pro relacionamento real, possível, entre dois seres humanos falhos que dão o seu melhor pra fazer algo dar certo. Continuamos tendo problema, mas parei de criar falsas expectativas. Dessa forma, consigo olhar pro ser humano ao meu lado, que também está ali lidando com as dores dele e dando o que ele tem pra dar. Dessa forma, consigo exercitar a empatia.

Acima de tudo, eu tive que olhar pra mulher em mim além da mãe e da esposa, pra toda vida que deixei pra trás, e devagar fui me permitindo fazer programas sozinha, passei a frequentar um grupo de sagrado feminino mensalmente que me ajuda a olhar pra essa mulher. E o mais difícil, sem culpa. Acho que esse me permitir viver de novo sem culpa foi o que mais me reconectou a mim mesma, e ajudou a me reconectar com meu companheiro. Senti na pele, que se conectar com o outro quando estamos desconectados de nós mesmos não dá certo, essa conta não bate nunca!

Como não doer em nós quando o companheiro sai pra jogar bola com os amigos, se não nos permitimos fazer nada por nós mesmas sem ficar se remoendo por nosso filho que ficou “sozinho” com o pai e comeu pizza no jantar? Como saber se há vida de casal após a maternidade, se nos achamos tão egoisticamente essenciais na vida dos filhos ao ponto de não podermos sair pra jantar sozinhos uma vez e deixar o filho com alguém de confiança?

O amor sempre vence

É verdade que a chegada dos filhos coloca uma relação em xeque, é nesse momento que descobrimos se realmente queremos estar com aquela pessoa ou não, pois a demanda emocional e mudança na estrutura da nossa vida toda e da família, coloca tudo de pernas pro ar.

Acredito que ir ou permanecer é amar, amamos o quanto podemos, e da forma que podemos. E isso requer uma escolha. Sem escolha não há liberdade.

Se escolhemos ir é uma forma de amar a nós mesmos e ao outro, pois ficar sem disponibilidade de mudar é uma prisão de inocentes. Ir demanda coragem e é um processo que não se desenha da noite pro dia.

Ficar é uma forma de reconhecer a nós mesmos no outro, e isso também é amor. Também é necessária muita coragem e decisão firme para olhar para o outro como uma oportunidade de mudança, para resgatar e refazer uma relação pós filhos. Mas eu tenho conseguido diariamente, e digo que é possível sim, mesmo que em alguns dias eu não consiga, lembro da minha decisão de escolher ficar, e sigo. Pra mim tem sido uma experiência desafiadora e gratificante, que tem valido muito a pena!

Este Texto foi ESCRITO por:

NATALIA CAMILA DA SILVA

32 anos, mãe da Olívia de 3 anos, Participante da Turma 5 do Zum Zum de Mães, Funcionária Pública, Gestora de Recursos Humanos, adepta do Sagrado Feminino. Escreve para elaborar suas emoções, só de escrever se sente mais leve e mais inteira.

IG: natycamila87

One Comment

Estes dias tive um insight poderoso para o meu momento: confiar é não se desesperar quando as coisas saem diferente do planejado! Recentemente, tenho observado de perto minha necessidade de controle, minha raiva crescente quando as coisas fogem do planejado e, com crianças, isto sempre acontece! Ou seja, a gente dificilmente consegue sair na hora que queríamos, com a roupa que gostaríamos e, no fim, estamos sempre diferentes do que tínhamos imaginado e… Uau, quando finalmente conseguimos sair, agradecemos pelo feito!

No momento, minha filha tem três anos e simplesmente empaca em alguns pontos. Ou seja, às vezes ela cisma com a roupa, com o sapato, com a bolsa ou com o brinquedo que quer levar. Por vezes, parece uma necessidade de ser do contra. Contudo, em outros momentos parece uma miniatura minha nos meus momentos de insegurança, conferindo se peguei tudo, se posso melhorar algum aspecto… Ah, este meu perfeccionismo que tanto me atrapalha e que quando vejo refletido nela me irrita tanto. Aliás, quando vejo nela percebo o quanto me atrapalha viver e desfrutar os momentos com maior leveza!

E, quando o assunto é viagem, então! Nossa, eu viro uma máquina de planejar diferentes cenários e necessidades que precisam ser satisfeitas ou contempladas de algum modo!

Perfeccionismo: buscando o buraco do pudim!

Certa vez, escutei esta metáfora e ela nunca mais me saiu da mente porque inúmeras vezes me pego neste movimento! Isto é, ao invés de DESFRUTAR o pudim, me permitindo sentir todo sabor delicioso que me traz, eu observo o que está faltando, o que poderia estar melhor. Desta forma, estrago o momento, o pudim e me condeno a buscar uma idealização de perfeição que simplesmente não existe!

Vale ressaltar que esta característica minha já foi mapeada há tempos, mas percebo que há um vício sociocultural de procurar o que está errado. Por exemplo, quando você se olha no espelho o que suas vozes internas te dizem? Quais são mais fortes? Ou então, quando você arruma seu filho para uma festa ou um momento importante para você, o que pensa? Ah, por que ele quer usar duas peças estampadas? Nossa, já comprei um sapato mais novo, mas ele insiste em usar este surrado?!

De fato, temos vozes internas que nos insuflam olhar exatamente para o buraco do pudim. Afinal, vivemos numa sociedade do consumo que nos estimula constantemente a querer comprar algo para tapar este “buraco” do pudim. Desta forma, nos esquecemos que é o buraco que traz a forma do pudim e que ao invés de algo a ser preenchido, poderia ser algo a ser contemplado!

Neste sentido, é preciso reconhecer que o perfeccionismo é uma meta impossível e que, errar e lidar com o que falta, é tão importante quanto aprendermos a desfrutar o que já temos!

Suficiência: uma jornada de busca

Nos últimos meses, me propus a refletir intensamente sobre suficiência e como ela reflete na minha vida e na vida que eu quero viver! Inclusive, fiz esta reflexão também sobre merecimento em muitos de meus artigos do Conexão Profunda. O resultado têm sido uma busca muito intensa de significado e propósito com reflexões muito potentes e curativas no sentido de perceber que é preciso construir novas sinapses (caminhos cerebrais).

Isto porque, nosso cérebro constrói caminhos para “facilitar nossos processos!” Mas, às vezes, estes caminhos nos fazem viver no automático em direções que não gostaríamos de estar seguindo. Por exemplo, esta tendência perfeccionista que me faz querer controlar as coisas, prever possíveis erros e planejar tudo antecipadamente.

Deste modo, reconheço que meu perfil garante trabalhos bem executados, uma dedicação com a qualidade do que eu entrego. Contudo, me demanda tempo, certo sofrimento por conta da ansiedade e me atrapalha DESFRUTAR das coisas com leveza. E a solução para isso é buscar a suficiência das coisas, dos momentos, da minha própria capacidade de fazer as coisas.

Inclusive, percebo que vivemos tão estressados e ansiosos tentando corresponder às expectativas, julgamentos e valores de escassez. Em outras palavras, quanto tempo passamos nos sacrificando pelo futuro ao invés de simplesmente desfrutarmos o presente em sua inteireza?

Maternidade e Satisfação

Desde que o universo materno começou a fazer parte do meu mundo, conheci a frase popular: “Quando nasce uma mãe, nasce uma culpa!” E, apesar de achar muito aprisionadora esta frase, por vezes me pego neste movimento de me sentir culpada, errada ou insuficiente!

Vale ressaltar que o controle, o planejamento e esta parte excessivamente mental sempre estiveram muito presentes na minha forma de lidar com o mundo. Entretanto, agora percebo mais profundamente como este vício mental, por vezes, me atrapalha encontrar satisfação com as escolhas que faço, com as decisões que tomo.

Por isso, acredito que na vida mais complexa com família, ter clareza do que realmente importa faz uma diferença enorme! Então, estou buscando refletir e observar que é possível construir novas sinapses, um caminho que passe pelo equilíbrio e pela suficiência. Desta forma, tenho aprendido que é preciso ceder e parar de buscar o ideal, mas ficar feliz com o feito. Ou seja, é preciso DESFRUTAR O CAMINHO ao invés de focar na meta, no ideal e perfeito (inexistentes).

“Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”. Antonio Machado

Fazendo as pazes comigo

Neste processo de encontrar a suficiência, percebi a necessidade de parar de brigar comigo mesma pela perfeição! Em algum ponto eu entendia que não buscar o perfeccionismo era fazer as coisas de forma desleixada. Contudo, o livro da Brené Brown A Coragem de Ser Imperfeito me trouxe outra perspectiva sobre o assunto:

Para alguns, o perfeccionismo pode surgir apenas quando estão se sentindo particularmente vulneráveis. Para outros, o perfeccionismo é compulsivo, crônico e debilitante – ele parece um vício.

Independentemente de nos encaixarmos num ou noutro tipo, se quisermos estar livres do perfeccionismo, precisamos fazer a longa travessia do “O que as pessoas vão pensar?” para o “Eu sou o bastante”. Essa jornada começa com resiliência à vergonha, amor-próprio e aceitação. Para assumir a verdade sobre quem somos, de onde viemos, em que acreditamos e sobre a natureza imperfeita de nossa vida, precisamos estar dispostos a pegar leve nas cobranças e apreciar a beleza de nossas falhas e imperfeições; precisamos ser mais amorosos e receptivos com nós mesmos e com os outros; e precisamos conversar conosco da mesma maneira com que conversamos com alguém que amamos. (p. 98)

De antemão, peço perdão pela longa citação, mas considerei importante e valiosa as palavras literais da autora! Nesta passagem existem inúmeros aspectos que estou refletindo e trabalhando em meus artigos. Todavia, aqui gostaria de registrar a importância de encontrar suficiência em nosso relacionamento conosco para transbordar isso para nossos filhos e para o nosso Universo.

Ser o exemplo: tarefa árdua

Muitas vezes, eu me sinto num palco sem tempo para pausas e elas me fazem falta! Atualmente, sou mãe em tempo integral e estou sendo observada o tempo todo! Isto me faz não ter espaço para exercitar lados meus que eu sei que não são “exemplares” para minha filha! Ou seja, eu quero gritar, xingar, chutar a porta e chorar sem precisar dar satisfação quando estou passando pelo perrengue. Mas a situação que tenho no momento é pedalar para a bicicleta não cair e isto implica precisar lidar comigo e com minha filha ao mesmo tempo.

Por vezes, meu marido que está trabalhando em casa, me socorre. Em outros momentos, eu mesma preciso recolher os cacos de mim e explicar para minha filha coisas que nem eu mesma consigo entender sobre mim em alguns momentos!

Agora, ela já entendeu que às vezes eu só preciso chorar e ela sussurra na porta: “espira, mamãe!” Ou seja, respira, rs! Outras vezes que eu me descontrolo e grito, ela me diz: “Calma, eu te ajudo!” E, mais recentemente ela me olhou num destes momentos e me disse: “Você quer um abraço?” Nestas horas, o meu descontrole passa e eu nem entendo como entrei naquele estado.

Entretanto, também já vivi episódios dela perceber minha irritação e rir repetindo o comportamento que estava me irritando. Ah, como às vezes é difícil SER o que a gente quer VER no mundo, como diria o Gandhi!

Transbordando amor

Às vezes me lembro do filme “Efeito borboleta” e penso que mesmo se eu desenhasse o script do jeito que minha mente martela ser o melhor, minha vida não seria tão perfeita como eu idealizo! Ou seja, o pudim precisa do buraco no meio para ser pudim! Provavelmente, minha filha precisa presenciar alguns momentos de descontroles meus para se inspirar a lidar com as próprias emoções!

Vale ressaltar que nossa educação, nossa sociedade e cultura nos estimulou a jogar a “sujeira” para baixo do tapete e fingir que ela nunca aconteceu! Aliás, as redes sociais é onde mais percebo esta tendência! Agora, eu me pego num trabalho de olhar toda a “sujeira escondida ” dentro de mim para ir aprendendo com ela. Isto quer dizer, ir reconhecendo minhas sombras, me vulnerabilizando e desconstruindo pilares que já não fazem mais sentido na minha história!

“O melhor trabalho político, social e espiritual que podemos fazer é parar de projetar nossas sombras nos outros” Jung

Gratidão pela leitura! Namastê! _/\_

SOBRE A AUTORA

Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE!

Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda  e siga no instagram gm_conexaoprofunda

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Você se permite chorar? Dá espaço para sua tristeza? O que você faz quando se sente triste? Você se permite entrar em contato com suas emoções “negativas”? Ou se sente mal consigo mesma, tenta se distrair e evita a dor o máximo que pode?

Neste episódio da Tenda Materna, eu e a Clarissa compartilhamos como o contato com a dor tem nos possibilitado lidar melhor com nossas emoções e com as emoções de nossos filhos. Permitir que nossas dores se expressem é um grande portal para o crescimento pessoal.

Entre na Tenda e escute nossos relatos com experiências que vivemos este ano e que nos permitiram limpar e curar muita dor através da nossa entrega a ela.

Dá o play e curta o último episódio da Tenda de 2019!

Fica aqui nosso presente de fim de ano para vocês e os votos de que 2020 seja um ano de muitos frutos, alegrias e também espaço para nossas vulnerabilidades!! Que possamos honrar o que a vida nos traz, sem julgamentos, com presença e abertura para aprender com cada momento que surge.

Com carinho,

Clarissa e Maíra

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-Alô, é da Organização Mundial da Saúde? Que história é essa de que crianças de dois a seis anos não podem ficar mais de uma hora na frente da televisão, de celular ou tablet? Querem acabar com a nossa salvação?

-Filho, fique quieto, não consigo ouvir o telefone, Meu Deus, você quebrou um copo? Vamos para outro lugar, depois eu limpo isso, vem.

Só eu com o celular na mão, eletrônicos desligados, por isso essa criatividade a todo vapor.

Ele sobe na cama do escritório e pega o meu globo terrestre no colo, gira-o com os dedinhos, toca o mundo com a palma das mãos, coloca o dedo indicador em Paris e ri para mim, eu respondo que é longe, enquanto ouço uma música chata tocar ao telefone, parece que a atendente não gostou da minha reclamação.

Ele encana com o Hemisfério Norte, vejo-o conversando com o globo, eu respondo que lá tem urso polar.  Ele imita um urso gigante e começa a me fazer cócegas nas pernas e diz que o urso quer comida, pulando pulando igual a um canguru.

-Organização Mundial da Saúde, boa tarde.

Não consigo responder alô, estou concentrada em dar risadas e a nova atendente deve achar que está falando com uma louca varrida do outro lado da linha, mal sabe ela que morro de cócegas nas pernas e que tem um urso no meu escritório arranhando-me e implorando por comida.

Eu sei, esse tal urso está utilizando suas artimanhas para ver a luz dos olhos meus se encontrarem com a luz dos olhos seus, e isso eu só consigo fazer longe do celular, mas mal sabe ele que o assunto é extrema importância para a sua galáxia.

-Boa tarde Eduarda, desculpa, estava passando por uma situação delicada de pernas, quer dizer, uma situação delicada apenas, ou melhor, apenas engraçada. Bom, vou direto ao ponto, para não ser transferida novamente para outra atendente: Por que essa regra da OMS de apenas uma hora de uso de telas para crianças de três anos? Por quê? Sabe que nós mães usamos o chicote da culpa diariamente e vêm vocês agora por mais essa dívida na nossa conta?

-Minha senhora, é apenas uma orientação, não precisa cumprir à risca. Não temos o manual da educação, cada pai faz aquilo que é melhor para sua família, queremos apenas chamar a atenção dos pais para algumas questões, veja: vocês pais não deixam o filho sair na rua sozinho, dirigir, usar arma, mas dão acesso livre ao celular que é o maior esgoto a céu aberto do mundo, com conteúdo de pornografia, automutilamento, suicídio, crimes, etc.

-Entendo, até aí eu concordo, nem criança nem adolescente pode ter acesso livre ao celular.

-Hoje, está em alta, crianças assistirem a outras crianças brincando, há pais que acham que o seu filho está brincando porque está vendo outra criança brincar, mas na verdade, esse é o auge da passividade, da dormência dos sentidos, é a morte da criatividade, da capacidade de ser criança, do desejo de brincar com as próprias pernas e mãos.

-Mas todos nós assistíamos à tv quando éramos pequenos, Eduarda.

-Minha senhora, mas não assim, hoje em dia há também propagandas camufladas, um incentivo de consumo exagerado, as crianças se tornam produtos vendendo produtos e nossos filhos se tornam bonecos de olhos estalados e hipnotizados, sem qualquer discernimento.

Olho para o meu filho com o mundo nas mãos, cheio de ideias na cabeça, no momento imitando um avião para buscar outro urso polar no hemisfério norte, e tento mais uma pergunta à atendente, a meu favor, digo que a tv ajuda a desenvolver a fala.

-Não, não, minha senhora a fala se desenvolve pela interação social, a tela não reage, se a criança conversa não há qualquer comportamento corporal em resposta àquela ação. Há estudos que dizem que as sinapses cerebrais de uma pessoa conectada a um estímulo tóxico de tela são semelhantes a um usuário de droga; deixe seu filho no celular por meia hora, mudando e mudando com os dedinhos os mais variados programas, depois tente tirar dele o celular para ver se ele não se comportará como um bicho, um “addicted”.

-Verdade, isso já aconteceu comigo.

-Sem contar a enorme frustração que a criança se depara com a vida ao perceber que não consegue mudar as coisas com um simples toque dos dedinhos na tela da vida. Uma pergunta: a senhora dá chocolate, sorvete em excesso para o seu filho?

-Claro que não (eu repondo categoricamente, porque cuido bem da alimentação dele).

-Pois é, o açúcar é um aditivo também, e por que é mais fácil de visualizar do que as telas?

-Verdade, Eduarda.

-Senhora, esse mundo virtual está matando nossos jovens, a depressão infanto-juvenil tem aumentado e o uso do celular em demasia tem alarmado esse quadro, porque não se aceita mais a sensação de frustração, a interação com pessoas diferentes, cria-se uma bolha na palma das mãos.

-Então quer dizer que toda criança que usa telas será depressiva?

-Não estou dizendo isso, minha senhora. As pessoas adoram um determinismo, se fulano fez isso será assim, se sicrano fez aquilo será assado, ninguém é apenas uma coisa e ponto, somos uma interação com o meio, com as pessoas, com tudo ao nosso redor, e o que há de mais importante na criação de um filho é a PRESENÇA, que não tem nada a ver com dar PRESENTE, a presença que eu digo não vem necessariamente da quantidade de tempo, vem do amor, do acolhimento, da empatia, da conexão real dos pais com a criança, essa é a melhor sinapse cerebral (ela diz rindo) já estudada pelos especialistas, é a salvação não só para a família, mas também para essa maldita humanidade que vive mergulhada no ódio, pode acreditar.

-Acredito. Digo com a voz embargada, querendo convidar a tal atendente Eduarda para uma palestra lá em casa, no condomínio, na vizinha, na escola e sinto um aperto no coração, tão grande, tão grande, que coloco o celular no chão, sem perceber que a deixei falando sozinha, para me tornar um mico leão dourado e fazer a luz dos olhos meus se casar com a luz dos olhos do meu amado urso polar.

-Alô, alô, senhora, senhora, vou entender esse silêncio como uma resposta: a senhora se desconectou para se conectar. A Organização Mundial da Saúde agradece a sua ligação, tenha uma boa conexão.

SOBRE A AUTORA:

Este texto foi escrito por Lígia Freitas, Mãe do João e Participante do Zum Zum de Mães.

@ligiafreitasescritora

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Neste episódio convidamos, pela segunda vez na história da Tenda Materna, um homem para conversar com a gente em nosso espaço!

Cuidamos muito desse nosso lugar sagrado, em geral convidamos apenas mulheres para entrarem em nossa Tenda, talvez por nos sentirmos mais seguras e mais a vontade para nos mostrarmos entre elas.

Mas desde que conhecemos o Alexandre, numa conferência que ele fez para o “Encontro da Maternagem Consciente”, congresso online produzido pela Carolinie Figueiredo, ficamos encantadas com a sua sensibilidade e lucidez para falar sobre puerpério e relações familiares.

Como assim um homem falando tão maravilhosamente sobre o que acontece com a Mulher depois da chegada do bebê? Como um homem é capaz de nos compreender tão bem? E foi justamente com essa primeira pergunta que abrimos nossa conversa com o psicólogo familiar Alexandre Coimbra Amaral.

Que ser humano minha gente e que conversa boa!!!

O episódio ficou realmente muito especial, com palavras sábias e delicadas ele abordou entre outras questões, o tema da “crise conjugal depois da chegada dos pequenos”.

Sente só um pouquinho: “Eu desacredito em uma chegada de filhos sem crise conjugal! Quem diz que não viveu a crise conjugal é “porque não sabe a dor que deveras sente!”, como diz Fernando Pessoa. Uma hora vai cair a ficha do tamanho da crise que ela ou ele esta imerso… ” Alexandre Coimbra

Dá o play e desfrute desse momento “Tenda Materna” no seu dia! Uma pausa para ampliarmos o olhar, encontrarmos forças e enchermos nosso coração de esperanças…

Com carinho,
Clarissa e Maíra

 

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Minha maternidade perfeita

Eu sempre quis ser mãe, minha gravidez foi com o homem que eu queria, na idade que eu queria com 28 anos, e minha gestação foi uma maravilha, não tive enjôo nenhum, nenhum episódio traumático que pudesse afetar a mim e a minha bebê, tive o parto normal, que foi possível como eu idealizava, e pra mim até então tudo era perfeito… até o desespero bater na minha porta no quinto dia em que chegamos em casa porque eu não conseguia amamentar, fui parar no hospital no sétimo dia com a minha filha em casa com um quadro de estresse agudo, e ouvia pelos cantos minha mãe falando com meu pai que achava que eu estava com depressão pós parto. Minha maternidade perfeita ruiu.

Vim a saber depois que esse quadro de stress fazia parte de algo que eu nunca tinha ouvido falar que se chamava puerpério, que um dos nomes para o stress pós parto era também baby blues. E esse foi só o começo do meu encontro com o que mais de um ano depois eu ouviria a denominação “sombras”, por meio da Clarissa Yakiara, e posteriormente lendo o livro da Laura Gutman “A maternidade e o encontro com a própria sombra”.

Sentimentos devastadores do puerpério

Meu sentimento era de total desolação, de impotência, até mesmo de raiva daquele bebê que não mamava, que se acalmava no colo de outras pessoas, mas no meu chorava. Claro, eu não conseguia transmitir segurança pra ela (muito menos pra mim mesma), por isso ela chorava comigo, vim a entender todo esse mecanismo tempos depois, lendo alguns textos sobre maternidade, pós parto, nos perfis nas redes sociais que tratavam do assunto. Não fazia nada sem antes pesquisar a hashtag no instagram, fiquei tão perdida e refém, e ao mesmo tempo me sentia amparada por aquelas postagens nas redes, e hoje vejo que esses perfis acabaram se tornando de certa forma uma rede de apoio para mim num momento de insegurança sem fim. Desenvolvi um medo de tudo, absolutamente tudo.

O medo sempre foi uma emoção predominante em minha vida, e quando me tornei mãe todos os medos se potencializaram. Consequentemente, minha filha teve cólicas até o quinto mês, na introdução alimentar ela simplesmente não comia, voltei da licença maternidade e ela não aceitava outro leite senão o materno, a ida a escolinha com 10 meses foi um desafio enorme porque ela demorou a se adaptar e eu precisava trabalhar, e isso só fazia aumentar minha insegurança e minha sensação de culpa e de incapacidade.

A procura de rede de apoio e ajuda profissional

Através de um grupo de whatts app conheci algumas mães que se tornaram uma rede de apoio muito importante para mim, as quais sou muito grata, que depois por indicação de uma delas cheguei ao Zum Zum de Mães, e então pude me aprofundar nos temas sobre maternidade que muitas vezes eu via nas redes sociais, de certa forma acabavam me ajudando muito, porém muitas vezes eu não sabia o que fazer com aquelas informações. Por vezes me sentia culpada por não conseguir aplicar aqueles princípios novos na minha vida, algumas vezes me sentia com raiva das pessoas da família que pensavam diferente de tudo aquilo que fui absorvendo como certo pra criação da minha filha, que fazia sentido pra mim, mas me colocava num lugar de pouca empatia com quem pensava diferente. Quando olho pra trás, vejo o quanto foi solitário estar nesse lugar.

Minha experiência no Zum Zum de Mães começou em um momento em que eu culpava o mundo por todo meu sofrimento com a maternidade, culpava meu passado, culpava meu marido, e nossa relação ia de mal a pior, eu sempre achando segundo a minha percepção limitada naquele momento que ele não assumia seu papel de pai, e por isso eu me sentia com o peso do mundo nas costas.

Então com o Zum Zum de Mães eu fui entrando num processo de autoconhecimento que mudou minha história como mãe, que aos poucos foi desfazendo em mim o meu papel de vítima das circunstâncias e das pessoas, entendi que minha filha era um espelho fiel do meu interior, das minhas emoções reprimidas, das minhas “sombras”, daquilo que era oculto à minha consciência e que eu já não acessava desde a infância, mas que com a maternidade aflorou de maneira assustadora, e ao mesmo tempo, como uma grande oportunidade de ressignificação e cura.

A “fusão-confusão”

Meu primeiro sentimento quando fui entendendo que minha filha era em um dos seus aspectos um espelho do meu interior, foi de muito culpabilização. Sentia culpa por cada vez que ela adoeceu, e entrei numa busca frenética de querer “resolver minhas questões” pra que ela não adoecesse mais, e ela vivia doentinha, e cada vez que ela adoecia minha culpa aumentava porque eu pensava que eu estava fazendo minha filha sofrer por minha causa, e queria que aquela dor fosse pra mim.

Mas hoje entendo que aquela dor era muito mais minha do que dela, e que ela nesse amor compassivo que os filhos tem pelos pais, escolhia adoecer pra dividir comigo essa dor, e tentar minimizá-la, além de me convidar a olhar pro meu interior negligenciado. Quão linda é toda essa dinâmica, eu não consigo descrever!

Ainda hoje tenho momentos de me culpar, de me sentir péssima por ela adoecer, aliás, em todas minhas buscas interiores vejo que existem em mim traumas relacionados a doenças, por isso que me afeta quando minha filha adoece, remexe muitas coisas dentro de mim.

Gratidão ao processo

Porém, aos poucos tenho conseguido mudar em mim a forma de encarar as minhas sombras espelhadas na minha pequena, e hoje meu sentimento é de imensa gratidão a ela por me mostrar uma chance de autocura, uma segunda chance de reviver aquilo que doeu em minha criança interior, e que hoje ao re-olhar pro que doeu posso dar novo significado enquanto adulta. Ressignificar a percepção da dor de “castigo” para “estar à serviço”, de crescimento pessoal e espiritual é libertador e belo ao mesmo tempo. Não é da noite para o dia que se muda essa chave dentro de si, é algo diário e constante. É um processo intenso, que não é fácil, mas que mudando de pensamento devagar, no dia-a-dia, vão se desenhando novas perspectivas dentro de nós.

Sinto muita gratidão por todo o processo de autoconhecimento que a maternidade despertou em mim, pois tudo que tenho vivido, todas as minhas buscas interiores, através de terapias, de muito estudo e muitas leituras, de assistir palestras e palestras sobre o tema autoconhecimento e maternidade com diferentes abordagens, os insights são cada dia mais claros, minha mudança é cada dia maior, e ver essa clareza e leveza se refletindo na minha filha e no nosso entorno familiar não tem preço.

A possibilidade de ser feliz em meio aos desafios

Sinto que esse caminho não acaba aqui, e que essa mudança está apenas começando. Cada fase traz consigo novas questões a serem olhadas e integradas. Porém não posso esperar pra ser uma mãe mais feliz somente no futuro – enquanto mergulho no meu autoconhecimento e na minha autocura vou desfrutando do que a vida me reserva na beira da estrada, ora me deparo com uma linda vista de flores exalando perfume, ora com algumas pedras no caminho, mas o importante é continuar caminhando rumo a nossa verdadeira essência, rumo ao nosso “Eu” interior.

Parafraseando Gandhi, isso nunca fez tanto sentido pra mim como hoje faz: “Seja a mudança que você quer ver no seu mundo, do seu filho e da sua família”! Cada dia me convenço mais de que o segredo está em e no “Ser”.

SOBRE AUTORA: Este texto foi escrito por NATALIA CAMILA DA SILVA, 32 anos, mãe da Olívia de 3 anos, Participante da Turma 5 do Zum Zum de Mães, Funcionária Pública, Gestora de Recursos Humanos, adepta do Sagrado Feminino. Escreve para elaborar suas emoções, só de escrever se sente mais leve e mais inteira.

IG: natycamila87

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“Texto inspirado na entrevista que Clarissa Yakiara fez com Laura Gutman, psicoterapeuta e investigadora da conduta humana.

Imagine que uma criança possa salvar a humanidade. Como seria isso? Essa é a ideia desenvolvida pela psicoterapeuta Laura Gutman no seu livro “Uma civilização ninocêntica”. Para a autora há muito tempo nossa civilização perdeu o respeito à natureza dos seres humanos. O que gerou uma civilização baseada em violência, maus-tratos, guerra e doenças. Mas é possível mudar para um contexto de harmonia e amorosidade, isso depende de nós adultos, mas as crianças que nos darão essa oportunidade.

Se pensarmos no desenho original do ser humano e olharmos, por exemplo, um bebê recém nascido aconchegado confortavelmente nos braços de sua mãe, observamos que ele nasce amoroso, suave, disponível e também necessitado, dependente dos cuidados maternos. Se os bebês humanos recebem ternura, presença, amorosidade, disponibilidade, fusão emocional, alimento, contato e a satisfação de todas as necessidades básicas, pouco a pouco essa amorosidade com que nascem vai se estendendo para a vida toda, como uma reação em cadeia. Se nós adultos recebemos quando crianças tudo o que necessitávamos segundo nosso desenho original, o que iria brotar é a amorosidade com a qual nascemos. Caso contrário, se não recebemos a presença, o contato corporal, a afetividade que necessitávamos não vamos ser amorosos, pois tivemos que sobreviver a uma situação hostil.

Para Laura Gutman, nós humanos nascemos com uma enorme capacidade de amar, mas durante a infância, que é um período longo de tempo, temos que receber e ter satisfeitas todas as nossas necessidades básicas físicas, emocionais, afetivas, de alimento, ternura, etc… até que tenhamos a condição de sermos autônomos. Temos que viver certas condições para podermos usar nossa capacidade de amar que está no nosso desenho original. Se não vivemos, nos tornamos pessoas hostis e nossa amorosidade fica trancada em algum lugar. A maioria de nós, ainda hoje, tem o impulso de continuar fazendo o que fazia ao longo da infância e adolescência, e o que nos liberta desse padrão é a nossa consciência. Quando nossos(as) filhos(as) nascem, eles(elas) abrem as portas da nossa consciência, mas cada um de nós decide se atravessa ou não.

Se somos mães de crianças pequenas, como vamos dar à elas as condições que necessitam? Laura Gutman afirma que o primeiro passo é fazer um trabalho interno: abordar a realidade da qual provenho, olhar para o passado de maneira realista, para as experiências infantis que vivi. Ou seja, é preciso abordar a realidade real que você viveu sob o ponto de vista da criança que foi. E abordar o que você fez para sobreviver a esse cenário.  Laura Gutman desenvolveu uma longa metodologia para chegar a essa realidade: a biografia humana.  Mas eu te convido agora a fazer uma breve reflexão sobre a sua própria história. Responda essas questões de maneira sincera e profundamente: como você nasceu? Você foi amamentada? Onde você dormia? Quem cuidava de você? Quais os fatos marcaram a sua infância?

Nós adultos, em geral, tivemos infâncias muito violentas. E se passamos nossa vida adulta clamando por aquilo que não tivemos, não terminamos de amadurecer, não assumimos nossa responsabilidade, e as crianças que nascem hoje não vão se tornar adultos maduros. Assim continuamos uma cadeia de violência, destrato e desamor, pois estamos sempre prejudicando as crianças em função de nós mesmos(as).

Eu acredito em uma civilização mais consciente e amorosa. Nós mulheres, nesse momento, vamos assumir uma tarefa mais difícil a favor de nossos(as) filhos(as) que serão mães e pais daqui 20 anos, e não terão que passar por esse processo de forma tão dolorosa quanto nós estamos passando. Temos que cortar essa cadeia transgeracional de dor, sofrimento, dominação e desamor. Isso requer compromisso emocional sabendo que provavelmente na nossa vida não podemos mais resolver, mas podemos fazer pelas nossas crianças. Elas nos convocam ao amor. Elas nascem com uma quantidade de amor muito grande e somos nós que não sabemos abordar em sua verdadeira dimensão. Vamos juntas mudar essa realidade!” Isadora Sette

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Texto escrito por Isadora Sette, mãe da Anita e Pedro, educadora perinatal, bióloga e pedagoga, que tem o propósito de acolher, inspirar e apoiar mulheres na arte de gestar, parir, amamentar e cuidar através da escuta empática e do atendimento individual. Madrinha do Zum Zum de mães da Bee Family.

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O auto-amor é um exercício. Me olhar, me amar, me aceitar, me perdoar ainda são lembretes que precisam estar estampados com letras garrafais e cobertos de purpurina, com luzinhas que piscam e setas indicando a consigna clara e auto explicativa.

Assim que me tornei mãe, me amar não cabia em mim. Eu amava com todas as células do meu corpo aquele serzinho que dependia do meu amor e dos meus cuidados para sobreviver. E é curioso, mas foi justamente depois que me tornei mãe que me amar passou a ser urgente. Talvez porque a gente começa a perceber que para cuidar, precisamos antes de tudo, nos cuidar, e aí o cálculo do amor também tem que bater. E entre tantas demandas a gente vai, muitas vezes aos trancos e barrancos, aprendendo a se cuidar e a se amar. Coisa simples, que pode ser desde a uma ida silenciosa e tranquila ao toilette, chegar ao fim de uma refeição ainda quente ou até escovar os dentes se olhando no espelho. Na lista dos auto cuidados conseguimos incluir uma infinidade de coisas simples e corriqueiras, mas que nos fazem um bem danado. Agora, o auto-amor, ah esse passa batido na maioria das vezes… E sim, eu sei que o auto-cuidado é um ato de amor próprio, mas tô falando de se amar meeeeesmo, de encarar o espelho e não julgar as imperfeições que temos a ilusão de ter, de encarar nossas limitações e características da nossa personalidade sem sermos duras demais, de encarar o erros, as pisadas na bola, os esquecimentos sem nos culparmos o resto da eternidade. Tô falando de amar, aceitar e perdoar a gente assim, do jeitinho que a gente é.

É um exercício diário e, exercício é tipo um esporte, uma dança, um instrumento mesmo, a gente tem que praticar SEMPRE, senão perde o jeito e acaba deixando de lado. Falo isso pra mim, pra você que, por algum motivo, está aqui comigo. A gente tem que se amar, e muito, e sempre. E não dá pra esperar que x outrx nos ame antes da gente se amar, amor  próprio é urgente, é pra ontem.

E eu sei que tem dias que são “mamão com açúcar”, se amar é fácil e indolor, e outros que são tipo xarope “difícil de engolir”. Mas eu tenho descoberto que é no desafio que a gente mais tem que se amar. E não, não vai ser fácil (ou vai né? Cada umx sabe de si), mas a gente faz um pacto, um decreto de amor consigo mesmx : Irei me amar, me aceitar e me perdoar profunda e completamente todos os dias da minha vida, e assim é! E assim será!

Bora se amar?

TEXTO escrito por: Iara Schmidt
Iara é mineira, e como boa sagitariana é uma viajante nata e buscadora de si. Mãe de um aquarianinho nascido em fevereiro de 2016 – fonte do puro amor e inspiração infinita – realizou da gestação ao puerpério ritos de passagem que transformaram – e continuam transformando – sua essência.

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Recentemente estava passando em frente a um apartamento e ouvi a fatídica frase: “Você quer apanhar?” Obviamente, pensei: “Hum, momento crítico à vista!” Claro, seria fácil julgar aquela mãe, mas é óbvio que ela estava no momento: falta de controle! E, TODOS que lidamos com crianças conhecemos bem este momento!

De alguma forma as crianças são seres capazes de nos colocar em contato profundo com nossas dificuldades emocionais! Por vezes, ficamos perdidas nestes momentos de descontrole, ao invés de sairmos fortalecidas e empoderadas com eles!

Vamos refletir mais sobre isso?!

Emoções: aliadas ou inimigas?

Em diversos momentos a reflexão sobre a importância de lidar com as nossas emoções vêm à tona! E, como é complicado desconstruir nossa cultura de repressão e medo e nos reconstruirmos em novas bases para trabalharmos com nossos filhos! Este processo é uma grande jornada de busca, cura e profundo autoconhecimento!

No dia-a-dia quando nos deparamos com os desafios reais da vida, por vezes, agimos como se nossas emoções nos atrapalhassem! Sabe aquele momento em que você gostaria de fazer qualquer coisa menos chorar na frente dos colegas de trabalho? Ou aquela discussão com o marido em que você perde a cabeça e se comporta como uma criança birrenta que quer as coisas do seu jeito?! Ou mesmo aquela discussão sobre política em que você se exalta e não entende como a pessoa pode pensar tão diferente de você! Todas estas situações podem ser momentos de grande aprendizado ou de profundo descontrole!

Cada vez mais percebo o quanto este treinamento é importante: simplesmente ouvir e liberar minhas emoções! Isto porque, todas as vezes em que procuro contê-las, inevitavelmente, elas acabam explodindo em algum lugar “inadequado!” Claro, controlar isso é algo quase impossível. Mas, tenho aprendido que quanto mais espaço eu dou para estas emoções – que me são tão desconfortáveis -, melhor eu lido com elas e menos cenas de descontrole me acontecem!

Assim, tenho buscado vivenciar o que Jung dizia e eu sempre repito para mim mesma: “Tudo o que resiste, persiste!”

Controle: possível ou apenas uma armadilha?

Convém confessar que eu sou extremamente mental e tenho um mundo de situações idealizadas na minha mente. A maternidade me trouxe este aprendizado de que é preciso fluir com a vida! Como se o convite fosse: “Vamos Gisele, vamos abandonar tanta rigidez, tanto controle, se jogue mais na vida, garota!” E, confesso, apesar de ter resistido bastante, disfarçado que topava o convite, fiquei tentando manipular tudo com minha mente, rs! E, qual o resultado disso? Estafa, cansaço mental e energético!

O convite é claro: Vem fluir! E, tenho mostrado para a vida que estou tentando aprender, apesar do medo que ainda me atrapalha bastante! Neste ponto, minha filha é uma fonte inesgotável de aprendizados, especialmente nesta fase dos 3 anos! Afinal, a frase que ela mais diz é: “Eu quero!” E, tristemente me peguei dizendo a ela para parar de querer um pouco, porque eu não aguentava mais tantos quereres!

Assim que disse isso, senti uma tristeza enorme, porque eu sabia que o impacto de dizer algo do tipo poderia ser grande! Neste momento, senti que estava “sabotando” o poder do querer em minha filha! E isso é valioso demais! Então, pedi a ela que me desculpasse e disse que ela poderia querer à vontade! Mas nem sempre eu poderia atender seus quereres e nem sempre as coisas sairiam do jeito que ela desejava! Claro, sei que sua compreensão do que eu disse deve ter sido muito limitada, mas me fez tão bem respeitar a vontade do querer dela! Inúmeras vezes eu me sinto na obrigação de atender aos pedidos dela e em tantos momentos me sinto exaurida, desnutrida mesmo!

Respeito e Exemplo: aprendizado contínuo

O respeito é um dos elementos mais importantes de um relacionamento, na minha opinião! A partir do respeito construímos confiança, admiração, cumplicidade e o amor surge natural e inevitável! Deste modo, ao respeitar a força do querer de minha filha, percebi o quanto estava desrespeitando a força do MEU querer em tantos momentos!

Nesta idade dos 3 anos ela se sente absoluta no mundo e tudo o que ela quer precisa ser do jeito dela e agora! Este é o aprendizado dela: descobrir como construir e mediar os quereres dela no mundo! Já o meu papel enquanto adulta e responsável por ela é apresentar limites, regras e “os outros” com diferentes quereres!

Assim, quando aprendo a respeitar meus momentos, minhas emoções e meus quereres, ensino minha filha através do exemplo. Neste sentido, percebo que fico muito mais equilibrada para lidar com os desafiadores momentos de choro, de se jogar no chão e contestar o que é incontestável! Ou seja, quando estou nutrida por mim mesma emocionalmente eu SUSTENTO a observação dos processos emocionais da minha filha. Deste modo, eu não uso o argumento de que estou cansada, não me vitimizo com a situação… Na verdade, eu observo tranquilamente o temporal se formar e espero a chuva passar com a tranquilidade de quem sabe que o sol virá e não tem pressa!

Nutrição Emocional

Na construção de meus processos percebo fortemente a importância da nutrição emocional de mim mesma! Isto porque, a desnutrição se apresenta como falta de clareza mental, bagunça, descontrole emocional, desespero e desmotivação. Deste modo, acredito que nem seja preciso descrever mais, porque TODAS nós conhecemos bem este lugar!

Nossos pequenos são grandes espelhos de nosso estado emocional e minha filha já refletiu bastante a impaciência durante o cansaço. Nestes momentos, sempre penso: “por que ela não se entrega e dorme de uma vez?” Depois, paro e penso estarrecida: “Por que eu sempre quero assistir um filme, ver redes sociais ao invés de simplesmente dormir e descansar?!” Como temos necessidade de nos anestesiar, ao invés de oferecer ao nosso corpo o que realmente precisamos!?

Atualmente, tenho vivenciado um processo profundo de cura e observação de muitas emoções dolorosas. E percebo como é fácil se perder neste caminho! Às vezes ficamos vitimizados nos perguntando: “Por que precisei passar por tal coisa?!”; “Às vezes ficamos com raiva, porque sabemos que a solução não é culpar e se vitimizar. Mas sim aceitar e aprender e não sabemos COMO fazer isso! E, neste processo, percebo como fujo ou luto com minhas emoções quando o caminho é SENTI-LAS! Ou seja, permitir que elas tenham um espaço dentro de mim para se manifestarem!

Colo com Molas

Certa vez, vi o psicólogo Leo Fraiman usar esta expressão: “colo com molas” e achei ótima! As pessoas, geralmente, têm dificuldades em acolher as emoções! Diariamente, somos inundados por uma suposta e sufocante “perfeição”, através de propagandas ou estereótipos de sucesso. Assim, construímos a imagem de que força é esconder nossas emoções.

Neste sentido, recomendo fortemente o documentário The Mask You Live in que trabalha de forma brilhante os estereótipos de homens de sucesso de nossa sociedade. Este documentário ilustra a forma como os meninos têm sido educados e de que modo isso se reflete na sociedade atual em que tantos falam sobre paz, mas cultivam a violência! Mais do que trabalhar apenas o estereótipo masculino, o documentário ilustra como os meninos são ensinados a enxergar as meninas, alimentando a distância entre os sexos e a dificuldade nos relacionamentos.

Por isso, acredito que é preciso aprender a dar “colo com molas” para nós mesmas quando perdemos o controle, mas estamos fazendo o melhor que podemos! Isto significa nos acolher quando saem palavras que não gostaríamos de dizer! E mais importante que nos “punir” com o chicotinho da mãe ruim, é tomar consciência do que queremos a partir de agora!

O processo de tomada de consciência é uma jornada única e particular. No entanto, este “colo”, acolhimento é fundamental para que tenhamos força para seguir no caminho de nos impulsionar com “a mola” da autocompaixão. E esta autocompaixão é exercitada quando ao invés de julgarmos os outros, aprendemos a identificar as armadilhas que nós também caímos durante nossa jornada! Que tenhamos mais amorosidade durante este processo de aprendizagem contínua chamado vida e este exercício prático de amor chamado maternidade!

Gratidão pela leitura! Namastê! _/\_

SOBRE A AUTORA

Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE!

Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda  e siga no instagram gm_conexaoprofunda

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A maternidade chega como um grande convite para olharmos para nós, acessarmos conteúdos escondidos e irmos de encontro à nossa criança interior. Esse movimento pode ser muito assustador e muitas mães resistem a ele por acreditarem que vai ser muito doloroso e que não darão conta.

Neste episódio da Tenda Materna, eu e a Maíra (@cantomaternar) tivemos como convidada especial a Daniela Silvares, que é terapeuta da Criança Interior, Consteladora Familiar, Psicóloga para Mulheres e mãe da Cecília e do anjinho Joaquim.

Falamos sobre a importância de validar a dor da criança ferida e de olhar para o passado sem tom acusatório. Como reconhecer nossas feridas e honrar nossos pais ao mesmo tempo, sem achar que estamos sendo infiéis ou ingratos com eles? Como ter coragem de tocar num passado muito doloroso ou de descobrir traumas que estão esquecidos e aparentemente não nos incomodam atualmente?

Também desconstruímos a nossa busca por perfeição, a pressão que sentimos de sermos mães ideais e que muitas vezes nos faz desrespeitar nossos limites e reproduzir um padrão de invisibilidade.

Entre na nossa Tenda para participar dessa conversa profunda e sanadora. Nosso desejo é que ela te inspire a se conectar com a criança que vive dentro de você!

Com carinho,
Clarissa e Maira

P.S.: Conta pra gente o que achou do episodio aqui abaixo!

P.S.: Conheça mais sobre o trabalho da Daniela Silvares @dani.silvares

(Texto escrito por Maira Soares)

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Ah filha minha, tão arredia!
Em mil comparações eu me perdia…
Me perguntei tantos porquês naquele mês
Porque não se faz de boazinha?
Porque não fica quietinha?
Porque não deita e dorme sozinha?

Já não me reconheço nos seus atos
Mas só me faltava essa!

Porque não está tentando agradar?
Ao contrário você quer é causar
Desse jeito vão todos nos julgar

Ah se eu gritasse e você me acatasse…

Se em nome do cansaço eu apelasse
Se para zona de conforto você me convidasse

E se eu aceitasse? E se eu entrasse?

Mas se eu grito, você grita de volta
Eu saio batendo o pé e você batendo a porta
Me lembro que um dia eu me dobrei

E da minha essência me distanciei

Sua audácia dói no fundo
Traz de lá as vozes arcaicas

Que sussurram para o meu eu

Que o poder não pode ser seu
O controle é minha herança

Lembrança do choro engolido

Agora é hora da vingança

Mas já não sou mais a mesma
Logo olho para minha criança interior ferida

Olá pequenina, agora está protegida…
Seguimos juntas iluminando nossa sombra
Agora já sei como entrar nessa dança

Acolhendo o que vem e sem dar satisfação a ninguém

Peço desculpas

Te olho nos olhos e a sua verdade me engole

E para mim mesma me devolve
Sou devorada mais uma vez pela dor desse amor arrebatador
Deixo a mãe perfeita morrer desse golpe

E então renasce a mãe aprendiz

Que segue, como bússola, o que o coração diz

Ainda agachada, te falo do pé do ouvido ao coração

Do meu amor e da minha razão

Da alegria que é ter você aqui

Da gratidão por ter me escolhido

Para tua proteção e abrigo

Veio me ajudar a findar o ciclo de presas e algozes

Veio silenciar de vez as vozes

Que dizem que crianças não tem diretos

Que crianças só devem respeito
Veio me provar que respeito é via de mão dupla

E que não se constrói sem escuta

Veio para me fazer repensar, questionar e estudar

Para de acordo com que eu acredito, atuar
Ah com você eu continuo meu despertar…
Veio para com meu sonho infantil me reconectar

Aquele ingênuo e puro, de um dia o mundo mudar…

SOBRE A AUTORA: Vivian Pessoa, Mãe da Ive de 3 anos, Geóloga, Participante da turma 5 do Zum Zum de mães, Educadora Parental pela Positive Discipline Association.

@viviancpessoa

vivian.pessoa@globo.com

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Recentemente, assisti ao filme Beleza Oculta com Will Smith, um ator que me inspira e sempre me traz reflexões valiosas! Super recomendo o filme para aqueles momentos em que a gente está exausta! Sabe aqueles momentos em que a filha fica doente, a gente fica doente e gostaríamos de pedir pra descer do mundo, rs?!

Pois bem, assisti ao filme num destes momentos desafiadores e a sessão de inalação nem foi necessária! Isto porque o filme é ótimo para desobstruir os canais lacrimais e respiratórios, rs! Brilhantemente, o filme faz uma reflexão sobre três aspectos centrais em nossa vida: a morte, o tempo e o amor! Convido você para refletir um pouco a respeito, claro, sem prejudicar quem pretende assistir ao filme. Tratarei de cada um destes aspectos sob minha perspectiva reflexiva!

A morte

De início, preciso confessar que evito filmes sobre a morte e dramas do gênero! Entretanto, no dia em que assisti ao filme eu percebi que estava precisando enfrentar meus medos. Desta forma, me propus a olhá-los de frente para viver com mais profundidade, com propósito… Neste ponto, confesso que o trailer do filme já me deixou emotiva. Afinal, trata da dor de um pai que perdeu sua filha e resolveu escrever cartas para o Universo.

A morte sempre me pareceu traiçoeira, pois pega a gente desprevenida e, de surpresa, muda tudo! Geralmente, é um risco que eu prefiro nem pensar. Entretanto, muitas vezes, a vejo como um obstáculo que me impede de viver plenamente! Às vezes, lembro da sensação de medo intenso, de algo acontecer e aquele serzinho tão especial parar de respirar. Nestes momentos fica visível a fragilidade da vida!

Por outro lado, ah, como a vida deixaria de ser especial se não tivéssemos o contraponto da morte! Esta foi a inspiração que senti com o filme, o grande clichê, mas que sempre vale ser repetido: “Estamos morrendo o tempo todo!” E a grande questão é: como fazemos cada segundo valer a pena?!

Esta reflexão me insuflou de energia e passei a ver as coisas numa outra perspectiva. Isto é, mais distanciada do cansaço, do medo, da dúvida e enxerguei o milagre da vida. Ah, que missão cansativa ser mãe, mas que presente e que milagre testemunhamos cotidianamente! Desde o desenvolvimento daquela sementinha até a etapa de formação de frases e argumentações, que nos tiram a paz em muitos momentos! Vale a pena não perder de vista a preciosidade da vida e, infelizmente, muitas vezes quem nos mostra isso é a morte.

O tempo

Nesta nossa sociedade onde o tempo voa de uma forma inimaginável, sinto que tenho muita dificuldade de estar presente e desfrutá-lo como ele merece! Inclusive, posso compartilhar uma experiência recente que me fez refletir muito a respeito do tempo! Para comemorar o aniversário de minha filha decidimos fazer uma pequena viagem para “resetar” nosso sistema. Assim, fomos para Joanópolis, uma cidadezinha perto de São Paulo com lindas montanhas e muita muita muita calmaria!

O que fazemos com o tempo quando podemos olhá-lo com profundidade? No início, sentimos o desconforto de quem está num carro em alta velocidade e inesperadamente pisa no freio. Simplesmente, a hora não passava e eu sentia uma ansiedade de fazer e acontecer, uma ansiedade de me divertir e aproveitar! No entanto, tudo saiu diferente do que eu planejava: chuva num lugar em que a atração eram cachoeiras! Confesso, escolhemos um lugar com uma proposta minimalista exatamente porque queríamos conexão profunda com nós mesmos e com a natureza! Contudo, minha filha de três anos parecia ter outros planos, que divergiam totalmente do que eu havia idealizado!

De repente, me vi precisando lidar com a energia de uma criança e com a minha frustração por ter imaginado uma viagem totalmente diferente! Nesta oportunidade eu pude olhar profundamente para minha necessidade de controle, para o meu apego aos meus planos, metas e idealizações. E, independentemente de minha frustração, as vaquinhas continuavam se deslocando nas montanhas na linha do horizonte que eu enxergava ao longe.

Enquanto isso, minha filha queria mais e mais atenção, parecia um reservatório sem fim de energia e solicitações. O tempo dela era o Aqui e Agora para ser aproveitado intensamente! Na verdade, este é o único tempo que todos nós temos a despeito de quaisquer fantasias de futuro ou passado.

O amor

O amor está em tudo! É certo que, muitas vezes, não conseguimos ver ou ele se esconde, mas está lá quando nos dispomos a enxergá-lo! Sei que parece fácil falar isso quando não sei os desafios que você enfrenta! Mas acredito que recebemos vários convites cotidianos para olhar o copo meio cheio ou o copo meio vazio!

Este filme me lembrou de algo que eu sei, mas vez ou outra esqueço: a vida é um presente! Nossa família, nossos desafios são oportunidades incríveis de crescimento e aprendizado, é preciso olhar para elas como tal!

Um dos principais objetivos do meu passeio à Joanópolis era conhecer a Cachoeira dos Pretos, uma linda cachoeira acessível com crianças! Entretanto, lá eu não me senti como imaginava que me sentiria. Não sei explicar, mas não consegui a Conexão Profunda que eu esperava estabelecer. Ao invés disso, me sentei e chorei, chorei e chorei. Ali eu me permiti sentir toda a raiva que eu estava contendo, todo o medo que eu vinha escondendo e fiquei olhando o rio que a cachoeira formava contornando as pedras.

Aos poucos toda aquela emoção represada veio à tona e eu limpei minha alma chorando! Quando olhei para minha filha, ela estava curiosa olhando para mim. Então, conversei com meu marido e assumi a responsabilidade plenamente consciente das minhas emoções e frustrações, de todas as minhas idealizações e tentativas de controle.

A partir disso, simplesmente soltei e foi assim que vi minha filha aproveitando a natureza, a amplitude, os animais. Neste momento, em que aceitei o que era para ser, percebi a satisfação dela ao ter a nossa atenção completa para ela! Assim, notei que a simplicidade a fazia feliz e que a beleza e o amor estavam em aceitar o que É e simplesmente SER com o momento!

A Beleza Oculta

A beleza oculta está na sutileza dos gestos, dos momentos e dos sentimentos. Muitas vezes, sabemos que existe beleza, mas simplesmente a esquecemos entretidos com a pressa do dia-a-dia, a preocupação com as expectativas ou com aspectos práticos da vida! Quantas vezes olhamos para nossa vida com olhos de amor, de gratidão, admirando a preciosidade que temos ao nosso alcance?

Em muitos momentos, mesmo numa pequena viagem comemorativa, ainda temos dificuldade de soltar e deixar fluir. Assim, ficamos represando emoções, rígidas no controle, idealizando e querendo fazer a vida caber dentro de nossas expectativas! A beleza oculta da vida, PARA MIM, está exatamente na fluidez de aceitar que o que é simplesmente SEJA! Isto representa um de meus maiores desafios: ACEITAR! Simplesmente, contemplar e aceitar sem querer mudar, transformar ou controlar…

Ao contemplar a Cachoeira dos Pretos e observar tanta água fluindo eu entrei sim em Conexão Profunda, rs! Inclusive, foi muito mais profunda do que eu podia imaginar, porque me permitiu SENTIR toda emoção que eu estava tentando controlar. Nas minhas lágrimas tinha muita raiva pelas idealizações que faço e não consigo realizar, muita mágoa pela sensação de insuficiência e impotência diante da vida. Apesar de saber que o caminho não é pela mente, por vezes me pego ainda nesta trilha… Observar toda aquela beleza manifesta da cachoeira me permitiu transbordar as emoções que me inundavam e que, sem sucesso, eu tentava sufocar.

Em Conexão Profunda com a Vida

Ao escrever este artigo percebo que minha Conexão Profunda não pode ser romantizada e idealizada com uma sensação gostosinha de enraizamento e segurança. Em alguns momentos minha Conexão Profunda vai passar por caminhos tortuosos de dor, mágoa, raiva e tantas emoções que eu aprendi a conter para “ser uma boa menina!”

Tenho escolhido um caminho de cura de mim mesma através da maternidade, da observação de minha criança ferida e de inúmeros processos de autoconhecimento. Esta busca nem sempre mostrará uma estrada repleta de flores e é preciso parar de negar a existência do espinho. Na verdade, este foi o insight do filme: é preciso ver a beleza oculta do espinho.

Escolher caminhos diferentes implica pagar preços diferentes. Algumas vezes, pesa muito a decisão de não seguir a manada! Em diversos momentos, fico receosa sobre minhas decisões! Há sempre o medo de errar, de não ser perfeita como gostaria! E, claro, por mais que saibamos que não existe perfeição e que os erros são grandes aprendizados, queremos o melhor para nossos filhos! Sabe-se lá por que imaginamos que este “melhor” seja algo perfeito, idealizado, controlado, planejado e escalonado numa planilha de Excel!

Entretanto, a vida não cabe numa planilha! A maternidade esfrega isto na nossa cara o tempo todo e quanto mais resistimos e queremos controlar, maior é o sofrimento! Minha conclusão disso tudo é que preciso ler muito mais o que eu escrevo; sentir minhas emoções com muito mais liberdade e fluidez; soltar meus medos e necessidades de idealização e controle! E vale o mantra: entregar, confiar, aceitar e agradecer!

Gratidão pela leitura! Namastê! _/\_

SOBRE A AUTORA

Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda  e siga no instagram gm_conexaoprofunda

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