Por quase toda a minha vida, decidi caminhar sozinha. Achava que eu poderia dar conta de tudo sendo apenas eu. As pessoas ao meu redor eram apenas acessórios para o desenvolvimento que eu acreditava que alcançaria com o meu próprio esforço. E por um bom tempo essa caminhada na solidão pareceu funcionar, ou pelo menos eu pensava que funcionava.

Então veio a maternidade e, logo de início, percebi que jamais caminharia sozinha novamente. E me percebi muito feliz em não ter que caminhar sozinha pelo mundo. Agora tinha um par de pequenas mãos que se entrelaçavam às minhas. Mas, ao longo desse caminhar, assim, meio que paradoxalmente, me senti extremamente só. Eu tinha agora a responsabilidade de não somente construir o meu caminho, mas guiar o caminho do meu filho.

Tive que olhar para lugares dentro de mim que jamais pensei que existissem, e percebi que esse olhar não seria possível sem ajuda. Me vi em busca de um horizonte, de uma rede de apoio… e foi quando verdadeiramente me encontrei. Encontrei uma comunidade que me acolheu, me fez consciente, e me libertou.

Sempre achei que eu soubesse quem eu era –  plena na solidão – mas me enxerguei através do outro. Hoje, do lugar em que me encontro, muitas verdades já foram questionadas, há partes de mim que já não me cabem. Busco conhecer de onde vim, para entender quem quero ser e onde quero chegar. Sigo meu caminho em busca do meu verdadeiro eu. Mas já não vou mais só. Vou de mãos dadas com minha rede de apoio, abrindo caminho para mim e para os pequeninos pés que me acompanham…

SOBRE A AUTORA:

Texto: Vanessa Bugni – @vanbugni / @dravanpediatra
Mulher, mãe e pediatra, participante da turma 11 do Zum Zum, comunidade onde encontrou terra firme para seguir seu caminho…

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

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Sempre gostei de ser adulta, aliás sonhava com isso desde muito cedo, a infância quando perde a inocência anseia em ser gente grande para se livrar das injustiças. Já fazia um bom tempo que tinha muitas responsabilidades e ganhava cada vez mais respeito por elas, me sentia útil e, claro, vista e amada.
Até engravidar e apresentar um quadro de hiperemese gravídica. Quantas cobranças uma mulher grávida pode receber quando precisa desmarcar compromissos, não atender telefone e quantos nãos ela precisa suportar por “não estar doente”. Foi na gestação do Miguel que a anestesia do excesso de trabalho passou e precisei literalmente olhar só para mim e minhas feridas instaladas lá longe na infância. Como psicóloga e paciente de oito anos de psicoterapia tinha certeza de que estava tudo bem antes, mas não estava. Quando Miguel chegou espelhava que alguém precisava ser vista, acolhida, precisava de colo, de peito, ser nutrida. Racionalizei, e quando ele tinha 1 ano e 2 meses engravidei da Marina e outro quadro de hiperemese gravídica. Agora com uma intensidade a mais. Quando voltamos para a casa o espelho continuou a me mostrar, mas eu não entendia o que precisava fazer até ouvir a voz da Clarissa: converse com sua criança interior! Diga a ela que sente muito e acolha em seus braços.
Resisti, evitei, distanciei… até que olhando uma foto de criança, senti saudades da espontaneidade, do brilho nos olhos, da dança e a procurei dentro de mim. Tinha tantas camadas que cheguei a pensar que a havia perdido, mas não desisti e a reencontrei! Abracei tão forte que sentia o coração pulsando acelerado. De mãos dadas dançamos ao som de Milton Nascimento a música Caçador de mim, corremos muito e nos jogamos no mar. Fizemos castelos de areia, pegamos tesouros na praia, dormimos abraçadas.
Foi a melhor viagem de férias em família que tivemos.
E você, já reencontrou sua criança? Nos conta como foi!

Abraço fraterno,

Elimar Rocha Ribeiro

 

Texto: Elimar Rocha Ribeiro – @elimar_rocha_ribeiro_psi. Psicóloga Clínica e Educacional / Produtora de Conteúdo Bee Family

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

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Certo dia, nesses tempos de pandemia, numa tarde de 40 graus, meu filho me chamou para brincar com ele de escorregar na varanda, bem do jeitinho que eu fazia, quando criança, na casa de minha avó, ela jogava água e sabão para lavar o alpendre e a gente se acabava de escorregar para lá e para cá. E eu, que andava por aqueles dias com a consciência um tanto pesada por estar muito envolvida aos afazeres acumulados, que nestes tempos de isolamento social sobrecarregaram ainda mais, resolvi aceitar o convite.

Jogamos água com sabão na varanda e ele imediatamente se jogou, sem medo de ser feliz! Eu meio desajeitada, constrangida até… me abaixei devagar, sentando-me no chão e me molhando aos poucos, sem saber muito como fazer. Ele estava tão alegre e satisfeito que nem percebeu a minha falta de jeito. Lentamente, fui me entregando à inteireza daquele momento, mesmo que os pensamentos me prendessem ao mental, como por exemplo, me notar preocupada em não molhar a cabeça, pois o sabão iria danificar o meu cabelo, e algumas vezes me sentindo como uma baleia encalhada tentando se movimentar, tamanha a minha falta de leveza na brincadeira, era como se o meu corpo não encontrasse espaço para o que ali acontecia.

E a partir do momento em que eu me entreguei, eu me diverti – ainda que parcialmente, pois o cabelo eu não molhei – escorreguei de barriga com ele de um lado para o outro, demos trombadas, rimos bastante e de repente o tempo parou por alguns instantes. Meu filho mais velho, que tem 12 anos, aproximou e ao ver a cena ficou desconcertado, olhou para mim e perguntou: “mãe, mas o que é que você está fazendo?”. Meu coração apertou ao perceber que ele já com o pé na adolescência, começara a dissolver a inocência, esse sentimento tão puro que possuímos na infância, que nos faz tão inteiro no nosso querer. Ao fim do dia, eu me percebia sentindo de outro lugar, experimentando outra qualidade de emoção, como se um sorrisinho leve me acompanhasse, principalmente quando lembrava da brincadeira. Minha alma estava ali, presente, brincante.

Esse episódio tornou-se objeto da minha auto observação por alguns dias, é impressionante como a vida adulta nos endurece, praticamente somos desconfigurados e desligados da infância, como se uma régua passasse em um determinado ponto da nossa biografia e pronto, agora chega de brincadeira que a vida é séria! O contato com uma criança nos proporciona infinitas oportunidades, e a possibilidade de subverter o nosso enrijecimento deveria ser a principal delas. Não podemos perder esse pé na infância, para que através dela possamos nos ligar à nossa essência.

 

O que é o brincar?

“Um ato que rompe o tempo e o espaço, inaugura um outro tempo e um outro espaço, e uma conexão que é uma conexão de vínculo: eu e o mundo. Porque a criança não vive para brincar. Brincar é viver. Ela, ali, está totalmente inteira, respondendo à sua própria vida. A vida está se exprimindo dentro dela ali” (Maria Amélia Pereira*)

O brincar é a linguagem da alma. Quando uma criança brinca está por inteira, ela por si só é um ser brincante. O brincar é essencial para o desenvolvimento dessa criança, é quando ela se ativa num movimento de dentro para fora, construindo um eixo próprio. A imagem de uma criança brincando nos remete a ideia do tempo correndo em uma velocidade outra, própria, como se nesse momento o tempo congelasse, porque neste instante a criança está inteira e plena no seu corpo, e através desse corpo, ela vai experienciar sensações, vai se modelar através do movimento.

Para uma criança, brincar é trabalho e brincar é sério, nada tem a ver com a racionalidade pela qual distorcemos o nosso fazer enquanto adultos, onde frequentemente dizemos o trabalho não é brincadeira!  Por essa razão, o brincar deve ser cuidado e preparado por nós pais e cuidadores. O lugar de brincar é o templo da criança, território de sonho e encontro, tem espaço próprio. Esse lugar é a natureza, ela é o espaço de brincar por excelência, onde a criança pode interagir com os ritmos maiores, as estações do ano, as fases da lua, com os elementos primordiais da natureza.

Esse brincar referido aqui, não é o brincar direcionado, com a intervenção do adulto, mas sim aquele que brota da imaginação da criança, é um brincar espontâneo pelo qual denominamos brincar livre. O brincar livre pertence a uma outra instância, que não a instância do discurso verbal, trata-se de uma instância corporal, que surge de um movimento interno.

“Brincar espontaneamente é a base da possibilidade de ser criativo e de fazer do trabalho algo que eu me envolvo tanto quanto eu me envolvia com o meu brincar quando era criança” (Luiza Lameirão)

A criança vive completamente num mundo inconsciente e o brincar é o recurso que uma criança utiliza para elaborar as inúmeras situações em que vivencia. A partir do brincar, a criança se constrói como ser, formando sua consciência emocional e social, introjetando os hábitos e cultura do ambiente que está inserida, ou seja, brincando a criança vai dando sentido ao viver.

 

Brincar é urgente!

“Brincar é uma coisa do homem, é uma coisa do ser humano, é uma expressão. Ela vem de diferentes formas nas diferentes etapas da vida, mas ela está presente sempre” (Renata Meirelles*)

O ser brincante significa uma unidade que vivencia a conexão com seu eixo, sua essência. Aprofundar essa característica do brincar, independentemente da idade, é aprofundar o humano de cada um. A etnomusicóloga e educadora Lydia Hortélio afirma que “a revolução que falta, que é esta revolução da criança”, ela afirma que é isso que vai nos tirar do mal-estar, da falta de alegria e tristeza generalizada que a humanidade se encontra.

Acredito que a possibilidade de visitar a nossa infância constantemente, nos liga às nossas memórias de quando tínhamos a idade dos nossos filhos, fazendo delas a nossa fonte preciosa de inspiração e evolução. Isto porque, as nossas memórias sobrepõem ao ambiente, e através delas conseguiremos ativar ou acolher a nossa criança interior tão carente de atenção. Resgatar essa criança interna que vive dentro de cada um de nós deveria ser um propósito maior, em meio a uma organização de sociedade em que o lúdico é visto como um desvio à ordem, onde o ócio é frequentemente confundido com a preguiça.

O documentário Tarja Branca – A revolução que faltava, dirigido por Cacau Rhoden, nos convida a uma reflexão genuína sobre a importância do resgate à brincadeira. Logo no início temos um convite a olhar para a questão de que “a máquina da sociedade organizada do jeito que está, precisa que uma fatia considerável das pessoas, tenha que fazer coisas que não gosta durante 8 horas por dia, para que o mundo funcione…”. Como pano de fundo no contexto da cultura popular brasileira como manifestação da alegria, diversas brincadeiras são inseridas e costuradas através dos depoimentos de adultos de diferentes áreas de atuação, origens e gerações, o documentário constrói uma narrativa inspiradora e criativa na grandeza que existe por trás do ato de brincar e nos convida a resgatar esse universo lúdico e orgânico.

“Brincar é usar o fio inteiro de cada ser. Quando você está usando o seu fio de vida inteiro, você está brincando. E é profundamente sério isso” (Maria Amélia Pereira*)

O poeta, filósofo, médico e historiador alemão Friedrich Shiller, diz o seguinte: “O homem só é inteiro quando brinca, e é somente quando brinca que ele existe na completa acepção da palavra Homem”. Neste contexto, podemos nos perguntar em que lugar nos colocamos quando nos deixamos levar pelo ritmo atual que nos tira a espontaneidade, o tempo da pausa, que nos despe da criatividade e irreverência para lidar com situações rotineiras? Será que a criança que fomos se orgulharia do adulto em que nos transformamos? Não seria uma boa darmos a mão para essa criança que habita em nós e dançarmos a ciranda da vida?

 

Texto: Ana Laura Essado de Figueiredo – @casacandieira /@analaura.figueiredo

Mãe, Empreendedora, Formação em Pedagogia Waldorf, participante da turma 1 do Zum Zum de Mães e Colaboradora na Bee Family, comunidade de apoio que foi a grande inspiração para um um caminho de autoconhecimento e ressignificação do meu olhar para a maternidade.

Arte: Fê Moreira – @fenaessencia 

Mãe, Artista, Facilitadora Gráfica, participante da turma 7 do Zum Zum e Colaboradora na Bee Family com produção visual. Acredita que a arte é um caminho de liberdade criativa e transformação pessoal.

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[*] Frases extraídas do Documentário: Tarja Branca – A revolução que falta

 

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Como diz a canção do Leoni “me espera amor que estou chegando, depois do inverno é a vida em cores, me espera, amor, nossa temporada das flores¹.

A primavera chega pondo fim a instrospecção do inverno e nos convidando a expansão. Numa explosão de cores e aromas, a temporada das flores enfeita nosso entorno. Ruas coloridas são um convite a um passeio com as crianças, um café com as amigas, um piquenique na praça.

Mas encontra, muitas de nós, cansadas. Num isolamento social que já dura longos meses. Com as crianças sem ir a escola nosso tempo se encurta, nossos afazeres se acumulam e nosso autocuidado precisa ser exercido na marra. Uma realidade bem diferente da canção onde “pelas ruas, flores e amigos, me encontram vestindo meu melhor sorriso”.

Dessa vez a primavera chega em um momento muito especial para toda a humanidade. Será uma primavera em casa, onde as saídas são restritas ao essencial, e marcadas por precauções de segurança. Uma primavera num tempo de incertezas e de certo modo, de medo. Um tempo de espera por uma vacina que possa nos devolver um pouco da vida a que estávamos acostumadas, do ritmo e da rotina que são importantes para nós e as crianças.

Mas os ciclos da natureza são sábios e imprescindíveis. São repletos de ensinamentos e de oportunidades. Se num primeiro momento viver a primavera pode parecer contraditório com esse momento, no fundo o que acontece é exatamente o contrário. Precisamos da primavera.

Para a Antroposofia esse período é regido pelo Arcanjo Micael, que representa a coragem, o impulso individual, a busca pela verdade e a superação dos medos e das ilusões do mundo.

“Micael é o arcanjo que com sua força divina orienta a consciência por meio do pensamento. Evocar seu nome é tornar presente, por meio das palavras, a força, a firmeza e a coragem que pulsam dentro de nós. A luta deste arcanjo representa a luta dos seres humanos contra as sombras que os impedem de evoluir. Muitos são os dragões contemporâneos.” ²

Me diz se não é disso que precisamos nesse momento? Depois do mergulho interior que o inverno nos proporcinou, chegou o momento de brotarmos trazendo de dentro a força, a coragem e a ousadia da vida, da fertilidade. É o momento de seguir sem os excessos, e confiar na fluidez da vida.

Viver a primavera em tempos de pandemia, é trabalhar em nós e nas crianças a coragem, a beleza e a renovação. Ela nos convida a expandir e partilhar nossos aprendizados e nossas experiências. Uma ótima oportunidade para darmos vida e convidarmos para brincar, a nossa criança interior.

Sem esquecermos que contamos com a coragem de Micael que nos acompanha e fortalece em nossas lutas.

Texto: Kika Bárbara, que também é Luiza – @kikabarbara. Mãe da Mari e da Carol, casada com o Marcelo, participante da turma 7 do Zum Zum, momento em que descobriu um novo olhar para a maternidade e um novo caminho para si mesma.

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

1. Música Temporada das Flores

2.https://aitiara.org.br/pm/109-editorial-revista-micael-2018

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Estamos grávidas… e agora? Mil coisas passam pela nossa cabeça, nossos sentimentos já começam a nos alertar para o que estava por vir, mudanças no corpo, nos hormônios, no humor. Ali, naquele momento, o carrossel inicia seu giro, subindo e descendo. E nós iniciamos os preparativos, pré natal, lista de nomes, enxoval… Mas há um item essencial que pouco se fala da sua importância. A necessidade de estarmos com outras mulheres, outras mães.

Um dos problemas da romantização da maternidade e da idéia de um instinto maternal que habita todas nós e que nos transforma em seres dotados da capacidade natural do amor incondicional, nos prejudica em vários aspectos. Um deles, é que sendo essa super mãe não precisamos de ajuda, de apoio e de colo. Essa idéia equivocada nos empurra para uma caminhada solitária, repleta de dúvidas, medos, inseguranças. Percebemos que não somos capazes de suprir todas as expectativas que a sociedade exige, baseada na certeza de que nascemos para ser mães, e todo o conhecimento brotará em nosso ser como mágica juntamente com o bebê.

Mas o que o parto traz consigo é o puerpério que, somado a percepção do real cenário da maternidade, muitas vezes nos joga em um abismo. Às vezes mais fundo, outras mais raso. Nos sentimos cansadas, inseguras, culpadas. Percebemos que nada será como antes, mas não sabemos como será dali pra frente. Sabemos que não somos as mesmas, mas não temos idéia de quem passamos a ser, muitas vezes acreditamos que nos restringimos a ser apenas “a mãe de…”.

E no meio desse cenário, que também traz consigo um amor capaz de nos transformar, sentimos a necessidade de compartilhar, de ter conosco quem seja capaz de compreender todas essas transformações e se conectar a nós.

Nesse movimento vamos nos reunindo em grupos de mães e formando verdadeiras comunidades, onde compartilhamos, escutamos, falamos, resgatamos nossa intuição, nosso saber, que é bem diferente do “instinto materno” construído com base do que esperam de nós.

A palavra comunidade vem do Latim COMMUNITAS, “comunidade, companheirismo”, de COMMUNIS, “comum, geral, compartilhado por muitos, público”.¹ Comunidade pode ser definida como um grupo de pessoas com interesses comuns.

A comunidade nos ajuda a nos perceber e a perceber o outro, a crescer à partir da troca de experiências e do pertencer. A comunidade alivia o peso nas costas, e a culpa materna, nos ajuda a construir uma maternidade com mais leveza.

Pelo menos, essa é a minha comunidade. E você, quer vir também?

 

Texto: Kika Bárbara, que também é Luiza – @kikabarbara . Mãe da Mari e da Carol, casada com o Marcelo, participante da turma 7 do Zum Zum, momento em que descobriu um novo olhar para a maternidade e um novo caminho para si mesma.

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

1. https://origemdapalavra.com.br/pergunta/etimo-da-palavra-comunidade/

 

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E foi assim que na primavera voltei a florescer em companhia de outras belas flores, cada qual com seus espinhos e dissabores se reuniram em comunidade para juntas e de diversas formas reconhecerem a potência que traziam desde a semente.

Foi neste momento de comunhão que minha feminilidade e meu maternar ganharam um novo tom, o tom da alegria, da leveza da liberdade. Percebia a cada novo encontro com esta comunidade de mulheres mães uma expressão autêntica de minha existência e nada mais poderia embotá-la novamente, a não ser que assim eu quisesse.

Sentidos apurados, ritmo desacelerado e amor que pulsa a vida!

A vida! O que ela quer de nós? CORAGEM!

Agir com o coração, alinhando propósitos, assim eu renasço em meio a comunidade Bee Family, reconhecendo o que trago em mim para agregar ao outro, o que preciso cuidar em mim para cuidar no outro, um fluxo vital de forças que expandem para o mundo de forma integrativa.

Eu sou a Elimar, mulher, filha, irmã, esposa, mãe do Miguel e da Marina, e tantas outras que me atravessam nesta jornada. Me entreguei a imersão do zum zum de mães 10 e a cada dia agradeço por me atrever neste exercício da autoeducação plena.

Um novo tempo de desafios, mas um tempo de grandes alianças do bem, vida longa Comunidade Bee Family!

 

Texto: Elimar Rocha Ribeiro – @elimar_rocha_ribeiro_psi .Psicóloga Clínica e Educacional / Produtora de Conteúdo Bee Family

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

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Abri o armário e o aroma refrescante do Anis invadiu a cozinha. Neste instante me transportei para um passado bem distante: a minha infância. Numa fração de segundos viajei para uma época em que eu nem lembrava que havia passado, mas que aquele cheirinho me lembrou…

Quando pequena eu amava as estrelas, o céu, os planetas. Aprendi com meu pai a olhar para as constelações, dar nome a elas. Ele me ensinou sobre os astros e sobre tudo o que se referia ao céu. Ele gostava tanto que as vezes parecia estar mais lá do que aqui. E por sua influência também aprendi a gostar e a fazer do céu a minha fuga, o meu refúgio. Algumas noites dormia com ele em redes ao ar livre e ficávamos observando o céu e conversando, e eu, sonhava em ser astronauta, a voar livremente pelo universo. Lá eu não sofria, não havia problemas, lá eu era livre de mim e de tudo o que eu não entendia. Naquela época minha irmã do meio nasceu e a minha atenção de filha única se foi. Meus pais, identificados com suas dores, não conseguiam ver a minha tristeza. Eu fiquei então sozinha, calada, invisível. Sentia-me desamparada nos meus sofreres, pois era tão pequena e tão frágil e eram tantas coisas que eu não conseguia entender e que nenhum adulto conseguia me dizer. Também ganhei um cachorro, uma linda pastora alemã chamada Maribel, que chegou numa mochila, bem pequena, virou minha amiga e confidente, ela me entendia, recebia dela amor incondicional. Logo, ela virou um problema e a mandaram para um sítio qualquer. Não entendi o porquê, nem me disseram ou explicaram, só me mandaram aceitar. Novamente me calei, não chorei, não gritei, só emburrei e segui assim, brava, de cara amarrada, embotando uma dor que eu nem sabia como chamar. Com o tempo fui percebendo como fazer e parei de me expressar, aprendi logo a me adequar para recuperar meu lugar no sistema, para tentar ser amada e para receber algumas “migalhas” de atenção e amor

De repente ouvi um som e despertei de meu pensamento, senti o cheirinho do Anis Estrelado de novo e uma nostalgia me invadiu. Chorei, e agora me abracei, me entendi, me dei colo. Agora cresci e aquela pequena criança que queria morar no céu, entre as estrelas, pôde por mim ser amparada. Aos poucos estou aprendendo a cuidar dela, a dar a ela o que não tive, a envolvê-la com todo o amor que eu puder. E toda vez que encontro aquela pequenina, pego em sua mão e a levo ao coração. Enxugo suas lágrimas, sorrio para ela e a faço rir. Hoje, a levo comigo e a consolo, e assim curamos uma a uma nossas feridas, e a cada dor descoberta nos unimos um pouco mais e a cada novo encontro vamos nos tornando uma, integrando nosso ser.

Relato de vivência a partir da participação na primeira turma do Caminho de Conexão com sua Criança Interior.

Texto: Ana Blasi. Mãe da Flávia, Participante da Turma 9 do Zum Zum de Mães e apaixonada por educação e conexão. @blasi_ana / anamartens@hotmail.com .

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

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A mão que bate rebate toda forma de conexão com o amor.

Quando se aproxima da criança sua raiva exala e agride aquele ser indefeso, vulnerável, sensível.

Ela separa, entristece, anoitece, oprime.

A mão que bate não corrige, não educa, não muda comportamentos.

Essa mão que não enxerga, fica cega e marca.

E as marcas da mão que bate ficam no corpo e na alma.

Tiram a energia em cada palmada, calam a voz, sequestram a vontade de seguir, desmoronam e implodem o porvir.

A mão que bate apaga o sorriso no rosto, o calor do corpo, desmonta a vida!

A mão que bate, desata laços, causa embaraços, persegue, desalinha, descarrila, empobrece!

Toda a mão que bate também bate e assim ela abate toda a chance de mudar.

De toda sorte, oh mão que bate!

… transforme-se na mão que acolhe e abrace a chance de recomeçar!

Seja a mão que acolhe, que sorri, que ri.

Que acaricia a cria, que sente um pé, uma mão, um coração!

Uma mão que acolhe, faz correr de emoção, faz chorar de tanto rir, faz unir o coração.

A mão que acolhe enxuga as lágrimas não as derrama, apenas proclama todo o amor que vem trazer.

A mão que acolhe alegra, sorri, aquece, move, impulsiona, une e reúne!

A mão que acolhe cura doença de filho, tem poder de acalmar, baixa febre, cura machucado, tira a dor, pela medicina do amor.

Toda mão que acolhe o ser, é acolhida também e vai acolhendo pelo caminho todo outro que aparecer.

Assim, para o ser proteger, sejamos todos mãos que acolhem, que envolvem, que abraçam, que enlaçam…. sejamos todos defensores do futuro que nos espera, amparando toda criança que caminhe por essa Terra!

Texto: Ana Blasi, Mãe da Flávia, Participante da Turma 9 do Zum Zum de Mães e apaixonada por educação e conexão. IG @blasi_ana E-mail: anamartens@hotmail.com

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

 

 

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O pano vermelho encobria a entrada da Tenda. Aquela porta cujo acesso era permitido somente às mulheres. Lá dentro tudo era decorado com muito carinho, panos, estátuas, incensos e velas transformavam o ambiente, tornando a experiência de estar naquele local única. Os detalhes indicavam carinho e aconchego. Lá estávamos todas reunidas, das mais jovens às anciãs. Os ensinamentos eram passados verbalmente e as trocas eram um momento especial de crescimento e proteção. Em rodas as minhas dores eram as dores de todas, as minhas alegrias eram festa em união, o individual e o coletivo se confundiam e ninguém estava sozinha. A “Tenda Vermelha” era o lugar onde as mais novas aprendiam sobre os mistérios femininos e as mais sábias ensinavam por meio de suas falas e experiências. Lá, tínhamos nossos bebês, todas juntas, numa só força, rezando, cantando, apoiando.  Ao chegar a hora da amamentação, a “Lua de Leite” era respeitada e a proteção feminina permitia que a mãe e o bebê se conectassem intensamente, sem interrupção, sem distrações, somente os dois num só corpo. Em roda conversávamos sobre as nossas sombras e as nossas luzes, não havia solidão, toda tristeza tinha uma companhia, e sempre havia um olhar carinhoso e um escutar amoroso. Uma vez por mês, quando nosso sangue chegava, nos recolhíamos na Tenda para apaziguar nosso corpo e aprender com nosso momento, respeitando nossa energia e entrando na caverna do nosso eu, era um ambiente seguro. Hoje não temos mais as “Tendas Vermelhas”, novos tempos surgiram e as reuniões de mulheres foram acabando. Não podemos mais nos recolher uma vez por mês para respeitar o nosso corpo que pede parada. A maioria de nós tem seus bebês em locais frios e na presença de poucas mulheres. Não usufruímos de paz para amamentar e conhecer a nossa cria. Há muitas interferências, poluição, pouca proteção. Estamos sozinhas em nossos lares, nas madrugadas, sem as mulheres de nossas vidas e sem a sabedoria feminina que é essencial. As dores, as sombras e as tristezas aparecem e a roda de mulheres não está mais lá, não há mais o pano vermelho indicando que aquele é um local protegido, não sabemos para onde ir. Entretanto, existe uma Tenda sendo aberta, renascendo, ressurgindo… é a Tenda Materna. Um espaço virtual de amor, carinho, acolhimento, aconchego, escuta! Aqui as tuas dores são nossas e poderemos nestes dias recriar a atmosfera sagrada das rodas de mulheres. Reviva conosco essa energia que nos empodera, essa vitalidade da união, da conexão, do auxílio. A Tenda Materna é um movimento e um espaço terapêutico em que nós mulheres/mães nos encontraremos, como no passado, e poderemos nos apoiar em nossas angústias, nossos medos e nossas aflições para juntas, seguirmos fortalecidas.

Se você sentiu o chamado te convidamos a participar do primeiro Workshop Online e Gratuito da Tenda Materna que acontecerá de 19 a 26 de agosto 2020. Para inscrições segue o link: https://escoladepais.beefamily.com.br/cadastro-workshop-tenda-materna

Este texto foi escrito por: 

Ana Blasi, Mãe da Flávia, Participante da Turma 9 do Zum Zum de Mães e apaixonada por educação e conexão.

IG @blasi_ana

E-mail: anamartens@hotmail.com  

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O caminho do amor é um percurso pelo qual toda mãe gostaria de conduzir a sua maternidade. É um caminho de leveza, de tranquilidade e de paz. Um espaço em que estamos profundamente conectadas com o nosso ser mais íntimo e com aquele serzinho tão pequeno que está ao nosso lado. Neste momento somos respeitosas, amorosas, calmas, serenas e acompanhamos calmamente o tempo das crianças. Falamos com a voz doce e suave que temos e até o nosso caminhar é mais ameno sentindo que o tempo está em câmera lenta. As passadas são mais inspiradoras e seguem a nossa respiração, valorizamos o ritmo da natureza e não a frenética imposição do mundo exterior. Nosso olhar ganha outra dimensão e atinge uma imensidão que só podemos sentir quando caminhamos na amorosidade. Podemos enxergar o que se passa no campo energético de nossos filhos, vemos além do físico, do palpável, do real. Há…como é maravilhoso estar no caminho do amor, nele a nossa intuição é ordem inabalável, sentimos e agimos de acordo com o que percebemos porque neste trajeto estamos atentas e alertas com todos os nossos sentidos. Intuímos e tomamos as decisões, agimos com o nosso mais íntimo saber, aquele que vem de nossas antepassadas e da Mãe Terra! Utilizamos nossa sabedoria feminina, nosso poder de acolher, de cuidar, de dar colo, de dar alimento e até de CURAR! Quando somos questionadas seguimos firmes em nosso propósito porque sabemos do que estamos falando e temos a certeza de como estamos conduzindo as nossas ações. Devolvemos as críticas com muito respeito e carinho porque agir com amorosidade não é só com o nosso filho, mas também o é com o resto do mundo. Percebemos a boa intenção e as histórias de cada um por traz dos comentários, acatamos aquilo que nos cabe, agradecemos e seguimos o nosso iluminado caminho, iluminando. No caminho do amor refletimos uma luz que emerge de nós, uma luz quase ou totalmente divina, nele, somos magnéticas. Nossa comunicação, no caminho o amor, brota da nossa emoção. Não é uma fala que transcrevemos da mente para a voz, e sim uma energia sublime que emana de coração para coração. Uma troca potente e real, autêntica e poderosa que é capaz de tudo, que ultrapassa qualquer explicação racional e que cria laços eternos. Neste caminho, a nossa energia vital é preciosa e cuidamos deste nosso tesouro com muita atenção, pois sabermos o quanto esta força é essencial para nos dedicarmos à maternidade que queremos.

QUANDO DESVIAMOS DO CAMINHO DO AMOR 

Entretanto, nem sempre estamos trilhando nossa maternidade neste caminho. Muitas vezes desviamos, perdemos a rota, seguimos em outra direção. Tenho uma amiga muito querida com quem mantenho muitas conversas, pois nossas filhas têm idades próximas. Certo dia ela me mandou uma mensagem, pois estava com muitos desafios de comportamento com sua pequena. Não conseguia manter uma boa relação com ela, as coisas estavam atrapalhadas, a rotina da manhã se atropelava, chegar à escola era muito difícil e ao chegar ao final do dia ela sentia que não estava desempenhando o papel de mãe amorosa que desejava ser, estava exausta, triste e frustrada. Disse-me, muito emocionada, que estava impaciente, brigando muito e que não vislumbrava saída para este ciclo, ela disse que precisava RETOMAR O CAMINHO DO AMOR! Chorei. Esta frase colou no meu coração, conversamos muito e ela seguiu sua jornada tentando encontrar as pistas para retomar o seu percurso. No mesmo momento eu passava por dificuldades parecidas, estava com muita raiva, explodia em quem amava e os dias estavam cansativos, eu gritava demais e era grosseira e rude na maioria das vezes. Não conseguia estabelecer a conexão necessária para que nosso ritmo diário fosse mais assertivo. Chorei novamente e percebi que tinha desviado totalmente do caminho do amor, segui lembrando esta reflexão para me reencontrar também.

O REENCONTRO 

 A partir desta lição, eu busco todos os dias reencontrar o meu caminho do amor, sou mais feliz nele, faço minha filha e aqueles que eu amo mais felizes. Todos os dias eu procuro bússolas que me indiquem o norte, pequenas grandes coisas que me fazem retomar a direção. Um “bom dia mamãe” ao acordar, um adormecer de conchinha, aquele beijinho na bochecha, um abraço no pescoço com bracinhos pequenos, um “eu te amo” genuíno, incondicional, um “muito obrigada” ou um doce olhar. Não é tarefa fácil, mas é gratificante, muitas vezes estamos desconectadas, irritadas, tristes ou desanimadas em como as coisas estão seguindo e basta um olhar mais atento para encontrarmos o nosso caminho, o nosso equilíbrio. E quando não estamos neste caminho também é preciso nos acolher, nos entender, reconhecer nosso momento e não nos julgar ou culpar. Não se trata de nos martirizarmos por estarmos longe do que desejamos, ainda assim está tudo bem. Está tudo bem porque este caminhar é uma escolha diária, em que decidimos a cada amanhecer como será o nosso dia, somente nós temos este poder. Assim, acredito que em tempos tão contestadores como este, é necessário que nos convidemos a refletir sobre o que nos conduz ao caminho do amor, e que estrelas seguiremos para encontrá-lo. Certamente será mais fácil do que você imagina e juntas poderemos criar nossos filhos permeadas por mais paz e envolvidas pela energia do amor!

Este Texto foi ESCRITO por:  

Ana Blasi, Mãe da Flávia, Participante da Turma 9 do Zum Zum de Mães e apaixonada por educação e conexão.

IG @blasi_ana

E-mail: anamartens@hotmail.com 

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Inicialmente, deixo claro que este texto não é um manual cheio de receitas para a quarentena! Na verdade, é um convite para um desabafo e uma reflexão inspiradora! Afinal, parece que este vírus nos pegou em nosso ponto fraco: nossa dificuldade em equilibrar os pratos da vida moderna. Ou seja, ser mãe sem perder a habilidade de ser sexy, cuidar da casa, sem se tornar escrava do lar, tipo gata borralheira; ser profissional, sem nos tornarmos a típica executiva sem vida pessoal.

Desta forma, esta necessidade de reclusão na quarentena está esfregando na nossa cara todas as nossas dificuldades de conciliar papéis. Além dos papéis, também todos os nossos medos de nos relacionarmos e todas as nossas vulnerabilidades, escondidas a duras penas embaixo do tapete!

Mas calma, este texto também não é um convite para a reclamação, a lamentação queixosa que de nada serve e apenas nos desgasta! Então, vamos por partes!

Vulnerabilidade é força!

Apesar de toda nossa capa de fortes, duronas e guerreiras, como bem gostam de exaltar as propagandas de dia das mulheres e dia das mães, somos humanas! Isto significa que temos nossos defeitos, nossos medos e falhas e precisamos aprender a olhar para estes aspectos como tesouros a serem lapidados!

Então, relaxe e saiba que aprender a se vulnerabilizar é um recurso de maturidade emocional. E, quando fazemos isso com amor e humildade, geralmente, conseguimos poderosos aliados como consequência! Assim, esqueça as recomendações de que você precisa ser durona! Saiba que se você se permitir sentir, tudo vai ficar mais leve e você conseguirá lidar com suas emoções com maior sabedoria!

Para isso, recomendo muito o lindo trabalho feito no Zum Zum de mães com a Clarissa e algumas leituras e vídeos como os da Brené Brown. Assim, nutrindo-se de acalento para o coração, fortalecendo-se na vulnerabilização, começamos a criar uma estrutura de sustentação para os outros “pratos da vida moderna”.

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las. E deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou”. Brené Brown

A despedida da guerreira

Muitas vezes, nós utilizamos a capa de mulheres guerreiras para forjar uma coragem para enfrentar os desafios de ser mulher, de ser esposa, mãe e profissional. E, quero deixar claro que reverencio esta guerreira dentro de mim, que me impulsionou a enfrentar meus medos, preconceitos e me fez evoluir em muitos aspectos.

Todavia, percebi ao longo da minha jornada que, em alguns momentos, minha guerreira engessava minha capacidade de sentir e demonstrar amor. Por vezes, a necessidade de ser “durona” me fazia ficar, inclusive, contra mim mesma. E, isso me obrigava a situações que eu não queria em nome de um “orgulho de guerreira”. Entretanto, apenas quando me permiti olhar para o meu medo e perceber que ele me contava coisas importantes sobre mim mesma é que pude utilizá-lo a meu favor!

Vale aqui citar o texto MARAVILHOSO: A despedida da guerreira, disponível em: https://www.facebook.com/clasacerdotisasdaterra/photos/a.317218491699625/1635129166575211/?type=1&theater

“Cansei de ser guerreira.

Guerreiros travam batalhas.

Estão sempre com arma em punho.

Houve um tempo em que tive que colocar minha armadura para lutar por mim, para delimitar espaços, para me manter em pé diante das tempestades emocionais que vivia.

Caminhei por muito tempo fazendo o trabalho árduo, passando por vários confrontos, buscando encontrar a minha glória, o meu caminho.

Os campos de batalhas eram cheios de desafios e, por muitas vezes, tive que recuar para estudar melhor o grande inimigo que morava em mim.

Juntei esforços e energia (porque todo esse movimento de cura cansa e exige demais de nós) para me manter sã, diante da loucura que era romper com os padrões sociais e familiares.

Tive que me blindar de todos aqueles que se ofenderam por me ver bem seguindo o minha estrada e por todos os outros que faziam a mesma coisa por não compreendê-la!

Mas o tempo foi passando!

A armadura foi pesando e a lança perdeu a função, porque durante toda caminhada eu fui compreendendo que guerras são necessárias, mas que também é chegada a hora de levantar a bandeira da paz!

Não quero provar mais nada a ninguém!

Não quero ser nada para ninguém!

Do meu espaço cuido eu!

Minha vida, minha regras!

Meu destino, minha responsabilidade!

Minha verdade, meu guia!

Minha expressão, meu palco!

Na verdade as batalhas são travadas para que possamos tirar de dentro de nós todos aqueles e tudo aquilo que colocamos como prioridade e que só nos trazia medo, opressão, desespero, angústia, invasão, subjugação, distorção e por aí vai.

Agora que começo a me encontrar comigo mesma, a ter minha própria opinião e a dançar conforme a minha música, não será preciso de armaduras e lanças, mas de uma confianças no invisível de que tudo será como deve ser.

É chegada a hora da paz tão buscada e desejada!

Agradeço e honro a guerreira que fui hoje e por todo sempre, porque sei que na hora em que precisar dela novamente ela estará a postos.

Ahowww!!!”

Texto por Heloisa Tainah

Ser mãe e profissional: eis o grande desafio do momento!

Assim, te convido a refletir que este é o desafio de milhares de mulheres no mundo: como posso me concentrar no trabalho e dar atenção ao meu filho dentro de casa? Afinal, as crianças precisam gastar energia, o chefe quer ver resultado e nós nos sentimos no meio deste cabo de guerra com muita culpa, raiva, frustração e impotência! Infelizmente, eu não tenho a solução para este desafio senão ganharia uma fortuna! Mas quero deixar claro que compreendo bem este sentimento e a partir deste momento desejo que você se sinta acolhida em sua dor e dificuldade: estamos juntas! Inclusive, te convido a ler Suficiência: desafios da Quarentena, crise ou oportunidade? no meu site Conexão Profunda

Desta maneira, acredito que a grande palavra que nos coloca em contato com a solução é READAPTAÇÃO! Esta implica parar de reclamar e se indignar com tudo o que não é como nossa mente gostaria! E, desta forma, acessar um estado de aceitação. Mas, atenção, aceitação não significa passividade! Com isso, a aceitação que estou propondo aqui é o que a Clarissa sempre enfatiza a respeito de nossa falta de controle sobre o que está fora! Eis o caso no momento! Isto porque, a situação está dada no momento com esta pandemia e nos resta, com o perdão do clichê, fazer limonada dos limões!

Isto significa que precisaremos aprender a nos dividir efetivamente entre filhos e trabalho e que, fatalmente, alguém ficará frustrado em algum momento! Isto porque TODOS estamos aprendendo a nos readaptar a este cenário: nós, nossos filhos, nossos chefes… Assim, absolutamente tudo está em processo de desconstrução no momento, nada está normal, portanto, é esperado que haja descompasso, cenário caótico até que a poeira abaixe.

Trabalho em equipe: família unida, trabalhando junta!

Cabe ressaltar algo muito importante no momento: quando há sobrecarga de tarefas, há impaciência, frustração e o resultado é discussão e caos. Para evitar este cenário, eu acredito fortemente na importância do diálogo, da vulnerabilização e da cooperação em família! Isto significa que, especialmente em tempos de quarentena, é fundamental que cada um tenha o seu papel definido para que as coisas fluam da melhor forma possível! Ao menos, é isso o que tenho observado na minha experiência cotidiana!

Em síntese, temos vários pratos para equilibrar, mas se houver excesso de pratos nem o atleta do Cirque Du Soleil será capaz de sustentar! Então, seja clara com seus sentimentos, honesta consigo e com os demais membros da família. Desta forma, defina as contribuições, horários e as maneiras de melhor estabelecer o funcionamento da casa e das rotinas na sua família!

Em nossa experiência aqui em casa, sempre lembramos dos jogos de vôlei em que o levantador às vezes corta, defende… Enfim, não há papéis fixos, mas é importante que TODOS queiram manter a bola em jogo! Neste sentido, a palavra de ordem é COLABORAÇÃO! E, nesta lógica, palavras como paciência, diálogo, compreensão, empatia são instrumentos fundamentais de trabalho constante!

Cabe ressaltar algo muito importante e capaz de fazer a diferença no cotidiano de quarentena: é importante SABER PEDIR AJUDA, mas é ainda mais fundamental ACEITAR a forma como a ajuda chega e RECONHECER a importância dela! Eis o verdadeiro desafio da liderança nos tempos atuais: integrar a família, liderar com base no exemplo e construir modelos de referência realmente significativos e sustentáveis!

“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única” Albert Schweitzer

Assim, estamos em tempos de profunda desconstrução para que uma nova ordem mais harmônica possa imperar! E isso começa com a gente, com nossa casa e família no dia-a-dia intenso de nossas experiências relacionais! Portanto, acredite, você é capaz, mas precisa acreditar e fortalecer esta crença constantemente para si mesma! Empodere-se com sua vulnerabilidade e lidere pelo exemplo, isto fará toda a diferença não só na sua vida e de sua família, mas também numa nova perspectiva mundial que está sendo construída neste período de recolhimento!

Luz, Paz e Bem a todos! Gratidão pela leitura! Namastê! _/\_

 

SOBRE A AUTORA

Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE!

Tem um site chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda e siga no instagram gm_conexaoprofunda

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Para ter aceitação própria é preciso deixar de comparação, deixar de medir força, altura e qualidade da emoção, reconhecer tranquila tudo que é limitação.

Não sou fada nem bruxa, nem santa nem puta, nem dia nem noite, nem fogo nem água, nem terra nem ar, nem louca nem sã. Sou na verdade tudo isso e nada disso, porque na verdade nada sou, eu apenas estou.

Já tentei desesperadamente me encaixar, no espaço da cama, no colo de alguém, no banco de traz, na vida de quem eu não cabia, no espaço apertado entre o fogão e a pia, na barra da saia, no sofá cama, na mesa de jantar, na baia da vizinha, na cadeira da escolinha.

Já disse que estava bom quando estava péssimo, já disse sim quando queria dizer não, já sorri quando queria chorar, comi mingau quando queria mamar, já fui embora quando na verdade tudo que eu mais queria era ficar.

Já fiz coisa errada só para ser aceita, só para me acharem legal, já engoli sapos, vinhos baratos, mentiras e verdades, de tanto não querer machucar nem ferir, me corrompi numa versão pequena do que estava por vir.

De tanto fugir, de tanto falar o que as pessoas queriam ouvir, eu quebrei por dentro e depois por fora, os pedaços foram por todos os lados, quis colar tudo correndo, o que vão pensar? Que eu não sei lutar? Na pressa atropelei tudo de novo, mas agora entendi que as peças demoram a se encaixar. O corpo é o último que resiste, ainda não entendeu que estamos recomeçando, restartando, estou aos poucos renascendo de mim mesma, arrebentando as duras cascas do ovo, sendo parida de novo.

E eu sou dessas que barganha com Deus: Mas eu fui tão boazinha senhor! Por que precisa ser com dor? E tudo que eu fiz e doei em nome do amor? Daí ele mandou um anjo ao meu quarto e me falou: Mas e o amor avassalador por você mesma, já aflorou?  E o rio que nunca fluiu porque você não permitiu? E o furacão que nunca arrancou as crenças que você cravou? E o fogo que você apagou quando ele a iluminou? E a Terra suave que os teus pés tocaram e você subitamente os calçou?

Me disse para eu ir sem roupa, sem guarda-chuva, sem boia, sem bote, sem bota, sem nada. Estou com medo, mas vou, porque aos poucos o medo deixa de me guiar, estou com medo, mas não o sou, não estou mais sozinha, tenho a mim mesma, por isso digo: Sim, eu vou.

SOBRE A AUTORA:

Mãe da Ive de 4 anos, Geóloga, Participante da turma 5 do Zum Zum de mães, Educadora Parental pela Positive Discipline Association.

@viviancpessoa

vivian.pessoa@globo.com

 

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