Coragem

Desde que engravidei pela primeira vez, comecei a ouvir de algumas pessoas, sobretudo outras mães, as seguintes expressões: “Nossa, que CORAGEM!”, “Que CORAJOSA!”, “CORAGEM, hein?” ou outras expressões com o mesmo significado.

Acontece que nunca me achei tão corajosa assim, pelo contrário, sempre me julguei até muito medrosa! Devido a tanto ouvir tais expressões, e principalmente pelo fato da frequência com a qual as escuto ter aumentado nestes últimos quatro anos, resolvi refletir a respeito. É sobre esta reflexão que quero compartilhar com você.

Mas antes disso, o que é a CORAGEM?

Agir com o coração

Do Latim, CORAGEM é Agir com o Coração. Ou seja, agir de acordo com o que se sente, com aquilo que se acredita verdadeiro.

Nos dicionários, encontramos alguns significados como:

  • Moral forte perante o perigo, os riscos; bravura, intrepidez, valentia.
  • Força espiritual para ultrapassar uma circunstância difícil; confiança.
  • Capacidade de enfrentar algo moralmente árduo; perseverança.

Algo interessante que descobri fazendo esta reflexão e pesquisando um pouco, é que, CORAGEM não é a ausência de medo, mas sim se colocar em ação apesar do medo.

A partir desta constatação, muitas fichas começaram a cair. Conclui de fato que sou mesmo uma pessoa muito corajosa, e tenho certeza que você também é!

Vamos aos fatos!

Primeira Gestação e a Escolha do Parto

Para quem ainda não sabe, eu tive dois partos domiciliares planejados (Laís e Gael) e estou me planejando para o terceiro (Lara). Sempre tive o desejo de ter parto normal, daqueles tradicionais que a gente conhece, no hospital, deitadinha, com anestesia… Não que eu achasse que esta era uma escolha melhor para o bebê ou para mim, mas porque eu tinha medo da Cesárea, de ser cortada, de levar pontos e até então, eu desconhecia totalmente as alternativas de parto natural (hospitalar ou domiciliar).

Meu marido, osteopata, foi quem plantou em mim a sementinha do parto natural domiciliar. A princípio rejeitei a idéia, tive medo. Porém, me informei sobre o assunto e abracei a causa. Foi então que comecei a ouvir: “Que CORAGEM!” e algumas outras vezes também ouvia “Você é louca!” sempre seguidos por olhares de desaprovação.

Se tive medo? Claro que sim!

Acredito que independente do tipo de parto sempre existirá um pouco de medo, principalmente para a mãe de primeira viagem.  São tantas coisas que podem acontecer, sobretudo quando a mulher não se prepara e não se informa.

Considerando que o bebê já está dentro de você, e que quando estiver pronto ele vai ter que sair de alguma forma, o que pode ser feito para minimizar o medo deste momento? Eu me informei, busquei pessoas capacitadas para me apoiar e encorajar.

Fiz minha escolha pelo parto domiciliar baseada em estudos e pesquisas que comprovam que, quando bem planejado e em gestações de baixo risco, o parto domiciliar é muito benéfico para mãe e bebê. Apesar do medo, segui em frente e agi conforme meu coração. CORAGEM!

Segunda e Terceira Gestações

Eu já compartilhei um pouco sobre a minha segunda gestação e também sobre a descoberta da terceira. Em ambas senti medo. Na verdade, ainda sinto.

O que quero dividir neste momento é que, com a gravidez do Gael passei a ouvir mais a tal da expressão: “Que CORAGEM!”. E agora então, com a Lara em meu ventre, imagino que você faça idéia do quanto esta expressão se tornou familiar para meus ouvidos. Duvido que você que está lendo este texto, e que é mãe de um ou de dois não pense a mesma coisa sobre quem é mãe de três, ou de quatro ou de mais. Principalmente quando os filhos são bem pertinho um do outro.  Por aqui são três filhos em quatro anos. Dá para imaginar o Tsunami? Realmente é preciso muita CORAGEM!  Agir com o coração apesar dos muitos medos que envolvem a maternidade.

A Transformação da Vida Profissional

Um outro fato da minha vida que faz com que as pessoas digam que sou corajosa foi o da mudança profissional.

Sou Engenheira de Alimentos, e desde a minha formação em 2006 atuei como tal (até agosto de 2018). Todavia, antes mesmo de ser mãe, eu não estava satisfeita com a minha vida profissional. Eu trabalhava como Supervisora de Produção em uma empresa multinacional de grande porte, sonho de consumo de muita gente. Tinha um salário bom, benefícios, mas trabalhava demais e não estava realizada com o que fazia. Estava procurando emprego em outras empresas com a idéia de que talvez mudando de ambiente eu pudesse me encontrar profissionalmente de novo e me realizar.

Laís nasceu e comecei a perceber que o mundo corporativo não fazia mais sentido para mim. Não adiantaria simplesmente mudar de emprego, eu queria um trabalho que me realizasse não apenas financeiramente, mas que estivesse alinhado com os meus valores, e que me permitisse maternar com mais qualidade. Fiz um processo de Coaching e me encantei. Em paralelo, estava participando do Zum Zum 4 e também me encantei. Percebi que eu podia unir as duas coisas e através do Coaching ajudar outras mães. Comecei a me preparar para isso fazendo uma formação em Coaching e estudando sobre Parentalidade Consciente, Ciência do Início da Vida, Disciplina Positiva… A idéia era terminar a formação, iniciar a nova carreira em paralelo à antiga, estabelecer-me na nova profissão, pedir demissão da empresa e depois engravidar do segundo filho.

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Mas… não temos o controle de tudo, e foi então que engravidei do Gael. Alguns planos precisaram ser revistos, inclusive o da transição de carreira. E agora?

Segui a gestação trabalhando e ao mesmo tempo me dedicando aos estudos e à formação para a nova profissão, todavia em passos mais lentos do que antes, pois outras demandas se tornaram prioridade. Continuar no mundo corporativo não dava mais. Dois filhos pequenos, pouca rede de apoio e meu marido viajando bastante a trabalho não combinavam com minha antiga vida profissional. Por outro lado, eu não estava com a nova carreira consolidada e pedir demissão naquele momento seria mais um ato de loucura do que de CORAGEM.  Ainda assim, mais uma vez foi preciso CORAGEM para o próximo passo. Conversei com meu gestor sobre a possibilidade de um acordo ou demissão. Precisei retornar ao trabalho ao fim da licença maternidade e após dois meses a demissão aconteceu.

“Que corajosa!”, ouvi de muita gente. Trocar o certo pelo duvidoso é para a grande maioria um ato de muita CORAGEM.

De fato, a CORAGEM aqui foi fundamental, visto que a nova carreira ainda não estava totalmente consolidada quando sai do emprego. Muitos medos me rondavam e eu precisava enfrentá-los com bravura, com CORAGEM.

Tomando posse da CORAGEM

Em minhas reflexões, percebi que era comum eu pedir a Deus em oração por CORAGEM. E como obter CORAGEM se não diante de situações que exijam esta virtude? Deus, em sua sabedoria me atendeu enviando exatamente aquilo que eu precisava para colocar em prática a tão almejada CORAGEM.

Diante de tais fatos, e entendendo que CORAGEM não significa ausência de medo, como até então eu julgava ser, resolvi assumir a mulher CORAJOSA que sou. Não tem sido fácil nem gostosinho, principalmente porque me considero muito medrosa.  Entretanto, acredito que CORAGEM é uma virtude fundamental para a maternidade. Instintivamente, quando nos tornamos mães nos tornamos mais corajosas. Fazemos coisas que jamais imaginávamos que seriamos capazes de fazer.  Mas no meu caso eu sentia e ainda sinto que preciso de mais.

  • CORAGEM para mergulhar mais fundo nas profundezas do meu ser;
  • CORAGEM para trazer luz para minhas sombras;
  • CORAGEM para reconhecer e aceitar que sou a melhor mãe que posso ser;
  • CORAGEM para reconhecer e aceitar minha “beleza imperfeita”;
  • CORAGEM para me amar em primeiro lugar;
  • CORAGEM para assumir a responsabilidade pela minha felicidade;
  • CORAGEM para aceitar que a Amanda de hoje não é e mesma Amanda de ontem, e nem será a mesma Amanda de amanhã;
  • CORAGEM para dizer não, mas também para dizer sim;
  • CORAGEM para partir, mas também para ficar;
  • CORAGEM para deixar ir aquilo que não se encaixa mais em minha vida;
  • CORAGEM para ser quem eu nasci para ser!

(Já estou me tremendo inteira só de pensar nas situações que o Universo vai preparar para que eu possa exercitar a CORAGEM em cada um dos casos que citei acima…)

Coragem: Um Presente da Maternidade

Não sei o que você pensa sobre isso, mas para mim, quando nos tornamos mães, automaticamente ganhamos uma dose extra de CORAGEM. São tantas situações novas no nosso dia a dia que temos que lidar e não sabemos como, tantos medos diante do desconhecido. Mas como mães, temos consciência que não podemos ficar paradas diante do medo, temos que agir de alguma forma. Então surge a CORAGEM de onde nem imaginamos! E não tem essa de que o fato de eu ter três filhos me faz mais corajosa do que quem tem apenas um. A CORAGEM não está relacionada com o “tamanho do perigo”, mas sim com o “tamanho do medo” diante do perigo.  Para exemplificar: talvez uma mãe que tenha só um filho exercite muito mais a CORAGEM do que uma mãe que tenha dois, três, ou quatro, considerando que a primeira não tenha se planejado para ser mãe, e a segunda se planejou para ter exatamente este número de filhos.

Ser mãe, por si só, é um ato de CORAGEM desde a gestação. Enfrentamos os riscos da gravidez, do parto, e depois o de cuidar de um serzinho que depende totalmente de nós. Estamos constantemente agindo de acordo com nosso coração. Precisamos nos reinventar, nos redescobrir… Muitas de nós, antes de ser mãe, nunca experimentou trocar uma fralda, dar um banho em um recém-nascido…e para estas, cada uma dessas simples ações exige CORAGEM.

Como tem sido com você?

Observe-se!

Quais os seus medos?

Como você pode agir para enfrentá-los?

De que maneira você pode encorajar-se?

Quero te convidar a aceitar mais este presente da maternidade e assumir a CORAGEM que existe em você!

Experimente sentir aquele friozinho na barriga ao enfrentar seus medos, aquele que a gente sente quando está em uma montanha russa. A vida com CORAGEM fica mais dinâmica e divertida.

Texto escrito por Amanda Balielo, Mãe da Laís e do Gael, Coach de Mães e participante da turma 4 do Zum Zum de Mães.

@amandabalielocoach 

Http://facebook.com/amandabalielocoach

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