Mais uma carta de amor

Você completou 3 anos e quando eu achava que já tinha me munido de todas as ferramentas para lidar com seus sentimentos diante da vida, me deparo num imenso vazio.

Logo eu, que mergulhei (e ainda mergulho) fundo, que aprendi a ter coragem de olhar para as minhas próprias dores e sombras, me sinto só diante de uma maleta repleta de ferramentas que não sei usar (ou acho que não sei).

Depois de longas semanas e do longo feriado de carnaval, onde me vi incontáveis vezes impotente diante de suas crises – e cheguei inclusive a pensar que eu havia escolhido um caminho muito tortuoso e que não me dava garantia de nada, além de não me fazer ACABAR com aquele choro desesperador, eu me compadeci. Não uma vez, mas várias. Me lembrei quando aprendi a sustentar suas primeiras crises, me lembrei que para sustentá-las eu preciso me sustentar também; me lembrei que eu também sou humana e que a minha raiva é o meu maior desafio e não você.

Recentemente, ouvi de alguém que amo muito, que ele também se sentia frustrado por não saber conter a raiva no auge dos seus sessenta anos. Me compadeci outra vez, lembrando que está tudo certo sentir raiva e que o verdadeiro desafio é o que fazemos dela e com ela.

Confesso, desejei culpar a vida, os outros, as circunstâncias, e voltar ao antigo padrão mental, então me lembrei também, que a única grande responsável pela minha vida e com o que acontece com ela, sou eu mesma. Me compadeci outra vez, lembrando que os dois passos dados para frente diante dos 10 passos para trás em cada recaída, me fazem querer avançar e, olhando bem nesse último ano, acho que, modéstia a parte, os dois passos adiante realmente foram dados.

A medida em que avançamos e retrocedemos, algo em nós mudou para sempre… e agora, aqui, escrevendo, percebo que o que eu sempre falo enquanto artista, sobre a vida ser movimento, é fato. Nunca uma crise emocional será igual a outra, porque estamos todxs em constante movimento transformador. E é claro que os micro-movimentos entram na dança, aliás, tenho quase certeza que são justamente esses que concretizam os nossos dois passos adiante.

A maleta repleta de ferramentas continua me assustando na maior parte das vezes, mas é nela também que está o meu refúgio. Ao silenciar a minha mente, consigo escolher a ferramenta adequada. Nem sempre é tão simples – aliás, pra ser bem sincera, na gigante maioria das vezes é bem desafiador te ouvir antes de ouvir a mente tagarela, mas sigo tentando. É nesse esforço que me compadeço, é no momento em que, mesmo dando 10 passos para trás e pedir o seu abraço para EU me acalmar e recebê-lo genuinamente, que sinto estar munida de ferramentas que, muito além da garantia (que não existe) desejada, elas me ofertam algo para a toda a vida, elas potencializam o amor.

TEXTO escrito por: Iara Schmidt
Iara é mineira, e como boa sagitariana é uma viajante nata e buscadora de si. Mãe de um aquarianinho nascido em fevereiro de 2016 – fonte do puro amor e inspiração infinita – realizou da gestação ao puerpério ritos de passagem que transformaram – e continuam transformando – sua essência.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *