Neste episódio convidamos a Pedagoga Waldorf Nazarete Paganotti para conversar com a gente sobre alguns recursos práticos que podem nos apoiar a cuidarmos de nossos pequenos neste período de isolamento social.

Nazarete, com sua sensibilidade e experiência de mais de 30 anos como professora de crianças pequenas, nos ajuda a ampliarmos nosso olhar para a infância e traz algumas ferramentas valiosas para acompanharmos melhor nossos filhotes.

Veja só alguns trechinhos da fala dela que selecionamos para você:

“Quando a gente está diante de tantas ofertas, a gente tem que ter discernimento para escolha. Devemos levar para dentro e buscar um alinhamento bem grande no sentido de fazer a melhor escolha, porque estamos diante da infância e ela passa rápido. E se fizermos a analogia com a estrutura de uma casa, a infância é a fundação, é aquele lugar do subconsciente mais profundo, do qual a gente não acessa, mas é sobre ele que subimos as paredes e colocamos os telhados da nossa corporalidade.”

“Na infância, é muito bonito essa analogia de que o adulto que está diante da criança é o mestre e a criança é o discípulo. Então é na mão do mestre que a criança tem que se apoiar. E para o adulto ser realmente um mestre, ele tem que percorrer um longo caminho, pois não é simples ser mestre. Ele pode ser mestre em uma postura de aprendiz, sempre, e a criança adora isso, quando a gente está sempre numa condição de aprendiz e não daquele que senta no trono e começa a repetir padrões de comportamentos familiares, e repete os padrões sem olhar para quem está diante dele.”

“A gente precisa, não só nesse momento, mas quando estivermos com crianças diante de nós, ressignificar o simples. Às vezes, como diz o Einstein, o simples é o que existe de mais sofisticado.”

Lindo demais né?! Isso e muito mais te espera nesse episódio!!!!

Te convidamos a dar o Play e entrar em nossa Tenda:

Com carinho,
Clarissa & Maíra

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Neste episódio convidamos a querida Flávia Penido, mãe de 3, psicoterapeuta perinatal e parental, com foco em cuidado sistêmico e integral materno-infantil, formada em psicologia pela Université Libre de Bruxelles, para falar sobre Amamentação e Desmame com a gente.

A Flávia traz um olhar cuidadoso e extremamente acolhedor para este tema. Começamos esse papo perguntando a ela sobre os significados e oportunidades que a amamentação apresenta para a mulher e seguimos aprofundando nos desafios e convites que se abrem durante o processo de desmame.

Qual o melhor momento para desmamar? Livre demanda pra sempre? O que nossos medos, culpas, tristezas e raivas que surgem neste momento dizem sobre nós? Crianças que acordam muito à noite e só voltam a dormir com o peito, como lidar?

Veja só algumas falas da Flávia que selecionamos para deixar você mais animada para entrar em nossa Tenda e escutar essa conversa:

“É um processo muito lindo, é justamente isso que a gente precisa fazer pelo nosso filho. A gente precisa se desenvolver dele e a gente precisa autorizar, a gente precisa motivar, a gente pode fazer um monte de movimentos por eles durante este processo saindo da livre demanda, passando para este lugar, para uma amamentação mais regulada, podemos fazer uma transição de forma suave.”

“É o teu corpo. A gente tem que lembrar que quando a gente tá sinalizando o desconforto no nosso corpo, a gente tá ensinando um respeito sobre si mesma que esta criança vai desenvolver nela.”

“Você não precisa começar com um não. Muitas mães ficam dizendo: mas foi tão difícil lá no começo. Algumas tiveram bebês prematuros e a vitória foi aquela amamentação. Como vou desmamar? Como vou dizer não? Foi tão importante para mim! ”

“Tem também a mãe abnegada, que é quando a mãe continua dando o peito porque a criança pede, mas ela não aguenta mais. Ela acaba dando um seio já sem energia, desconectado de amor, de função materna. É um seio que não cala nenhuma fome. Nem a fome nutricional, nem a fome emocional da criança, não dá aquilo que a criança está precisando.”

“A gente precisa perceber que às vezes ela está pedindo o mamá, que é o que ela conhece e ela vai chorar quando você disser não, mas o que ela precisa você sabe. O que ela tá querendo mesmo é aquele conforto, aquela conexão com a mãe.”

Deu pra sentir a potência desse encontro né? Te convidamos dar o play e entrar em nossa Tenda!!!

Aproveita e depois conta pra gente o que achou do episódio, vamos adorar te escutar!!!

Com carinho,
Clarissa e Maíra

Contatos da Flávia Penido:
Perfil Instagram: instagram.com/flapenido
Programa online de apoio e preparação para o desmame gentil e gradual com a Flávia: www.desmamegentil.com.br/

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O quão íntima você se sente de suas emoções? Raiva, Tristeza, Medo, Alegria, Amor, Vergonha, Culpa, Ansiedade, Insegurança… Você consegue expressar conscientemente o que está sentindo, sem responsabilizar/projetar nos outros o que sente? Tem confiança para expressar suas emoções mais íntimas para alguma(s) pessoa?

Nesse episódio, falamos sobre o processo de repressão emocional que vivenciamos na infância e como isso impacta a nossa vida…

“Na época que estávamos mais disponíveis para nossas emoções, mais conectados com nosso corpo, com o que ele estava sinalizando e que expressávamos livremente o que vinha, isso foi reprimido.”

Vamos compartilhar também sobre como o encontro com as outras pessoas pode se tornar um farol para o resgate de uma relação íntima, verdadeira, honesta e potente com o que sentimos!

“Mostrar nossa vulnerabilidade requer uma força, porque temos que romper uma barreira que nos foi imposta, desconstruir a idéia de que quando mostramos nossas dores ou inseguranças, somos fracos ou inadequados.”

No final do encontro, contamos que no dia 19/08 vamos lançar o “Primeiro Workshop Online e Gratuito da Tenda Materna”. Para se inscrever e participar com a gente clique neste link: https://escoladepais.beefamily.com.br/cadastro-workshop-tenda-materna

Está muito potente e inspirador esse papo! Dá o play e seja bem vinda à nossa Tenda!

 

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O caminho do amor é um percurso pelo qual toda mãe gostaria de conduzir a sua maternidade. É um caminho de leveza, de tranquilidade e de paz. Um espaço em que estamos profundamente conectadas com o nosso ser mais íntimo e com aquele serzinho tão pequeno que está ao nosso lado. Neste momento somos respeitosas, amorosas, calmas, serenas e acompanhamos calmamente o tempo das crianças. Falamos com a voz doce e suave que temos e até o nosso caminhar é mais ameno sentindo que o tempo está em câmera lenta. As passadas são mais inspiradoras e seguem a nossa respiração, valorizamos o ritmo da natureza e não a frenética imposição do mundo exterior. Nosso olhar ganha outra dimensão e atinge uma imensidão que só podemos sentir quando caminhamos na amorosidade. Podemos enxergar o que se passa no campo energético de nossos filhos, vemos além do físico, do palpável, do real. Há…como é maravilhoso estar no caminho do amor, nele a nossa intuição é ordem inabalável, sentimos e agimos de acordo com o que percebemos porque neste trajeto estamos atentas e alertas com todos os nossos sentidos. Intuímos e tomamos as decisões, agimos com o nosso mais íntimo saber, aquele que vem de nossas antepassadas e da Mãe Terra! Utilizamos nossa sabedoria feminina, nosso poder de acolher, de cuidar, de dar colo, de dar alimento e até de CURAR! Quando somos questionadas seguimos firmes em nosso propósito porque sabemos do que estamos falando e temos a certeza de como estamos conduzindo as nossas ações. Devolvemos as críticas com muito respeito e carinho porque agir com amorosidade não é só com o nosso filho, mas também o é com o resto do mundo. Percebemos a boa intenção e as histórias de cada um por traz dos comentários, acatamos aquilo que nos cabe, agradecemos e seguimos o nosso iluminado caminho, iluminando. No caminho do amor refletimos uma luz que emerge de nós, uma luz quase ou totalmente divina, nele, somos magnéticas. Nossa comunicação, no caminho o amor, brota da nossa emoção. Não é uma fala que transcrevemos da mente para a voz, e sim uma energia sublime que emana de coração para coração. Uma troca potente e real, autêntica e poderosa que é capaz de tudo, que ultrapassa qualquer explicação racional e que cria laços eternos. Neste caminho, a nossa energia vital é preciosa e cuidamos deste nosso tesouro com muita atenção, pois sabermos o quanto esta força é essencial para nos dedicarmos à maternidade que queremos.

QUANDO DESVIAMOS DO CAMINHO DO AMOR 

Entretanto, nem sempre estamos trilhando nossa maternidade neste caminho. Muitas vezes desviamos, perdemos a rota, seguimos em outra direção. Tenho uma amiga muito querida com quem mantenho muitas conversas, pois nossas filhas têm idades próximas. Certo dia ela me mandou uma mensagem, pois estava com muitos desafios de comportamento com sua pequena. Não conseguia manter uma boa relação com ela, as coisas estavam atrapalhadas, a rotina da manhã se atropelava, chegar à escola era muito difícil e ao chegar ao final do dia ela sentia que não estava desempenhando o papel de mãe amorosa que desejava ser, estava exausta, triste e frustrada. Disse-me, muito emocionada, que estava impaciente, brigando muito e que não vislumbrava saída para este ciclo, ela disse que precisava RETOMAR O CAMINHO DO AMOR! Chorei. Esta frase colou no meu coração, conversamos muito e ela seguiu sua jornada tentando encontrar as pistas para retomar o seu percurso. No mesmo momento eu passava por dificuldades parecidas, estava com muita raiva, explodia em quem amava e os dias estavam cansativos, eu gritava demais e era grosseira e rude na maioria das vezes. Não conseguia estabelecer a conexão necessária para que nosso ritmo diário fosse mais assertivo. Chorei novamente e percebi que tinha desviado totalmente do caminho do amor, segui lembrando esta reflexão para me reencontrar também.

O REENCONTRO 

 A partir desta lição, eu busco todos os dias reencontrar o meu caminho do amor, sou mais feliz nele, faço minha filha e aqueles que eu amo mais felizes. Todos os dias eu procuro bússolas que me indiquem o norte, pequenas grandes coisas que me fazem retomar a direção. Um “bom dia mamãe” ao acordar, um adormecer de conchinha, aquele beijinho na bochecha, um abraço no pescoço com bracinhos pequenos, um “eu te amo” genuíno, incondicional, um “muito obrigada” ou um doce olhar. Não é tarefa fácil, mas é gratificante, muitas vezes estamos desconectadas, irritadas, tristes ou desanimadas em como as coisas estão seguindo e basta um olhar mais atento para encontrarmos o nosso caminho, o nosso equilíbrio. E quando não estamos neste caminho também é preciso nos acolher, nos entender, reconhecer nosso momento e não nos julgar ou culpar. Não se trata de nos martirizarmos por estarmos longe do que desejamos, ainda assim está tudo bem. Está tudo bem porque este caminhar é uma escolha diária, em que decidimos a cada amanhecer como será o nosso dia, somente nós temos este poder. Assim, acredito que em tempos tão contestadores como este, é necessário que nos convidemos a refletir sobre o que nos conduz ao caminho do amor, e que estrelas seguiremos para encontrá-lo. Certamente será mais fácil do que você imagina e juntas poderemos criar nossos filhos permeadas por mais paz e envolvidas pela energia do amor!

Este Texto foi ESCRITO por:  

Ana Blasi, Mãe da Flávia, Participante da Turma 9 do Zum Zum de Mães e apaixonada por educação e conexão.

IG @blasi_ana

E-mail: anamartens@hotmail.com 

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Inicialmente, deixo claro que este texto não é um manual cheio de receitas para a quarentena! Na verdade, é um convite para um desabafo e uma reflexão inspiradora! Afinal, parece que este vírus nos pegou em nosso ponto fraco: nossa dificuldade em equilibrar os pratos da vida moderna. Ou seja, ser mãe sem perder a habilidade de ser sexy, cuidar da casa, sem se tornar escrava do lar, tipo gata borralheira; ser profissional, sem nos tornarmos a típica executiva sem vida pessoal.

Desta forma, esta necessidade de reclusão na quarentena está esfregando na nossa cara todas as nossas dificuldades de conciliar papéis. Além dos papéis, também todos os nossos medos de nos relacionarmos e todas as nossas vulnerabilidades, escondidas a duras penas embaixo do tapete!

Mas calma, este texto também não é um convite para a reclamação, a lamentação queixosa que de nada serve e apenas nos desgasta! Então, vamos por partes!

Vulnerabilidade é força!

Apesar de toda nossa capa de fortes, duronas e guerreiras, como bem gostam de exaltar as propagandas de dia das mulheres e dia das mães, somos humanas! Isto significa que temos nossos defeitos, nossos medos e falhas e precisamos aprender a olhar para estes aspectos como tesouros a serem lapidados!

Então, relaxe e saiba que aprender a se vulnerabilizar é um recurso de maturidade emocional. E, quando fazemos isso com amor e humildade, geralmente, conseguimos poderosos aliados como consequência! Assim, esqueça as recomendações de que você precisa ser durona! Saiba que se você se permitir sentir, tudo vai ficar mais leve e você conseguirá lidar com suas emoções com maior sabedoria!

Para isso, recomendo muito o lindo trabalho feito no Zum Zum de mães com a Clarissa e algumas leituras e vídeos como os da Brené Brown. Assim, nutrindo-se de acalento para o coração, fortalecendo-se na vulnerabilização, começamos a criar uma estrutura de sustentação para os outros “pratos da vida moderna”.

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou”. Brené Brown

A despedida da guerreira

Muitas vezes, nós utilizamos a capa de mulheres guerreiras para forjar uma coragem para enfrentar os desafios de ser mulher, de ser esposa, mãe e profissional. E, quero deixar claro que reverencio esta guerreira dentro de mim, que me impulsionou a enfrentar meus medos, preconceitos e me fez evoluir em muitos aspectos.

Todavia, percebi ao longo da minha jornada que, em alguns momentos, minha guerreira engessava minha capacidade de sentir e demonstrar amor. Por vezes, a necessidade de ser “durona” me fazia ficar, inclusive, contra mim mesma. E, isso me obrigava a situações que eu não queria em nome de um “orgulho de guerreira”. Entretanto, apenas quando me permiti olhar para o meu medo e perceber que ele me contava coisas importantes sobre mim mesma é que pude utilizá-lo a meu favor!

Vale aqui citar o texto MARAVILHOSO: A despedida da guerreira, disponível em: https://www.facebook.com/clasacerdotisasdaterra/photos/a.317218491699625/1635129166575211/?type=1&theater

“Cansei de ser guerreira.

Guerreiros travam batalhas.

Estão sempre com arma em punho.

Houve um tempo em que tive que colocar minha armadura para lutar por mim, para delimitar espaços, para me manter em pé diante das tempestades emocionais que vivia.

Caminhei por muito tempo fazendo o trabalho árduo, passando por vários confrontos, buscando encontrar a minha glória, o meu caminho.

Os campos de batalhas eram cheios de desafios e, por muitas vezes, tive que recuar para estudar melhor o grande inimigo que morava em mim.

Juntei esforços e energia (porque todo esse movimento de cura cansa e exige demais de nós) para me manter sã, diante da loucura que era romper com os padrões sociais e familiares.

Tive que me blindar de todos aqueles que se ofenderam por me ver bem seguindo o minha estrada e por todos os outros que faziam a mesma coisa por não compreendê-la!

Mas o tempo foi passando!

A armadura foi pesando e a lança perdeu a função, porque durante toda caminhada eu fui compreendendo que guerras são necessárias, mas que também é chegada a hora de levantar a bandeira da paz!

Não quero provar mais nada a ninguém!

Não quero ser nada para ninguém!

Do meu espaço cuido eu!

Minha vida, minha regras!

Meu destino, minha responsabilidade!

Minha verdade, meu guia!

Minha expressão, meu palco!

Na verdade as batalhas são travadas para que possamos tirar de dentro de nós todos aqueles e tudo aquilo que colocamos como prioridade e que só nos trazia medo, opressão, desespero, angústia, invasão, subjugação, distorção e por aí vai.

Agora que começo a me encontrar comigo mesma, a ter minha própria opinião e a dançar conforme a minha música, não será preciso de armaduras e lanças, mas de uma confianças no invisível de que tudo será como deve ser.

É chegada a hora da paz tão buscada e desejada!

Agradeço e honro a guerreira que fui hoje e por todo sempre, porque sei que na hora em que precisar dela novamente ela estará a postos.

Ahowww!!!”

Texto por Heloisa Tainah

Ser mãe e profissional: eis o grande desafio do momento!

Assim, te convido a refletir que este é o desafio de milhares de mulheres no mundo: como posso me concentrar no trabalho e dar atenção ao meu filho dentro de casa? Afinal, as crianças precisam gastar energia, o chefe quer ver resultado e nós nos sentimos no meio deste cabo de guerra com muita culpa, raiva, frustração e impotência! Infelizmente, eu não tenho a solução para este desafio senão ganharia uma fortuna! Mas quero deixar claro que compreendo bem este sentimento e a partir deste momento desejo que você se sinta acolhida em sua dor e dificuldade: estamos juntas! Inclusive, te convido a ler Suficiência: desafios da Quarentena, crise ou oportunidade? no meu site Conexão Profunda

Desta maneira, acredito que a grande palavra que nos coloca em contato com a solução é READAPTAÇÃO! Esta implica parar de reclamar e se indignar com tudo o que não é como nossa mente gostaria! E, desta forma, acessar um estado de aceitação. Mas, atenção, aceitação não significa passividade! Com isso, a aceitação que estou propondo aqui é o que a Clarissa sempre enfatiza a respeito de nossa falta de controle sobre o que está fora! Eis o caso no momento! Isto porque, a situação está dada no momento com esta pandemia e nos resta, com o perdão do clichê, fazer limonada dos limões!

Isto significa que precisaremos aprender a nos dividir efetivamente entre filhos e trabalho e que, fatalmente, alguém ficará frustrado em algum momento! Isto porque TODOS estamos aprendendo a nos readaptar a este cenário: nós, nossos filhos, nossos chefes… Assim, absolutamente tudo está em processo de desconstrução no momento, nada está normal, portanto, é esperado que haja descompasso, cenário caótico até que a poeira abaixe.

Trabalho em equipe: família unida, trabalhando junta!

Cabe ressaltar algo muito importante no momento: quando há sobrecarga de tarefas, há impaciência, frustração e o resultado é discussão e caos. Para evitar este cenário, eu acredito fortemente na importância do diálogo, da vulnerabilização e da cooperação em família! Isto significa que, especialmente em tempos de quarentena, é fundamental que cada um tenha o seu papel definido para que as coisas fluam da melhor forma possível! Ao menos, é isso o que tenho observado na minha experiência cotidiana!

Em síntese, temos vários pratos para equilibrar, mas se houver excesso de pratos nem o atleta do Cirque Du Soleil será capaz de sustentar! Então, seja clara com seus sentimentos, honesta consigo e com os demais membros da família. Desta forma, defina as contribuições, horários e as maneiras de melhor estabelecer o funcionamento da casa e das rotinas na sua família!

Em nossa experiência aqui em casa, sempre lembramos dos jogos de vôlei em que o levantador às vezes corta, defende… Enfim, não há papéis fixos, mas é importante que TODOS queiram manter a bola em jogo! Neste sentido, a palavra de ordem é COLABORAÇÃO! E, nesta lógica, palavras como paciência, diálogo, compreensão, empatia são instrumentos fundamentais de trabalho constante!

Cabe ressaltar algo muito importante e capaz de fazer a diferença no cotidiano de quarentena: é importante SABER PEDIR AJUDA, mas é ainda mais fundamental ACEITAR a forma como a ajuda chega e RECONHECER a importância dela! Eis o verdadeiro desafio da liderança nos tempos atuais: integrar a família, liderar com base no exemplo e construir modelos de referência realmente significativos e sustentáveis!

“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única” Albert Schweitzer

Assim, estamos em tempos de profunda desconstrução para que uma nova ordem mais harmônica possa imperar! E isso começa com a gente, com nossa casa e família no dia-a-dia intenso de nossas experiências relacionais! Portanto, acredite, você é capaz, mas precisa acreditar e fortalecer esta crença constantemente para si mesma! Empodere-se com sua vulnerabilidade e lidere pelo exemplo, isto fará toda a diferença não só na sua vida e de sua família, mas também numa nova perspectiva mundial que está sendo construída neste período de recolhimento!

Luz, Paz e Bem a todos! Gratidão pela leitura! Namastê! _/\_

 

SOBRE A AUTORA

Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE!

Tem um site chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda e siga no instagram gm_conexaoprofunda

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Neste episódio da Tenda Materna, recebemos a Ana Paula Cury, médica antroposófica, co-fundadora da Escola de Pais na Escola Waldorf Rudolf Steiner de SP, Coordenadora do Projeto Social Semear e da Formação em Lideranças de Comunidades Parentais.
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Quanta honra, que alegria! Escutar as doces e sábias palavras da Ana é uma experiência muito potente, que toca um lugar profundo em nossos corações.
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Leia esse trechinho da nossa conversa para você sentir um pouco do que espera por você:
“Se você se lembra que você em seu presente está diante de um ser espiritual em seu devir e se o simples pensamento desta grandeza suscitar em você uma devoção no seu ato de estar presente perante este fenômeno, isso vai criar a atmosfera frutífera e fecunda pro desenvolvimento deste filho. Então ele encontrará a alegria e o amor necessários para ir se revelando. O resto, é prestar atenção. Porque é a criança é que vai sinalizar para nós aquilo que ela precisa.”
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Além de trazer um olhar profundo para nossa jornada de autoeducação ao lado de nossos filhos, ela comenta também sobre presença e conexão com as crianças e sobre a importância de estabelecermos limites claros para os pequenos.
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Te convido a entrar em nossa Tenda e escutar essa conversa maravilhosa! Sinto que ela pode ser um grande alento para nossos corações tão sensibilizados por este momento intenso que estamos vivendo! Só dar o PLAY:

Depois me conta aqui o que achou!!! 🙂

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Um abraço com muito carinho,
Clarissa

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Para ter aceitação própria é preciso deixar de comparação, deixar de medir força, altura e qualidade da emoção, reconhecer tranquila tudo que é limitação.

Não sou fada nem bruxa, nem santa nem puta, nem dia nem noite, nem fogo nem água, nem terra nem ar, nem louca nem sã. Sou na verdade tudo isso e nada disso, porque na verdade nada sou, eu apenas estou.

Já tentei desesperadamente me encaixar, no espaço da cama, no colo de alguém, no banco de traz, na vida de quem eu não cabia, no espaço apertado entre o fogão e a pia, na barra da saia, no sofá cama, na mesa de jantar, na baia da vizinha, na cadeira da escolinha.

Já disse que estava bom quando estava péssimo, já disse sim quando queria dizer não, já sorri quando queria chorar, comi mingau quando queria mamar, já fui embora quando na verdade tudo que eu mais queria era ficar.

Já fiz coisa errada só para ser aceita, só para me acharem legal, já engoli sapos, vinhos baratos, mentiras e verdades, de tanto não querer machucar nem ferir, me corrompi numa versão pequena do que estava por vir.

De tanto fugir, de tanto falar o que as pessoas queriam ouvir, eu quebrei por dentro e depois por fora, os pedaços foram por todos os lados, quis colar tudo correndo, o que vão pensar? Que eu não sei lutar? Na pressa atropelei tudo de novo, mas agora entendi que as peças demoram a se encaixar. O corpo é o último que resiste, ainda não entendeu que estamos recomeçando, restartando, estou aos poucos renascendo de mim mesma, arrebentando as duras cascas do ovo, sendo parida de novo.

E eu sou dessas que barganha com Deus: Mas eu fui tão boazinha senhor! Por que precisa ser com dor? E tudo que eu fiz e doei em nome do amor? Daí ele mandou um anjo ao meu quarto e me falou: Mas e o amor avassalador por você mesma, já aflorou?  E o rio que nunca fluiu porque você não permitiu? E o furacão que nunca arrancou as crenças que você cravou? E o fogo que você apagou quando ele a iluminou? E a Terra suave que os teus pés tocaram e você subitamente os calçou?

Me disse para eu ir sem roupa, sem guarda-chuva, sem boia, sem bote, sem bota, sem nada. Estou com medo, mas vou, porque aos poucos o medo deixa de me guiar, estou com medo, mas não o sou, não estou mais sozinha, tenho a mim mesma, por isso digo: Sim, eu vou.

SOBRE A AUTORA:

Mãe da Ive de 4 anos, Geóloga, Participante da turma 5 do Zum Zum de mães, Educadora Parental pela Positive Discipline Association.

@viviancpessoa

vivian.pessoa@globo.com

 

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Eu uso máscaras a todo o momento e nesta época de isolamento social tenho refletido sobre como será quando a pandemia acabar. Sim, quando tudo voltar ao “normal” porque acredito que as coisas irão se organizar novamente, mas não sei se posso dizer que tudo será como antes. Agora me escondo sob as máscaras de proteção, de pano, de feltro ou de acrílico. Feias ou bonitas, sustentáveis ou decoradas. Se eu quiser posso não sorrir que poucos perceberão, também posso desdenhar de algumas opiniões já que não verão a minha boca se contraindo. Aos mais sensíveis, meus olhos revelarão minhas expressões mais íntimas, aos demais, a máscara física me encobrirá. Entro nesta primeira segunda-feira de maio na oitava semana de isolamento e por aqui muitas máscaras caíram, outras começam a ruir. Sinto que as energias que atuavam fortemente para evitar que determinadas emoções e comportamentos emergissem tem se exaurido, porque tem faltado espaço para me esconder. E junto do cansaço as máscaras também caem. Está difícil não demonstrar medo, irritação, discordância, pânico, desanimo. E, sinceramente, isto tem me feito tão bem! Parece que tenho tirado uma tonelada de peso das minhas costas, esvaziando minha mochila cheia de “máscaras” desnecessárias. Que delicia poder extravasar e demonstrar, além de não conseguir esconder, agora temos a desculpa de que são os efeitos da “quarentena”, e que tudo e todos estão perdoados. De qualquer forma, é bom demais, poder mostrar um pouco de quem eu sou de verdade, sem precisar fingir, enganar, atuar, sorrir! Mas, é claro que nem tudo são flores porque tenho inúmeros defeitos e sentimentos não aceitos em nossa sociedade e quando os expresso me sinto frágil, fraca, vulnerável (ainda não sei entender muito bem minha vulnerabilidade) e sinto que ninguém mais vai me amar. Já aprendi com a mente racional que se trata da minha criança interior ferida e rejeitada que ainda pede por ser amada, aceita e reconhecida. Porém, nestas horas de conflito interno, meu coração ainda não aprendeu a acolher esta pequena na sua totalidade e ainda tenho um longo percurso a limpar nesta jornada de cuidar da “Ana Banana” (nome carinhoso da minha criança interior!) que chora e se debate na “estrada”…

E AS CRIANÇAS SERÁ QUE ELAS SABEM?

Tenho passado muito tempo sozinha com minha filha de três anos, pois meu marido trabalha na área da saúde e intensificou seus plantões neste momento. Esta “imersão em educação” me fez passar por muitos espaços. Primeiro, por um desespero avassalador por achar que eu não conseguiria sobreviver, nem descansar, nem dar conta das atividades de casa e do trabalho. Um terror em pensar que estaria com minha filha 24 horas por dia e desesperada por não conseguir estar presente e estabelecer uma conexão saudável entre nós. Depois, com o passar do tempo, fomos acessando outros espaços em que fui incluindo a menina nas atividades e buscando algumas frações de tempo para mim. É querida leitora, se você é mãe me entende e sabe que expectativas altas causam frustração, aprendi a valorizar cada instante em que posso me cuidar e me ver, no meio do dia para não explodir “tanto”. E está sendo tão aterrorizante ver que, ao mínimo sinal de minha raiva, minha filha já percebe que vou me descontrolar. Sim ela parece uma “antena captadora de emoções” que sente a minha mudança de comportamento, acho que até antes de mim. Penso que na realidade é e sempre foi assim com as crianças, acredito que elas são muito sensíveis e a sua percepção é inexplicável aos céticos, no entanto, agora tenho tido tempo e oportunidade de ver com os olhos do coração. Bom, digo aterrorizante porque imagino como será após voltarmos para a nossa rotina “normal”. Quando o isolamento acabar com que máscara eu vou? Como irei me esconder? E será possível me encobrir depois de tanta revelação? E a pergunta que acho mais importante: Eu quero mesmo me esconder? Se foi tão bom me revelar, quem me amar vai permanecer! E os pequenos, eles não vão embora nunca, eles estão ali firmes, prontos para nos apoiar e nos amparar. Logo nós, adultos, cujo papel é cuidar e proteger. Minha filha sente minha dor e de imediato ela diz que me ama e que me adora, é como um abraço bem forte que ela me dá, ela sabe como me acolher, como cuidar da minha dor, coisa que nem eu sei fazer direito ainda.

AS MÁSCARAS NECESSÁRIAS

Eu acredito que um mundo melhor está por vir. Penso que estamos vivendo um marco histórico e que ninguém sairá ileso, ainda que não seja contaminado pelo tal vírus. Nossa estrutura interna e externa se alterará de formas ainda não vivenciadas. Até pouco tempo eu acreditava que era preciso viver “papeis” na vida e que estes personagens nos permitiam sobreviver aos eventos diários. A maternidade e isolamento me mostram e me revelam a cada dia que as máscaras são desnecessárias, eu sinto que ao me desmascarar eu me mostro e que me mostrando eu me vejo e que somente aí eu tenho a oportunidade de me ressignificar. Hoje, acredito na “cara limpa”, no coração vivo, nos sentimentos à flor da pele e ao me enxergar sem filtro, vejo muita dor, raiva, imperfeição, mas vejo também muita força para renovar, mudar, agir. Assim, quando a quarentena acabar de máscara é que eu não vou sair!

SOBRE A AUTORA: 

Ana Blasi, Mãe da Flávia, Participante da Turma 9 do Zum Zum de Mães e apaixonada por educação e conexão.

IG @blasi_ana

E-mail: anamartens@hotmail.com

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A perda do controle

A quarentena e toda a complexidade que estamos vivendo no mundo devido à pandemia, chegou inesperadamente e tirou o chão de todos.

Eu que há dois anos optei por não ver os noticiários por absorver demais as notícias ruins, só tive dimensão do que estava acontecendo quando a escola da minha filha suspendeu as aulas.

Meu marido e eu trabalhamos juntos e nosso horário era cronometrado com o da escola da nossa filha, tínhamos tudo sob controle. Não ter escola pra ela, para nós podermos trabalhar normalmente, foi o primeiro gatilho pra mim.

Fiquei aflita e dividida entre o desejo de cuidar dela de perto num momento como esse, ao mesmo tempo em que me afastei do trabalho, cheia de preocupações pois desempenho uma função de confiança e meu trabalho não teve opção de ficar em home office.

Naturalmente, não ter o controle sobre os acontecimentos me deixou angustiada, com a mente agitada, pensando em mil possibilidades negativas diferentes. Como em geral são os pensamentos que geram as emoções, consequentemente meu campo emocional sofreu um grande impacto, trazendo à tona as mais diversas emoções negativas, como o medo, insegurança, tristeza. Quando todo planejamento se torna ilusório, nossa mente fica perdida e isso reflete nas nossas emoções.

O ciclo do pensamento negativo

Percebo que na minha vida o medo é a emoção mais predominante, e sempre que ele vem sinto-o em meu corpo todo, ele começa no meu plexo solar, que é a região da barriga e estômago, traz uma onda de mal estar físico generalizado e uma angústia se instala em meu peito.

Quanto mais angustiada eu fico mais pensamentos negativos eu produzo, e quanto mais pensamentos negativos mais angústia. Esse é o ciclo do medo no meu corpo.

Essas sensações que experimento em meu corpo dizem algo sobre mim, esse contexto inesperado que traz esse medo, me faz reviver sensações físicas e emocionais que eu já vivi antes, possivelmente na infância, e de certa forma elas vêm para serem olhadas e integradas. Se ignoro a mensagem que há por trás desse medo, por exemplo, perco uma grande oportunidade de me conhecer melhor, de saber sobre o que sinto, de conhecer meu corpo e quem sou de verdade além dessas sensações. Perco uma grande oportunidade de cura através do autoconhecimento.

Mas sinto que no momento em que estou com meu corpo nesse colapso nervoso, primeiramente preciso sair desse estado, distraindo minha mente, trocando esses pensamentos por pensamentos mais positivos, movimentando meu corpo, mudando minha mente do lugar ilusório do passado ou futuro, e trazendo para o presente.

Tenho me sentido assim por diversas vezes durante essa quarentena, precisando lidar com minha mente o tempo todo, e por muitos momentos quando me dou conta já perdi o controle dela e meu corpo está paralisado no estado que descrevi acima. Às vezes, melhora rápido, às vezes fica um dia todo ou até mais em meu corpo… como tenho dito: dias bons, dias ruins. Ainda bem que nós, mães, pais, estamos acostumados com essa realidade na maternagem, de certa forma nos ajuda a lidar.

Medo do futuro e da morte

Quando nossa mente está preocupada com o que há de vir, está atuando no futuro, fora do presente, que é o único momento que realmente existe. Porém, estamos tão treinados a viver no futuro que pelo automatismo do nosso inconsciente não conseguimos sair de lá tão facilmente quando nos deparamos com algo que tira nosso controle e planejamento, e que desperta pensamentos e emoções negativas em nós, como é o caso do momento que estamos vivendo.

Desde cedo nos ensinaram que temos que pensar no nosso futuro, em ser “alguém na vida”, e não trago isso de forma negativa. Só quero chamar a atenção para as convenções que nos ensinaram desde sempre a focar no futuro, que colocamos nossa felicidade nele, nossa realização, nossa paz. Porém, só temos o presente, e num momento como esse podemos olhar pra isso com mais consciência e rever alguns conceitos. Estou tentando fazer isso.

Mas creio que o medo do futuro seja inevitável, e por mais que tentemos evitar, os pensamentos fatalistas estão vindo. As crises emocionais estão vindo. O medo de morrer, de perder alguém que amamos, nossos filhos, nossos pais… Sabemos que muitos já perderam e estão sofrendo seu luto nesse momento, estão lidando com a morte e seus mistérios.

Eu tenho lidado com o medo da morte diariamente, me questionado por que vim pra esse mundo, o que estou fazendo aqui, qual o propósito disso tudo, por que dói tanto perder um ente amado ou somente pensar nessa possibilidade, por que a morte é esse grande enigma e nos assombra tanto. E tudo que eu sei é que não tenho nenhuma resposta exata pra nenhuma dessas perguntas.

Formas de manter a paz em meio a todas as incertezas

Como eu disse acima, não existe resposta exata para a maioria dessas perguntas existenciais, não existe fórmula mágica para lidar com nossa mente, nem com nossas emoções.

Entendo que o medo do futuro e da morte são reflexo da falta de confiança, de fé no que vem depois. Quando penso que a natureza é farta e sábia e não deixará faltar o necessário para que eu sobreviva, eu fico em paz. Quando penso que mesmo depois que eu morrer, eu continuarei vivendo, eu fico em paz. Quando penso que antes de ser minha, a minha filha é filha de Deus, e eu fui apenas um canal pra que ela estivesse aqui, eu fico em paz. Quando penso que se minha filha morrer antes de mim, isso já estava acordado entre nós antes de virmos pra cá, eu fico em paz. Quando penso que não há separação, pois somos todos parte de um Todo, e de certa forma sempre estaremos juntos, eu fico em paz. Quando penso que existe uma Inteligência cuidando de tudo que não podemos entender, eu fico em paz. Quando penso que essa mesma Inteligência, que pra mim é Deus, está comigo, eu fico em paz.

A dor muitas vezes é inevitável, mas se tivermos paz pra lidar com ela, tenho certeza que será mais leve. Por isso que em minhas orações eu não peço pra entender, eu peço para ter paz para aceitar aquilo que não posso entender, e assim eu sigo.

A forma que eu encontrei de ficar bem foi estruturando essas crenças na minha mente, e confiando no mistério da vida. Funciona em boa parte do tempo, nas outras estou vivendo os emaranhamentos da falta de confiança, que geram os estados que citei, afinal sou humana e a vida não é uma linha reta.

Se posso te dizer algo é que encontre as crenças que te tragam paz, assim como eu encontrei as minhas. Na hora do colapso nervoso, o que me traz para o presente é pedir um abraço apertado pro marido ou pra filha, rezar e chorar no chuveiro, meditar, respirar, respirar, respirar, rezar antes de dormir, alongar, mudar o pensamento, encontrar um lugar interno de paz, um lugar que amo estar e pra onde posso ir quando eu quiser e precisar. Brincar com minha filha com conexão, fazer uma comida gostosa com atenção plena, comer algo que gosto, organizar a casa com atenção plena, colocar uma música que eu amo e sei a letra e cantar junto bem alto, dançar. Esses dias tirei da prateleira um CD da Ana Carolina e cantei todas as músicas a plenos pulmões… eu tinha me esquecido de como amava fazer isso, e me fez tão bem! Me tirou de um estado deprimido que estava fazia dias.

Nessa quarentena, assim como na vida, encontre aquilo que te nutre, te faz bem, te ajude a voltar para o aqui agora, te ajude a ter confiança na vida e no que vem depois, te enche de paz mesmo quando fora tudo é guerra. Eu também estou nessa busca com você, e sei que isso se estenderá enquanto respirarmos, pois isso é a vida!

 

SOBRE A AUTORA:

NATALIA CAMILA DA SILVA

33 anos, mãe da Olívia de 4 anos, Participante da Turma 5 do Zum Zum de Mães, Funcionária Pública, Gestora de Recursos Humanos, adepta do Sagrado Feminino. Escreve para elaborar suas emoções, só de escrever se sente mais leve e mais inteira.

IG: @natycamila87

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O momento em que estamos é certamente muito desafiador e porque não apavorante. Não temos dúvida de que este vírus o tal do COVID-19 ameaça a saúde pública e devemos nos preparar para passar por ele com o mínimo de efeitos negativos.

Porém, neste emaranhado de informações, textos, vídeos de aulas, depoimentos e relatórios médicos me pergunto sobre a importância que damos as coisas somente quando elas tomam grandes proporções, quando a mídia nos força a acompanhar toda esta situação, e quando sentimos medo real de algo que possa afetar a nossa família. Mas, como lidamos com isso junto às crianças? Como e quando falamos sobre o medo que sentimos com e para elas?

Observo como lido com isso e penso em maneiras de auxiliar a minha filha a trabalhar este sentimento tão pouco falado. NÃO NOS PERMITIMOS SENTIR MEDO. Sempre pensei que o medo me tornaria fraca e frágil, suscetível a tudo, achava que sentir medo me colocaria numa posição de vítima a ser salva.

Neste contexto, compramos todo o álcool gel do mercado, não andamos de ônibus, não vamos a festas e tomamos outras medidas protetivas, mas não falamos sobre o medo que estamos TODOS sentindo. E claro, é muito importante que façamos tudo isso a fim de auxiliar a saúde do coletivo a se recuperar. Mas estamos nomeando tudo isso para os nossos pequenos? Ou estamos somente fazendo um “experimento” sobre como eles devem lavar as mãos? Explicamos sobre o vírus, mas falamos pra eles que também estamos com medo?

Estamos seguindo todo o protocolo de cuidados e achamos que assim sairemos ilesos, nos colocamos numa posição de defesa e falamos que não fazemos parte de um grupo de risco então está tudo bem? Mas está tudo bem mesmo? Porque deixamos de falar sobre o que sentimos para eles, sendo que eles já estão sentindo tudo isso e isso (sentir e não saber do que se trata!) os deixa bem mais angustiados!

EXPRESSANDO NOSSOS MEDOS

Sinto ainda que nos colocamos numa postura defensiva onde não nos deixamos expressar este medo real, temos medo de sentir medo e tudo fica embolado. Sabe, moro numa cidade rural há uns 20 km de distancia do trabalho que fica numa cidade mais movimentada.

Quando estou em casa, no meu bairro, a vida tem seguindo normalmente e o medo não é tão forte, aí eu até relaxo,  muitas vezes esquecendo deste assunto mundial. Quando volto ao trabalho, tudo muda, e a minha calma se esvai, começo a conversar com as pessoas e saber das notícias, dos relatos,  então meu coração vai disparando, vou ficando ansiosa e sinto este medo: o  medo de entrar em pânico e de não dar conta de sustentar e tranquilizar a minha filha.

Volto pra casa e tento “fingir” que nada está acontecendo, mas não temos como fugir do que está em nosso corpo, pois o medo vai dando sinais e escapando quando não percebemos, isso se não nos apropriamos dele.

MEDO DE COMUNICAR O MEDO

Ontem fui lavar as mãozinhas de minha filha porque tinha brincado com tinta. Subimos no banquinho perto da pia e aproveitei a situação para explicar sobre a importância de lavar as mãos neste momento já que temos aí pelo ar, um bichinho, chamado vírus que passa de um pro outro pelas nossas mãozinhas e boquinha.

Neste momento, senti um friozinho na barriga pois os olhinhos dela foram ficando estáticos, brilhantes e vi que ela estava sentindo medo, ela estava projetando a minha angústia, o meu pânico e eu fui ficando insegura em falar sobre este assunto.

Mudei de tema, lavei as mãos dela e fomos comer. Depois deste episódio fiquei pensando em como movimentar em mim o medo para que eu possa ser porto seguro e permitir que ela também o sinta com segurança e que este “amigo medo” seja nomeado e colocado em seu devido lugar.

SENDO PORTO SEGURO PARA A NAVEGAÇÃO EMOCIONAL DE NOSSOS FILHOS

Enfim, esta reflexão me fez perceber que não tenho como amparar a minha filha se não permitir que ela sinta aquilo que seu corpo está manifestando, assim como eu me permito sentir. Ser exemplo e educar por exemplo, é ser o mais autentica possível, é estar conectada com o meu eu essencial, é sentir e expressar. E estes movimentos, muitas vezes sutis, são partes do nosso coração e não da nossa mente. Sejamos, portanto, porto seguro, onde nossos filhos possam navegar neste mar de emoções que nos envolvem e aprendem a cada dia a transitar como ondas,  pelo oceano da vida!

Sobre a AUTORA:

Ana Blasi, Mãe da Flávia, Participante da Turma 9 do Zum Zum de Mães e apaixonada por educação e conexão
@blasi_ana

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“Quem aí nunca chorou com o bebê no colo? Quem aí já não se sentiu sozinha e desamparada? Como explicar essa tristeza que nos invade depois de nos tornarmos mães em paralelo a momentos de tanta alegria?

Por mais maravilhosa que possa ser a chegada de um bebê, a maternidade também pode nos fazer viver um turbilhão de sentimentos. No 20o episódio da Tenda Materna, eu e a Clarissa convidamos a Roberta Arend para falar sobre Puerpério, esta fase da maternidade que pode nos partir no meio e nos deixar sem chão e sem identidade.

A Roberta é doula, educadora parental, mãe do Joaquim e da Aurora e criadora do Programa Online Puérperas. Na gravação, revisitamos nossos partos e puerpérios e o quanto aprendemos com eles.

Falamos do quanto a chegada do bebê nos derruba a ilusão de que temos controle da vida, de como nossos filhos vão ser e de como seremos como mães.

Abrimos nosso coração e contamos algumas de nossas experiências dolorosas, como perdas gestacionais e problemas de saúde de nossos bebês, o quanto isso nos desestabilizou em princípio e nos serviu de aprendizado e pareceu ter mais sentido tempos depois.

Hoje fica mais claro o quanto esses tombos nos ajudaram a nos conectar com nossa essência e até a entender e nos preparar melhor para nossas missões de vida.

Entre na nossa Tenda, aperte o PLAY, para escutar esta conversa íntima e delicada que tivemos, bastante emotivas pelo contexto da quarentena mundial.

Um abraço,

Maíra e Clarissa” (Texto escrito por Maira Soares)

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Em tempos de agrotóxico, quero falar das abelhas, em tempos de certezas absolutas sobre a maternidade, quero falar de um curso de mães que se chama “Zum Zum de Mães”.

A colheita chega a nossa mesa como num passe de mágicas, ninguém vê o percurso do alimento da terra até o estômago, aquilo que acontece entre o início e o fim.

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho” já dizia o poeta, e a pergunta que não quer calar é: como identificarmos as pedras nos nossos caminhos?

O agrotóxico, por exemplo, não foi criado como pedra, mas sim para acabar com as pragas, mas será que não se tornou pedra a partir do momento que está acabando também com as abelhas, rainhas da polinização, responsáveis pela manutenção da flora, com suas folhas e frutos? Será que estamos a usar o Maquiavel, onde os fins justificam os meios?

Eis uma pedra no meio do caminho da sociedade contemporânea: O DESCARTE DO VELHO PELO NOVO, do idoso pelo jovem, da sabedoria milenar pela teoria atual, da abelha ou meios de polinização natural pelo agrotóxico, do instinto materno pelas certezas da maternidade.

ACUMULAMOS e acumulamos LIXO =aquilo que vem DE FORA, e de outro lado, DESCARTAMOS O ESSENCIAL=aquilo que vem DE DENTRO.

As armaduras desse novo mundo têm nos colocado de costas para nós mesmos. É como se criássemos uma casca grossa em torno do nosso corpo, até que chegará um dia em que essa casca alcançará os nossos olhos e não nos enxergaremos mais nem no espelho.

Em extinção está a busca pela simplicidade, pelos motivos que nos conduzem a continuarmos nesta caminhada terrestre, apesar das pedras no meio do caminho, em extinção estão pessoas que olhem para a nossa essência por trás da tal armadura, mas eu conheci uma pessoa assim.

Essa pessoa é a professora Clarissa Yakiara, que ministra um curso de mães que leva o símbolo de uma abelha, não por acaso, e se chama “Zum Zum de Mães”.

Entrei no curso quando o João tinha seis meses, com a ideia de receber um manual para ser mãe, mas quando saí do curso percebi que esse manual não existe, ou melhor, que ele até existe, mas não está lá fora, está aqui dentro, na conexão única e pessoal que eu estabeleço a cada dia com o meu filho.

O zunido da abelha me resgata até hoje à minha natureza interna e o “Zum Zum” me faz lembrar a cada manhã de que é preciso alimentar não só o meu corpo, mas também a minha alma e a do meu filho.

Depois do curso, pude ver que por baixo de toda armadura há um ser humano e onde tem ser humano tem sentimento, e onde tem sentimento pode haver alguma necessidade não atendida.

Antes do curso, as situações da maternidade pareciam meramente matemática: doente= remédio, vomitou= comida fez mal, frio=cobertor, chilique= não tem motivo, vontade exagerada por algo específico: vontade exagerada por algo específico.

Só que não, como diz a moçada. Não é simples assim, diz a professora Clarissa Yakiara.

Hoje quando o João fica doente ou vomita, não olho apenas para FORA, a comida, a doença, mas principalmente para DENTRO: será que ele tem me mostrado  algo que o incomoda? Será que ele está com dificuldade de conviver com alguma emoção e o seu corpinho está falando?

Recentemente ele deu um chilique de cinema e demonstrou uma vontade exagerada por um chocolate,  logo após a despedida  da minha mãe que mora longe, antes eu enxergaria somente o desejo exagerado e ponto, agora, consigo ver uma vontade interposta, um desejo camuflado: estava triste porque a vovó foi embora (o desejo exagerado era pela sua volta), e eu o abracei, tanto e tanto, acolhi  a saudade já anunciada, e em pouco tempo ele não tocou mais no assunto do chocolate.

Hoje estou grávida do meu segundo filho, e o João anda expressando os seus sentimentos por linguagens variadas, o meu desafio maior tem sido desvendá-las.

Abro a janela, e inspiro profundamente a minha essência, posso ouvir o zunido das abelhas cuidando de mim e do meu entorno, olho fixo num ponto e vejo: no meio do caminho tem uma pedra, tem uma pedra no meio do caminho. Expiro confiança nesta travessia, na certeza de que a janela deve permanecer aberta para deixar o sol entrar.

SOBRE A AUTORA:

Este texto foi escrito por Lígia Freitas, Mãe do João e Participante do Zum Zum de Mães.

@ligiafreitasescritora

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