Maternidade e autoconhecimento com o Zum Zum de mães

Minha maternidade perfeita

Eu sempre quis ser mãe, minha gravidez foi com o homem que eu queria, na idade que eu queria com 28 anos, e minha gestação foi uma maravilha, não tive enjôo nenhum, nenhum episódio traumático que pudesse afetar a mim e a minha bebê, tive o parto normal, que foi possível como eu idealizava, e pra mim até então tudo era perfeito… até o desespero bater na minha porta no quinto dia em que chegamos em casa porque eu não conseguia amamentar, fui parar no hospital no sétimo dia com a minha filha em casa com um quadro de estresse agudo, e ouvia pelos cantos minha mãe falando com meu pai que achava que eu estava com depressão pós parto. Minha maternidade perfeita ruiu.

Vim a saber depois que esse quadro de stress fazia parte de algo que eu nunca tinha ouvido falar que se chamava puerpério, que um dos nomes para o stress pós parto era também baby blues. E esse foi só o começo do meu encontro com o que mais de um ano depois eu ouviria a denominação “sombras”, por meio da Clarissa Yakiara, e posteriormente lendo o livro da Laura Gutman “A maternidade e o encontro com a própria sombra”.

Sentimentos devastadores do puerpério

Meu sentimento era de total desolação, de impotência, até mesmo de raiva daquele bebê que não mamava, que se acalmava no colo de outras pessoas, mas no meu chorava. Claro, eu não conseguia transmitir segurança pra ela (muito menos pra mim mesma), por isso ela chorava comigo, vim a entender todo esse mecanismo tempos depois, lendo alguns textos sobre maternidade, pós parto, nos perfis nas redes sociais que tratavam do assunto. Não fazia nada sem antes pesquisar a hashtag no instagram, fiquei tão perdida e refém, e ao mesmo tempo me sentia amparada por aquelas postagens nas redes, e hoje vejo que esses perfis acabaram se tornando de certa forma uma rede de apoio para mim num momento de insegurança sem fim. Desenvolvi um medo de tudo, absolutamente tudo.

O medo sempre foi uma emoção predominante em minha vida, e quando me tornei mãe todos os medos se potencializaram. Consequentemente, minha filha teve cólicas até o quinto mês, na introdução alimentar ela simplesmente não comia, voltei da licença maternidade e ela não aceitava outro leite senão o materno, a ida a escolinha com 10 meses foi um desafio enorme porque ela demorou a se adaptar e eu precisava trabalhar, e isso só fazia aumentar minha insegurança e minha sensação de culpa e de incapacidade.

A procura de rede de apoio e ajuda profissional

Através de um grupo de whatts app conheci algumas mães que se tornaram uma rede de apoio muito importante para mim, as quais sou muito grata, que depois por indicação de uma delas cheguei ao Zum Zum de Mães, e então pude me aprofundar nos temas sobre maternidade que muitas vezes eu via nas redes sociais, de certa forma acabavam me ajudando muito, porém muitas vezes eu não sabia o que fazer com aquelas informações. Por vezes me sentia culpada por não conseguir aplicar aqueles princípios novos na minha vida, algumas vezes me sentia com raiva das pessoas da família que pensavam diferente de tudo aquilo que fui absorvendo como certo pra criação da minha filha, que fazia sentido pra mim, mas me colocava num lugar de pouca empatia com quem pensava diferente. Quando olho pra trás, vejo o quanto foi solitário estar nesse lugar.

Minha experiência no Zum Zum de Mães começou em um momento em que eu culpava o mundo por todo meu sofrimento com a maternidade, culpava meu passado, culpava meu marido, e nossa relação ia de mal a pior, eu sempre achando segundo a minha percepção limitada naquele momento que ele não assumia seu papel de pai, e por isso eu me sentia com o peso do mundo nas costas.

Então com o Zum Zum de Mães eu fui entrando num processo de autoconhecimento que mudou minha história como mãe, que aos poucos foi desfazendo em mim o meu papel de vítima das circunstâncias e das pessoas, entendi que minha filha era um espelho fiel do meu interior, das minhas emoções reprimidas, das minhas “sombras”, daquilo que era oculto à minha consciência e que eu já não acessava desde a infância, mas que com a maternidade aflorou de maneira assustadora, e ao mesmo tempo, como uma grande oportunidade de ressignificação e cura.

A “fusão-confusão”

Meu primeiro sentimento quando fui entendendo que minha filha era em um dos seus aspectos um espelho do meu interior, foi de muito culpabilização. Sentia culpa por cada vez que ela adoeceu, e entrei numa busca frenética de querer “resolver minhas questões” pra que ela não adoecesse mais, e ela vivia doentinha, e cada vez que ela adoecia minha culpa aumentava porque eu pensava que eu estava fazendo minha filha sofrer por minha causa, e queria que aquela dor fosse pra mim.

Mas hoje entendo que aquela dor era muito mais minha do que dela, e que ela nesse amor compassivo que os filhos tem pelos pais, escolhia adoecer pra dividir comigo essa dor, e tentar minimizá-la, além de me convidar a olhar pro meu interior negligenciado. Quão linda é toda essa dinâmica, eu não consigo descrever!

Ainda hoje tenho momentos de me culpar, de me sentir péssima por ela adoecer, aliás, em todas minhas buscas interiores vejo que existem em mim traumas relacionados a doenças, por isso que me afeta quando minha filha adoece, remexe muitas coisas dentro de mim.

Gratidão ao processo

Porém, aos poucos tenho conseguido mudar em mim a forma de encarar as minhas sombras espelhadas na minha pequena, e hoje meu sentimento é de imensa gratidão a ela por me mostrar uma chance de autocura, uma segunda chance de reviver aquilo que doeu em minha criança interior, e que hoje ao re-olhar pro que doeu posso dar novo significado enquanto adulta. Ressignificar a percepção da dor de “castigo” para “estar à serviço”, de crescimento pessoal e espiritual é libertador e belo ao mesmo tempo. Não é da noite para o dia que se muda essa chave dentro de si, é algo diário e constante. É um processo intenso, que não é fácil, mas que mudando de pensamento devagar, no dia-a-dia, vão se desenhando novas perspectivas dentro de nós.

Sinto muita gratidão por todo o processo de autoconhecimento que a maternidade despertou em mim, pois tudo que tenho vivido, todas as minhas buscas interiores, através de terapias, de muito estudo e muitas leituras, de assistir palestras e palestras sobre o tema autoconhecimento e maternidade com diferentes abordagens, os insights são cada dia mais claros, minha mudança é cada dia maior, e ver essa clareza e leveza se refletindo na minha filha e no nosso entorno familiar não tem preço.

A possibilidade de ser feliz em meio aos desafios

Sinto que esse caminho não acaba aqui, e que essa mudança está apenas começando. Cada fase traz consigo novas questões a serem olhadas e integradas. Porém não posso esperar pra ser uma mãe mais feliz somente no futuro – enquanto mergulho no meu autoconhecimento e na minha autocura vou desfrutando do que a vida me reserva na beira da estrada, ora me deparo com uma linda vista de flores exalando perfume, ora com algumas pedras no caminho, mas o importante é continuar caminhando rumo a nossa verdadeira essência, rumo ao nosso “Eu” interior.

Parafraseando Gandhi, isso nunca fez tanto sentido pra mim como hoje faz: “Seja a mudança que você quer ver no seu mundo, do seu filho e da sua família”! Cada dia me convenço mais de que o segredo está em e no “Ser”.

SOBRE AUTORA: Este texto foi escrito por NATALIA CAMILA DA SILVA, 32 anos, mãe da Olívia de 3 anos, Participante da Turma 5 do Zum Zum de Mães, Funcionária Pública, Gestora de Recursos Humanos, adepta do Sagrado Feminino. Escreve para elaborar suas emoções, só de escrever se sente mais leve e mais inteira.

IG: natycamila87

2 Comments

  • Renata Galindo disse:

    Belíssimo texto amiga, me senti ao teu lado tomando um chá e trocando experiências! A cada dia uma nova Natalia floresce e é só o começo!

  • Elizangela disse:

    Que bela história a descoberta de ser tão forte quando acreditamos que não temos mais força, parabéns pelo texto e obrigado por compartilhar conosco todo esse desfio que te faz forte e nos fortalece ao ler e se identificar.

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