Numa sociedade tão marcada pela tecnologia e racionalidade, quem anda ditando o jogo são as emoções! O medo, a tristeza, a raiva, a alegria vão se impondo de forma consciente ou, na maioria das vezes, inconsciente! E, quando temos filhos, temos também a oportunidade de fazer um mergulho profundo neste mar de emoções. Afinal, nossos filhos reestruturam nossa existência de forma irrevogavelmente avassaladora! Vale a pena ler também Maternidade: a intensidade de sentir.

A maternidade e também a paternidade trazem à tona muitos sentimentos confusos, muitas emoções que estavam trancadas à 7 chaves! Por isso, lidar com elas é fundamental para que possamos trabalhar com as emoções de nossos pequenos! Neste sentido, considero interessante abordar um pouco o conceito da inteligência emocional.

Inteligência Emocional

Eis aí uma habilidade essencial a ser desenvolvida! Desde que li o livro Inteligência Emocional de Daniel Goleman, fiquei fascinada pelo conceito e sua importância em minha vida pessoal e profissional, como educadora! No livro, o autor descreve cinco habilidades fundamentais para desenvolvermos a inteligência emocional:

1) Autoconciência: reconhecer o que sentimos e porquê sentimos;

2) Autogestão: como administramos nossas emoções estressantes para que não estraguem nosso dia! E como nos motivamos, alinhamos nossas emoções positivas com nossas ações e nossas paixões;

3) Empatia: compreender o que o outro está sentindo;

4) Habilidade Social: a arte de se relacionar, compreender e lidar com as próprias emoções e também com as emoções dos outros!

Desta forma, fica claro o caminho a ser percorrido para desenvolver ou melhorar nossa inteligência emocional. Assim, poderemos liderar nossos filhos para uma vida mais saudável consigo mesmo e com o mundo!

Segundo Goleman, a parte do cérebro que sustenta a inteligência emocional e social é a última a se desenvolver anatomicamente. Por isso, o autor ressalta a importância das experiências repetidas e como podemos ajudar nossas crianças tendo maior clareza do caminho a ser percorrido. Daniel Goleman – Inteligência Emocional

Autoconsciência

De fato, autoconhecimento é algo muito falado, mas pouco exercitado! Por isso, quero fazer um convite desafiador: escreva 10 qualidades suas segundo a SUA PRÓPRIA opinião! Agora escreva 10 defeitos! Em qual das listas você teve maior facilidade, qual delas veio à sua mente com maior rapidez?

Lembro-me de participar de uma dinâmica em que este exercício foi proposto e vi adultos se comportando como crianças querendo “colar”! A dificuldade de olhar para si mesmo era imensa e palpável! Conforme ressaltei no artigo anterior Pedidos deslocados: as consequências das necessidades não atendidas, dificilmente conseguiremos estar emocionalmente disponíveis para nossos filhos, se não pudermos olhar para nós mesmas!

Neste exercício contínuo de se autoconhecer, busque silenciar sua mente e ouvir seu coração! Do que você precisa? O que deseja? Procure cuidar-se e nutrir-se para que possa transbordar em se doar para seu filho, sua família e para o mundo! Desapegue do papel de mãe mártir e sofredora e redesenhe a mãe que você imagina feliz, satisfeita consigo e com seu papel!

Autogestão

Administrar meus próprios sentimentos é a tarefa mais incrível e desafiadora com a qual tenho me ocupado recentemente! Vale ressaltar que minha filha tem 2 anos e meio, então acredito que não preciso explicar muita coisa! Vejo que ela nega para se impor, me imita grande parte do tempo e eu gostaria de transmitir a ela a minha melhor versão.

Entretanto, como fazer isso quando “minha platéia” está colada em mim e me acompanha inclusive “na coxia”, isto é, fora do palco, rs!? Acho que a citação que Daniel Goleman escolheu para seu livro é excelente e propícia:

Qualquer um pode zangar-se, isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil. Aristóteles, “Ética a Nicômaco”

Quando li o livro, percebi a importância de me autoconhecer e reconhecer minhas fragilidades emocionais para trabalhá-las! Desta forma, eu pensava que seria uma guerra interna: minhas qualidades versus os aspectos que eu precisava trabalhar. Por muito tempo vivi neste conflito interno: idealizando a pessoa que eu queria ser e buscando sufocar a que eu já era e via como “defeituosa”.

Contudo, ao longo de minha caminhada fui percebendo que decretar guerra interna é inútil, pois consome energia, tempo e amor-próprio! Então, fui percebendo a importância de abraçar e integrar minhas sombras! Afinal, como diz Jung: “Aquilo a que você resiste, persiste”. Após a maternidade, esta frase foi se explicitando cada vez mais na concretude da vida diária com uma criança, rs!

Empatia

A capacidade de sentir empatia, de se colocar no lugar do outro e simpatizar com seus sentimentos é algo instintivo! No documentário A Revolução do Altruísmo, cientistas fazem experiências com macacos e também com bebês e descobrem esta habilidade desde muito cedo. A partir de nossos primeiros passos nesta jornada chamada vida, já somos capazes de nos simpatizar com o outro, suas preferências e necessidades! Ou seja, trazemos esta habilidade dentro de nós e acredito que a maternidade e paternidade seja um convite para desenvolvê-la e expandi-la ainda mais!

Sendo assim, para que sejamos capazes de nos reconectar com esta habilidade é preciso exercitar olhar o mundo sob a perspectiva do outro! Neste aspecto, recomendo assistir ao vídeo O Mundo Sob A Perspectiva da Criança. Com uma narrativa leve e bem humorada, Isabela Minatel nos mostra o distanciamento que temos do Universo de nossas crianças e a importância da empatia! Quantas vezes as crianças são ignoradas pelos adultos? Tratadas como “páginas em branco” ou como mini-adultos? Desconsideradas em suas necessidades?

Vamos exercitar a empatia com nossos pequenos! Vamos permitir que uma roupa suja seja uma descoberta de sabor ou um exercício de autonomia! Vamos ser mais leves e deixar que a criança experimente o mundo, utilizando todos os seus sentidos com paixão pela descoberta! Amo ver a forma como minha filha se relaciona com os legumes, se suja com a beterraba, “cozinha” com a casca da cebola… Menos plástico e mais vida, as crianças e o planeta agradecem!

Habilidade Social

A partir destes pressupostos: autoconsciência, autogestão e empatia, o relacionamento social acontece com muito mais fluidez! Quando estamos em harmonia conosco, somos capazes de nos relacionar muito melhor com os outros e com o ambiente! Neste ponto, quero ressaltar a ânsia que percebo em muitos pais para que seus filhos desempenhem papéis que eles próprios não conseguiram. Muitos pais depositam em seus filhos suas expectativas frustradas para que a criança seja: a bailarina, o jogador, o inteligente ou o esportista…

Vejo que, muitas vezes, caímos na armadilha de ficar fixados em nossa criança ferida e esquecemos de olhar VERDADEIRAMENTE para nossos filhos e deixar que sejam como são! Ansiosos por corresponder às expectativas externas, deixamos de olhar para nossos pequenos e perceber do que realmente precisam! Vale a pena se atentar para este universo dos rótulos: a tímida, o esperto, a popular… Leia também Rótulos para produtos, não para pessoas!!

Pensando nas crianças do nascimento aos 7 anos, posso afirmar que suas necessidades emocionais devem ser satisfeitas prioritariamente. Uma vez construída uma estrutura afetiva sólida, logo aparecerão os interesses intelectuais ou esportivos genuínos, que os pais atentos poderão ajudar a desenvolver. O interesse e a paciência necessários para olhar aquela criança em particular correspondem a uma maturidade do adulto que não projeta nos filhos seus próprios desejos, mas sim os libera de sua sombra, permitindo que aquela criança desenvolva sua missão na Terra como ser único e diferenciado. (Laura Gutman, A Maternidade e o encontro com a própria sombra, p.313)

O convite aqui é para que sejamos capazes de permitir aos nossos filhos serem AUTÊNTICOS em sua forma de se comportarem socialmente! Aliás, quem sabe aproveitamos o momento e exercitamos esta autenticidade também! “Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar”. Carl Jung

A Empatia como ferramenta

Desde a gravidez tive a sensação de cair num gráfico de estatísticas! Neste figuravam: qual o ganho de peso; quantos centímetros neste mês; qual o padrão esperado? Conforme a gente vai ganhando mais confiança, percebemos que se trata de uma pessoa com escala única de desenvolvimento! Não é um número, não é uma estatística, é um ser humano com o SEU TEMPO de desenvolvimento!

Desde que me descobri grávida eu adotei a filosofia de CURTIR CADA MINUTO! Por isso, fui buscando SENTIR o ritmo de minha filha para começar a comer, a engatinhar, a andar, a falar… Eu procurei me blindar para as opiniões e comparações externas! Desta forma, eu nunca a pressionei e mantive algumas inevitáveis comparações apenas dentro de minha mente ou em conversas particulares com meu marido! Nós dois nos apoiamos no processo de OBSERVAR nossa filha se desenvolver!

No documentário A Educação Proibida, do qual ainda falarei muito a respeito, é citado o exemplo de um jardineiro que ansioso para ver as plantas crescerem todo dia as puxava, tentando esticá-las. O resultado não foi o que ele esperava: ou elas cresceram deformadas ou morreram!

Portanto, é preciso seguir o fluxo natural das coisas, respeitando o seu tempo próprio com sabedoria e EMPATIA! Esta sim é uma grande ferramenta para exercitarmos melhor nossa relação com nosso filho e dele com o mundo! Por isso, faço um último convite: resolva seus próprios traumas e frustrações! Leia Maternidade: uma oportunidade de curar sua criança interior! Liberte-se e permita-se observar e aprender com o processo ÚNICO de  desenvolvimento de seu filho. Seja empático com ele e ensine-o a arte da empatia nas relações, nosso mundo ficará muito mais harmonioso desta forma!

Gratidão pela leitura! Namastê!

 

SOBRE A AUTORA

Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda

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Já é fato conhecido o ditado de que quando nasce um bebê ali também nasce uma mãe. Nesse sentido, desde que a maternidade chegou na minha vida, há quatro anos e meio, me deparei com um desejo de que tudo fosse parecido com outras experiências de maternidade, seja da minha mãe, família ou de amizades… Busquei referências de como eu era quando bebê, ou criança pequena, lia revistas, artigos, rede sociais, sempre em busca de referências, do melhor modelo, da melhor abordagem; enfim, do ideal de perfeição… Seria mais fácil ter um manual…

Em vários momentos, encontrei semelhanças e essas referências super me ajudaram a lidar com várias questões encontradas, trazendo por meio da experiência de outras pessoas, aprendizado para minha vida. Em outras vezes, seja por não ter encontrado ou mesmo pela falta de tempo na procura, fui de alguma forma meio que obrigada pela vida a simplesmente me reinventar e lidar com situações que surgiam, como elas se apresentavam e com o meu próprio repertório.

No meio dessa busca intensa por essas referências e pelo modelo ideal, eu me dei conta que em poucos momentos, eu parei para admirar o caminho. Apreciar a caminhada. Eu estava sempre querendo chegar ao final, na resolução, no tempo em que essa parte desafiadora tivesse passado. E principalmente, nessa ânsia pelo ponto de chegada, eu não reconhecia o quanto eu já tinha caminhado para chegar até onde estava, até onde estou. Eu percebi o quanto deixei de valorizar minha própria história de vida e poucas vezes senti gratidão por toda essa capacidade de buscar, desbravar, mesmo que nesse abrir fronteiras, eu tenha chegado a lugares diferentes do que eu tinha imaginado, mas muitas vezes até mais gratificantes.

Por essas reflexões, pude notar o quanto de repertório vem do nosso corpo, da nossa memória. Eu me dei conta das tantas vezes que busquei respostas fora de mim. Em outras, em que me permiti simplesmente parar, essas respostas simplesmente vinham, seja pela intuição ou insight, ou simplesmente por lembranças. Memórias que vieram das experiências. Experiências essas que fui colocando em caixas de boas e ruins. Mas agora, refletindo e buscando entender cada uma delas, consigo reconhecer alguns dos pontos de virada que cada uma delas me proporcionou. Isso contribuiu para moldar a minha própria realidade, independente dos papéis que exerço na vida, como mulher, mãe, esposa, amiga, profissional.

Ainda no embalo dessas reflexões, pude perceber que poucas vezes me permiti realmente digerir os acontecimentos da vida. Extrair deles, os sumos, os sucos, a nutrição, os aprendizados. E justamente por não me permitir isso, me pego muitas vezes pulando de galho em galho, de experiência em experiência, sempre aguardando o próximo momento, e com muita dificuldade de estar no momento presente. Principalmente porque para me conectar é necessário quase sempre algum grau de interiorização. Refletir, parar, observar o corpo, as emoções, meditar… Estar presente. Estar no corpo. Observar a respiração, sentir o vento, ouvir o canto dos pássaros, sentir o coração bater, sentir a vida. Mas isso é muito doído quando estamos sob o efeito de alguma forte emoção que não conseguimos digerir. Mais desafiador ainda é entender o que essas emoções querem nos dizer. Principalmente porque existem emoções categorizadas socialmente como boas ou ruins e ainda não temos esse grau de racionalidade de escolher que só sentiremos as caracterizadas como boas.

Continuando com as reflexões, pude compreender o quanto essa dificuldade em “digerir” vem também de uma não aceitação de vários fatos que aconteceram na minha história de vida. Muitos desses, foram marcantes e que, com meu julgamento, cataloguei como injustos, tristes. E essa mágoa não me permitiu enxergar os aprendizados que vieram com isso, nem enxergar as pessoas, as relações que se desenvolveram a partir disso, compreender como o mundo se transformou a partir dessa experiência.

A dificuldade em aceitar algumas realidades na nossa vida, seja ela uma simples dificuldade de estacionar o carro numa vaga, ou de estabelecer uma brincadeira com nosso filho, nos faz ficar mais longe de uma potencial maneira de regenerar e aprender outros caminhos de aprendizado. E o oposto, quando encaramos essa dificuldade ou desafio tomando as ferramentas que temos, buscando referências e agregando nossas experiências, temos a incrível oportunidade de ressignificar, trazer leveza e descobrir partes de nós mesmos que nem sabíamos que existia. Permitir lidar com as mortes, seja de que natureza ela se apresente, em maior ou menor grau nos traz coragem de desbravar o desconhecido.

Contextualizando a experiência que estava refletindo para digerir e regenerar, ela veio quando eu tinha dez anos de idade e a morte chegou em casa e levou minha irmã, que tinha nove. Ela era linda, especial, companheira… Mas a vida na sua sabedoria achou que o melhor para ela e para nós era que ela se fosse embora desse planeta mais cedo. E tive tanto medo naquela época… Medo porque agora eu tinha um quarto só para mim, mas eu não queria mais dormir nele porque me sentia muito culpada de ter algum dia desejado isso. Medo porque na minha tristeza, não me sentia à vontade para mostrar para os meus pais que eu sofria, porque também via o sofrimento deles e tinha que mostrar que eu era forte… Culpa por ter sido ela e não eu. Mais ainda, por achar que se tivesse sido eu, minha mãe não teria sofrido tanto. Culpa por não ter sido uma irmã boa o suficiente, filha boa o suficiente, enfim todas as cobranças que a mente cria para achar culpados, pela dificuldade de aceitar o que é. Tudo isso que ficou fechado, lacrado dentro de mim, num caixote bem escondido. E não olhar para isso nunca me permitiu reconhecer que eu superei. O quão tudo isso me deixou forte, capaz, resiliente. O quão me ensinou a respeito do valor do tempo, na cura das feridas, o quanto me ensinou sobre superação, sobre valorizar a vida e as minhas relações. Sobre não me permitir que coisas pequenas estraguem meu dia. Sobre ter coragem e encarar o desconhecido… Principalmente, o quão isso me ensinou sobre ser mãe hoje. Quantos aprendizados… Poderiam ter vindo de outra forma? Tenho certeza que sim, mas acredito que se foi assim, tem uma sabedoria Maior da vida que sabia que isso era necessário.

Esses dias, eu vi um conceito de humildade que fez muito sentido para mim: humildade é aceitar as coisas como elas são… E isso não significa que não podemos nos mover para mudá-las. Nesse sentido é um pouco parecido com o conceito de liberdade. Liberdade é poder se expresssar e ser o que é… E aí reflito agora se a humildade de alguma forma não me dá a liberdade de agir com aquilo que aceitei da forma que achar mais adequado. Essa liberdade que nos possibilita essa autonomia mesmo que apenas em algum grau para decidir como vamos usar a experiência a nosso favor.

E mesmo quando conseguimos fazer isso, se ainda retornarmos a essas experiências como uma espécie de referência, podemos descobrir uma super ferramenta de autoconhecimento. Olhar e re-olhar a forma como lidamos com diversos desafios que passamos ao longo de nossa história de vida é uma grande oportunidade de entender o nosso “modus operandi” e também poder descobrir que há uma incrível paleta de possibilidades nesse modo de funcionar. Ele não é fixo como o de um eletrodoméstico… Ele flui e se molda a cada minuto da nossa vida! E essa é uma das belezas dessa experiência da vida! As infinitas possibilidades do ser! É o que nos permitimos quando somos mãe. Abrimos espaço no nosso corpo e coração para receber aquele ser que vem do jeito que ele é. Com humildade. E intencionamos que esse ser a que damos a luz saiba usar a liberdade.

Este texto foi escrito por Danila C.C. Fleury, Mãe da Clara  (4 anos), Farmacêutica, Servidora Pública, Investigadora Autônoma de Autoconhecimento e Brincar e participante do Zum Zum de Mães.
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No texto que escrevi mês passado, contei um pouco sobre a reviravolta que os filhos fazem na nossa vida, e deixei algumas perguntas para você refletir se quer ou não ter mais de um filho (a).  Para você que leu e decidiu que sim, ou pra você que não leu, mas já está grávida de novo, espero que este texto possa te ajudar de alguma forma.

O ser humano, em geral, tende a criar muitas expectativas a respeito de tudo e de todos. Quando uma mulher fica grávida pela segunda vez, é natural que ela espere que a atual gestação seja como foi a primeira, ou pelo menos bem parecida, ou quem sabe mais tranquila e melhor. Por isso, algumas gestantes de segunda viagem, principalmente as que não planejaram conscientemente a gravidez, entram em pânico ao se descobrirem grávidas, ou não. Este sentimento é o reflexo das memórias que guardamos da primeira gravidez e também do primeiro pós-parto, e que são trazidas para o consciente no momento em que confirmamos o resultado positivo. Podemos sentir paz, se na primeira gestação foi tudo bem. Ou não, se foi uma gestação difícil, muitos enjoos, dores, desconfortos em geral… Não vou comentar aqui sobre os sentimentos que vêm a tona devido às memórias do pós-parto, guardo-os para outro momento.

Vou compartilhar com vocês o que aconteceu comigo, que é também semelhante ao que aconteceu com algumas mães que conheço e atendo.

A primeira gestação

Minha primeira gravidez foi bem tranquila, não tive enjoos, não vomitei… Eu havia parado de tomar o anticoncepcional há 4 meses, por isso, o atraso da menstruação me fez desconfiar que eu poderia estar grávida. Dito e feito, exame positivo!

Descoberta a gravidez, parece que uma “chavinha virou”. Eu só conseguia pensar nisso, o milagre da vida. E eu agradecia a Deus por estar experimentando este milagre. O tempo todo eu ficava imaginando o bebê crescendo dentro de mim. Comecei a ler sobre o assunto, acompanhava semana a semana o desenvolvimento do bebê, o meu ganho de peso, o crescimento da barriga. Também comecei a pensar sobre o parto, troquei de médico (busquei um que aceitasse minha decisão de parto natural), participei de roda de gestantes.

Durante toda a gestação não tive fome em excesso nem vontades estranhas. Pratiquei yoga (eu já praticava antes da gravidez, continuei até 36 semanas), melhorei minha alimentação, cuidei mais de mim, conectei-me  bastante com minha filha. Curti muito minha barriga e cada movimento no meu ventre. Conversava e cantava frequentemente com ela. Único desconforto que eu tive foi o sono… como eu tinha sono! Mas nos dias de folga eu aproveitava e dormia…ahhh como eu dormia! Acordava mais tarde e após o almoço ainda tirava aquele cochilinho esperto. Eu tinha tempo!

A partir do oitavo mês comecei a sentir o incomodo da barriga pesando. Foi ficando mais difícil encontrar uma posição para dormir, xixi era quase toda hora, as costas e a região do púbis doíam. Mas tudo dentro do esperado, já estava na reta final e logo eu iria ver o rostinho da minha filha, segura-la em meus braços, sentir o seu cheirinho.

Na 37ª semana meu tampão começou a sair e as contrações de treinamento começaram a ficar mais constantes. Com 38 semanas e 2 dias Laís nasceu. Tivemos um parto domiciliar, conforme nos preparamos e planejamos.

Segunda Gestação: As expectativas

Conforme já falei no texto A maternidade como oportunidade de autoconhecimento”, engravidei do Gael quando Laís tinha 1 ano e 6 meses. Assim que confirmei o teste positivo, os sentimentos que me invadiram no momento foram gratidão, por mais uma vez ter a oportunidade de experimentar em meu corpo o milagre de uma nova vida, e ao mesmo tempo medo, pelo pós-parto que me esperava. Eu não tive medo pela gravidez, mas pelo que viria depois. Também fiquei apreensiva com a reação que meu marido teria, pois não estava nos nossos planos uma segunda gravidez naquele momento, tínhamos resolvido adiar um pouco a chegada do segundo filho para focar em algumas questões profissionais. Para minha surpresa, ele me abraçou com um sorriso no rosto, enxugou minhas lágrimas e disse que se Deus tinha nos mandado este filho, então nós iriamos amar e cuidar, assim como amamos e cuidamos da Laís. Ouvir estas palavras foi relaxante.

Passado o momento do susto e do êxtase da descoberta (mais susto do que êxtase!) hora de parar e rever os planos. Eu tinha iniciado minha formação em Coaching fazia pouco tempo, e em paralelo tinha acabado de entrar para o ZumZum. Estes dois fatos estavam ajudando muito no meu processo de autoconhecimento, eu estava começando a entender várias questões do meu primeiro pós-parto e da relação com minha filha, assim também como da minha vida profissional. Tudo estava indo muito bem.

O plano naquele momento era seguir firme e forte no ZumZum, nos estudos do Coaching, e no trabalho no mundo corporativo (Para quem não sabe, eu sou Engenheira de Alimentos, e na época trabalhava como Supervisora de Produção de uma empresa de refrigerantes, a maior do ramo no mundo). Minha grande expectativa era aproveitar o tempo da gravidez e as folgas do trabalho para me dedicar à formação de Coaching, com o intuito de antes de o Gael nascer eu já estar com o diploma em mãos e, deste modo, fazer uma transição de carreira tranquila após o nascimento dele (#sóquenão). Eu só esqueci que, além de grávida, eu tinha uma filha pequena para cuidar, casa para organizar, comida para fazer…

Eu também esperava que a gravidez fluísse de maneira leve, e que o pós parto fosse diferente e mais fácil.  A expectativa era que tudo fosse mais ou menos como foi na gravidez da Laís. Apenas com relação à DPP (Data Provável do Parto) eu tinha uma expectativa diferente da que tive na primeira gestação. Eu sempre achei que a Laís fosse “atrasar” e nascer após 40 semanas, e como já disse, ela nasceu com 38 semanas e 2 dias. Em virtude disso, eu esperava que Gael fosse “adiantar”, me dar os mesmos sinais que a irmã (tampão saindo uma semana antes, pé inchando no dia anterior ao nascimento) e nascer antes mesmo das 38 semanas completas.

Segunda Gestação: Os desafios

Foram pequenos, simples e sutis. Olhando de fora, há quem diga que nem foram desafios. Na verdade, talvez este tenha sido o maior de todos os desafios, identificá-los e driblá-los.

Lembram quando eu disse que assim que descobri a minha primeira gravidez uma “chavinha virou”? Pois bem, na segunda eu não encontrava a tal “chavinha”. No início, várias vezes eu precisava parar e pensar: “Eu estou grávida.” Ou às vezes, quando eu começava a reclamar de sono e cansaço, eu era lembrada pelo meu marido: “Lógico, você esta grávida!”.  Como eu também não tive enjoos, levou certo tempo para me acostumar que havia uma vida crescendo dentro de mim. Acredito que a rotina corrida que eu já tinha colaborou com isso. Afinal, como já disse, era o trabalho fora de casa, os afazeres domésticos, a vida de mãe de um bebê que ainda mamava no peito (sim, Laís ainda era um bebê, não tinha nem 2 anos), os estudos…e além de tudo isso eu também estava grávida. Eram muitos papéis ao mesmo tempo, e o mais recente, o de gestante, ainda não estava tão incorporado. Quando eu me dava conta que eu não estava agindo e pensando como grávida, vinha a culpa…

Ahhhh, a culpa materna… aquela que a gente insiste em querer carregar. Eu me sentia culpada por não estar o tempo todo pensando no meu bebê, falando com ele, cantando para ele. É estranho, mas no início eu não me sentia grávida, e eu me culpava por isso. Foi necessário a barriga começar a crescer e eu sentir os movimentos do bebê no meu ventre para realmente ter a consciência que tinha uma vida se desenvolvendo dentro de mim. E ainda assim, muitas vezes eu me sentia em dívida com me bebê, pois na correria do dia eu pouco tinha interagido com ele.  A noite, depois que a pequena já estava dormindo e eu me deitava, era o momento que eu conversava com ele, pedia perdão e também me perdoava por estar me cobrando tanto.  Sim, eu precisava me perdoar, pois não fazia sentido me culpar por algo que muitas vezes eu não conseguia oferecer. Afinal de contas, eu tinha minha pequena que me demandava muito e que estava sentindo a chegada do irmão.

E falando nisso, este foi um dos desafios, preparar a Laís para o nascimento do irmão. No Texto “Como identificar o momento do desmame”, eu contei para vocês que quando fiquei grávida do Gael a Laís ainda mamava em Livre Demanda e eu não pretendia desmamar. Aos poucos fui reduzindo as mamadas para apenas o momento do soninho. No início foi um pouco desafiador, mas conseguimos. O desafio maior foi lidar com as explosões emocionais dela, que nada mais eram do que meu espelho. Eu andava estressada e descontente com o trabalho, cansada. Além disso, meu marido estava em um momento profissional delicado e também super estressado. Em resumo, estávamos com os nervos à flor da pele. E pra completar, um bebê a caminho indicando que em breve mamãe não seria mais só dela. Lógico que nossa pequena nos mostrava isso da maneira que ela conseguia, com gritos, choros, esperneios… Não foi fácil!

Sabem aquelas dores que eu comentei que comecei a sentir lá pelo sétimo/oitavo mês da gestação da Laís? Elas apareceram por volta do terceiro mês, e me acompanharam até o final da gestação. No começo até que foi um pouco mais tranquilo, como meu marido é osteopata, ele fazia algumas manipulações e as dores sumiam, mas após uma ou duas semanas apareciam de novo. Só que elas vinham com tudo. Quando eu descia escadas o osso do púbis doía demais! Nos últimos meses, o marido manipulava, a dor ia embora, dois dias depois voltava. Sério, eu me considero bem resistente para dor, porém sentia as vezes que não ia aguentar as costas e o púbis. Eu desejava que o Gael nascesse o quanto antes só para acabar com essas dores.

Assim como na primeira gravidez, eu tive muito sono. Todavia, eu não tinha como dormir e descansar da maneira que eu fiz antes. Laís ainda acordava bastante a noite para mamar, e nos dias da minha folga, ela queria brincar. Eu até conseguia tirar um cochilo com ela após o almoço algumas vezes, mas não era sempre. Por causa da formação que eu estava fazendo, qualquer tempinho que a Laís dormia eu queria aproveitar para estudar, assistir as aulas tanto do Coaching quanto do ZumZum. E aí o sono e o cansaço só acumulavam. Tinha dias que eu dormia na frente do computador estudando.

Fui começando a ficar ansiosa e estressada, pois eu não estava rendendo como gostaria de estar. E ao mesmo tempo, não estava curtindo minha gravidez e nem os últimos meses de ser mãe exclusiva da Laís. Eu estava tão preocupada com o futuro, pensando que eu precisava urgente terminar a formação, que deixava de viver o momento presente. E o mais engraçado é que uma das premissas fundamentais que aprendi com o Coaching e também com o ZumZum é estar presente, viver o presente. Por isso para mim este foi um grande desafio durante a gestação. Imaginem sem o Coaching e o ZumZum, com certeza teria sido pior!

Aprendizados

Apesar de saber que cada gravidez é única, portanto diferente, a maioria de nós tende a insistir em esperar que sejam iguais, ou ao menos parecidas. Eu, por já ter parido uma vez, julguei que tudo estava sob meu controle, quando na verdade eu não tinha controle de nada.

Gael, com todo seu amor, me chamou a olhar mais para dentro, para minhas emoções. É incrível como ele mexia na minha barriga muito mais que a Laís, me chamando a atenção quase que a todo o momento, como se estivesse falando comigo, me pedindo para estar presente. E assim ele me mostrou que muita coisa ainda estava fora do lugar. Mesmo praticando yoga, meditando, e com todo conhecimento do Coaching e do ZumZum, muitas vezes eu me vi perdida, com medos, inseguranças, fragilidades….e junto com tudo isso a vontade imensa de fazer diferente, de mudar, de ser uma mãe melhor, uma esposa melhor, uma mulher melhor!

Gael também me mostrou que era hora de parar, desacelerar. E como foi difícil enxergar esta necessidade… como foi difícil assumir que não era hora de focar na vida profissional e mudança de carreira. Eu precisava focar na minha gravidez, no meu bebê que estava em formação dentro de mim. Também precisava curtir meus últimos momentos de mãe exclusiva da minha filhota.

Só mesmo quase aos 45 minutos do segundo tempo consegui. Graças a Deus, a tempo! E ainda assim, até o final segui aprendendo.  Conforme comentei, eu esperava que Gael nascesse antes de 38 semanas, e ele nasceu com 39 e 3 dias sem me dar nenhum sinalzinho prévio de alerta. Controlar minha ansiedade e saber lidar com a espera foi um mega desafio e aprendizado.

O que quero trazer de reflexão com este texto é justamente isso, a importância de estar presente e de se livrar das expectativas. Eu sei que é bastante desafiador, mas que tal experimentar? Superar um desafio é libertador e nos deixa mais fortes e empoderadas para os próximos que virão.

Texto escrito por Amanda Balielo, Mãe da Laís e do Gael, Coach de Mães e participante da turma 4 do Zum Zum de Mães.

@amandabalielocoach 

Http://facebook.com/amandabalielocoach

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Eu olhei para aqueles olhinhos atentos e brilhantes, de um jeito que só ele me faz olhar, e disse com o coração: “Você é a minha vida.” Sem espera, recebi a mensagem que eu tentava internalizar há anos com a clareza e simplicidade de uma criança, e um sorriso gostoso de acolhimento: “Mamãe, mas como eu sou a sua vida, a vida do papai, a vida da vovó, a vida de todo mundo?”

A Verdade encontrou a porta aberta

Como Coach em Saúde Holística e Nutrição Integrativa e, com todos os treinamentos, estudos e pesquisas, me certifiquei de que a ferramenta mais poderosa para processos de desenvolvimento pessoal são as perguntas, não quaisquer perguntas, mas aquelas que nos fazem refletir profundamente sobre um nível ainda não consciente, que trazem à tona sentimentos a desvendar, ou mesmo desvendam sentimentos e permitem aqueles momentos ‘AHA!’, em que nos descobrimos um pouquinho mais. Para isso acontecer, precisamos estar dispostos e confiar no processo.

Aquela pergunta do meu pequeno encontrou a pessoa certa, no lugar certo e no momento certo. Eu, enfim, estava aberta para receber essa verdade. Como eu poderia colocar sobre o meu filho de 3 anos a responsabilidade da minha vida? Mesmo que inconsciente, era o que eu estava fazendo.

Você me permite que eu lhe conte um pouquinho da nossa história?

Em um tempo não muito distante, mas muito diferente…

O pôr-do-sol era de uma beleza envolvente, o vento chegava forte anunciando uma noite inquieta e já começava a agitar aquele mar que se perdia no horizonte. Não importava a direção em que eu olhava, o mar se perdia no horizonte. O Sol, por sua vez, imponente e me desejando luz, tinha toda a minha atenção naqueles últimos minutos de céu claro. Eu estava sentada, imóvel, agradecendo por aquele momento e pedindo para que ele durasse mais. Quem me visse ali, ou melhor, quem visse aquela cena, como uma imagem congelada no tempo, diria que eu havia alcançado o sucesso e não podia desejar outra vida. Será?

O mais interessante é que eu fiz tudo certo para chegar até ali e pode ser que você se identifique com essa trajetória. Para resumir, desde que me entendo por gente (aliás, essa é uma expressão que cresci ouvindo e provavelmente dá outra história), cresci como uma aluna exemplar e uma filha tranquila e sorridente. Estudei a vida toda em escolas públicas e me destacava em notas e comportamento. Emendei na Universidade e, antes mesmo que acabasse, passei em um concurso para ter o emprego dos sonhos de todo brasileiro. Pronto. Eu havia trilhado o caminho do sucesso ensinado pela sociedade. Eu havia agradado tanta gente nesse caminho. E, não de repente, estava lá sentada, a poucos instantes de me concentrar naquele trabalho dos sonhos, pensando: “Que direito eu tenho de desejar outra vida? Por que não sou apenas grata por tudo que conquistei?”

Era um conflito interno muito forte que eu vivia, era doloroso, sintomático, tinha reflexos na minha saúde, na minha paz, na minha felicidade. A depressão já era bem conhecida, altos e baixos se tornaram comuns. Os questionamentos que eu me fazia se intensificavam, mas a confusão dentro de mim permanecia grande e eu escolhia ficar no lugar de costume, na zona de conforto. Percebe que essa que chamamos de zona de conforto pode não ser mesmo confortável? É, na verdade, onde os riscos já são conhecidos e os desafios não superam as nossas habilidades. É uma zona de apatia, tédio ou relaxamento.

Eu tinha lampejos de felicidade quando me conectava a algo que fazia minha alma sorrir, que me fazia sentir amor pela vida. Dançar, sonhar com uma vida mais leve, com a natureza presente para ser admirada e preservada, não explorada, escrever sentimentos, desenhar planos mirabolantes de fuga, eu fazia tudo isso, me libertava por instantes e, em seguida, guardava a minha liberdade em uma caixinha dos desejos, num cantinho escuro e escondido. Não passava pela minha cabeça que o conteúdo da caixinha eram peças do grande quebra-cabeça que eu tentava desvendar. Então, eu retornava para a vida que eu conhecia, a vida certa para uma pessoa bem sucedida, a vida que agrada quem olha e que eu não reconhecia como minha.

Tempo de despertar a consciência

Acredito que ocorrem alguns momentos em que se abre um portal de conexão com uma sabedoria maior, com um plano espiritual, com algo a que pertencemos, mas nem sempre temos consciência desse pertencimento. Lembro de sentir que era chegado o tempo de me tornar mãe, como se tivesse algo antes combinado. Engraçado escrever isso agora porque João e eu sempre fechamos um acordo nosso dizendo: “Combinado!”. E foi assim, eu acreditava que seria mãe até os 30, me tornei mãe aos 30, e esse portal divino estava aberto. Eu me permiti receber a luz da consciência, me permiti receber o presente de conexão com a vida em essência, bela e simples. A pureza do olhar do meu filho me fez compreender o amor. Eu percebi, então, que era responsável por duas vidas, a dele e a minha.

Meus 30 anos, um divisor de águas. Não havia mais tempo para depressão e, melhor, não havia mais motivo. Eu havia compreendido o sentido da minha existência. Assim eu acreditava. O João se tornou a minha vida, repleta de felicidade e amor. Por ele e por amor, eu tirei aquela minha caixinha do cantinho, comecei a questionar se aquilo tudo podia se encaixar nessa minha nova visão de mundo. Quanto mais eu mexia, mais eu percebia que eu sempre estive lá, apenas não havia ainda me encontrado. Cada dia, uma ou mais descobertas. Foi um tempo mágico, milagroso.

Afeiçoada aos estudos e pesquisas, uma prática de toda a vida, comecei a me dedicar à abertura de um novo caminho, que estivesse alinhado aos meus princípios e valores. Mais rápido do que pensava, estava dando grandes passos para a minha liberdade, um movimento de dentro para fora, um movimento pela vida. Como um dos maiores atos de amor próprio que vivi (hoje percebo isso), decidi deixar a carreira dos sonhos de outras pessoas e tornar os meus sonhos realidade. Mudei de estilo de vida, mudei de endereço, mudei de trabalho. Sem muito planejamento e metas definidas (algo que não recomendo e também é assunto para outra conversa), abandonei a minha zona de conforto.

Tempo de viver e deixar viver

Tudo estava fluindo melhor, o ar era mais leve. Os desafios eram crescentes e sempre mais libertadores. Educar o meu filho de acordo com o que eu acredito bom era e continua sendo o maior desafio. Não é fácil se libertar das amarras com que crescemos, mas é plenamente possível. Apesar de sentir que eu seguia com amor e verdade, algumas peças do meu quebra-cabeça faltavam e outras pareciam ter sido posicionadas erroneamente. Com o tempo, um sentimento antigo que eu não aceitava mais insistia em aparecer. Como aquele vazio da depressão poderia surgir de novo se eu já conhecia o sentido da minha vida?

Dia após dia, dificuldades e conquistas, pensei em desistir e, ao mesmo tempo, não poderia desistir da missão que eu reconhecia pra mim e se afirmava a cada passo. Quando você inicia um processo profundo de autoconhecimento, você começa a ver o que não via e não tem como (des)ver. Fingir que não vê é se dar um atestado de infelicidade. Eu não queria essa opção. Decidi, então, acreditar mais e entregar para o Universo porque a resposta viria.

Eu digo que a depressão causa cegueira porque o caminho fica enevoado e difícil de percorrer. Quando confiamos que há algo maior e nos conectamos a essa crença, podemos finalmente fechar os olhos e seguir o coração. O ciclo virtuoso da prosperidade e abundância começa a se manifestar. As respostas surgem com clareza. Foi assim que, ao libertar o meu sentir novamente, o pensar e o querer reencontraram o seu fluxo. Foi a segunda vez que, consciente, senti um amor que não conhecia, o amor por mim.

Vou recapitular e acrescentar! Eu me tornei mãe e percebi que era responsável por duas vidas, a do João e a minha, mas essa verdade foi assimilada em tempos diferentes e em níveis diferentes de consciência. Primeiro, conheci o amor puro e incondicional de uma criança, que amoleceu o meu coração e fez com que eu unificasse as nossas vidas para que a minha fizesse sentido. Esse amor preparou o terreno para a descoberta mais recente, o auto amor ou amor próprio, em construção. Agora, tenho uma percepção mais aguçada da responsabilidade sobre a minha vida, minhas escolhas, minhas palavras, meus pensamentos, sentimentos e ações.

Através do olhar de uma criança, aprendi a amar. Através do seu sorriso e de suas palavras, aprendi a viver e deixar viver.

“Mamãe, como eu sou a sua vida…?”

Isso não fez sentido para ele e não fazia mais sentido para mim. Meu filho faz parte da minha vida, mas eu não tenho o direito de fazer dele a minha vida. Hoje, enxergo a beleza de guiá-lo para que cresça livre e feliz, para que tenha tempo e espaço de descobrir e abraçar a sua bio-individualidade, para que viva com amor e verdade.

Eu não tenho o direito de responsabilizar outra pessoa, quem quer que seja, pela minha felicidade Hoje, sei que tenho muitas descobertas por fazer, estou no início da minha jornada de desenvolvimento pessoal, cada dia cultivo uma conquista, todo dia encontro o meu sucesso e coloco mais uma peça no quebra-cabeça da vida.

 

Este texto foi escrito por: Cibele Calderan, mãe do João de 3 anos, criadora do Espaço Vice Versa, movimento pela vida, e Consultora de Bem Estar dōTerra. Reconhece como sua arte, sua missão, semear a mensagem de conexão com a vida, que permite o educar alinhado à natureza do ser, com amor, respeito e liberdade, e promove o cultivo de uma cultura sustentável. Saúde Holística, Nutrição Integrativa e Permacultura para Mães e Famílias com crianças de até 7 anos.

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Nas sombras que se aproximam, esgueiradas por entre as frestas abertas que me permitem enxergar, vejo nuvens densas, corram que lá vem vindo uma tempestade! Procuro os culpados para descarregar minha frustração e minha raiva, mas quando os encontro, são rostos tão conhecidos e até amáveis em sua maioria. Tempos difíceis esses para se amar e respeitar o próximo.

Porém não existem culpados pela minha raiva, tudo e todos os fatores externos a mim são apenas gatilhos para desperta-la, ela me pertence e hoje entendo e a aceito de bom grado, afinal é um sentimento humano.

A raiva é minha apenas, emerge das profundezas do meu eu até a superfície, vem nua despida dos moralismos históricos empurrados goela abaixo, vem sem os disfarces de costume, sem maquiagem e me encara em toda sua plenitude, ela é devastadora e assustadora demais. Me surpreendo por ela me ser tão intimamente desconhecida, afinal disseram-nos que ela é ruim, que devemos ser boazinhas, que não é certo senti-la, então mocinha a esconda, sorria e siga em frente. Ela me diz debochadamente que sempre esteve aqui, e agora que estamos face a face vejo toda sua força, sua rebeldia. Corajosamente à assumo, me permito senti-la com toda a sua potência e então eu grito alto, pego um travesseiro e abafo inesperados urros viscerais, a fera está acordada, por longos minutos soco com toda minha força o travesseiro, ela vai se alimentando, aos poucos se contentando, saciada por hora vai então diminuindo, vira uma lágrima e transborda em um lamento de impotência.

E me vem enfim a clareza, um lampejo da verdade, da minha verdade, eu continuo e preciso continuar em busca dos caminhos do amor, digo a minha raiva que posso senti-la, que vou tentar acolhê-la sempre quando ela vier, mas peço que ela não se iluda, não é ela que vai me guiar. É por tolerância e amor à minha busca, é onde me fortaleço e fortaleço minhas convicções, porque se eu agora simplesmente passar a desejar devastação, apenas para dizer ou provar que eu estava certa, se assim eu fizer, eu terei então mudado de lado, estarei então jogando o jogo do ódio e alimentando esse ciclo tenebroso implantado em nossa sociedade!

Me recuso a sucumbir ao ódio, à raiva e à revanche, entendo que as pessoas têm diferentes vivências que as levaram a percepções e escolhas diferentes das minhas, prefiro desejar que lá na frente estejamos todos juntos novamente envoltos pela mesma esperança de dias melhores. Continuo desejando igualdade, empatia e respeito para com às minorias, com as maiorias e com todos aqueles que têm por direito serem diferentes de mim e do que eu acredito.

Vou ensinar minha filha a ser tolerante, resistente, potente, senhora de si, livre de amarras, livre para os caminhos que o amor a levar… O meu maior legado para o mundo será mais uma consciência desperta, para isso eu estudo, penso, procuro nos ensinamentos do mestre dos mestres, mergulho no amor do criador, me conheço, me reconheço, me reviro do avesso, revelo com honestidade minhas fraquezas, trago luz às minhas sombras, leio, releio, repenso, pondero, perdoo e sigo na busca, abrindo as portas, olhando para frente, paro alto, para além dos véus que aos poucos e a duras penas vão sendo removidos da frente dos meus olhos.

 

Este texto foi escrito por: Vivian Pessoa, mãe da Ive de 2 anos e 8 meses e participante da turma 5 do Zum Zum de Mães.

 @viviancpessoa

 vivian.pessoa@globo.com

 

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Neste episódio convidamos a Terapeuta Ocupacional e Educadora Parental em Disciplina Positiva, Mariana Lacerda, para conversar com a gente sobre AUTONOMIA. A Mari tem um olhar profundo e de muito respeito para a infância e trouxe reflexões bem importantes para pais, mães e educadores.

Falamos sobre a pressão social que recai sobre nós pais e mães para que essa criança se torne independente muito cedo, sem avaliar se isso está alinhado com o desenho original do Ser Humano, com o seu ritmo natural.

E quais seriam então as necessidades do bebê humano? Como esse pequeno ser tão frágil, dependente e demandante se tornará autônomo? Como preparar a mim mesma e o ambiente ao redor para inspirar autonomia para meu filho?

Essas e outras perguntas, tão fundamentais para pais e mães que estão nesta busca por um caminho mais consciente e respeitoso para educar seus filhos, serão abordadas com um sotaque “mineirinho” tão gostoso de escutar.

Dá o PLAY e entre em nossa TENDA:

Para conhecer mais sobre o trabalho da Mari Lacerda e se inscrever na Semana da Disciplina Positiva, que vai de 19 a 26 de outubro, clique aqui > http://bit.ly/SemanaDaDisciplinaPositiva

E para finalizar queremos te dizer que você é muito bem vinda(o) em nossa Tenda. Caso queira deixar seu comentário, sugestão ou pergunta fique a vontade! E se sentir vontade compartilhe este espaço materno com outras mães e pais, afinal pais também podem e “devem” maternar! 😉

Até breve!

Com amor e gratidão por recebe-las em nossa Tenda,
Clarissa e Maira

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Depois de uma boa noite de sexo, sentei-me à mesa do café da manhã, como quem acaba de encarnar Buda.

Minha mente zen fez cócegas no meu autoboicote e em tudo que eu julgo difícil, complicado ou impossível.

Meu marido sentou-se à minha frente e me deu uma piscadela, como quem queria rir da nossa noite ou apenas continuar aquele gozo dia afora.

Tentamos comer sem pressa, ao som da Galinha Pintadinha e de vários esbarrões nas cadeiras, daquele menininho lindo correndo em volta da mesa.

Um grito tomou conta do ambiente. Um tombo, um mau jeito na perna do meu filho e um choro longo, desses de novela mexicana. Sentei-me delicadamente no chão, na intenção de mostrar o meu apoio por ele e fiz um gesto com os olhos, para demonstrar compaixão.

Não estava acreditando na minha tranquilidade, em momentos como esse como seria o meu comportamento? Correr para pegar o gelo, abanar, assoprar, beijar, gritar, assustá-lo ainda mais.

Tive a sensação de sair do meu próprio corpo para me observar. “Ei, você? Tomou alguma droga, chegou da aula de yoga, está em estado de transe com o corpo celestial da paz?”

É, não estava me reconhecendo, e obviamente o meu filho também não. Em poucos segundos ele parou de chorar e devolveu-me um olhar de cumplicidade. O silêncio parecia tomar conta do seu pensamento e prepara-lo novamente para a próxima brincadeira.

Lembrei-me do café na xícara, já gelado, mas não me importei, bebi com gosto, desejo de molhar os lábios. Se fosse outro dia, talvez reclamasse da temperatura e do gosto amargo.

Sim, a sensação de “good vibes” soava falso, mas eu sabia que não era.

Um súbito pensamento me ocorreu. O sexo, como fonte máxima de prazer, conexão e entrega teria esse poder de tirar os meus pés do chão?

Aliás, ouso indagar se qualquer caminho de entrega fiel e libertadora não teria esse mesmo efeito avassalador.

Não me chamem de herege, mas vou comparar o sexo com a religião.

Sou religiosa, mas jamais me encontrei em um estado de crença tão sublime a ponto de mudar a minha vida, mas sou testemunha de que algumas pessoas já passaram por essa situação.

Conheci um homem que morreria em seis meses, segundo a medicina, mas morreu apenas dez anos depois, simplesmente porque tinha muita fé, algo transcendental, que não se explica. Apenas se agradece, pois engrandece.

A meditação também gera essa transcendentalidade. É uma filosofia de vida, que quando praticada em alto nível coloca a pessoa em sintonia máxima da mente com o corpo humano.

Já ouvi dizer que os monges não fazem sexo, porque encontram essa plenitude máxima de paz interior quando estão meditando.

Sem maiores julgamentos às crenças e aos costumes religiosos ou meditativos, o fato é que ainda não consegui alcançar essa plenitude máxima com a meditação ou religião.

Oxalá, meu marido, que pode se dar bem nessa, caso eu passe a acreditar que preciso de sexo para ficar zen.

Brincadeiras à parte, esta reflexão serviu para me mostrar o caminho da entrega. Talvez eu não soubesse antes da maternidade o que era me despir sem medo de ser feliz.

E não é só isso, talvez me falte transar com a própria vida, valorizar mais meu tempo com o meu filho, amigos e família.

Transar no dicionário é também: “gostar de, deleitar-se com, apreciar”.

É isso, TRANSEMOS MAIS!

 

Esse texto foi escrito por Lígia Freitas, Mãe do João e Participante do Zum Zum de Mães.

@ligiafreitasescritora

 

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“Pedidos deslocados” é um conceito fundamental para analisarmos nossas relações. Afinal, acredito que todos somos capazes de admitir que a comunicação é um dos principais desafios das relações humanas! O DIÁLOGO costuma ser sempre apontado como solução para os conflitos entre casais, entre pais e filhos e em todas as relações que estabelecemos!

E como dialogar com o outro se, por vezes, não dialogamos nem mesmo conosco? Será que sabemos MESMO nossos desejos, sentimentos e necessidades? Como comunicar ao outro coisas das quais não temos clareza?

Somos capazes de pedir o que realmente precisamos?

Assim, antes de falar de nossos filhos, eu proponho um desafio! Que tal: olhar internamente e perceber quantas necessidades estamos reprimindo? Quantos papéis estamos preocupadas em desempenhar e como nos esquecemos de nossas NECESSIDADES?! 

Temos imensa dificuldade para falar de nossos sentimentos, emoções e, principalmente, de nossas necessidades! Afinal, estamos acostumadas a reprimir ou mesmo “deslocá-las” para comida, doces, compras etc. Neste nosso mundo tecnológico também as deslocamos para as redes sociais – Whats App, Facebook, Instagram – e tudo o que possa nos desviar de olhar para dentro!

A grande questão é que, apesar deste esforço, nossas necessidades não desaparecem! Na verdade, elas se transformam: em sintomas, em estresse, em explosões… Estamos tão fora da sintonia de nossas necessidades que, por vezes, perdemos até mesmo a conexão com elas! Para refletir um pouco mais leia: 2° Passo para ser feliz: EQUILIBRAR-SE! Assim, acabamos manifestando o que Laura Gutman denomina de “pedidos deslocados”:

“Quando os adultos não conseguem reconhecer com simplicidade e senso lógico uma necessidade pessoal, tampouco conseguem compreender a necessidade específica do outro, menos ainda se tiver sido formulada em um plano equivocado. Sem que percebam, pedem o que acreditam que será ouvido, e não aquilo de que realmente precisam. Eu denomino esse fenômeno tão frequente e usado por todos nós de pedido deslocado.” (A Maternidade e o encontro com a própria sombra, p. 205)

Desta forma, este conceito revela toda nossa dificuldade para acessar nossas necessidades verdadeiramente. Como não conseguimos acessá-las, também não conseguimos expressá-las para obter a plena satisfação. E, quando isso se refere ao outro, por exemplo ao filho, fica ainda mais complicado!

A importância do diálogo interno

Como observar nossos filhos ATENTAMENTE, quando não conseguimos escutar nem mesmo a nossa voz interna, que muitas vezes grita em forma de sintomas? Como estar disponível emocionalmente para nossos filhos, quando não conseguimos nem mesmo dar vazão às nossas necessidades emocionais básicas?!

Para isso, a solução é simples, mas não é fácil e se chama AUTOCONHECIMENTO! Tal como um músculo a ser trabalhado na academia, o autoconhecimento é algo que precisa ser exercitado. Isso requer uma prática diária de auto-observação e silenciamento da mente. E mais, a construção de um espaço interno, criado para curar as próprias feridas de nossa criança interior! Leia também Maternidade: uma oportunidade de curar sua criança interior!

Desta forma, cientes desta jornada interna, teremos melhores condições de observar os nossos filhos! E assim, APRENDER a ser “o exemplo digno de ser imitado”, como sempre frisa a querida Clarissa Yakiara! Somente conhecendo nossas emoções, nossas necessidades e a melhor forma de expressá-las e satisfazê-las, seremos capazes de liderar nossos filhos neste processo! E, principalmente, ouvi-los mais atenciosamente!

Necessidade X Vontade

Para trazer mais clareza para esta reflexão, vale a pena especificar a diferença entre necessidade e vontade! Estes conceitos parecem iguais, mas tem diferenças sutis e importantes! Segundo o dicionário Aurélio:

Necessidade: 1 – Falta do que é necessário. 2 – Obrigação imprescindível. 3 – Força maior; impossibilidade de deixar de agir ou de dizer.

Vontade: 1 – Faculdade comum ao homem e aos outros animais pela qual o espírito se inclina a uma ação. 2 – Desejo. 3 – Ato de se sentir impelido a. 4 – Ânimo, espírito. 5 – Capricho, fantasia, veleidade.

Neste sentido, recomendo ainda o vídeo do Paizinho, Vírgula: Necessidades e Vontades, Qual a Diferença? De forma muito didática ele diferencia os conceitos e nos convida para refletir sobre as necessidades emocionais que, muitas vezes, parecem vontades! Um exemplo é o pedido para dormir com os pais. Trata-se de algo que pode parecer um capricho, mas pode estar sendo motivado por uma necessidade emocional de se sentir seguro!

Pedidos Originais e Pedidos Deslocados

Segundo a teoria de Laura Gutman, os pedidos originais não atendidos podem se transformar em pedidos deslocados. Muitas vezes o que, aparentemente se manifesta como uma vontade, têm por trás algo muito mais profundo! É isso que precisamos aprender a identificar! Conforme exemplifica a autora, muitas vezes a criança pede um chocolate, mas, na verdade, quer atenção, disponibilidade: LAURA GUTMAN EN UN MINUTO – LIMITES Y PEDIDOS DESPLAZADOS

Ainda quero ler o livro Biografia Humana, mas encontrei um artigo que faz uma reflexão interessante a respeito da metodologia da Laura e os pedidos deslocados de nossos filhos. O trecho abaixo ressalta muito bem a importância de atentar para esta comunicação conosco e com nossos pequenos:

Ao nos questionarmos sobre o comportamento de nossos filhos, ao invés de interpretar cada coisa que fazem, querendo encontrar a origem se seus comportamentos, ao invés de encerrar nossos filhos em personagens como “o bonzinho” ou “o agitado”, pudéssemos olhar profunda e honestamente as coisas que sentimos e pelas quais estamos passando, nomeando para as crianças o que está acontecendo, como nos sentimos, ajudando-as a entender seus próprios sentimentos, então as vivências internas, as sensações, as percepções teriam um lugar real onde pudessem se manifestar, ajudando as crianças  a encontrar reações coerentes com aquilo a que estão sentindo e não deslocadas dos fatos. (A criação consciente de filhos e a Biografia Humana)

Desta forma, fica claro que os pedidos deslocados representam, muitas vezes, uma forma da criança comunicar uma necessidade emocional! Pedidos que tantas vezes nos provocam inúmeras emoções como raiva, irritação e cansaço estão nos comunicando uma necessidade que, por vezes, estamos bem distantes de compreender!

Comunicação e Presença

Vale lembrar a frase mais marcante de Laura para mim “Ninguém pede o que não precisa!”, como citei no artigo Exterogestação: a importância de gestar do lado de fora! Entretanto, convém ressaltar que, nem sempre, este pedido exterioriza exatamente o que precisamos! Como esclarece Laura Gutman neste trecho de A Maternidade e o encontro com a própria sombra:

“Por exemplo: uma mulher precisa que o marido a abrace e lhe diga o quanto a ama; no entanto, em vez de explicitar sua necessidade afetiva, pede que vá trocar o bebê. Quando um desejo é manifestado por meio de outro desejo, surge o mal-entendido. Inconscientemente, a pessoa pede algo de que não precisa e, portanto, não obtém o que deseja, então, se sente incompreendida, desvalorizada e se irrita. No plano emocional, quando não sabemos ou não podemos explicar o que está acontecendo conosco, obviamente, nada nem ninguém pode nos satisfazer.” (p.205)

Ou seja, cabe a nós estabelecer uma comunicação direta e verdadeira com nossos filhos para permitir que estas necessidades emerjam. A grande questão é que isso só pode acontecer se antes estabelecermos esta comunicação internamente!

Acessar nossas emoções e expressá-las é um exercício cotidiano! Ensinar nossos filhos a lidarem com as próprias emoções e comunicá-las é uma arte! Esta missão requer muita OBSERVAÇÃO e muita disponibilidade emocional! Convém ressaltar, contudo, que oferecer a disponibilidade que as crianças necessitam também não é fácil, porque não aprendemos a estar presentes! Estamos sempre com a cabeça no passado ou no futuro! Não é à toa que o Programa Zum Zum foca tanto na importância do Foco e Presença! Leia também Presença: um desafio cotidiano!

Auto-educar-se para educar!

Como atuar de maneira mais consciente e saudável com as próprias emoções? Esta é uma jornada que iniciei com o Zum Zum de Mães! Apesar de estar trilhando o caminho do autoconhecimento há bons anos, não tinha me dado conta de como reprimo minhas emoções e como elas “explodem” muitas vezes de “modo invisível”!

Sempre escutei o discurso de que era preciso “Ser boazinha”, de que era feio sentir raiva, de que era preciso ser corajosa e enfrentar os meus medos! E eu aprendi a reter minhas emoções e muitas vezes me punir quando sentia coisas consideradas “negativas”! Somente a maternidade trouxe um mar profundo de emoções e contê-las não apareceu mais como uma opção! Desde então, venho aprendendo a me observar e tenho trabalhado a EXPRESSÃO dessas emoções sem tantos bloqueios e vergonhas!

Confesso que ainda é um grande desafio para mim lidar com minha raiva e meu medo de forma saudável! Minha tendência inicial é tentar reprimi-lo tanto em mim quanto em minha filha! Mas ler a Laura Gutman e participar do Zum Zum de mães foi me trazendo consciência da importância da entrega!

As emoções não são feias ou bonitas, são naturais e precisam ser liberadas para vivermos de forma mais saudável! Deste modo, seremos capazes de pedir o que precisamos e ensinaremos aos nossos filhos o caminho da realização de suas necessidades básicas e emocionais! Assim, eles poderão protagonizar sua própria história, se autorresponsabilizando por sua felicidade! No próximo artigo falaremos um pouco mais a respeito deste Universo das emoções, onde o conceito da Empatia é tão importante!

Gratidão pela leitura! Namastê!

SOBRE A AUTORA

Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda

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Em tempos como esses que estamos vivendo, faço o exercício desafiador de olhar ainda mais para dentro. Descubro então, a linha tênue que existe entre o cenário político e nossas emoções mal resolvidas.

Consigo perceber claramente que meus desafios diários comigo mesma, com os meus condicionamentos e padrões de controle que, refletem diretamente na minha maneira de maternar e consequentemente na minha saga contínua pela desconstrução pacífica desses mesmos padrões são, na (triste) realidade, o reflexo de um modelo fadado ao fracasso.

O mesmo desafio que sinto sobre minhas questões corriqueiras do dia a dia com meu filho de dois anos e oito meses, são na realidade os desafios do nosso cenário político que, de um lado manifesta claramente a obsessão pelo controle, que por sua vez, revela o autoritarismo acima de tudo e de todos, que não abre espaço para a troca e portanto impera o desejo de apenas uma das partes envolvidas.

Veja bem, a frase do “não podemos dar aquilo que não recebemos” é bastante coerente e verdadeira. Vivemos gerações e gerações dessa criação controladora e autoritária, sendo assim criamos seres humanos controladores e autoritários que por sua vez, desejam exercer controle e autoritarismo sobre outros seres humanos. A matemática é simples apesar de devastadora e, é justamente por isso que se faz necessário um olhar bastante cauteloso quando o assunto é criar nossos filhos com escuta ativa e de maneira amorosa visto que eles são a representação mais palpável do futuro da nação. É urgente exercitar o que não nos foi dado para que nossos filhos possam ser melhores versões, trocando o controle e autoritarismo pela cooperação, a colaboração, a escuta ativa, a autonomia e a liberdade e o respeito para ser quem se é.

A mudança precisa ser exercitada, como um músculo que pode doer após uma série de exercícios novos, e que ao final de um mês de exercício passa a ser natural. E não se engane pela minha metáfora, o desafio é pra sempre, é diário, minuto a minuto, segundo a segundo.

Hoje por exemplo foi assim aqui em casa… Olhava para meu filho, no meu pleno período pré/atual menstrual, e desejava ardentemente que ele me obedecesse, que me ouvisse e correspondesse aos meus ‘comandos’. Me frustrei com a (óbvia) recusa dele e, com a minha criança interior ferida, o ciclo já conhecido por mim se repetiu, me enraiveci, fugi do prumo, gritei, interferi, me culpei e por fim chorei de desespero. Era o brinquedo,  o almoço,  o sono,  a fralda, o fio dental, a janela, o travesseiro e uma infinidade de pequeninas coisas que me faziam fugir da conexão com ele pelo simples fato de estar obcecada pelo controle… E eu poderia pensar “mas eu só queria que ele me ouvisse e se acalmasse” Ora! Que ironia não é mesmo? Como posso exigir de uma criança, ainda em pleno desenvolvimento (sobretudo neurológico), que me escute e se acalme se eu, a suposta adulta da relação, sou incapaz de fazê-lo e (talvez a parte bacana disso tudo) reconheço tal desafio?!

O fato é que o caminho ainda é longo e cheio de pedregulhos, olho então cuidadosamente para a minha obcessão pelo controle e para as reações agressivas e intolerantes em busca daquilo que elas omitem. Hoje sei que essa é a superfície, é o que está visível a olho nu, é o que eu vejo/percebo e os outros também, são muito provavelmente as manifestações de algo que não foi nomeado anteriormente e se cristalizou, ou ainda de alguma necessidade que está por trás desse meu comportamento inadequado, que de tão engessado obstrui a visão do que ele oculta. Essas reflexões acima, construídas tal qual um quebra-cabeça de um sem número de peças, me conduzem para o incrível fato que, as mesmas ferramentas que tento usar com meu filho de dois anos e oito meses também se aplicam à mim…rs Lembro que no auge da crise meu marido apareceu e sugeriu algumas alternativas (que fugiam obviamente do meu controle – afinal o controle é uma ilusão) e eu respondi de maneira impulsiva e agressiva. Ele, que me conhece há 13 anos, na mesma hora me perguntou se queria aplausos, e conscientemente eu disse “- Não, eu quero me acalmar mas não consigo”, depois eu desejei um abraço, mas também não fui capaz de pedir… A verdade é que isso tudo me parece um processo curativo real, onde vou me despindo aos poucos e me abraçando um tanto mais. Tem muito choro no meio disso tudo, muita culpa também, mas a parcela de resiliência que venho conquistando diuturnamente tem feito o processo todo valer a pena.

É nesse ponto que olho pra minha história e traço um paralelo com a história do nosso país… A diferença visível a olho nu aqui (e não me entenda mal, não sou nem melhor ou pior do que ninguém, esse é o meu processo), é que eu estou olhando para o meu medo de ser imperfeita, encarando de frente os meus padrões, deixando a minha mente tagarela (o meu ego) de lado e reconhecendo o modelo falido, solitário e ultrapassado do controle e do autoritarismo.

É como uma grande amiga me disse uma vez: “desconstruir é um ato de coragem!”, e ela está certa. Avante com coragem! Vamos juntas?

Este Texto foi escrito por: Iara Schmidt (participante do ZumZum 6)
Iara é mineira, e como boa sagitariana é uma viajante nata e buscadora de si. Mãe de um aquarianinho nascido em fevereiro de 2016 – fonte do puro amor e inspiração infinita – realizou da gestação ao puerpério ritos de passagem que transformaram – e continuam transformando – sua essência.

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A Primavera que acontece ao nosso redor, acontece também dentro de nós, inspira o florescer da vida.

Antes do florescer, há de ter o recolhimento e acalento do Inverno, é necessário um preparo interno, é necessário o fortalecimento do corpo e da alma. Precisamos dormir para acordar, para viver com amor e verdade, sintonizando nosso pensar, nosso sentir e nosso querer.

Eu estava dormindo e não era um sono tranquilo. Era sim daqueles que me traziam lampejos de realidade e sustos. Em muitos momentos, eu não sabia se continuava mesmo dormindo ou se já havia acordado, o fato é que eu ainda não me sentia pronta para levantar e encarar o dia, encarar a vida. Então, eu decidia virar de lado e dormir mais um pouquinho.

E, assim, eu sonhava, me aventurava em pesadelos e acordava com o coração apertado, a respiração difícil e o olhar assustado, por algumas vezes fui capaz de encontrar a minha paz antes de voltar a dormir.

Essa noite pareceu longa e, ao mesmo tempo, curta demais porque me sentia cansada, um tanto pesada. Eu poderia ter aproveitado melhor sem interrupções, poderia ter dormido direto se não fosse minha inquietação, ou já que não dormia bem, poderia ter levantando durante a madrugada e feito algo produtivo. A sensação de que estava perdendo meu tempo também me atormentava. Mesmo assim, eu seguia dormindo, porque não me sentia pronta.

Veio a luz da manhã. Era Primavera. Esse era o meu momento de acordar, ainda que desafiador, eu o reconhecia como a hora do meu despertar. Me nutri daquela luz e de tudo que ela me proporcionava. Escolhi viver.

Hoje eu reconheço a importância do sono para a que a vida aconteça em sua plenitude. Também o sono da consciência é estruturante, dura o tempo adequado para que a capacidade do acordar se desenvolva, assim como as plantas externam a sua força e determinação através da beleza das flores.

Enquanto dormia, encontrei a minha verdade e a minha paz em momentos pontuais de dor e de contato profundo com a natureza, mas apenas escolhi a vida com consciência quando o meu menino de luz chegou. Por sincronicidade, já que feitos dos mesmos elementos somos eu, você e a natureza, a Primavera renova e reforça o convite de vida e, a cada ano, me permito aceitá-lo e honrá-lo. Neste período, sinto que todo o preparo do Inverno, do sono restaurador, faz brotar muitas cores, formas, cheiros e sabores, faz ideias criarem asas, faz projetos se tornarem reais, faz a vida florescer em amor e abundância.

Sentimentos de alegria, de mais energia e vitalidade, são comuns nessa estação. E não é à toa. O milagre da vida acontece em cada um de nós. Somos parte da natureza. Somos a própria natureza. Esses sentimentos simbolizam a tendência que temos de aceitar o convite de vida, porque o nosso corpo é muito inteligente, reconhece o que nos faz bem e está sempre em busca do equilíbrio, do seu estado natural de saúde, bem estar em paz.

A Primavera chama a nossa atenção, chama a nossa presença, em um mundo de tantas distrações como o nosso, em uma sociedade tão atribulada, com tantos barulhos externos e internos. Com frequência, nos distraímos do que pensamos, das nossas necessidades e desejos. E a Primavera vem, com seu jeito cativante, nos lembrar dessa nossa conexão com a natureza. Mesmo que não estejamos atentos, a conexão existe. Se nos sintonizamos à natureza e nos comprometemos em ser quem realmente somos, a vida floresce com mais leveza, com fluidez, na nossa casa, nos ambientes que atuamos, nos nossos relacionamentos, principalmente nos relacionamentos com os nossos filhos, que nos tem como exemplos de vida, nos observam a todo instante.

A vida se nutre da simplicidade e a conexão acontece pelo sentir. Com um exercício simples de respiração consciente, podemos sentir o ar percorrendo o nosso corpo e todos os benefícios que nos proporciona. A respiração ampla melhora a nossa qualidade de vida. Beber água e sentir o seu significado – purificação, nutrição, cura – potencializa a sua ação. Sentir o amor puro, quando temos a oportunidade encantadora de convivermos com seres de luz, nossas crianças, nossos filhos, que, quando pequenos, estão fortemente conectados à essência da vida, nos mostra o caminho certo a seguir. Que tal se cada pessoa escolhesse uma maneira de deixar a sua vida melhor todo dia e colocasse isso em prática? Pode ser uma forma diferente de pensar,  um novo gesto, um novo olhar, algo simples e ao alcance hoje. Podemos nutrir a nossa vida com pequenos passos, a conquista de saúde e felicidade não está lá no fim da jornada, não é o pote de ouro no fim do arco-íris, está no próprio processo, a conquista é diária, o sucesso está em toda a extensão do arco-íris.

A Primavera chega acompanhada de luz que anuncia o florescer da alma, de chuvas que abençoam a terra, purificam nosso ser, despertam a vida e fazem germinar as sementes trazidas pelos ventos, de arco-íris que renova os sonhos, de fertilidade.

A Primavera da minha vida chegou com o meu menino de luz. Quando senti a sua existência em mim, me permiti a liberdade e me tornei responsável por ele e por mim. A pureza do seu olhar mostra a verdade que há nele e há em mim. O seu sorriso é o termômetro da leveza. O seu amor é a felicidade pura. Como anunciador da minha Primavera, João inspira a minha jornada de autoconhecimento, o meu caminho de conexão com a minha essência. Sinto o meu lugar de pertencimento. Educando e me auto-educando, busco diariamente sabedoria para guiá-lo de forma que nunca se desconecte, de forma que aproveite todas as suas primaveras com leveza e paz.

A vida só é vida se faz sentido, se faz parte de um todo, se tem um motivo para ser, se está conectada, com suas múltiplas funções, a outras vidas e outras formas. Cuidemos para que a vida cumpra a sua missão.

Vamos nos conectar cada vez mais ao movimento da vida, aos ritmos da natureza, sejam na floresta, nas ruas, no nosso lar, sejam os ritmos dos nossos pequenos, sejam os nossos ritmos internos. Esse movimento de expansão da natureza, de coragem de se expressar com bondade, delicadeza e beleza, existe também em nós. Quanto mais sintonizados com os ciclos da natureza, mais fluido se torna o viver.

O convite à vida instiga novas realizações, pede que juntemos toda a nossa bagagem física, mental, emocional e espiritual e nos lancemos ao novo. Se aceitamos o convite, nos agarramos à confiança de uma vida cada vez melhor, mais alinhada a princípios e valores, deixamos de alimentar nossos medos e saltamos, apesar deles. Permitir que a vida floresça com amor e verdade pode significar sair da zona de conforto, abandonar padrões ensinados pela sociedade, que não cabem mais nas novas escolhas, pode significar nadar contra a correnteza, ter julgamentos e críticas passando ao lado. Nesse caminho, a solidão pode se encostar e pedir para ficar, os desafios aparecem e podem intensificar questionamentos, dúvidas. Fora e dentro, existirão vozes que dizem ser loucura esse movimento e vozes que consideram ser coragem. Se seguirmos acreditando na capacidade de viver, na capacidade de florescer, ressignificando medos e desafios, o barulho externo começa a silenciar, e as vozes internas se harmonizam na frequência do amor.

Eu escolhi viver alinhada à minha verdade. Escolhi resgatar o melhor que há em mim. A decisão de florescer, o acordar da consciência traz medos, ansiedades, inseguranças, mas é libertador, é ter a certeza de que uma nova vida está disponível e é permitido (porque eu me permito) ser quem sou. Uma vez ouvi que precisamos escolher as dores que queremos em nossas vidas. Analisando com cuidado, é um ponto de vista que faz sentido. No meu caso, eu poderia escolher a dor que a minha acomodação me traria em não realizar meus sonhos, ou poderia escolher a dor de enfrentar o que viesse para conquistar a minha liberdade.

Somos criadores da nossa realidade, somos potencialmente capazes de transformar o mundo, começando pelo nosso mundo interno. Vamos cultivar a realidade que acreditamos, o mundo que queremos, vamos cultivar saúde e felicidade. Cada momento é uma oportunidade linda de fazer o bem e de espalhar o amor através de pensamentos, sentimentos e ações pequenas, mas poderosas e transformadoras. Conectar-se à natureza é acreditar na abundância, é compreender que o melhor acontecerá e, mais, surpreenderá positivamente. Quando surpreendidos, acreditamos mais, nos conectamos mais, e o Universo entende cada movimento. Está estabelecido o ciclo da realidade abundante.

É Primavera! É tempo de renovar as percepções do mundo, é tempo de expressar o ser. Que a nossa semente interna busque o Sol e floresça o amor. Que a Primavera seja exuberante de realizações e que os desafios nos enriqueçam.

O contrário do medo não é coragem, mas amor (Rudolf Steiner). Hoje eu tenho a resposta que cabe no meu coração. Não foi por coragem que floresci e mudei toda a minha vida, foi por amor.

 

Este texto foi escrito por Cibele Calderan, mãe do João de 3 anos, criadora do Espaço Vice Versa, movimento pela vida. Saúde Holística, Nutrição Integrativa e Permacultura para Mães e Famílias com crianças de até 7 anos.

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Eu definitivamente me achava uma mãe moderninha e descolada, passeava pelas ruas do bairro com minha bebezinha no sling, diante de todos os tipos de olhares e palavras de reprovação.  Ela tinha um colar de âmbar que quando usava despertava os mais horrorizados comentários e perguntas do tipo: “Mas para que serve isso? E isso adianta mesmo?” Sem falar nos alertas desesperados de senhoras que diziam que ela podia até morrer enforcada! A bolsa linda de corujinha que saímos da maternidade, já tinha sido aposentada e dado lugar a uma prática mochila colorida. Confesso que tinha um certo orgulho desse estilo, me sentia meio subversiva ou sei lá. Nesse contexto lá vinha eu e ela de volta de uma caminhada matinal.

Na portaria do prédio encontrei uma vizinha que tinha um menino lindo, apenas alguns dias mais novo que minha filha, nós sempre conversávamos. O menino tinha uma cabeleira linda castanha em nuances dourados, nesse dia comentei com a mãe dele algo do tipo: “Nossa que lindo está o cabelinho dele, só deve dar um trabalho danado enxaguar no banho né? Eu sofro com os poucos fios da minha filha”. Ela me lançou um olhar de incompreensão e respondeu: “Ué muito simples, só colocar embaixo do chuveiro, não dá trabalho nenhum, você não dá banho de chuveiro na sua filha?  Nesse minuto minha marra de mãe prática e descolada escorreu poros afora, pensei em manter minha pose e mentir deslavadamente dizendo que sim, que eu dava banho de chuveiro, mas respondi com toda a sinceridade: “Não eu nunca dei banho de chuveiro nela” e ela respondeu: “Nossa, sério? Você devia experimentar, eles adoram, meu filho toma banho de chuveiro comigo desde o primeiro mês, ele estica as mãozinhas para a água e tenta segura-la é uma graça! É sem dúvida o momento mais especial do nosso dia”. Que lindo, pensei em voz alta, vou tentar hoje mesmo!

Peguei o elevador e lembrei de uma foto que a Bela Gil tinha recentemente postado, ela plena molhada no chuveiro com seu bebezinho fofo nos braços, com essa imagem na cabeça abri a porta do apartamento decidida e comuniquei ao meu marido: “vou dar um banho de chuveiro nela hoje” passei para o quarto como uma flecha e ele me acompanhou com os olhos, separarei uma roupa, peguei a toalha, tirei minha roupa, tirei a dela e fui nua e confiante para o banheiro com ela no colo. Meu marido levantou os olhos por cima do computador e perguntou se eu tinha certeza que seria uma boa ideia. Mas é claro que eu tinha certeza!

Abri o chuveiro e ela se agarrou fortemente em mim e eu disse calmamente: “tudo bem filha, vamos tomar um banho diferente e juntinhas hoje”. Quando entramos na água, ela simplesmente surtou, começou a chorar, parecia um gato tentando fugir da água e do meu colo. Insisti mais um pouco, peguei um pouquinho do sabonete e ensaboei sua barriguinha, tentei molha-la mais uma vez e ela gritou de um jeito que eu nunca tinha ouvido, um choro de pavor ecoava em meus ouvidos, ela começou a tremer, olhei para os olhos dela e pude ver o seu terror, pude ler sua mente e ela dizia: “você enlouqueceu, o que é isso? O que você está fazendo comigo? Estou com medo!” Ela se debatia ensaboada e escorregadia gritando de pavor, fiquei com medo dela cair do meu colo e me abaixei rápido, pensando que se ela caísse a queda seria menos alta, gritei pelo meu marido que abriu a porta do banheiro já com a toalha dela em posição de resgate. Quando ela foi para os braços dele se acalmou no mesmo segundo, ele a levou para o quarto enroladinha na toalha, voltou sem ela e com um balde na mão.  Enquanto ele enchia o balde de água morna do chuveiro, disse : “Amor acho que não foi uma boa ideia, podemos tentar de novo quando ela for maiorzinha.”

A Libertação

Eu tomei meu banho, digerindo aquela verdade e me sentindo uma mãe horrível, os olhos de pavor da minha filha não saiam da minha mente, não sei quanto tempo fiquei ali embaixo do chuveiro, em contato com minha frustração de não ter tido meu momento especial e pleno com ela. Quando finalmente sai do banheiro ela já estava cheirosa, de banho tomado e sorrindo para mim, peguei ela do colo do pai e fui para o quarto amamenta-la, fechei a persiana e me sentei confortavelmente. Assim que ela pegou meu peito deu aquele suspiro de alivio, fiz um carinho na cabecinha dela e ela foi relaxando, fui sentindo o seu corpinho cada vez mais pesado e aconchegado sobre  meus braços. Fui tomada por uma paz familiar e me deu um estalo, conclui: “Esse é o nosso momento mais especial do dia!”

Me dei conta de que meu momento não precisava ser igual ao de ninguém, percebi que nem tudo que eu achava legal ou “moderninho” daria certo com ela. Relembrei que ela era uma criança única, com suas particularidades e preferências e mesmo sendo tão pequena ela já me dizia quem ela era. Me senti no dever de ouvir e respeitar o que ela tentava me contar sobre ela, ainda de maneira tão primitiva. Fiquei lembrando de como ela gostava de banho de imersão na banheira, ela só chorou no banho da maternidade, desde os primeiros banhos em casa ela já adorava. Lembrei dos barulhinhos de alegria que ela fazia quando percebia que ia entrar na água e quando entrava fazia aquela bagunça com os pezinhos e as mãozinhas, ela ria e “conversava” com as ondinhas que se formavam ao seu redor, como se fossem velhas conhecidas. Eu já não estava mais frustrada, eu estava feliz por ela ter me ensinado um pouco mais sobre ela.

Ela adormeceu profundamente no meu colo, coloquei ela na cama entre barreiras de travesseiros e fui para sala. Eu e meu marido nos olhamos, eu estava mais calma e pude notar que ele estava claramente segurando o riso, inesperadamente eu comecei a rir e ele soltou enfim a gargalhada e rimos muito juntos. Achamos muita graça da cena que ele viu quando abriu repentinamente a porta e deu de cara comigo agachada, com a pobre criança ensaboada e em choque, tentando fugir a todo custo do meu colo. Quando contei que a minha expectativa era um momento tipo Bela Gil plena ai é que rimos mesmo, tentávamos rir baixo e controladamente para não acordá-la, mas ficava cada vez mais difícil e mais engraçado, rir com moderação nos fez gerar barulhos hilários e ai ríamos ainda mais e cada vez mais desmedidamente e livremente.

É claro que eu tinha consciência de quanto a tinha assustado e de maneira alguma no meu riso havia menosprezo por aquele olhar de pavor que ela me lançou, eu sabia o quanto tinha sido tensa aquela experiência para nós duas. Porém foi libertador rir de mim mesma naquela ocasião, porque me trouxe de volta uma leveza que andava faltando em tempos de neblina, típicos do puerpério. Eu andava me cobrando muito, cobrando perfeição e maestria nas situações novas e inusitadas tão comuns daquela fase. Ter arrumado aquela confusão desastrosa na hora do banho, me fez ver que tudo bem se eu errasse, mesmo errando ainda ficaria tudo bem. Reparei o quanto eu andava sendo cruel comigo mesma quando tentava me encaixar em um tipo específico de maternidade, ou quando começava a fazer coisas que outras mães que eu admirava faziam ou diziam, sem antes consultar os meus instintos. Notei quantas vezes eu me desconectei de mim mesma tentando alcançar padrões insanos e solitários que eu havia estipulado naqueles últimos meses.

Aquela risada foi o curativo para uma ferida que já estava ali há algum tempo, que eu em meio aos cuidados com minha pequena nem tinha reparado, uma ferida causada pelas repetidas frustrações que acumulei por não ser perfeita, pelos momentos que eu não dei conta sozinha, pelas vezes que precisei tão vulneravelmente do meu marido. Aquela risada foi um jeito doce e divertido de me libertar daquela cobrança implacável pelo inalcançável. Acho que naquele dia me libertei de todos os padrões, dos tipos e de todas as outras amarras que me traziam angustia nos finais de tarde e que eu não sabia explicar de onde vinha e porquê. E foi uma delícia me dar conta disso no meio de uma gargalhada compartilhada com ele, que mais uma vez estava lá por nós…

 

Este texto foi escrito por Vivian C. pessoa, mãe da Ive de 2 anos e 7 meses (que hoje toma banho de chuveiro, feliz e sem nenhum trauma ☺) e participante da turma 5 do Zum Zum de mães.

vivian.pessoa@globo.com

@viviancpessoa

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Queridos papais e mamães, sou a Tânia, psicóloga, psicanalista, mãe da Milena e participante do Zum Zum. Conforme combinei com vocês este é o segundo texto sobre a prevenção primária dos problemas psicológicos. No texto do mês passado abordei o tema da prevenção na gestação, nascimento e primeiros dias de vida do recém-nascido. Hoje vamos dar continuidade até os dois anos. Para isso, irei recorrer a teoria do desenvolvimento emocional primitivo postulada pelo pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott. Toda a sua teoria se desenvolveu a partir de sua ampla prática clínica de atendimento de bebês, crianças e adolescentes.

Fase de dependência absoluta:

Winnicott nomeia de dependência absoluta a fase do desenvolvimento emocional do bebê até os 5, 6 meses de idade. Nesse momento, o bebê sente que ele e a mãe formam uma pessoa só, uma unidade sem diferenciação eu e não-eu. Três principais processos se desenvolvem nesta fase: Integração, personalização e adaptação à realidade. Esses processos maturacionais se desenvolvem através dos cuidados maternos: Holding, handling e apresentação dos objetos. Vou explicar separadamente cada um deles:

  • Holding (suporte): Fornece apoio egóico ao bebê, inclui o segurar no colo, toda a rotina de cuidados em relação tanto as necessidades do corpo quanto as mais sutis, como estar envolvido pelo ritmo respiratório da mãe, de sentir o seu cheiro, as batidas do coração. Nesta fase é fundamental que a mãe se adapte ao ritmo do bebê, acompanhando suas mudanças tanto físicas quanto psíquicas, implementando uma adaptação ativa as suas necessidades. Isso leva à sensação de continuidade do ser e promove a integração psíquica. A mãe funciona como espelho para o bebê. Ele precisa se ver no olhar da mãe. Sabe aquele olhar apaixonado na qual nós mães olhamos para os nossos bebês? O bebê precisa dele para se estruturar. A integração faz parte do potencial herdado e é totalmente dependente do holding materno para se desenvolver. Todas as partículas e fragmentos de atividade e sensação que vão constituir o bebê, começam a congregar-se, ao mesmo tempo tem início o aparecimento de rudimentos de uma elaboração imaginativa sobre o seu corpo que também auxilia a integração. Falhas grosseiras e constantes podem gerar angústias profundas de aniquilamento, cair para sempre, se fazer em pedaços. Aqui pode ocorrer também, por falhas, uma pequena integração seguida de uma desintegração. A desintegração está presente fortemente nas doenças mentais do grupo das psicoses.
  • Handling (manejo): Conjunto de manipulação e jogos que a mãe introduz no seu relacionamento com o bebê por ocasião do banho, troca de fraldas e dos cuidados com a higiene. O toque e o manuseio da pele são fatores importantes para a personalização, criando a imagem corporal do bebê e um sentimento de que existe um dentro e um fora delimitado pela pele. A personalização é o sentimento de que o psíquico reside no corpo. É dependente do handling materno. É através do toque, do lidar com o bebê satisfazendo suas necessidades de movimento e expressão corporal que a mãe possibilita ao bebê experenciar, a sentir sua psique habitando seu corpo. Falhas grosseiras e frequentes podem acarretar problemas psicossomáticos ou a despersonalização quando a psique perde o contato com o corpo.
  • Apresentação de objetos: É o cuidado que facilita as relações entre as pessoas. A apresentação do mundo ao bebê deve ser feita por uma mãe sensível, concentrada na sua tarefa, com vivacidade, adaptada ao ritmo do bebê e sendo continuamente ela mesma. A mãe inicia se apresentando ao bebê e depois isto se estende à apresentação dos demais objetos. É muito importante que a criança sinta que é a relação com o outro que aplaca angustias e não objetos concretos como o bico. O bico pode ser usado, mas o colo precisa ser apresentado em primeiro lugar e ocupar lugar de destaque. Se a criança aprende que são os objetos que aplacam as angustias, no futuro pode-se desenvolver compulsões. A adaptação à realidade é dependente da apresentação dos objetos realizada pela mãe. No primeiro momento o bebê se relaciona com objetos subjetivos, isto é, ele tem a sensação que ele cria os objetos, como se tudo e todos fossem extensão dele. É somente se relacionando com objetos subjetivamente percebidos que o bebê pode vir a se relacionar com os objetos objetivamente percebidos. A adaptação da mãe deve ser de tal forma que o bebê sinta que ele criou aquilo que lhe era necessário.  É o momento de ilusão: o bebê sente que criou aquilo que lhe foi oferecido, proporcionando assim experiências de onipotência. Ex: Ele chora e a mãe oferece o seio. Desta forma, nesta fase de desenvolvimento, o bebê acha que criou o seio que o alimenta. Está é uma experiência de onipotência necessária para o bom desenvolvimento do psiquismo e o seio nesse momento seria um objeto subjetivo.

Os três processos maturacionais: Integração, personalização e adaptação à realidade formam a base do bom desenvolvimento emocional. São consolidados por volta dos 6 meses, mas nunca completamente estabelecidos. Se fortalecem por toda a vida.

Mães, não fiquem preocupadas, parece muita coisa, parece difícil, mas segundo Winnicott esse é um trabalho que todas as mães conseguem fazer. Winnicott chama de mãe suficientemente boa, as mães comuns que são guiadas por seu instinto materno e estão conectadas com o bebê. A conexão é o mais importante. Vale a pena ressaltar que as mães tentem seguir os seus instintos e não ficar ouvindo muitos palpites como: a) seu filho vai ficar manhoso, não fica pegando o bebê no colo; b) para aprender a dormir tem que deixar chorando, depois ele acostuma. Sabem porque ele acostuma? Porque ele dorme de exaustão e entende que não adianta, por mais que ele chore ninguém vai aparecer para ajudá-lo a se acalmar. É um total desamparo. Nesta fase, não é uma boa ideia viajar e deixar o bebê sob os cuidados de terceiros. Aqui ele precisa especialmente dos principais cuidadores. Ainda não suporta tanto tempo longe da mãe. O bebê precisa ser dependente, precisa de amor, para adquirir confiança necessária para depois aos poucos ir se tornando independente. Gostaria de lembrar também que não é qualquer falha que desencadeia patologias, são falhas grosseiras e que se repetem aliadas aos fatores genéticos.

Fase de dependência relativa:

As repetidas experiências de ilusão experimentadas pelo bebê na fase anterior oferecem confiança necessária para que a mãe comece a “falhar” nesse momento. Na verdade, falhar aqui é acertar. Explicarei melhor: a mãe vai sentindo que o bebê já consegue esperar um pouco mais o peito ou a mamadeira, ele suporta a ausência materna por mais tempo e ela começa a não atendê-lo tão prontamente como antes. Com isso, cria-se uma área intermediária da experiência chamada espaço potencial. O espaço potencial é uma área entre a ilusão e a realidade. É aqui que se desenvolve o uso dos símbolos que representam ao mesmo tempo os fenômenos do mundo interno e do mundo externo. Desenvolve-se a criatividade que posteriormente, evolui para o brincar, o brincar compartilhado e para experiências culturais, artes, etc. No espaço potencial surgem os objetos transicionais. São objetos escolhidos pelo bebê como: fraldinha, cobertor, urso de pelúcia que eles utilizam para se acalmar e dormir. Geralmente são objetos que não podem nem ser lavados que eles acham ruim. Esses objetos não são nem puramente imaginação e nem puramente realidade. Ele existe na realidade, mas o significado dele é subjetivo é do espaço da criação, da imaginação do bebê. É um objeto que irá ajudar no processo de separação da mãe. O objeto representa a mãe, a relação mãe-bebê e por isso oferece um conforto. A mãe precisa dar um espaço para que o bebê consiga se diferenciar, se deparar com a realidade e estabelecer uma identidade pessoal. A mãe vai aumentando a porção de realidade que apresenta ao bebê, mas sempre preservando uma certa porção de ilusão, pois ela continua o atendendo em suas demandas, mas se permite falhar. Com a desilusão, ou seja, percebendo cada vez mais que ele não é o criador do mundo, pois a mãe não consegue atender todos os seus desejos, ele vai percebendo que a mãe é uma pessoa separada, o bebê começa a perceber os objetos objetivamente ao invés de subjetivamente. A natureza é sabia, pois nesse momento a atenção que estava quase que totalmente voltada para o bebê pode ser compartilhada com outras coisas e pessoas. O bebê já interage mais, daqui a pouco vai sentar, engatinhar, vai querer coisas que os cuidadores terão que negar principalmente pelo perigo que podem representar. Assim a realidade vai sendo apresentada de forma natural.

Algumas mães já me perguntaram: Tânia, meu filho não teve um objeto transicional. Isso é ruim? Nem todas as crianças tem um objeto transicional concreto. As vezes a função do objeto transicional é realizada através de sons produzidos pelo bebê, balbucios, maneirismos, etc. Outras mães comentaram: eu tentei introduzir um objeto transicional e não deu certo. Na verdade, é o bebê que escolhe o objeto e não os pais.

A fase de dependência relativa vai até os dois anos, dois anos e meio mais ou menos ao final dela é esperado que a criança se veja como uma pessoa inteira, possua um sentimento de ser, de ter uma identidade própria e está pronta para um relacionamento total. Falhas intensas, grosseiras e persistentes levam a ansiedade de separação intensa mesmo em pessoas adultas. Ex: Pessoas que sofrem muito na ausência da pessoa amada, construindo fantasias que se a pessoa não estiver perto vai esquece-la, deixará de amar, como se ela não confiasse nas construções que faz e que essas construções são seguras e continuam existindo mesmo na sua ausência. Pode haver também a cronificação do objeto transicional, na qual o objeto é sentido como o único capaz de aplacar as dores e angustias em detrimento das relações e isto pode levar ao aparecimento de compulsões. Quando ocorre um sentimento de perda muito grande nesta época, pode levar a comportamentos antissociais no futuro numa tentativa de recuperar o que foi perdido, como um pedido de socorro.

Uma outra aquisição importante é a capacidade de se preocupar, que se desenvolve entre os 6 meses e os dois anos e meio / três anos mais ou menos. Ao perceber o outro como separado, a criança passa a se preocupar com ele, com sua saúde e com seu humor. É importante ressaltar, que no processo de separação, para a criança conseguir se tornar uma pessoa inteira, ela precisará se opor. Comportamentos considerados inadequados aparecem: bater, não fazer o que é pedido, gritos, etc. Para Winnicott é importante que os pais sobrevivam a esses “ataques” sem retaliar. Isto é, que não ajam da mesma maneira com a criança ou tenham atitudes que a faça entender que perderá o amor dos pais com aquele comportamento. Não queremos que os nossos filhos aprendam que só serão amados quando fizerem o que os outros querem. Os limites e ensinamentos são importantes. Para auxiliar nisso, vocês podem ler o e-book da Clarissa ou assistir a aula sobre o Limite na medida certa que está excelente. Nesta etapa, é necessário oferecer espaço também para a reparação para que o sentimento de culpa não se torne intolerável.

Acho importante que nós mães saibamos um pouco sobre o desenvolvimento emocional dos bebês primeiramente para nos ajudar a nos conectar com nosso filho, sermos mais empáticas, sabermos pelo menos em parte o que está se passando com ele para ajudá-lo. Ter um filho nos faz também reviver muito da nossa própria história de quando fomos bebês desencadeando vivencias angustiantes que podem nos fazer desconectar com nosso filho ou mesmo repetir padrões de relacionamento na qual fomos criados. Sabendo um pouco sobre o desenvolvimento emocional, nos auxilia a perceber nossas dificuldades e procurar ajuda para resolve-las. Por exemplo: se sentimos uma indisponibilidade interna muito grande para o bebê com uma grande frequência principalmente na fase de dependência absoluta, se não sentimos que há um amor enorme se construindo, se ao longo do tempo, não nos apaixonamos por nosso bebê, tem algo impedindo, algo que precisa ser visto, trabalhado e superado.

Caso vocês percebam que esse começo da vida dos seus filhos ficou prejudicada por algum motivo, vocês podem voltar a se conectar com eles em primeiro lugar, e em sintonia tentar sentir o que ele precisa. Se notarem o surgimento de sintomas, podem procurar uma psicoterapia pais-bebê (até 3 anos) ou psicoterapia infantil (após 3 anos). Quanto mais cedo se busca ajuda, mais fácil as coisas se resolvem. No próximo mês falarei de alguns sintomas que merecem atenção na infância. Até a próxima!

 

Tânia Oliveira de Almeida Grassano

Psicóloga formada pela UFMG. CRP-04/19643

Psicanalista: Membro efetivo e docente na Sociedade Brasileira de Psicanalise de Minas Gerais – SBPMG.

Realiza atendimento em psicoterapia individual de crianças, adolescentes e adultos. Atua também com psicoterapia pais-bebê.

Os atendimentos são realizados em BH, próximo à praça da Liberdade.

Tel: (31) 30725974

taniaoliveiraalmeida@yahoo.com.br

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