Inicialmente, preciso dizer que como amante da dança, em suas várias vertentes, nunca imaginei que ritmo seria um desafio! Todavia, compreendo que, por vezes, fui enrijecendo ao invés de me flexibilizar diante dos desafios da vida! E, de fato, para viver plenamente há que se dançar conforme a música, atendendo às batidas do nosso coração!

“O bambu que se curva é mais forte que o carvalho que resiste”. Provérbio Japonês

Assim, em um de meus artigos favoritos do Conexão Profunda Faça seu ritmo e dance sua própria música! destaco a importância da autenticidade e do amor-próprio! Naquele momento, eu testemunhava muitas pessoas seguindo outras, como um rebanho sem a menor originalidade e respeito por si. Por isso, eu refletia sobre a importância de escutar a música interna, que pulsa em nosso coração e que é fundamental para uma existência plena!

A partir desta consciência do alinhamento interno, preciso confessar que a maternidade trouxe mais ziriguidum para meu repertório musical, rs! Afinal, não se tratava mais só de mim, mas da responsabilidade e o compromisso que tenho com este Ser que eu trouxe para este mundo!

O Ziriguidum da Maternidade

No momento em que eu estava melhorando o meu solo, surgiu a possibilidade de fazer uma dança em dupla. O mais interessante é que a minha parceira muda a música repentina e frequentemente, tal como um DJ indeciso e inseguro! Vale ressaltar que, provavelmente, é assim que minha filha se sente com 2 anos e 8 meses! Às vezes, percebo que ela quer me impressionar me imitando e, em outros momentos, quer impor suas próprias escolhas e contestações!

Apesar de falarmos tanto sobre rotina, os filhos não nos permitem conhecer o tédio, rs! A verdade é que nunca sei o ritmo que me espera no salão, às vezes começa com um sorriso doce que me indica uma música lenta e agradável. Mas, de repente, tudo muda e vira um rock metaleiro que não estava nos meus sonhos! Isso tudo acontece em fração de segundos e eu, por muitas vezes, fico sem entender de onde surgiu tanta coisa!

Certamente, haja flexibilidade e malemolência para lidar com os desafios emocionais que nossos filhos nos propõem! Seguindo a linha proposta pela Clarissa e por autores como Laura Gutman, tenho buscado observar o que minha filha tem me revelado! Imediatamente percebo MUITO trabalho de cura emocional pela frente! Cada vez mais vejo o meu caminho de resgate de minha criança interna ferida e cura emocional não apenas minha, mas de muitos ancestrais! Leia também Maternidade: uma oportunidade de curar sua criança interior!

Contexto Ancestral

O contexto histórico de nossos ancestrais é permeado de muita violência: guerras, perseguições, imigrações, fome e falências… Trata-se de um cenário de ameaças iminentes que fez parte da infância de nossos avós e nossos pais. Ou seja, esta sensação de medo, que é o grande pano de fundo de nossa sociedade, têm raízes profundas!

Ao olharmos para nossos ancestrais vale a pena ressaltar o papel da mulher como difusora de cultura! Isso, especialmente, numa sociedade patriarcal em que os papéis de poder e dominação eram prioritariamente exercidos pelos homens! À mulher cabia a educação dos filhos ou, quando muito, carreiras como a docência que também tratavam deste ambiente de formação educacional.

Assim, ao pesquisar um pouco sobre a história desta mulher – nossa tataravó, bisavó, avó e mãe – é possível notar que as palavras chaves são: REPRESSÃO e MEDO! Estas mulheres viveram conteúdos familiares e sociais de muita violência tanto explícita quanto implícita! Para quem se interessar, recomendo o Programa Café Filosófico Sexualidade: história de repressão e mudanças – Mary del Priore:

“Quando olhamos para trás e conhecemos os costumes dos nossos antepassados, a forma como eles lidavam com o próprio corpo e a sexualidade, compreendemos muito de nossos preconceitos e dos hábitos que reproduzimos… ou eliminamos”. (Introdução)

Neste contexto, é possível notar a enorme injustiça de julgar a educação que nossos pais nos deram com a consciência que temos AGORA! Afinal, opinar depois que o jogo acabou é fácil, a grande questão é ter humildade para entender que as pessoas fazem o melhor que podem com a consciência que têm no momento!

Novos Paradigmas

Iniciamos uma jornada rumo à construção de um novo paradigma social quando começamos a ler e flertar com conteúdos como: comunicação não violenta, criação com apego, maternagem consciente, disciplina positiva etc. Neste sentido, estamos à anos luz de distância da sociedade em que viviam nossos ancestrais!

Nas ocasiões em que vejo minha filha brincando com os avós, eu percebo como as coisas mudaram! Cotidianamente, busco construir novos panoramas de abundância, de gentileza, de integração e inclusão com minha filha! Antes, a educação se dava muito pelo medo, pela ameaça e pela chantagem emocional! Por isso, vejo que o trabalho que meu marido e eu realizamos é diferente e somos parceiros muito afinados para perceber quando alguém sai do ritmo! Afinal, ainda carregamos muitas crenças profundamente entranhadas deste sistema social e familiar.

Um exemplo recente foi o meu dizendo à minha filha que ela estava pesada! Aparentemente nenhum problema, mas meu tom estava acusativo, porque eu estava exausta! Logo, meu marido chamou minha atenção para observar o meu discurso. De algum modo eu fui transportada para o passado quando lembrei que me sentia responsável pela forma como minha mãe se sentia e isso me enchia de culpa!

Neste momento, percebi que apesar da distância entre os paradigmas, minha criança ferida continua lá, perdida naquele contexto, com aquelas feridas e precisando de minha maternagem atual! Vejo muito disso em minha filha: cada episódio de confusão emocional, por vezes, me remete à dores que eu ainda não curei!

“Eu vos digo: 

Alguém precisa ter caos em si mesmo

Para dar luz a uma estrela dançante”. Nietzsche

Descascando as Camadas da Cebola

Certa vez, fizeram esta metáfora ao falar sobre o processo de autoconhecimento: é como descascar uma cebola! Ou seja, sempre há camadas mais profundas, e assim, observo em meu próprio processo! Às vezes, parece que minha filha vai me conduzindo numa jornada de cura interna através de seu próprio processo de desenvolvimento! Geralmente, isso se inicia como um desconforto, algo que começa a me incomodar demais e que o comportamento dela manifesta!

De início, penso que é algo com ela, observo, indago, pesquiso e, de repente, começo a investigar o que EU estou sentindo com aquilo tudo! Por exemplo, é nítido e notório que questionar e tentar burlar as regras faz parte do cenário dos 2 anos. E ok, tudo conforme o esperado! Só que não, eu me irrito, me magoa, me deixa insegura, com raiva e muito cansada, por vezes, me sinto desrespeitada, invalidada e uma péssima mãe. Opa, agora isso tudo é MEU, MUITO MEU! Todas as expectativas, frustrações, medos e inseguranças que o processo dela desperta em mim NÃO SÃO RESPONSABILIDADE DA MINHA FILHA! MAS fazem parte do MEU PROCESSO DE AUTOCONHECIMENTO E CURA!

A ênfase da frase acima se faz necessária para que possamos perceber que NÓS somos RESPONSÁVEIS por nosso próprio processo! Uma tendência perigosa é querer voltar lá para a criança ferida e começar a se comportar como nossos filhos com 2 anos! Cuidado! Vejo que minha filha me mostra o caminho de minha jornada de cura, mas a responsabilidade de trilhá-lo é minha. Além disso, a responsabilidade de guiá-la, oferecendo segurança para que ELA trilhe seu próprio caminho, é minha enquanto adulta e responsável que sou! Mas só poderei oferecer isso à minha filha, se eu for um exemplo coerente em minha própria jornada! Para mergulhar neste processo  recomendo o Programa Pais Conscientes, Crianças Felizes, em que a Clarissa nos conduz numa jornada profunda de auto-consciência!

A Coerência Interna

Vivemos na sociedade do espetáculo, como diria o pensador Guy Debord! Este conceito nunca foi tão verdadeiro e palpável como atualmente! Isso nos estimula excessivamente a ficar distraídos do que realmente importa, do que é prioritário em nossa vida! Quantas vezes estamos nas redes sociais buscando amigos, curtidas e corações enquanto deixamos de conversar com as pessoas que ESCOLHEMOS compartilhar nossa vida?! Quantas vezes estamos preocupados com o mundo externo e deixamos de vivenciar o interno?!

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”. Nietzsche

Particularmente, eu procuro ser muito atenta a estes aspectos! Em geral, utilizo as redes sociais mais para trabalho ou mensagens em que eu realmente acredito. No dia-a-dia, tento usar o celular me policiando para não exagerar, mas ainda assim minha filha vive pegando objetos e fingindo que é um celular! Isso me faz lembrar do filme Click que traz uma crítica bem humorada, mas provocativa a respeito de nossas escolhas na vida! Quantas vezes priorizamos o externo e esquecemos de nutrir o mais importante e significativo em nossa vida?!

Para dançar e fluir com a vida eu preciso estar conectada profundamente aos meus princípios e valores! Leia também Redesenho do Cotidiano: da Crise ao Zum Zum de Mães. Contudo, isso não significa estar enrijecida em verdades absolutas, mas apenas estruturada no que realmente importa em minha vida! Por isso, percebo que o ritmo para mim é um caminho de auto-respeito e conexão que ultrapassam regras pré-estabelecidas! Para encontrar o ritmo é preciso voltar a escutar o próprio coração, o vento, nossa respiração e, desta forma, acessar nosso ritmo interno. Ou seja, o ritmo da natureza manifesto em nosso próprio ser!

Gratidão pela leitura! Namastê!

SOBRE A AUTORA

Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda

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No banheiro de um restaurante, eu e meu filho de dois anos lavávamos as mãos na pia quando entrou uma loira alta, esbanjando beleza, com sua filha de aproximadamente cinco anos.

-Olá.

-Olá.

A menina branquinha de tranças nos cabelos tinha as bochechas rosadas combinantes com o macacão cor-de rosa e cinturado da mãe.

Eu já de saída, ameacei um “Tchau”.

-Por favor, você poderia abrir o zíper das minhas costas?

-Pois não, claro. Pronto?

-Não, desça tudo, até embaixo.

-Ah, tá.

Rubra se torna a minha face de levar as mãos até o bumbum da loira e o alívio foi imediato, meu e dela.

-Obrigada.

-De nada.

Enfim de saída, fui pegar as mãos do meu filho, quando o percebi longe de mim, parado, como os olhos estatelados fitando tranquilamente a tal loira fazer xixi.

Para a minha surpresa a cabine do banheiro estava completamente aberta e eu pude entender a admiração do meu filho, não de ver a moça praticamente pelada só de sutiã, mas de ver a sensação de libertação que ela emitia com o semblante ao eliminar um xixi longo e sufocado.

Jamais imaginei vivenciar tamanha intimidade com uma desconhecida.

Olhei para a cabine ao lado, vazia, para disfarçar a troca de olhares e entendi o ocorrido.

A cabine era pequena demais para mãe e filha juntas, então ela precisou deixar a porta aberta para não perder a filha de vista.

E quer saber, o banheiro era feminino, não era? Então qual o problema?

O pudor era meu e somente meu e a mania de complicar o descomplicado também.

E como é bom ver alguém na sua inteireza, onde quer que esteja. A maternidade descomplicada, pura, com fé e coragem nas próprias decisões.

Ser estrangeira do outro é natural, mas não posso aceitar ser estrangeira de mim mesma.

É, a loira não sabe, mas me ensinou sobre aceitação.

Poderia dizer que conheci a louca do banheiro, a pervertida da cabine ou a sem-noção do xixi.

Mas prefiro dizer que conheci uma mulher admirável, uma mãe que facilita a maternidade e usa o pragmatismo a seu favor. Uma mãe que simplesmente faz e acontece, alcança o seu objetivo, sem colocar mais pedras no caminho.

É inevitável me imaginar naquela situação “meu filho esmagado comigo na cabine, no meu colo, na minha cabeça, onde quer que seja, chorando ou não, para que eu pudesse me despir em paz”.

Talvez eu não fizesse xixi ali, procurasse alguém para olhar meu filho ou outro banheiro. E talvez ficasse procurando, procurando, procurando….ops, parece que fiz xixi nas calças.

O aprendizado da maternidade pode até estar em livros, teorias, tratados, mas o coração só entende quando se depara com o dia a dia, com as mulheres que o Brasil têm, nos banheiros de cada esquina.

 

SOBRE A AUTORA:

Este texto foi escrito por Lígia Freitas, Mãe do João e Participante do Zum Zum de Mães.

@ligiafreitasescritora

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Minha mãe engravidou de mim com 35 anos quando eu já tinha um irmão e uma irmã mais velhos. Logo no comecinho da gravidez, no banheiro de casa, ela teve um sangramento seguido do que pareceu ser um aborto espontâneo. Quando foi ao médico foi constatado que ela ainda estava grávida, não foi possível fazer uma ultrassonografia para saber o que tinha de fato acontecido, o plano de saúde não cobria e meus pais não tinham a grana para fazer o exame particular.

Existiam duas suspeitas, a primeira era que haviam dois fetos e um deles tinha sido abortado. A segunda era a de um único feto com problema de má formação, e que alguma “parte” dele havia sido expelida. Minha mãe decidiu corajosamente prosseguir com a gravidez, não importava o que houvesse, ela queria o bebê do jeito que ele viesse. Com o meu nascimento a primeira opção foi confirmada, ela havia perdido meu irmão gêmeo. Eu sempre soube dessa história e sempre a contei sem nenhum pesar, sem nenhuma emoção minha, mas sempre com respeito e empatia a dor da minha mãe, afinal perder um filho é sempre muito difícil.

Até que comecei a fazer terapia individual com a Clarissa e logo de início, algumas emoções em relação a esse fato vieram à tona. Pude enfim acessar a dor da minha perda, eu perdi o meu primeiro amor, a gestação gemelar é a única situação em que o primeiro amor do bebê não é a mãe e sim o irmão, pude validar essa saudade e esse luto.

As sessões de terapia, junto com reike e recentemente o Thetahealing me ajudaram a mapear onde estão impressas as marcas dessa perda e como elas impactaram na  minha vida até o presente. Me trazendo repetições de padrões inconscientes que me impediam de acessar todo meu potencial, me levando sempre ao mesmo lugar de medo e iminência de perigo, e o pior de tudo, passando adiante essa herança para minha filha.

Tomando consciência disso tudo, paro por aqui e escolho a partir de agora seguir de uma maneira diferente, deixando para traz crenças que me impediam de ser quem eu vim ser, deixando minha filha ser quem ela veio ser. Sou feliz e grata pelos caminhos que me trouxeram até aqui. Emocionada e honrada com a minha história, agradeço ao meu irmão por ter escolhido compartilhar comigo o início, a beira dessa jornada.

Para o meu primeiro amor e como marco de um novo caminho,  escrevi:

Meu irmão, meu anjo caído que me trouxe até o útero abrigo.
Ciente ou não do que viria a seguir e se iríamos conseguir, prosseguir.
Meu primeiro amor prometido, perdido.
A estrela que se apagou diante dos meus olhos para renascer em outros orbes, longe do alcance das minhas mãos ainda em formação.
Nos meus primeiros registros o medo, a culpa e a solidão. Vagando na imensidão vazia onde antes outro coração batia.
Dividida entre a cruz e a espada, entre vontade de te rever e a necessidade de crescer, renascer.
De repente tudo fica tranquilo e pacato, sinto para além da matéria que nosso laço está intacto, nato.
Com o pensamento ainda meio torto,  relembro que esse era exatamente o nosso acordo.
Estou bem, inteira e perfeita, prometi ansiosa para minha mãe temerosa, corajosa.
Mais de 30 anos depois e eu sigo cumprindo o combinado, mesmo quando estou aos cacos.
O luto veio enfim, a verdade sobre o que essa perda foi para mim.
Uma saudade sem nome, do inacabado, do que não foi vivido, dividido.
Gratidão pelo tempo que tivemos juntos ainda que tenha sido curto, ainda que tenha sido duro.
Gratidão meu anjo amigo, que me trouxe de mãos dadas até o útero abrigo, me trouxe até o portão da minha evolução te agradeço com todo meu coração.                                                               
E diante da vastidão que o universo oferece  de possibilidades, me sinto honrada de dividir contigo as primordiais verdades.

Esse texto foi escrito por: Vivian Pessoa, geóloga e mãe da Ive de 2 anos e 10 meses e participante da turma 5 do Zum Zum de mães.

vivian.pessoa@globo.com

@viviancpessoa

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Já está tarde da noite e você dorme o sono dos justos. Eu ainda estou aqui, acordada, revivendo e revisitando a memória sutil de quem pariu naturalmente há quase 3 anos.
Das coisas mais incríveis e avassaladoras da minha vida, ser mãe certamente está no topo da lista (se é que exista, até o momento, algo que supere a experiência transformadora de me tornar mãe). E nessa véspera do seu terceiro ano de vida, muita coisa me vêm à mente e ao coração. Como se uma bússola me trouxesse o caminho da verdade que tanto tenho buscado desde o seu nascimento.
Hoje, quase três anos depois, consigo finalmente encaixar algumas peças do quebra-cabeça da nossa história que, por não ousar ou não saber como, eu  deixava perdidas no buraco escuro das sombras.
Surpreendentemente, o que me fez resgatar e juntar as peças, foi uma música que me acompanhou muito antes de engravidar – posso dizer inclusive que foi uma música que acompanhou a gestação da minha gestação. E como você nasceu com sol e ascendente em aquário, que apesar de ser um signo de ar lembra água e, euzinha sou um verdadeiro oceano a transbordar, a música não poderia ser mais apropriada.
Entendi finalmente que o nosso parto humanizado domiciliar de 55 vitoriosas horas “indolores” foi um portal de muita luz e muitas sombras. Que ao reviver, tal como eu fiz nos seus dois últimos aniversários, hoje eu percebi com clareza e lucidez que a “doce” espera foi na realidade um ato resiliente seu, diante de tamanha raiva e tristeza de morrer para nascer mãe. E assim eu compreendi que “debaixo d’água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido SÓ FALTAVA RESPIRAR / TINHA QUE RESPIRAR/ TODO DIA”. E por isso você AGUArdou todas essas horas até que eu pudesse acessar a chave que me permitiu sair do controle e morrer, e renascer sua mãe.
A dor física que eu estava ciente que sentiria não me causava medo, eu estava tranquila e no comando da nave. Ao passo que o controle, que me parecia ser o protagonista dessa história, hoje tomou o lugar de um coadjuvante importante, dando lugar para a ambivalência dos sentimentos que me atravessaram nesse rito de passagem. Hoje eu encaro de frente, assumo e acolho a raiva oculta que senti nesse longo trabalho de parto, a tristeza encoberta por um orgulho de ter parido em casa após 55 horas de trabalho de parto “indolor”. A dor era da alma, do medo de ser mãe apesar do desejo e do planejamento prévio, da raiva de ter que me despir e me desapegar da imagem ideal, da pessoa que eu era e que não mais voltará, do controle que se esvai e que me fez perceber o quão controladora eu sou e o quanto de energia eu perco cotidianamente com isso. As contrações, o trabalho de parto ativo, a câimbra com contração, a dor na costela, nada disso chega perto da dor de morrer pra viver, e eu não havia entendido isso até hoje, ou não me permiti integrar essas informações por não admitir que o parto idealizado e realizado de forma humanizada, no conforto da minha casa de forma planejada, com o nascimento de um bebê lindo, saudável, sem nenhuma intercorrência, nem pra mim nem para o bebê, poderia ter qualquer sombra escurecendo a luz da nossa vitória.
Mas como a verdade cura, eu me curo olhando e acolhendo as sombras que inevitavelmente existem em todo rito de passagem, porque para todo ciclo que se inicia, um outro se encerra e para toda escolha feita, existe uma renúncia. Se negligenciamos e resistimos à renúncia, ela nos ronda até que possamos olhá-la de frente, dar colo e seguir adiante. Então, acolho a raiva e a tristeza ocultas por detrás da alegria e do amor, do orgulho e da satisfação de ter me tornado mãe e ter parido um filho lindo e saudável. Faço as pazes com as sombras e sigo adiante, confiante no próximo capítulo que se inicia. Ouso sair do controle e também ser a mãe possível que é melhor que a ideal. Ouso sair progressivamente do tanque que por esses três anos completos nos foi morada acolhedora. Ouso confiar em mim, em você e no fluxo do universo, para que possamos alçar vôos juntos, cada um na direção predestinada. Ouso encarar o medo de encontrar o desconhecido e me entregar diante das infinitas possibilidades. Ouso e me encorajo para vê-lo crescer na mesma medida em que me vejo crescer desde o dia em que renasci sua mãe.
Que a verdade e a auto responsabilidade sejam nossas guias e fiéis escudeiras, iluminando a luz e também as sombras.
Porque bem disse Leminski, “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”.
Gratidão meu querido, pela jornada incrível, pela coragem única e pela confiança em me escolher para te maternar nessa existência. Estou pronta para ir além 💗
TEXTO escrito por: Iara Schmidt
Iara é mineira, e como boa sagitariana é uma viajante nata e buscadora de si. Mãe de um aquarianinho nascido em fevereiro de 2016 – fonte do puro amor e inspiração infinita – realizou da gestação ao puerpério ritos de passagem que transformaram – e continuam transformando – sua essência.

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Vivemos tempos de crise: econômica, política, social, familiar… Aliás, crise é a palavra do momento. Todo mundo adora falar em crise! Mas adoro frases que enaltecem a importância das crises quando olhadas sob outro prisma:

“Em chinês, a palavra ‘crise’ tem dois caracteres. Um representa perigo e o outro oportunidade.” – John Kennedy

Quando olhamos sob a perspectiva da oportunidade abrimos o cenário do aprendizado contínuo, do desenvolvimento pessoal e do crescimento em níveis que jamais poderíamos supor anteriormente!

Filho: crise ou oportunidade

Acho que é unânime a ideia de que um filho muda tudo, absolutamente tudo! Eles mudam nossa ideia de mundo, de relacionamento, de família, de relações sociais E, principalmente, a nossa própria relação conosco! Negar isso é fechar os olhos ao óbvio, buscar anestesiar todas as feridas e se fechar à todos os sintomas de crise que a chegada de um filho promove! Dá para ser feito, mas costuma apresentar uma conta alta e cheia de juros no médio e longo prazo!

Bem, como já comentei em outros artigos eu tinha a falsa impressão que conseguia controlar as coisas. Eu sou o tipo de pessoa que gosta de prever, se organizar e se preparar para o que tiver que ser… Entretanto, a maternidade me reservou a crise, ou melhor, a oportunidade de ACEITAR o caos e aprender com ele!

Agora, vou definir CAOS para ficar mais fácil compreender: A casa bagunçada; minha agenda desorganizada; minhas prioridades devastadas; meu autocuidado comprometido; minha relação com meu marido congestionada de afazeres, cobranças, carências e medos… E eu perdida de mim mesma, cheia de afazeres e sem disponibilidade para outro compromisso que não fosse com minha filha!

Do Caos ao Crescimento

Vale a pena iniciar este tópico com a famosa frase:

“Aquilo a que você resiste, persiste”. Carl Jung

Por um certo tempo eu tentei resistir! Mentalmente, eu elencava tudo o que eu queria e precisava fazer. Porém, no meio do dia já estava frustrada, porque minha energia tinha sido esgotada e nem sequer havia iniciado minha lista! Acho que frustração resume muito bem a minha relação com o cotidiano depois que minha filha nasceu!

Eu queria manter o corpo, a mente, as habilidades e tudo o que representava um certo sucesso da Gisele antes da maternidade! E o caos da minha vida me mostrava que não era possível! Na verdade, o caos esfregava na minha cara que a maternidade é um caminho sem volta e com muito menos glamour do que eu tinha imaginado! Leia também Identidade Feminina após a Maternidade

Foi neste cenário que me inscrevi no ZumZum de mães! E, assim, fui percebendo que a dificuldade para se reencontrar e se reorganizar, interna e externamente, não era privilégio meu! Consequentemente, esta consciência me fez perceber que eu não estava sozinha e que o eu sentia era “normal”. Na verdade, se tratava de uma enorme oportunidade para me conhecer e trabalhar tantas e tantas questões!

Nesta perspectiva, o principal foi me desconectar de toda a crítica que minha mente insistia em repetir! A partir disso, resolvi que simplesmente ACEITARIA o caos, ACEITARIA aquela bagunça e desorganização externa que refletiam, certamente, tudo o que estava dentro do meu íntimo!

Zum Zum de mães: oportunidade de autoconhecimento

Geralmente, quando ACEITAMOS tudo o que nos incomoda, somos capazes de desapegar do problema! Assim, ampliamos nossa visão para a solução das dificuldades, para a riqueza do aprendizado que elas nos trazem! Claro, sei muito bem que isso não é um processo simples, exige muita clareza e consciência!

O Zum Zum de mães me trouxe as ferramentas necessárias para eu começar a estruturar uma transformação interna! Desta forma, comecei a ver luz no fim do túnel, percebi que era possível retomar meu poder interno, mas ele seria diferente! Ou seja, diferente de minha necessidade de prever e controlar, agora dizia respeito à minha capacidade de ser flexível e aprender com as situações criadas ou apresentadas pela minha filha!

Sobretudo, era preciso sair da vitimização convidativa e ASSUMIR A MINHA RESPONSABILIDADE para LIDAR com o que quer que estivesse acontecendo! Vale ressaltar que RESPONSABILIDADE É DIFERENTE DE CULPA! A responsabilidade nos empodera enquanto a culpa nos enfraquece e reforça nossos medos nos prendendo num círculo vicioso destrutivo! Leia também Como dissolver a culpa e MERECER a felicidade!

Agora, ao invés de ficar obcecada pelo controle era preciso me vulnerabilizar e perceber onde é que estava o nó. Por muito tempo, fomos educadas a pensar que ser forte era negar necessidades emocionais básicas! Contudo, cada vez mais percebo que este tipo de “força” esmaece ao primeiro brado da vida! A força interna é conquistada a partir da consciência das próprias vulnerabilidades. Vale a pena assistir ao excelente vídeo TED O poder da Vulnerabilidade de Brené Brown.

Vulnerabilizar-se é preciso!

Novamente, convém espantar o fantasma da vitimização! Afinal, o processo de vulnerabilização exige muita coragem e auto responsabilização para verificar onde é preciso curar!

“Assumir a nossa história pode ser difícil, mas não tão difícil como passarmos nossas vidas fugindo dela. Abraçar nossas vulnerabilidades é arriscado, mas não tão perigoso quanto desistir do amor e da pertença e da alegria – as experiências que nos tornam mais vulneráveis. Só quando formos corajosos o suficiente para explorar a escuridão vamos descobrir o poder infinito da nossa luz”. Brené Brown

No meu processo, fui tomando consciência de minha excessiva necessidade de controle, do meu medo da bagunça, da desordem… Claro, confesso que sou fã de programas e leituras que estimulam a organização! Mas a grande questão era o mal estar da situação e eu me sentindo como um cachorro correndo atrás do rabo! Pois bem, um dia parei de correr e resolvi olhar aquele ciclo com certo distanciamento e objetividade!

Um dos exercícios que mais gostei do Zum Zum foi o Mapa de Intenções Familiares! Esta ferramenta me situou da distância em que eu estava de onde queria chegar quando minha filha fosse adulta e pensasse sobre mim como mãe e sobre nosso lar! De forma muito simples e objetiva eu percebi que estava na contramão do caminho que desejava percorrer. Inclusive, acho que estava trilhando, inconscientemente, um caminho já conhecido pela minha própria criança! Leia também Maternidade: uma oportunidade de curar sua criança interior!

Convidei meu marido para fazer o Mapa e, desta forma, estruturamos o que eu gosto de chamar de Diretrizes Básicas! Ou seja, pontos nos quais eu posso flexibilizar, mas não devo me desviar! Foi assim que estruturei regras para a nossa rotina que me trouxeram mais segurança, tranquilidade e autonomia para maternar do meu jeito!

Diretrizes Básicas: minha bússola da maternagem consciente

Iniciei 2019 cheia de planos para melhorar minha rotina! Confesso que já experimentei alguns arranjos e continuo fazendo ajustes e redesenhos em busca de melhorias. Entretanto, querida mãe desesperada, vale ressaltar: NÃO EXISTE FÓRMULA MÁGICA, NEM RECEITA DE BOLO! Há o que eu gosto de chamar de Diretrizes Básicas: princípios dos quais eu não abro mão, porque estão diretamente relacionados ao meu MAPA DE INTENÇÕES FAMILIARES!

Estas diretrizes básicas funcionam como minha bússola para não me perder no caminho dos meus objetivos, descritos no Mapa! Desta forma, eu sei onde quero chegar, sei o que preciso levar no caminho, mas permito à minha filha ir me mostrando as melhores formas e as melhores trilhas a serem percorridas! Assim, eu atendi em parte minha necessidade de prever e controlar, mas também me coloquei mais presente e entregue aos aprendizados da vida!

Sob este prisma eu estruturei algumas regras mais genéricas que contribuem para o meu bem estar, da minha casa e família. Por exemplo: refeições são feitas à mesa e sem eletrônicos! Deste modo, eu busco garantir a atenção na comida, no convívio em família e na tranquilidade da refeição! Muito raramente fazemos exceções, por exemplo em viagens, mas buscamos sempre voltar à diretriz que é a concentração e união da família na hora das refeições!

Regras e Rotina

A rotina acredito que seja a parte mais desafiante para mim, porque tenho a tendência de me entediar facilmente! Entretanto, vejo a importância fundamental que criar uma constância de hábitos faz na minha vida e na vida da minha família! Então, busco associar a rotina à rituais que sejam significativos para mim!

Assim, no exemplo das refeições à mesa, eu construí o ritual de agradecer antes de comermos! Trata-se de algo simples: unimos nossas mãos e agradecemos pela comida e pela companhia! Às vezes, incluo uma vela; às vezes, dispenso o beijo da minha filha e às vezes, incluo o pedido de paciência extra para aquele dia, rs! Deste modo, percebo que trazemos muito mais presença e consciência para o momento que estamos desfrutando juntos! Para refletir um pouco mais, vale à pena assistir ao vídeo 4 Como Criar um Ambiente Seguro para o Desenvolvimento do Seu Fillho(a) que está dentro do Programa Limite na Medida Certa!

Volta e meia me vejo desafiada pela minha mente me dizendo que está tudo errado, que tudo deveria ser diferente, que eu tenho que… E, nestas horas, já conheço o discurso de autopunição e exigências de meu perfeccionismo! Então, olho para minha filha e observo como ela desfruta o momento sem ansiedade, sem crítica, sem autopunição, apenas PRESENTE! Por vezes, ela me convida a entrar na brincadeira dela e percebo quão especial é este momento! Logo, penso que faço o melhor que posso dentro das circunstâncias e consciência que tenho no momento e isso aquieta minha mente e alegra meu coração!

Gratidão pela leitura! Namastê!

 

SOBRE A AUTORA

Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br , curta a página no facebook Conexão Profunda e siga no instagram gm_conexaoprofunda

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Eu queria mesmo sair correndo, fugir e sumir até que tudo se resolvesse ou até que tudo desaparecesse. Será que as pessoas que eu mais amo não entendem que estou tentando fazer diferente, que eu escolhi por uma alimentação mais natural para me desintoxicar e para não intoxicar o meu filho desde cedo, que existe uma nova forma de perceber a criação dos filhos e agir, que precisamos cuidar para que nossas crianças se desenvolvam e permaneçam conectadas com quem são em essência, e  se tornem adultos livres para escolher o caminho da própria felicidade? O diálogo ficava cada vez mais difícil, quase inexistente, discussões, brigas, palavras doídas que abriam feridas e buscavam sustentação em atitudes do passado.

Algo simples, que poderia ser tranquilamente conversado e resolvido, abria portas para monstros adormecidos saírem. E, de repente, eu me via sem chão. Em pleno processo de desenvolvimento pessoal, com um sonho lindo dentro de mim e a minha missão recém-descoberta, de cultivar a vida com saúde e felicidade, sentimentos tão difíceis de lidar e negativos vinham com toda força. Raiva, fúria, frustração, tristeza.

Antes, eu trabalhava sem propósito. Agora, eu tinha propósito, mas estava com dificuldades sérias de ajustá-lo ao meu dia a dia. Uma nova encruzilhada e a antiga frase reverberava em meu ser novamente: “eu sou uma fraude!”. E isso era só a pontinha do iceberg: são nítidas as consequências desse ambiente conflituoso no comportamento do meu pequeno. E mesmo que os adultos cuidem para que as crianças não presenciem momentos desagradáveis, elas sentem que algo não vai bem, elas são capazes de sentir a nossa alma.

Estou fugindo de quê?

Quando você decide mudar o rumo da sua vida, prepare-se. Certifique-se de sua clareza mental e controle emocional. É certo que muitos desafios aparecerão. E adivinha!! Não funciona correr, fugir, se esconder. Às vezes, alivia mesmo se trancar um pouquinho no quarto e chorar. Não resolve, mas alivia. Precisamos deixar fluir nossos sentimentos. A questão é: quando você abre a porta, os mesmos desafios vêm de encontro, às vezes de cara nova e outra roupagem. O que fazer? Lutar, brigar, tentar convencer o outro de que está certa? A gente sabe a resposta. Ter que provar algo a outra pessoa é agir a partir de uma resistência externa, é desgastante.

Os conflitos acontecem porque há um desequílibrio na relação e não ocorre assertividade na condução desses conflitos. Os pensamentos ficam turvos, os sentimentos descompensados e agimos impulsivamente. Respostas de luta ou fuga são acionadas como estímulos primitivos do nosso cérebro em situações de estresse. Saúde e felicidade são incompatíveis com o estresse. Vários processos internos do nosso organismo se desligam temporariamente porque precisamos direcionar a nossa energia para esse instinto de sobrevivência. O corpo sente. O corpo fala.

Não foi uma vez, nem duas, foram tantas discussões que é duro lembrar. Minha família, meu tesouro e meu maior desafio. Eu queria fugir. Do quê? De quem? Quando conseguia respirar melhor, me acalmar, dissipar a confusão mental em que me colocava, eram essas as perguntas que eu me fazia. Quanto mais abria a janela da minha alma, quanto mais luz deixava entrar, mais perceptível ficava a bagunça. A bagunça estava em mim, mas era escuro e eu não enxergava. Se está doendo em mim aqui, vai doer onde quer que eu vá. Como eu fugiria se levava junto a raiz dos conflitos que eu vivia? A boa nova é que, se clareei um pouquinho mais desse quartinho escuro interno, consigo arrumar o que estou vendo.

Aceitação da realidade

Eu consegui ver a minha bagunça, a minha verdade, o caminho que escolhi trilhar. Eu compreendi que era uma escolha minha e, claro, essa escolha afetaria outras pessoas, principalmente aquelas que seguiam comigo. Eu compreendi que existe a minha verdade e a verdade do outro, e a minha não era mais verdadeira ou correta, apenas era minha. Eu finalmente entendi que o óbvio, para mim, é só isso mesmo: óbvio para mim. Eu aprendi, primeiro na teoria e, depois, muito bem constatado na prática, que não vou convencer ninguém falando o que eu acredito. Aliás, eu nem tenho o direito de ficar convencendo alguém das minhas verdades. Enfim, aceitei, que o meu processo de evolução é único. Cada um tem o seu, no seu tempo. Aceitei a realidade como é.

Engraçado que, muitas vezes que falo de aceitação, isso não é bem aceito em nossa sociedade, a aceitação é logo associada a uma atitude passiva. Mesmo assim, eu quero lhe mostrar a forma como vejo. Se as coisas não estão ou não são como eu gostaria, tudo bem, eu aceito. Se uma pessoa não age como eu gostaria, eu aceito. Eu preciso aceitar os fatos como são neste momento. Lutar ou fugir não resolvem, lembra? E ainda gastam nossa energia de forma negativa.

Aceitar é um passo importante na compreensão de que a realidade que existe foi também criada por mim. Pensa comigo: os impasses na criação do meu filho só existem porque eu fiz a escolha consciente de buscar uma alternativa que considero melhor, mais natural. As discussões surgem quando resisto “bravamente”, rejeito o que se apresenta como realidade, a realidade que eu ajudei a criar. Quando aceito, abro o campo de possibilidades. Quando deixo de nutrir essa necessidade de convencer o outro do meu ponto de vista, me liberto para viver da maneira que acredito, sem essa dependência externa, entende?

Foco na solução

Apontar culpados é um escape para se isentar da responsabilidade. Uma vez aceita a realidade que cocriei e preservada a minha energia vital, posso direcioná-la à resolução das questões. Nesse caso, trago a responsabilidade para mim, a única pessoa em que tenho total poder de transformação e, o que antes era visto como um problema, se transforma em uma oportunidade de crescimento e de realização. O que o outro está me mostrando? Por que isso me incomoda? Como posso resolver essa situação dentro de mim?

No início, eu me desesperava e me perdia. Hoje, mesmo que aconteçam ainda conflitos, eu, cada vez mais consciente, respiro fundo, aquieto a mente e, então, reflito. Trazer à luz nossas sombras é, muitas vezes, doloroso, mas é necessário se queremos mudança. Dói perceber que, muitas vezes, eu brigava tentando convencer o outro de uma verdade que eu queria para minha vida, mas ainda não estava bem estruturada. Na verdade, eu estava tentando convencer a mim mesma de que podia ser diferente, que o açúcar faz mal mesmo e inflama o corpo, que eu posso ser firme com meu filho sem agressividade, que é possível uma vida mais simples e leve. Eu gritava com o outro para que eu mesma conseguisse me ouvir. Imagino que já tenha acontecido com você: quanto mais se grita, menos se ouve, a conexão se perde. Aprendi que preciso silenciar para uma escuta ativa.

Nós não fomos ensinados a voltar esse olhar para dentro e buscar nossas respostas, compreender nossas crenças e limitações. É um processo contínuo de observação, acolhimento e autoeducação. Não é fácil, mas é o caminho que permite um resultado diferente do que já é conhecido e, melhor, permite mudar o rumo dos acontecimentos e criar uma nova realidade.

Eu sou uma Fraude? 

Fraude… que palavra forte, né!? Não, eu não sou! Em cada momento da minha vida, agi com o conhecimento que tinha, com as condições que se apresentavam, e busquei sempre evoluir, segui a intuição. Não me agrido mais duvidando de mim mesma.

Essa frase foi importante para profundas reflexões. A partir dela, fui limpando a bagunça interna para aprimorar a minha vida autêntica, em que minhas ações falam mais que as palavras, para chegar aqui hoje e dizer que, tenho sim, muito a descobrir, aprender, melhorar, que os erros vão acontecer e eu estarei disposta a aproveitar as dificuldades e desafios como propulsores da verdade e do meu sucesso diário.

O Caminho para a Liberdade

Pelo que observei nesse meu processo e em experiências vividas por pessoas que acompanho, temos o impulso de buscar a cura de nossas relações em fatores externos. Isso é verdade para relações diversas, a relação com a comida, com o próprio corpo, com o ambiente em que se vive, com os filhos, com outras pessoas, com as finanças, com a criatividade, e por aí vai. Enquanto esse for o sentido do movimento, perdemos o bonde da nossa jornada, perdemos a chance de ir além e avançar para a estação seguinte.

Conceber a realidade, aceitar, responsabilizar-se e curar o que apenas eu posso curar. Voltar o olhar para dentro, enxergar e agir em coerência ao que se vê. Quando compreendi esse caminho, os dias se tornaram mais leves. As discussões e brigas diminuíram, continuo atenta ao que posso melhorar, mas sigo com confiança de que estou alinhada ao melhor que há em mim e à realidade que quero criar. E olha que incrível: as minhas ações silenciosas dizem muito e inspiram pequenas “mágicas” nos comportamentos dos outros em minha volta. É a vida fluindo de dentro pra fora, as sementinhas que plantei em minha alma germinando também em outros corações. A única cura capaz de libertar e transformar a realidade em que vivo é a cura de mim mesma, a autocura, a primeira cura para que todas as outras se tornem possíveis.

SOBRE A AUTORA

Cibele Calderan

Sou mãe do João de 3 anos, criadora do Espaço Vice Versa, movimento pela vida.

Saúde Holística, Nutrição Integrativa e Permacultura para Mães e Famílias com crianças de até 7 anos.

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-Vou descer aqui no prédio para fazer ginástica.

Eu disse de maneira afoita e apressada ao meu marido, enquanto caminhava para chamar o elevador.

Ele me pegou pelos braços, olhou para as minhas mãos e falou:

-Vá, mas deixe o seu celular aqui comigo.

Pensei em revidar, mas resolvi praticar o exercício de aceitar ser cuidada pelo próximo.

E os cuidados continuaram, ele me colocou um fone de ouvido e, antes mesmo que eu me recusasse a usá-lo, a música passou a tocar e me transportou para um ambiente completamente desconhecido.

-Tchau, até mais tarde.

Senti-me um extraterrestre diante daquela tecnologia que anda, pula, torce e retorce junto com a gente.

Afinal de contas, sou da época do toca-fitas, em que era preciso estar sentado ou caminhando com um trambolho nas mãos para ouvir uma música.

Abri a porta da academia do prédio e para a minha surpresa estava sozinha. Ufa, poderia me divertir com o meu mais novo brinquedo, é que havia percebido em mim uma criança escondida.

Meu filho, ah meu filho, sua liberdade e espontaneidade me vieram à mente. Deixei aquele ritual de exercícios impensados de lado e resolvi me entregar àquele momento.

Se eu dancei conforme a música? Não. Decidi dançar conforme o meu coração. Senti a leveza e a sabedoria de saber ser criança, na delicadeza do vento que tocava os meus cabelos e os rodopiava ritmicamente para lá e para cá.

Vivenciei a única coisa que tinha em minhas mãos, o PRESENTE.  E desfrutei dele como quem come uma maça, em plena paisagem campestre, embaixo de uma macieira.

Uma senhora passou e me acenou com as mãos, de maneira simpática, mas com um riso esquisito de deboche (Será que essa mulher enlouqueceu?).

E quantas vezes nós somos chamados de loucos, porque as pessoas não conseguem ouvir a música que toca em nosso fone de ouvido?

Quão libertador é ver que dentro de cada um de nós há um arsenal musical tantas vezes incompreendido.

Como foi bom suar a camisa, ou melhor, despir-me da suada camisa de força que vive em mim.

Voltei para casa revigorada, com uma vontade danada de passar adiante aquele exercício que havia aprendido.

Tão logo entrei em casa, saí dizendo aos quatro ventos para o marido: -Dance mais sozinho e respeite a música que toca em seu fone de ouvido.

 

Esse texto foi escrito por Lígia Freitas, Mãe do João e Participante do Zum Zum de Mães.

@ligiafreitasescritora

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Queridas mamães, sou a Tânia, psicóloga, psicanalista, mãe da Milena e participante do Zum Zum. Hoje vamos falar de um tema muito importante para o desenvolvimento infantil: a ansiedade de separação. Ela é vivida por todos os bebês e a forma com que nós mães lidamos, faz toda a diferença para que o desenvolvimento transcorra de forma saudável.

Uma das psicanalistas que mais estudou essa fase de desenvolvimento infantil foi a Margaret Mahler. Ela foi pediatra e psicanalista nascida na Hungria em 1897, formou-se em pediatria em Viena e faleceu em 1985 em Nova York. Mahler construiu uma teoria sobre o desenvolvimento emocional primitivo baseada em sua experiência como pediatra e psicanalista e uma pesquisa realizada por ela com bebês de zero a três anos.  Ela divide o desenvolvimento por fases, na qual a primeira seria a autística normal. Corresponde ao estado de sonolência em que vive o bebê nos seus primeiros dias de vida com uma ausência relativa de investimento nos estímulos externos. É através dos cuidados maternos que o bebê vai gradualmente caminhando para uma consciência sensória do meio ambiente. O objetivo desta fase é a aquisição do equilíbrio homeostático pelo organismo no meio extrauterino. Nesta fase, o bebê deve ser protegido contra excessos de estimulação, numa situação similar ao que aconteceu no útero materno.

A segunda fase é Fase simbiótica normal. Aqui há um estado indiferenciado de fusão com a mãe, na qual eu e não-eu, assim como o dentro e o fora ainda não estão diferenciados. A partir da terceira ou quarta semana de vida, uma consciência difusa de que a satisfação vem de fora, começa a acontecer. Isso marca o início da fase simbiótica normal, na qual o bebê se comporta e funciona como se ele e sua mãe fossem um sistema, uma unidade formada por dois seres, dentro de uma fronteira comum. A disponibilidade da mãe e a capacidade inata do bebê de se envolver no relacionamento simbiótico são essenciais para o bom desenvolvimento emocional da criança. Essa sensação de ser um com a mãe precisa ser vivenciada, a mãe precisa se deixar encantar pelo bebê, ele precisa ocupar o centro da vida dela nesse momento. A sintonia da mãe é tão fina nesta etapa, que ela se adapta as necessidades do bebê permitindo que ele vivencie um estado de onipotência, uma ilusão de que ele cria o mundo. Ele chora e a mãe aparece para satisfazer suas necessidades. Mahler chama atenção para tudo que ocorre na superfície total do corpo do bebê (a pressão que a mãe exerce ao segurar a criança, a sustentação física do corpinho da criança). Ao moldar o corpo da criança ao seu próprio corpo, a mãe imprime experiências cenestésicas globais (na vida adulta teremos a maior ou menor dificuldade para o contato físico).

A fase autística e a fase simbiótica são pré-requisitos para o estabelecimento do processo normal de separação e individuação. Separação é uma aquisição intrapsíquica de um sentido de desligamento da mãe. O bebê percebe que ele e a mãe são pessoas separadas delimitados pela pele e que possuem um dentro e um fora. Individuação é uma aquisição intrapsíquica que leva à consciência de uma individualidade distinta e única, de uma singularidade pessoal. A fase de separação e individuação é complexa e por isso, Mahler a divide em 4 subfases: 1) diferenciação; 2) Exploração; 3) reapresentação e início da constância objetal.

1) Diferenciação: 

Acontece entre os 5 e os 9 meses de vida.

Caracteriza-se pela diminuição da dependência corporal da mãe, até então total. Coincide com a maturação das funções parciais de locomoção, como engatinhar, subir nas coisas e levantar-se. A criança mostra prazer ativo no uso de todo o seu corpo e volta-se para o mundo com curiosidade. São características deste período a investigação sensório motora primitiva do rosto, cabelos e boca da mãe, como também os jogos de esconde-esconde. Aqui ocorre o desenvolvimento da imagem corporal da criança. Ela começa a perceber que tem um corpo delimitado pela pele. É importante que a criança seja estimulada a se movimentar. A mãe pode colocar o bebê em um tapetinho com brinquedos para ele explorar, deixando o bebê vencer as dificuldades em pegar um brinquedinho que está um pouco mais longe de suas mãozinhas. Deve-se evitar deixar o bebê por muito tempo, em lugares que ele não possa se movimentar, como carrinhos, cadeirinhas de alimentação, etc. É interessante mesclar momentos de descanso com os momentos de mais atividade e movimento.

2) Exploração:

Se justapõe a fase anterior de diferenciação. Vai dos 7 – 10 meses até 15 – 16 meses. Mahler desdobra essa subfase em duas: exploração inicial e exploração propriamente dita. A primeira está justaposta com a fase de diferenciação quando a criança se torna capaz de se separar fisicamente da mãe engatinhando e levantando-se mesmo precisando de apoio. A segunda parte é caracterizada pela locomoção livre em postura vertical. O interesse da criança se desloca para objetos oferecidos pela mãe. Apesar do interesse se voltar para os objetos, o interesse pela mãe ainda é predominante. O bebê precisa da liberdade de explorar o mundo, mas necessita retornar para ser reabastecido emocionalmente pela mãe, através do contato físico com a mesma. Mahler observou que após esse primeiro distanciamento da mãe para explorar o mundo externo, a maioria dos bebês apresenta um período de ansiedade de separação. O bebê não gosta de perder sua mãe de vista. Permanecem ligados a ela não apenas quando estão no colo, mas também vendo-a, ouvindo-a mesmo que a certa distância. Nesse período, algumas mães podem se sentir ameaçadas com a autonomia desenvolvida por seus filhos e acabam interrompendo a exploração dos mesmos, criando ambivalência e dificultando o prazer que a criança tem direito a experimentar nessa fase. Outras mães passam a ter o sentimento de que seus filhos já estão completamente independentes e se afastam emocionalmente. O ideal é que a mãe se sinta confiante de que seu bebê pode fazer as coisas longe dela, sem, no entanto, abrir mão de seu papel de estar conectada ao seu filho. Isso vai alavancar o sentimento de segurança da criança e ir trocando a onipotência mágica pela autonomia. Na segunda parte desta subfase, a criança vive um caso de amor com o mundo. Ocorre um grande investimento em suas capacidades, a tal ponto que observamos certa insensibilidade com batidas e quedas. O bebê fica tão absorvido com suas próprias atividades que parece se esquecer da presença da mãe, desde que possa retornar a ela para reabastecer-se. Nesta fase é muito importante a sensibilidade da mãe para suportar as idas e vindas de seu filho, de tolerar momentos de dependência e independência, sem interferir no ritmo de seus filhos.

3) Terceira subfase: Reaproximação:

Ocorre dos 15, 16 meses aos 25 meses. A criança apresenta uma crescente diferenciação cognitiva e emocional, e se torna mais sensível à frustração e a presença da mãe. Mahler notou um incremento da ansiedade de separação quando a criança descobre que a mãe não está automaticamente ao seu lado. Na fase anterior havia uma criança pouco preocupada com a presença materna, mas agora temos uma criança com conduta ativa de reaproximação e permanentemente preocupada com a presença materna. Agora tem necessidade de que a mãe compartilhe de cada nova aquisição, habilidade, experiência – daí seu nome reaproximação. O reabastecimento emocional no estágio anterior é substituído por uma busca constante de interação com a mãe, pai e outros familiares, num nível de simbolização mais elevado, com o desenvolvimento da linguagem e do brinquedo simbólico. Entre os 18 e 24 meses o bebê se dá conta que o mundo não é seu umbigo, que deve enfrenta-lo com seus próprios recursos, mais ou menos como um indivíduo separado, relativamente desamparado, e que não obtém alívio para as necessidades apenas porque deseja. Se dá conta que nem tudo é adivinhado pelo mundo. Nessa subfase, enquanto a individuação prossegue e a criança exercita-a ao máximo, ela também se torna cada vez mais consciente de sua separação, e emprega todos os tipos de mecanismos para resistir a isso. O bebê compreende que seus pais são indivíduos separados com seus próprios interesses, e eles devem renunciar gradualmente à dolorosa ilusão de sua grandeza. A relação mãe-bebê fica vulnerável. A tentativa de reaproximação muitas vezes é vivida pela mãe como insuportável, por ela ser novamente exigida, tendo que estar disponível, quando pensava já estar com um bebê “quase independente”. O ideal é que a mãe suporte nesse período, se transformando em continente para essa crise, e que “intua” que seu filho não regrediu.

4) Quarta subfase: Inicio da constância de objeto emocional.

Ocorre entre os 26, 27 meses até uma data não muito bem definida. Tem como objetivo atingir uma individualidade definida para toda a vida e obter um certo grau de constância objetal. Há uma clara internalização de exigências parentais. O estabelecimento de que chamamos “constância objetal afetiva” depende da internalização gradual de uma imagem interior positiva e constante da mãe. Implica também na integração do bom e do ruim, que a mãe que nutre, dá amor é a mesma que frustra, que eu posso amar e ter raiva da mesma pessoa sem haver nenhum dano a ela. Outros fatores que contribuem para aquisição da constância objetal são: maturação, predisposição inata, teste da realidade, tolerância a frustração e a ansiedade. Para Mahler a constância Objetal não ocorre antes dos 3 anos de idade. A partir disso, a mãe pode ser substituída na sua ausência, pelo menos em parte, pela presença de uma imagem interna na qual se pode confiar e que permanece relativamente estável a despeito das coisas.

A ansiedade de separação é um processo normal saudável na qual todos os bebês passam. É importante desde cedo já ir sinalizando que a mamãe sai, mas ela volta, que enquanto isso a vovó ou qualquer outra pessoa vai cuidar muito bem dela. Quando a mãe chegar em casa, pode dizer que a mamãe voltou e dedicar um tempo para o bebê. Esse movimento da mãe ir e voltar é muito importante, assim como as brincadeiras de esconder e achar. Se a mãe e os cuidadores entendem como essa fase acontece e se colocam disponíveis a vivencia-la junto com o bebê a tendência é que tudo se desenvolva bem. É importante que a mãe permita a entrada de outras pessoas da sua confiança para auxiliar nos cuidados com o bebê. Aqui o papel do pai também é muito importante no sentido de facilitar a saída da fase de simbiose representando o mundo bom que poderá acolher o bebê e mostrar o mundo fora da mãe.

A ansiedade de separação fica preocupante quando sua intensidade e sofrimento é grande demais, quando o bebê não se acalma com outra pessoa que já tem costume apenas com a mãe.

Fatores que podem levar a isso:

  1. Quando na fase simbiótica, não há adaptação suficiente da mãe ou cuidador as necessidades emocionais do bebê permitindo que ele sinta ser um com a mãe e viva as necessárias experiencias de onipotência.
  2. Sentimento prematuro de estar separado da mãe, por isso não é aconselhável que os pais estimulem em excesso para que o bebê ande rápido demais com 9, 10 meses, pois pode ainda não estar preparado emocionalmente para lidar com isso. Isso pode acontecer também quando a mãe fica ausente por um tempo maior do que o filho possa suportar.
  3. Dificuldade muito grande da mãe em deixar o bebê se separar e individuar, como se ela fosse perder aquele vinculo. Assim, a mãe pode ter dificuldades em deixar o filho explorar, se distanciar, e ficar aos cuidados de outras pessoas de sua confiança.
  4. Quando tudo ocorre rápido demais, num momento há a simbiose e no outro um distanciamento emocional da mãe como se o bebê não precisasse mais daquela dedicação.

Em geral, quando a mãe e os cuidadores se dedicam a criança, oferecem respostas emocionais para as necessidades dela, conversam sobre os sentimentos vivenciados pela dupla mãe – bebê, percebem os possíveis entraves para o bom desenvolvimento e mudam sua conduta, as coisas vão entrando nos eixos. Quando a família não consegue realizar as mudanças sozinha ou não consegue perceber o que está acontecendo para o bebê sofrer tanto é necessário ajuda de uma psicoterapia pais – bebê.

A ansiedade de separação quando não foi bem vivenciada nesta fase de desenvolvimento na qual estamos nos referindo, ela pode voltar ao longo da infância, adolescência ou mesmo na vida adulta. Atendi uma criança de 8 anos com ansiedade de separação: tinha um sentimento muito forte que se estivesse longe dos pais, eles iriam morrer ou algo muito grave iria acontecer. Ele não conseguia mais ir para escola e quando os pais saiam ele quase morria de tanto chorar. Em grau menor observamos isso em alguns adolescentes e adultos que tem a sensação que se estiver longe do namorado (a) tudo irá se acabar, como se os sentimentos não sobrevivessem a ausência. Nos casos em que a ansiedade de separação aparece de forma a causar sofrimento fora da idade esperada é importante procurar uma avaliação profissional, pois provavelmente haverá necessidade de uma psicoterapia para auxiliar na elaboração e superação destes sentimentos.

Espero que vocês tenham gostado do texto. Estarei de volta no próximo mês. Abraços!

SOBRE A AUTORA: 

Tânia Oliveira de Almeida Grassano

Psicóloga formada pela UFMG. CRP-04/19643

Psicanalista: Membro efetivo e docente na Sociedade Brasileira de Psicanalise de Minas Gerais – SBPMG.

Realiza atendimento em psicoterapia individual de crianças, adolescentes e adultos. Atua também com psicoterapia pais-bebê.

Os atendimentos são realizados em BH, próximo à praça da Liberdade.

Tel: (31) 30725974

taniaoliveiraalmeida@yahoo.com.br

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Atualmente vivemos numa sociedade tecnológica cheia de parafernálias para nos ajudar a controlar! São ferramentas úteis e muito importantes, mas por vezes, nos desconectam do SENTIR! Exercitamos tanto nosso lado mental querendo controlar a agenda, a dieta, as finanças e acabamos virando autômatos sem coração! 

Este é o cotidiano da maioria das pessoas que vai seguindo a vida, fazendo o que precisa ser feito, buscando atender expectativas… Por algum tempo eu estava seguindo esta trilha também! Mas não me sentia confortável nela! Algo em mim me dizia que o caminho não era por ali!

A partir da gravidez fui tomando maior consciência do incontrolável da vida! O meu corpo foi me mostrando que as coisas seriam MUITO diferentes dali para frente! O sentir foi se impondo, os limites do meu corpo foram se tornando mais exigentes. Assim, fui percebendo que o “controle” seria uma palavra praticamente riscada do meu dicionário!

Sentir é preciso!

Temos muito medo de sentir, por isso buscamos racionalizar ao máximo, isto é, controlar para que nada saia errado! Desta forma, damos muito mais espaço para a mente e sufocamos nosso coração, nossa intuição! Ou seja, aspectos mais sutis que fazem a diferença em nossa vida! Quando buscamos a perfeição deixamos de tentar, de errar e também de EXPERIMENTAR! Leia também Maternidade: busca por perfeição gera solidão

Certamente, a maternidade aprofundou esta consciência dentro de mim de que é preciso voar utilizando as duas asas: razão e emoção! Quando nossos filhos chegam logo demonstram que têm necessidades e urgências das quais nem fazíamos ideia! Vale salientar que este é sim um processo estafante, mas também é uma forma de largarmos a tentativa de controlar, prever e administrar as coisas roboticamente!

Minha professora de Yoga sempre me dizia que os exercícios eram uma forma de bater no corpo para desestabilizar a mente do controle! Deste modo, é preciso desconstruir esse excesso de racionalização e fortalecer nossa capacidade de SENTIR, intuir e perceber o mundo também através de nossos sentidos! Recomendo muito o documentário O poder da intuição para refletir mais profundamente a respeito da importância do sentir em nossa vida!

Fusão: tempo para construir a confiança

O medo do sentir é visível em algumas falas a respeito de bebês: “Cuidado, você está dando muito colo!”; “Fica esperta, senão ela vai chupetar seu peito!”; “Olha esse bebê vai ficar muito mimado!” Todas estas falas revelam um medo imenso de sentir, de observar o que realmente acontece! As pessoas preferem rotular ao invés de RESPEITAR aquele serzinho que acaba de chegar!

Deste modo, as pessoas pressionam a mãe para fazer assim e assado, oferecem mil conselhos e invadem uma relação que está sendo construída paulatinamente! Vale ressaltar aqui o importante papel do pai de proteger esta relação entre mãe e bebê e não permitir que terceiros invadam! Sabemos das ótimas intenções de avós e avôs, tias e tios e todo mundo, mas é preciso silêncio para que a mãe consiga se escutar, escutar seu coração e sua intuição! Que tal confiar mais na sabedoria da vida e dos instintos?!

“O bebê chega ao mundo físico trazendo notícias do mundo sutil, mas, paradoxalmente, só consegue transmiti-las à medida que suas necessidades imediatas do mundo físico são atendidas com precisão. Ele é incapaz de sobreviver no mundo da luz se não tiver qualquer necessidade física e emocional satisfeita integralmente. (…) O bem-estar ou o mal-estar fazem toda a diferença neste tempo mágico de qualquer ser humano. Atrevo-me a afirmar que é este o momento em que a humanidade é dividida entre aqueles que receberam proteção, contenção e contato corporal, e aqueles que não ganharam nada disso”. (Gutman: Mulheres visíveis, mães invisíveis p.13)

É preciso contato, presença para que se estabeleça uma relação de confiança e conexão. Sabemos bem onde nos leva a falta disto, leia também: Maternidade: uma oportunidade de curar sua criança interior!

Conexão Profunda: entre mãe e filho

Escolhi o nome Conexão Profunda para o meu blog, porque sinto que é isso que falta no mundo! Ao escrever, refletir, filosofar eu sinto que aprofundo a conexão com os conteúdos, as pessoas e tudo o que vivo!

Ao observar minha filha percebo o genuíno poder de conexão que ela me traz com a vida! Como é bonito perceber os laços que nos conectam, a forma como ela vai experimentando a si mesma e sua relação com o mundo! Assim, nesta observação, ressignifico também minha própria relação com a vida e o mundo!

Neste processo também percebo como ela me traz questões indigestas de minha própria infância para curar! É tentador bancar a sabe-tudo e tentar fugir desta sensação de desconforto. Porém, sei que o convite que minha filha me traz é uma oportunidade imensa de cura interna e desconstrução de crenças limitantes que devem remontar gerações!

Para tanto, é fundamental manter uma conexão saudável, respeitando meus limites e também os dela! É importante observar a relação de respeito e confiança que temos e perceber quando, às vezes, saio desta sintonia para “ser a mãe que esperam de mim!”. Gosto muito quando Laura Gutman diz que os filhos não precisam de uma boa mãe, mas sim de uma mãe capaz de sentí-los! Vale a pena ver o vídeo Conversamos com a psicopedagoga argentina Laura Gutman sobre o poder do discurso materno.

Acredito que apenas esta disponibilidade emocional para SENTIRMOS permite uma conexão profunda conosco e com nossos filhos! E, a partir deste pressuposto, podemos criar vínculos saudáveis e amorosos para a desconstrução de muitos padrões e crenças limitantes! Ou seja, limpamos e curamos feridas, desconstruímos padrões, e, assim, ressignificamos e construímos novas bases para uma nova história! 

Cada Escolha, uma Renúncia!

Este mergulho emocional requer respeitar o “tempo próprio das coisas!”, algo que é um luxo em nossa sociedade! Geralmente as mães precisam deixar seus pequenos aos cuidados de outras pessoas e retornar para o mundo do controle! Outras, optam por isso como uma forma de fugir deste caldeirão de emoções, desconforto e enfrentamentos! Para as mães que conseguem cuidar de seus filhos nestes primeiros anos também não é uma escolha fácil! Como diz o ditado: “cada escolha, uma renúncia!”

Seja como for, é preciso muita sabedoria e flexibilidade para administrar quaisquer das escolhas que fizermos! Neste processo o que é garantido é o crescimento e amadurecimento! Por isso, quanto mais conscientes estivermos do Agora, quanto mais conectadas aos nossos filhos, mais facilitado será este processo! Quanto mais negarmos, quanto mais medo e fuga, mais “birra” e encrenca nos espera pela frente! Tudo depende do que escolhemos e da forma que decidimos olhar para estas escolhas!

Gosto de pensar a maternidade como uma grande viagem, uma jornada cheia de trilhas e bifurcações, muitos obstáculos e perigos! Claro, há trilhas mais fáceis que levarão a caminhos mais fáceis no início e mais complicados no final. Por outro lado, há escolhas que parecem muito mais difíceis de sustentar, mas que depois se mostram grandes provas de superação!  Recomendo muito o Podcast Tenda Materna sobre autonomia para refletir mais a respeito!

A minha experiência prática

Às vezes quando paro para dar uma respirada e vejo o quanto caminhei, percebo que fiz escolhas mais dificeis e cansativas. Mas que me trouxeram à um caminho de muita conexão com minha filha e muito mais segurança como mãe! Não escolhi porque fulano ou beltrano falou, ainda que fosse pediatra! Eu pesquisei, estudei, analisei, MAS principalmente eu procurei colocar a mão no peito e SENTIR! Tarefa complicada já que não somos mais incentivadas à isso!

Existem muitos caminhos que eu gostaria de ter seguido: parto humanizado, fraldas de pano, sling, shantala… Eu idealizei vários caminhos, mas alguns não aconteceram, não sustentei, simplesmente não deu! Outros, fiz questão de me manter firme, pois SENTIA que eram importantes! Leia também Amamentação: um capítulo à parte!

Assim foi a decisão de dar “complemento” na maternidade no copinho e não na mamadeira. Assim foi a amamentação e a decisão de não dar chupeta! Assim também foi que decidi usar o BLW na introdução alimentar da minha filha. Assim foi a escolha dos alimentos que utilizamos em casa…

E por aí seguem várias trilhas que, provavelmente, me fizeram ficar muito mais cansada à primeira vista! Entretanto, quando vejo onde estamos agora, percebo que segui as trilhas certas de acordo com o meu coração! Por isso, novamente faço uma provocação: quantas vezes nos permitimos simplesmente SENTIR?!

Seja um exemplo digno de ser imitado

“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única”. Albert Schweitzer

Gosto muito de ouvir a Clarissa falando sobre nossa importante tarefa de liderar nossos filhos! E aqui é importante lembrar que liderar não significa mandar, mas sim inspirar, conduzir, facilitar. E para isso, é preciso conhecer tanto a nós mesmas quanto aos nossos filhos!

Vale ressaltar que quando digo para observar e aprender com o processo de desenvolvimento dos filhos, não quero dizer para adotar uma postura passiva! Aliás, muito pelo contrário! Ao observar a si mesmo e ao seu filho, você se permite uma conexão intensa e fundamental para o processo de liderança! Quando acalmamos os “tem que…” e todas as vozes em nossa mente, toda expectativa social, atingimos um estado de consciência maior de nós mesmos e de nossos pequenos! Leia também Colocar o link Universo das Emoções: a Empatia como ferramenta!

Neste estado conseguimos tomar decisões conscientes, autogerir nossas emoções, exercitar a empatia e as habilidades sociais necessárias para redesenhar nossa rotina em direção ao que almejamos como vida, família e educação! No próximo artigo falaremos um pouco mais a respeito deste redesenho!

Gratidão pela leitura! Namastê!

SOBRE A AUTORA

Este texto foi escrito por Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia, participante do Zum Zum de Mães e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda

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As malas prontas fechadas com cadeado abrem as comportas para uma inundação de incertezas, medos e insônia. Já não há mais tempo para desistir, já não há mais como conter ou impedir o crescimento que me espera, sigo apesar e com o pesar da culpa. No portão de embarque, a despedida, digo palavras engasgadas e desafinadas, um choro contido em um nó. Sigo em frente e olho para traz, ela está sorrindo e me dando tchauzinho no colo do pai, penso o quão forte e resiliente ela é, uma lagrima me foge em alta velocidade rosto abaixo, ela não vê. Lembro da primeira vez que me separei da minha mãe, foi com 15 anos que fiz meu primeiro voo solo, exatamente naquele mesmo lugar olhei para traz e quis voltar, sinto agora a mesma vontade, mas sei que se eu voltar não viajo nunca mais. A medida que meus passos me levam para longe vai crescendo em mim a segurança e a certeza de que tudo vai ficar bem.

É a primeira noite em quase 3 anos que não tenho que amamentar, por isso me permito beber vinho livremente, como minha refeição devagar e ainda quente, crianças correm pelo restaurante e vejam só, não sou eu que preciso me levantar para ir atrás, posso enfim terminar uma conversa sem interrupções. A noite avança, entro no quarto me jogo na cama enorme e só minha, não tenho que trocar fraldas, nem escovar dentes que não sejam os meus, me sinto livre, posso ler de luz acesa, posso beber mais um vinho, posso ver um filme ou assistir um vídeo, são tantas as possibilidades, mas acabo dormindo exausta sem ter me decidido por nenhuma delas. Acordo na madrugada sobressaltada, meus olhos e minhas mãos procuram por ela no breu gelado do quarto de hotel, com o coração disparado demoro a me dar conta de onde estou e a que estou, pego novamente no sono, porém agora ele é superficial.

Os dias estão passando, entre aprendizados, afloramentos, cadernetas, anotações e fotografias a saudade se camufla e fica ali como um pano de fundo. No entanto nos finais de tarde ela vem com tudo, as noites vão ficando cada vez mais difíceis. Ligo para falar com ela, mas a tela fria da ligação por vídeo não a entretém como eu gostaria, me ressinto e choro ao desligar, que saudade é essa gente? É normal! Respondo consolando a mim mesma, se não sentisse é que seria estranho. Saio do quarto conformada e pronta para mais um descontraído jantar com outros adultos.

Amanhece mais um dia, mando uma mensagem para uma amiga em franco desabafo: “hoje está especialmente difícil, cansaço, saudade, sinais de ansiedade, mas estou respirando fundo, nomeando as coisas que estou sentindo e assim vou seguindo, afinal está sendo muito importante estar aqui”. Quase que imediatamente chega a resposta cheia de empatia, minha amiga me diz com sinceridade que me entende, diz que eu a inspiro, mal sabe ela que é ao contrário, é ela que me inspira, é ela que me resgata e me traz de volta a razão, aquecendo meu coração antes mesmo da primeira xícara de café.

Antes da viagem eu e minha filha fizemos juntas um potinho de massinha rosa e colocamos pedrinhas transparentes dentro dele, o combinado é a cada dia de manhã ela tirar uma e quando o potinho estiver vazio eu volto. Em uma tentativa frustrada de antecipar minha chegada, ela tira do pote todas as pedrinhas restantes de uma única vez, o pai explica que não é assim, que as pedrinhas são só uma ajuda para contar os dias que faltam e que tira-las de uma vez não vai me trazer de volta. Ela parece entender, mas depois arruma confusão por causa da meia, do sapato, da blusa e do penteado, o pai acolhe, diz que o que ela sente se chama saudade, que é normal e que ele sente também! Por aqui eu também sigo acolhendo e respeitando os meus próprios sentimentos, os valido e os sustento pelo tempo que se fazem necessários. A cada manhã eu também tiro uma pedrinha do meu potinho rosa e imaginário, faltam poucas…

Voltar para casa…

A sensação de missão cumprida me alerta que já é tempo de regressar. Me distraio com a paisagem lá em baixo, rios negros meandrando por entre montanhas de diferentes tons de verde, o avião faz uma curva abrupta e agora o que vejo é o mar, estou enfim chegando em casa…. Viro a chave e abro a porta, sou recebida com sorrisos e abraços pelo meu marido, pergunto por ela ansiosa, ele me aponta o sofá, lá está ela dormindo profundamente. Chego bem pertinho, beijo a bochecha macia e me delicio com cheirinho de bebê que ela ainda tem, ela se meche e se aconchega ainda mais na almofada, parece que minha saudade vai ter que resistir um pouquinho mais. Fico esperando ela acordar, observando e percebendo cada detalhe sobre ela, meu Deus como ela é linda, como os traços dela são delicados e perfeitos, como o cabelinho lembra o meu quando criança, como ela pode estar crescendo tão rápido diante dos meus olhos?

Olhar tudo como se fosse a primeira vez

Em meio a gratidão por estar de volta, meus pensamentos se perdem no espaço e a percepção de tempo fica confusa, parece que muito tempo se passou desde de que parti e ao mesmo tempo sinto que nunca me ausentei. Procuro me distrair reparando a disposição dos moveis e outros detalhes da casa, começo a ver beleza e ordem onde antes só via bagunça e caos. As bonecas de pano espalhadas pelo corredor, as manchas de comida no sofá, as paredes rabiscadas, as marcadas de guache na porta do armário, só fazem confirmar o quanto sou feliz e sortuda. Nossos olhos se encontram enfim, ela sorri e me abraça forte, constata sonolenta “A mamãe voltou! ” fica ali abraçada quietinha sob o meu calor, fica por um tempo mais longo do que o comum para uma criança da idade dela e mais curto do que o necessário para uma mãe babona como eu.

À noite, sozinha no sigilo das minhas reflexões, concluo orgulhosa que uma etapa importante foi concluída com êxito. Percorri novos caminhos, por mais uma vez permeei pelas entranhas da terra desvendando seus segredos, por mais uma vez em meio a natureza vivi a sensação de desbravamento, saciando um pouco dessa sede que me acompanha desde a infância. Mas dessa vez foi tudo tão diferente, pela primeira vez eu silenciei e me reconectei com uma parte de mim que estava adormecida, me recordei quem eu fui um dia e me liguei a quem eu hoje sou. Voltei para casa, já não sou mais a mesma, sou outra, estou completa enfim, mãe e a geóloga se fundiram, já há algum tempo vinham timidamente ensaiando essa integração, tiveram um início confuso de acusações e frustrações, se engalfinhavam ferozes em uma louca disputa de quem renunciava mais em favor da outra, agora seguem pacificas e unidas com o mesmo propósito, dando o melhor que podem, somos uma só… Por agora revisito tudo e olho para tudo como se fosse a primeira vez….

 

Esse texto foi escrito por: Vivian Pessoa, geóloga e mãe da Ive de 2 anos e 10 meses e participante da turma 5 do Zum Zum de mães.

vivian.pessoa@globo.com

viviancpessoa

 

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Hoje foi um dia lindo, almejado eu diria, após um dia de inúmeros desafios e aquela velha e conhecida culpa e sensação de fracasso após o duelo corriqueiro da minha mente tagarela repleta de crenças limitantes enquanto “enfrentava” uma criança nitidamente necessitada de conexão.

Enquanto escrevo essas palavras me sinto ridícula ao dizer que “enfrentava” (isso explica as aspas), uma criança de dois anos e nove meses – o meu filho. A maternidade é muitas coisas, fato, mas definitivamente não é uma batalha, não há o que – ou não deveríamos ter que – enfrentar nem nossos filhos nem ninguém, e ao me ver “enfrentando” meu filho de dois anos e nove meses, me dou conta de que estou enfrentando a mim mesma.

Depois de abrir meu coração e me reconhecer como uma pessoa agressiva, eu abri, para mim, a possibilidade de um caminho, que ainda está certamente cheio de pedregulhos, que agora, no entanto, eu consigo enxergar. Recaídas acontecem, e hoje me vejo num momento de “erros conscientes” que antes vagavam pelo mundo do subconsciente e sem que eu tivesse coragem ou maturidade ou ambos, para acessar. Agora eu tenho. E me responsabilizo, às vezes (na grande maioria ainda) me culpo, me sinto uma fraude, e depois me acolho revisitando toda a trajetória que me fez caminhar até aqui. Certa vez ouvi uma frase que me impactou e sigo refletindo sobre ela: “o caminho se faz caminhando”. E preciso me ancorar nela para entender que o processo é exatamente esse, o de caminhar, o de continuar tentando até que, o que é hoje um erro consciente se torne um acerto inconsciente. É não desistir, nem de mim, nem do meu filho, nem da nossa família. É enfrentar cada queda de frente, tirar a poeira e seguir caminhando, também para frente, ainda que a queda nos faça voltar 3 passos atrás. Essa é a verdadeira poética da resistência ❤️ “a gente quer parar, mas a gente teima” e seguimos nos comprometendo com a gente, com o nosso auto amor, auto cuidado, e sobretudo com o auto conhecimento que, ambíguamente, nos rasga e nos liberta.

Hoje foi um dia lindo, com uma noite desafiadora, um choro, uma frustração, e a tomada de consciência horas mais tarde de que a culpa é resultado do meu Ego querer controlar o que não é controlável… A vida.

Hoje foi um dia lindo e ainda é.

Este Texto foi escrito por: Iara Schmidt (participante do ZumZum 6)
Iara é mineira, e como boa sagitariana é uma viajante nata e buscadora de si. Mãe de um aquarianinho nascido em fevereiro de 2016 – fonte do puro amor e inspiração infinita – realizou da gestação ao puerpério ritos de passagem que transformaram – e continuam transformando – sua essência.

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Numa sociedade tão marcada pela tecnologia e racionalidade, quem anda ditando o jogo são as emoções! O medo, a tristeza, a raiva, a alegria vão se impondo de forma consciente ou, na maioria das vezes, inconsciente! E, quando temos filhos, temos também a oportunidade de fazer um mergulho profundo neste mar de emoções. Afinal, nossos filhos reestruturam nossa existência de forma irrevogavelmente avassaladora! Vale a pena ler também Maternidade: a intensidade de sentir.

A maternidade e também a paternidade trazem à tona muitos sentimentos confusos, muitas emoções que estavam trancadas à 7 chaves! Por isso, lidar com elas é fundamental para que possamos trabalhar com as emoções de nossos pequenos! Neste sentido, considero interessante abordar um pouco o conceito da inteligência emocional.

Inteligência Emocional

Eis aí uma habilidade essencial a ser desenvolvida! Desde que li o livro Inteligência Emocional de Daniel Goleman, fiquei fascinada pelo conceito e sua importância em minha vida pessoal e profissional, como educadora! No livro, o autor descreve cinco habilidades fundamentais para desenvolvermos a inteligência emocional:

1) Autoconciência: reconhecer o que sentimos e porquê sentimos;

2) Autogestão: como administramos nossas emoções estressantes para que não estraguem nosso dia! E como nos motivamos, alinhamos nossas emoções positivas com nossas ações e nossas paixões;

3) Empatia: compreender o que o outro está sentindo;

4) Habilidade Social: a arte de se relacionar, compreender e lidar com as próprias emoções e também com as emoções dos outros!

Desta forma, fica claro o caminho a ser percorrido para desenvolver ou melhorar nossa inteligência emocional. Assim, poderemos liderar nossos filhos para uma vida mais saudável consigo mesmo e com o mundo!

Segundo Goleman, a parte do cérebro que sustenta a inteligência emocional e social é a última a se desenvolver anatomicamente. Por isso, o autor ressalta a importância das experiências repetidas e como podemos ajudar nossas crianças tendo maior clareza do caminho a ser percorrido. Daniel Goleman – Inteligência Emocional

Autoconsciência

De fato, autoconhecimento é algo muito falado, mas pouco exercitado! Por isso, quero fazer um convite desafiador: escreva 10 qualidades suas segundo a SUA PRÓPRIA opinião! Agora escreva 10 defeitos! Em qual das listas você teve maior facilidade, qual delas veio à sua mente com maior rapidez?

Lembro-me de participar de uma dinâmica em que este exercício foi proposto e vi adultos se comportando como crianças querendo “colar”! A dificuldade de olhar para si mesmo era imensa e palpável! Conforme ressaltei no artigo anterior Pedidos deslocados: as consequências das necessidades não atendidas, dificilmente conseguiremos estar emocionalmente disponíveis para nossos filhos, se não pudermos olhar para nós mesmas!

Neste exercício contínuo de se autoconhecer, busque silenciar sua mente e ouvir seu coração! Do que você precisa? O que deseja? Procure cuidar-se e nutrir-se para que possa transbordar em se doar para seu filho, sua família e para o mundo! Desapegue do papel de mãe mártir e sofredora e redesenhe a mãe que você imagina feliz, satisfeita consigo e com seu papel!

Autogestão

Administrar meus próprios sentimentos é a tarefa mais incrível e desafiadora com a qual tenho me ocupado recentemente! Vale ressaltar que minha filha tem 2 anos e meio, então acredito que não preciso explicar muita coisa! Vejo que ela nega para se impor, me imita grande parte do tempo e eu gostaria de transmitir a ela a minha melhor versão.

Entretanto, como fazer isso quando “minha platéia” está colada em mim e me acompanha inclusive “na coxia”, isto é, fora do palco, rs!? Acho que a citação que Daniel Goleman escolheu para seu livro é excelente e propícia:

Qualquer um pode zangar-se, isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa não é fácil. Aristóteles, “Ética a Nicômaco”

Quando li o livro, percebi a importância de me autoconhecer e reconhecer minhas fragilidades emocionais para trabalhá-las! Desta forma, eu pensava que seria uma guerra interna: minhas qualidades versus os aspectos que eu precisava trabalhar. Por muito tempo vivi neste conflito interno: idealizando a pessoa que eu queria ser e buscando sufocar a que eu já era e via como “defeituosa”.

Contudo, ao longo de minha caminhada fui percebendo que decretar guerra interna é inútil, pois consome energia, tempo e amor-próprio! Então, fui percebendo a importância de abraçar e integrar minhas sombras! Afinal, como diz Jung: “Aquilo a que você resiste, persiste”. Após a maternidade, esta frase foi se explicitando cada vez mais na concretude da vida diária com uma criança, rs!

Empatia

A capacidade de sentir empatia, de se colocar no lugar do outro e simpatizar com seus sentimentos é algo instintivo! No documentário A Revolução do Altruísmo, cientistas fazem experiências com macacos e também com bebês e descobrem esta habilidade desde muito cedo. A partir de nossos primeiros passos nesta jornada chamada vida, já somos capazes de nos simpatizar com o outro, suas preferências e necessidades! Ou seja, trazemos esta habilidade dentro de nós e acredito que a maternidade e paternidade seja um convite para desenvolvê-la e expandi-la ainda mais!

Sendo assim, para que sejamos capazes de nos reconectar com esta habilidade é preciso exercitar olhar o mundo sob a perspectiva do outro! Neste aspecto, recomendo assistir ao vídeo O Mundo Sob A Perspectiva da Criança. Com uma narrativa leve e bem humorada, Isabela Minatel nos mostra o distanciamento que temos do Universo de nossas crianças e a importância da empatia! Quantas vezes as crianças são ignoradas pelos adultos? Tratadas como “páginas em branco” ou como mini-adultos? Desconsideradas em suas necessidades?

Vamos exercitar a empatia com nossos pequenos! Vamos permitir que uma roupa suja seja uma descoberta de sabor ou um exercício de autonomia! Vamos ser mais leves e deixar que a criança experimente o mundo, utilizando todos os seus sentidos com paixão pela descoberta! Amo ver a forma como minha filha se relaciona com os legumes, se suja com a beterraba, “cozinha” com a casca da cebola… Menos plástico e mais vida, as crianças e o planeta agradecem!

Habilidade Social

A partir destes pressupostos: autoconsciência, autogestão e empatia, o relacionamento social acontece com muito mais fluidez! Quando estamos em harmonia conosco, somos capazes de nos relacionar muito melhor com os outros e com o ambiente! Neste ponto, quero ressaltar a ânsia que percebo em muitos pais para que seus filhos desempenhem papéis que eles próprios não conseguiram. Muitos pais depositam em seus filhos suas expectativas frustradas para que a criança seja: a bailarina, o jogador, o inteligente ou o esportista…

Vejo que, muitas vezes, caímos na armadilha de ficar fixados em nossa criança ferida e esquecemos de olhar VERDADEIRAMENTE para nossos filhos e deixar que sejam como são! Ansiosos por corresponder às expectativas externas, deixamos de olhar para nossos pequenos e perceber do que realmente precisam! Vale a pena se atentar para este universo dos rótulos: a tímida, o esperto, a popular… Leia também Rótulos para produtos, não para pessoas!!

Pensando nas crianças do nascimento aos 7 anos, posso afirmar que suas necessidades emocionais devem ser satisfeitas prioritariamente. Uma vez construída uma estrutura afetiva sólida, logo aparecerão os interesses intelectuais ou esportivos genuínos, que os pais atentos poderão ajudar a desenvolver. O interesse e a paciência necessários para olhar aquela criança em particular correspondem a uma maturidade do adulto que não projeta nos filhos seus próprios desejos, mas sim os libera de sua sombra, permitindo que aquela criança desenvolva sua missão na Terra como ser único e diferenciado. (Laura Gutman, A Maternidade e o encontro com a própria sombra, p.313)

O convite aqui é para que sejamos capazes de permitir aos nossos filhos serem AUTÊNTICOS em sua forma de se comportarem socialmente! Aliás, quem sabe aproveitamos o momento e exercitamos esta autenticidade também! “Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar”. Carl Jung

A Empatia como ferramenta

Desde a gravidez tive a sensação de cair num gráfico de estatísticas! Neste figuravam: qual o ganho de peso; quantos centímetros neste mês; qual o padrão esperado? Conforme a gente vai ganhando mais confiança, percebemos que se trata de uma pessoa com escala única de desenvolvimento! Não é um número, não é uma estatística, é um ser humano com o SEU TEMPO de desenvolvimento!

Desde que me descobri grávida eu adotei a filosofia de CURTIR CADA MINUTO! Por isso, fui buscando SENTIR o ritmo de minha filha para começar a comer, a engatinhar, a andar, a falar… Eu procurei me blindar para as opiniões e comparações externas! Desta forma, eu nunca a pressionei e mantive algumas inevitáveis comparações apenas dentro de minha mente ou em conversas particulares com meu marido! Nós dois nos apoiamos no processo de OBSERVAR nossa filha se desenvolver!

No documentário A Educação Proibida, do qual ainda falarei muito a respeito, é citado o exemplo de um jardineiro que ansioso para ver as plantas crescerem todo dia as puxava, tentando esticá-las. O resultado não foi o que ele esperava: ou elas cresceram deformadas ou morreram!

Portanto, é preciso seguir o fluxo natural das coisas, respeitando o seu tempo próprio com sabedoria e EMPATIA! Esta sim é uma grande ferramenta para exercitarmos melhor nossa relação com nosso filho e dele com o mundo! Por isso, faço um último convite: resolva seus próprios traumas e frustrações! Leia Maternidade: uma oportunidade de curar sua criança interior! Liberte-se e permita-se observar e aprender com o processo ÚNICO de  desenvolvimento de seu filho. Seja empático com ele e ensine-o a arte da empatia nas relações, nosso mundo ficará muito mais harmonioso desta forma!

Gratidão pela leitura! Namastê!

 

SOBRE A AUTORA

Gisele Mendonça, cientista social, mestre em sociologia e, principalmente, MÃE! Tem um blog chamado Conexão Profunda, visite www.conexaoprofunda.com.br e curta a página no facebook Conexão Profunda

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