Outro dia tive um discussão com meu esposo na frente do João. Estávamos no carro e discutimos por algo relacionado a dinheiro, contas a pagar, etc – tema básico para discussões de casal…rs.
Percebi que o João ficou um pouco incomodado com a situação, tentou chamar minha atenção para algo diferente e pouco a pouco terminamos a discussão e ficamos todos em silêncio.
Quando chegamos em casa o João foi tomar banho e estava muito inquieto, não passava o Shampoo, não fazia o que eu pedia, estava respondendo com agressividade e eu comecei a ajudá-lo a se lavar. Eu ainda estava com raiva da discussão anterior e por pouco não gritei ou fui mais ríspida com o João.
No final do banho eu estava secando seu corpo e me veio um insight: “devo FALAR para o João sobre o que estou sentindo, assim posso liberá-lo desta angústia e ansiedade que ele está me mostrando.”
Falei pouco, de maneira simples para que ele pudesse compreender: “Meu filho a mamãe está preocupada com uma conta que EU e o papai temos que pagar, por isso discuti com ele. Agora, VOCÊ pode ficar tranquilo porque amanhã vou resolver isso. Me desculpa por falar Brava com o papai, eu vou me desculpar com ele e vou tentar não fazer isso mais.”
Parecia um passe de mágicas, o João se transformou, desde sua expressão facial a suas atitudes. Ele estava mais sereno, cooperativo e aberto para se relacionar comigo e com seu pai!
Cada vez que eu percebo que o João está agitado, angustiado, ansioso, triste, ou algo assim, busco dentro de mim uma correspondência e sempre que encontro, comunico com ele o que estou sentindo.
Isso é um SEGREDO, se responsabilizar pelo que está sentindo e comunicar com a criança, a libera de questões que fazem parte do mundo dos adultos e a trás de volta ao presente e a fantasia do universo infantil.
Neste fim de semana, sai com meu filho sábado de manhã para comprar o presente de uma amiguinha, que faria aniversário naquele mesmo dia. Já no carro ele me perguntou se eu também poderia comprar um presente para ele. Eu avisei que não, que hoje iríamos comprar o presente da ANA e nada mais.
Andamos um pouco pela Savassi, bairro comercial de BH, preferi passear ao ar livre, pelas ruas da cidade, do que ir com ele para dentro de um shopping, pois acreditava que seria menos tentador para o João (meu filho). Logo que chegamos ele me pediu um iogurte. Já tínhamos tomado café da manhã a algum tempo e sabia que ele estava com fome, por isso disse que sim! Tomamos o iogurte e saímos para caminhar e procurar o presente da sua amiga.
Geralmente presenteio as crianças com brinquedos artesanais, de madeira, pano, lã e outros materiais naturais, ou compro uma roupinha básica e confortável que a criança possa usar em seu dia a dia para brincar e se divertir.
Mas não é este o ponto que quero compartilhar com vocês. O que me chamou atenção nesta manhã de sábado é que mesmo com os avisos e combinados anteriores, que deixaram “pelo menos para mim” bem claras as regras, o João insistiu por várias vezes para eu comprar algo para ele. Aos pouco com tanta insistência, fui ficando incomodada, minha paciência foi esgotando e no final falei bem firme com ele no meio da loja, na frente de diversas pessoas, que não iria dar nada para ele naquele dia! (Claro que me senti bem culpada, depois disso!)
Finalmente comprei um macacão para a ANA e fomos embora. Conversando com meu pai depois, percebi que a responsabilidade não era do João. O “papel” dele é lutar por sua vontade, ele vai insistir e persistir por seus desejos… Tenho ciência que ele é uma criança um tanto quanto mimada, “por seus avós” principalmente, pois é neto único das duas famílias. Não culpo os avós, nem o meu filho por isso. O que faço é fortalecer meu exemplo como mãe e assumo minha responsabilidade como tal. Nesta situação aprendi, que preciso ficar mais atenta e me organizar melhor frente a estas tentações que “coloco meu filho”.
O mundo ao nosso redor está organizado para despertar nossos desejos e nos distrair do que realmente importa. Se nós adultos somos constantemente levados por nossos desejos e distraídos por cores, formas, luzes e ofertas, imagine só as crianças?! Sinto que como mãe meu papel é proteger meu filho destas “tentações” e caso realmente ele precise me acompanhar em um programa como o de sábado de manhã, desejo ter força para manter o “Não” sem sair do meu centro, pois afinal foi eu que escolhi levá-lo para fazer compras… E o pior para fazer compras para outra pessoa e não para ele…
Só me restam agora os aprendizados e a vontade de fazer melhor sempre. Compartilho aqui algumas dicas para enfrentar com mais leveza e naturalidade esse tipo de situação:
1) EVITE tentações – se não for a única opção, não leve seus filhos para fazer compras com você, pelo menos enquanto tem entre 0 e 7 anos… o que ele precisa num sábado de manhã é brincar livremente numa praça, num clube, em sua casa, na casa da avó… e não sair para comprar coisas para outras pessoas!
2) Caso tenha que levá-lo com você para fazer compras, tenha claro o que vai comprar e quanto quer gastar.
3) Escolha o local onde fará suas compras: evite shoppings, dê preferencia as lojas nas Ruas pois são mais interessantes para as crianças e menos tentadoras. Nas ruas tem pássaros, árvores, ele poderá experimentar mais a vida como ela é…
4) Atenção ao horário: tente não sair muito da rotina da criança, alimente-a antes de sair de casa, para que não sinta fome durante o passeio. Além disso não vá num horário que o sol está muito quente!
5) Não tenha medo de dizer NÃO, é fundamental para a criança aprender de forma amorosa e firme a lidar com pequenas frustrações como comprar um presente para outra pessoa e não receber nada neste dia. Seu filho não vai morrer por isso, nem você vai ser a pior mãe do mundo, acredite, dizer não é FUNDAMENTAL. Ainda mais em tempos atuais, nos quais muitos pais e mães tentam compensar a falta de atenção e carinho com a criança por presentes e consumo desmedido.
Hoje em dia vivemos “pressionados” por um sistema que valoriza e exacerba o ter e o saber em detrimento do ser… Muitas vezes nós pais nos deixamos envolver por isso e começamos a comparar nossos filhos com outras crianças, fazer cobranças e exigências que estão a quem de suas capacidades, de maneira inconsciente e cruel, em busca de um tão almejado SUCESSO… Esperamos que nossos filhos supram nosso desejos frustados, sejam o que não conseguimos ser e camuflamos nossas expectativas com a crença de que “queremos o melhor para as crianças”…
Será mesmo? Você já parou para pensar em quais os impactos que essa “pressão” pode gerar no desenvolvimento futuro destas crianças? Baixa auto estima, falta de confiança, ansiedade, estresse, são apenas algumas das possibilidades.
E o que será então que meu filho precisa realmente? O que um filho PRECISA saber?
1) Que há um lugar no coração do seu pai e da sua mãe que é só dele…
Que apesar de todas as prioridades e afazeres você o ama incondicionalmente. Amar incondicionalmente é tirar o SE de nossa mente. Parar definitivamente com o “Eu te amo SE…”. Eu te amo se… você me respeita, me escuta, faz o que eu quero, atua de acordo com minha expectativas, toma banho na hora que eu digo, come tudo, faz sua lição, tira boas notas, não grita, não faz uma pirraça, etc…
E dar espaço para o EU TE AMO SEMPRE mesmo quando você não diz que não me ama, diz que sou feia, quando não faz o que eu peço e expressa o que sente, quando coloca para fora suas emoções (raiva, tristeza, medo, etc)… Mesmo assim eu te amo meu filho.
2) Que para todos medos e desafios que tenha existe um porto seguro que o acolherá, chamado pai e mãe.
Não julgue seu filho, em especial seus sentimentos e emoções, permita que ele expresse o que sente afinal todas as emoções são para ser expressadas. Esteja ali para apoiá-lo quando ele precisar de você.
3) Que o mundo é bom!
Para forjar a auto confiança e auto estima neste ser que acabou de chegar ao mundo, mostre a ele que o mundo é bom. Não abra esses olhinhos, que ainda estão muito frágeis, para uma realidade que ele não é capaz de compreender. De tempo ao tempo e espere com paciência o momento certo… Enquanto isso deixe que na primeira infância (0 a 7 anos) seu filho brinque, fantasie, sonhe, dançe, cante, corra, pinte um mundo essencialmente BOM e Colorido!!!
E você, acha que pode incluir algo mais nesta lista? O que mais você acha que é fundamental o seu filho saber?
Comente aqui abaixo e compartilhe com outras mães e pais! Vamos juntos fazer uma lista do que é realmente essencial para nossos filhos saberem…
Ontem dei uma entrevista ao programa Opinião Minas, sobre exemplos
que nós pais e mães damos frente aos nossos filhos… Eu gosto muito
de falar sobre este tema, pois assim me mantenho cada vez mais alerta
a minha coerência em relação aos exemplos que dou ao João (meu filho).
Não sou a pessoa mais coerente do mundo, na verdade estou bem longe
disso, mas cada vez que falo sobre coerência, desperta em mim uma
força para seguir trabalhando e redesenhando hábitos que não quero
que o João imite…
E você está atento aos exemplos que dá ao seu filho? Como é isso no
seu dia a dia com a criança?
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Comente sobre o vídeo, conte suas histórias e desafios,
e compartilhe este vídeo com pais, mães, avós, educadores…
Nos vemos em breve!!!
Com carinho e gratidão por ter você aqui na Bee Family,
Clarissa Yakiara
1) O desenvolvimento do seu filho não é uma corrida.
Há um Ritmo Natural que garante o equilíbrio de todo o planeta, podemos observa-lo em coisas simples como o nascer e o por do sol, as estações do ano, etc. E por mais que o homem tente controlar o mundo, há coisas que são Naturais e dificilmente mudarão. Ao meu ver, uma das principais missões paternas é observar este ritmo NATURAL, saber que ela é o pano de fundo que guia a rotina das crianças pequenas. O Ritmo Social hoje em dia é algo oposto e distante do Ritmo Natural, saber equilibrar o ritmo da vida atual dos pais com o ritmo natural infantil é uma arte e requer muita sabedoria e paciência. Respeitar o tempo de cada criança, saber ouvir atentamente suas necessidades, abrir mão de nossas ansiedades e desejos imediatistas em prol de nossos filhos, faz com que nossa jornada seja vivida com intensidade e presença, como uma longa e constante caminhada e não como uma corrida (competitiva) na qual a única coisa que importa é o resultado final.
2) Rituais familiares fortalecem os vínculos e inspiram uma vida saudável.
Não sei se você já reparou que o único momento que existe é o Agora, ai mesmo onde você está, neste instante em que respira, isso é tudo… (além disso existe apenas ilusões mentais, vozes em sua mente que te levam ao passado e futuro, momentos nos quais você não pode atuar). Perceber a intensidade deste momento, ao lado do seu filho, é mágico e especial. As crianças pequenas já sabem disso e sinto que para manter este “estado de presença” infantil, é importante criar Rituais durante a rotina familiar… Ascender uma vela antes de dormir e contar um conto, despertar seu filho com uma canção e um beijinho, lavar as mãos e agradecer pelo alimento antes de comer, coisas simples que fazem toda a diferença para uma infância saudável e repleta de veneração pela vida como ela é.
3) “Encorajar” as crianças e não fazer por elas.
Respeitar o ritmo de cada ser é uma prova de paciência e confiança. Dar um passo de cada vez, com constância e mostrar como deve ser feito é muito mais eficaz do que fazer pela criança. Mas as vezes a correria do dia a dia, nos faz atropelar o ritmo dos pequenos… Permitir que a criança faça por ela mesma, mantendo uma postura firme, confiante e amorosa é tudo que seu filho espera de você! Afinal você também não nasceu sabendo andar ou falar, seja simplesmente um guia, um modelo digno de ser imitado e esteja ali, paciente, ao lado de quem você ama, simples assim!
4) Um sintoma é uma maneira do seu corpo te indicar que precisa de mudar algo.
Nosso corpo tem sua própria sabedoria e constantemente nos sinaliza que algo precisa mudar, por meio dos sintomas. Acontece que vivemos num mundo no qual parte da indústria farmacêutica tenta nos convencer que há algo de errado em sentir estes sintomas. Isso nos amedronta e faz com que muitas vezes não acreditemos em nossa inteligência corporal. Mas as crianças podem nos apoiar a perceber que os sintomas não são o problema. Observe uma criança com febre. A temperatura é uma simples maneira do corpo lidar com o que está acontecendo, agora o que está causando a febre é o que sim deve ser observado e levado em consideração. Coloque atenção aos outros sintomas que acompanham a febre, ao ambiente no qual a criança está inserida (aspectos, físicos, emocionais e mentais), as situações recentes que ela está passando… E amplie um pouco o olhar, não foque somente em eliminar o sintoma e sim tente perceber o ponto original da situação. Dessa maneira você poderá apoiar muito mais a quem você ama!
5) Confie em você mesmo: você é um “expert” sobre seu filho!
Uma das coisas mais importantes que trabalho com pais no consultório é o resgate da auto confiança. Pais e mães de primeira viagem esperam saber tudo sobre bebes e sentem-se como se não soubessem nada. Mas meu filho me ensinou que “não saber nada” pode ser uma excelente oportunidade de aprender a escutar minha intuição. Quando minha mente está em paz, em silêncio, presente, escuto com meu coração e percebo as reais necessidades do meu filho. Diversos estudos comprovam o poder da intuição materna. E mesmo assim muitas vezes o excesso de informações externas que chegam por livros, internet, palpiteiros de plantão, interferem em nossa habilidade de escutar a nossos filhos. Simplesmente observe seu filho. Olhe em seus olhos, sinta o ritmo de sua respiração… E se coloque neste espaço de interação profunda com este ser… que percebe o mundo sem falar, sem rotular, sem a dualidade de bem e mal, certo e errado, sem inimigos… Sinta e observe, as respostas virão, basta escutar e confiar em você!
Ontem fui a uma palestra bem especial com a Professora do meu filho, Maria Nazaré Paganotti, organizada pelo grupo de mães Padecendo no Paraíso! Ela compartilhou coisas simples que fazem muito sentido nos dias de hoje e que quero compartilhar com vocês…
Sinto que grande parte dos ensinamentos giraram em torno do resgate do Respeito ao “Ritmo Natural”, esta grande respiração, que ora contrai e ora expande. O ritmo é este pano de fundo sob o qual escrevemos nossa vida. E quando falamos de crianças ele é o guia que devemos observar para estabelecer uma rotina saudável e adequada para as mesmas, na qual momentos de contração e expansão se intercalam harmonicamente. Perceber que há um ritmo natural no Planeta que se apresenta por meio das estações do ano, do ritmo do Dia e da Noite … e despertar em nós um olhar, ainda mais preciso, para quais são as reais necessidades de nosso filhos.
Segundo ela, os sete primeiros anos de vida são o momento de estruturar a “casa”, fazer a fundação, aquela parte que sustenta toda a construção, mas que não conseguimos ver depois de pronta. O que está em evidência ai é a formação do corpo físico da criança. Dessa maneira o adulto fica responsável por cuidar do ambiente e estímulos que chegam a este ser. É o guardião que zela pela “Segurança e Liberdade” dos pequenos, dois princípios fundamentais que nos acompanham durante toda a vida. Eu, mãe/pai/cuidador, preparo o ambiente seguro e acolhedor para que meu filho possa se movimentar com liberdade, se descobrir e se apropriar da sua casa…opa, do seu corpo!
A criança concebida e recebida simplesmente ama e confia nas pessoas ao seu redor, se coloca em uma postura aberta a receber “o que permitirmos que chegue até ela”. É como um pedaço de argila, o que imprimo ali deixa uma marca. E porque não mostrar que “o mundo é bom!”? Este ser acabou de chegar e tudo que deseja é conhecer o mundo, as pessoas… Ele ainda não tem forças suficientes para se defender dos desafios da vida… Nós pais podemos esperar que este ser se fortaleça para depois mostrarmos a ele os aspectos mais desafiantes da nossa jornada!
Sei bem dos desafios de educar um SER e de cuidar do ambiente que o cerca, afinal também sou mãe e vivo neste mundo globalizado e cheio de interferências. Mas quanto mais tenho clareza do que quero para meu filho, mais me sinto fortalecida e confiante para guiá-lo. E é assim mesmo que me sinto, como uma Guia para o João. A Nazaré disse que nós pais somos os Mestres que conduzimos nossos discípulos (filhos)… Eu mestre? Meu filho discípulo? Claro que sim, pois a maneira primordial que as crianças se ligam ao mundo é por meio da Imitação, imitam o que percebem, escutam, veem, sentem… E é ai que está o segredo, por saber que este ser está me observando, eu desperto também meu olhar interno. Volto o foco para dentro, permito-me conhecer a mim mesma, empreendo um trabalho de autoeducação e assim inspiro meu filho pelo exemplo que SOU! 😉
Hoje vi uma cena que me chocou. Sai dali sem reação, com o coracao acelerado e um embrulho no estômago que culminou em lagrimas ao chegar no meu carro…
Estava saindo de um restaurante na savassi e avistei um menino de uns 8 anos, branquinho, gordinho e com as bochechas vermelhas do sol, sua carinha estava inchada, aparentemente tinha acabado de chorar… Atrás dele havia uma senhora de uns 60 anos aos berros no celular que dizia: “Eu to cansada da agressividade do seu filho, ele me bate, não me respeita e você sabe porque??? Por causa dessa família ‘Maravilhosa’ que ele tem…” dizia ela nervosa e ironicamente!
Longe de mim julgar a senhora… Peguei a cena assim pela “metade”! Agora o que doeu foi perceber a incapacidade que nós seres humanos temos de lidar com nossas emoções e mais que isso o fato de termos ao nosso redor crianças nos observando e aprendendo…prontas para imitar!
A criança desperta em nós adultos o melhor e o pior que temos dentro! Despertar o que temos de melhor está bem, veja este exemplo: por vezes algumas pessoas que tem baixa auto estima quando se tornam pai ou mãe descobrem fortalezas, se tornam mais auto confiantes…. Agora o fato das crianças acessarem o pior que temos é o que me preocupa, pois se não estamos dispostos a olhar para isso e integrar esta parte com consciência, vamos ter grandes desafios… A sombra virá a tona com uma potência e quem pode pagar o preço é a criança que vai aprender assim e seguir este modelo de agressividade e descontrole! Emoções reprimidas há anos que quando saem são como flechas e ferem sem dó nem piedade, marcando toda uma vida!
Deseja aprender a lidar melhor com suas emoções e expressá-las de maneira consciente, sem “descarregar” nas pessoas que mais ama?
Participe das palestras Bee Family e descubra novas possibilidades de se relacionar com suas emoções e com sua família!
Outro dia uma amiga me mandou uma mensagem descrevendo a seguinte situação: o filho dela, 6 anos, estava na sala da coordenadora da escola (que fica na zona sul de BH) jogando no celular da mesma. Quando a coordenadora disse: ” Vou pedir um celular mais caro que esse para sua mãe se você quebrar meu celular…”A criança ao ouvir isso foi até a sua mochila pegou R$50,00 e entregou a coordenadora dizendo: “Eu tenho dinheiro para comprar”. Ela se assustou ao ver uma criança de 6 anos com R$50,00 na mão e telefonou para a mãe dele perguntando se ela havia dado este dinheiro ao filho. A mãe respondeu que não. E assim a coordenadora levou a criança até a sala da diretora e as duas disseram ao menino de 6 anos que ele estava ROUBANDO… Quando a babá chegou para buscá-lo na escola ele estava triste e começou a chorar ao vê-la.
Eu fiquei tão impressionada com a situação que resolvi levantar algumas questões para refletirmos:
1) Para começo de conversa o que a criança estava fazendo na sala da coordenadora no horário da aula? A criança não deveria estar brincando ou estudando?
2) JOGANDO no celular da coordenadora? Que motivo uma coordenadora teria para emprestar seu celular a uma criança? Não tem nada melhor para ELE fazer na escola? (Isso sem falar da questão do celular e impactos deste tipo de estímulo no desenvolvimento infantil).
3) O que será que está acontecendo com essa criança? Porque ela pegou este dinheiro? Não sei os detalhes do que foi dito a criança e de como a situação foi conduzida, mas ao meu ver isso é uma questão a ser tratada com os pais da criança a principio. É importante entender o que levou a criança a pegar R$50,00 e levar em consideração que ROUBO para um adulto é muito diferente do que para uma criança. Ela podia simplesmente ter pegado inocentemente o dinheiro, ainda não sabe muito bem os significados, consequências e implicações de seus atos…. antes de condená-la ou julgá-la duramente é preciso entender o está por trás deste comportamento. E na realidade o que está por trás da estrutura familiar da criança.
Outro dia meu filho trouxe um passarinho de pano da escola para nossa casa. Eu perguntei a ele se a professora havia autorizado e ele disse que não, que ela não sabia que ele levou o brinquedo para casa. Eu disse que aquele brinquedo Morava na escola que o lugar dele é lá e que no dia seguinte ele iria levá-lo de volta. Ele concordou e me pediu para entrega-lo a professora junto com ele. Fomos juntos na manhã seguinte e quando João estendeu as mãos com o brinquedo a professora simplesmente disse: “Este passarinho foi passear na sua casa? Deve ter gostado muito… e que bom que você o trouxe de volta para a casinha dele!” E juntas, eu e a professora, depois, na ausência do João, interpretamos a situação como algo natural, neste caso um simples dar-se conta dos espaços que transita e de como “concretamente” a criança está lidando com a separação dos lugares e pessoas amadas (“eu amo tanto minha escola que quero levar um pedacinho dela para minha casa”)!
Depois disso João nunca mais trouxe nada da escola para nossa casa! 🙂 E você já passou por esta situação com seu filho? Como conduziu?
Eu prefiro sempre observar, escutar e acolher antes de julgar e condenar!!!
Hoje levei meu filho na natação e me surpreendi com uma fala da professora: “bate as pernas João! Se não bater as pernas o tubarão vai comer seus pés”. O João que é bastante questionador disse que não havia tubarão na piscina, mas com a insistência da professora na mentira ele acabou ficando na dúvida e com medo do Tubarão?!?!?!… Essa e outras falas dos adultos, “sobre coisas que podem gerar medo nas crianças”, é algo comum de se escutar: “Não vá lá que o Bicho Papão vai te pegar… Não corre que o homem do saco vai te pegar… Não levanta da cama que tem um monstro debaixo dela…”
Além da mentira que já é um ponto bem delicado quando educamos crianças, vejo uma segunda questão ai: estamos educando a criança a escolher / tomar suas decisões pelo MEDO e não pela CONSCIÊNCIA. Já parou para pensar nisso? Muitas vezes nós adultos também escolhemos pelo MEDO: “vou a academia porque não quero ficar gorda ou tenho medo de ficar doente, e não porque quero ter mais saúde e disposição!” “Me caso com este homem agressivo porque tenho medo de ‘ficar para titia’ e não porque quero evoluir e aprender com ele nesta união.”
Nós adultos somos modelos que a criança confía, ama e IMITA. Se pedimos para a criança não mentir, o mínimo que devemos fazer é estarmos atentos a nossa comunicação e falarmos a VERDADE, especialmente quando elas estão por perto. Se queremos que nossos filhos sejam pessoas auto confiantes e corajosas nada mais justo que apoia-las a atuar desde o reconhecimento da importância da ação em si, da consciência do todo.
“Bate a perna João, bate forte para fazer espuma na água, liga seu motorzinho para chegarmos ao outro lado da piscina!”. Eu comunico com a criança desde a verdade, sem gerar medo na mesma, falando uma linguagem mais próxima do mundo dela e de maneira que ela se sinta motivada a cumprir seu objetivo.
Fui convidada para dar um ciclo de palestras na Copasa sobre: Relações Conscientes! Foram 4 encontros intensos e transformadores. Começamos buscando melhores relações e terminamos nossos encontros em silêncio, olhando nos olhos uns dos outros. Percebemos que para nos relacionarmos melhor com o outro, precisamos nos relacionar melhor conosco mesmo. Entender melhor “Algo” que nos acompanha há muito tempo e nos “diz” o que sentir, fazer e falar: a nossa Mente.
Dentre vários ensinamentos nos deparamos com um que talvez resuma o trabalho destes dias:
“Se nos identificamos com a mente, criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras.”
Eckhart Tolle (autor do livro: “O Poder do Agora”)
Constatamos juntos, por meio de pequenos exercícios respiratórios, o quanto é libertador manter a mente em paz, ou seja, focada no momento presente. É este silêncio mental que nos permite ser realmente quem somos, livre de crenças, padrões e papéis (aprendidos) que nos distanciam de nossa espontaneidade original. Deste espaço de silêncio nasce o verdadeiro poder da palavra.
A criança por volta de 2 anos começa a falar e isso só é possível quando existe diálogo e verdade ao redor da mesma. Ela sabe do poder de suas palavras e só fala quando confia e está a vontade para compartilhar algo de seu mundo interno com os demais. Confia e sente verdade naquelas pessoas, naquele ambiente… Enfim, o que dizer da verdade, é algo que estamos tão longe e tão perto ao mesmo tempo, mas é algo que só existe quando sou espontâneo, como uma criança, quando faço algo simplesmente considerando o aqui e agora… quando há silêncio! Olha ele ai de novo O Silêncio…
E não há outra alternativa, não que eu conheça, para nos relacionarmos de maneira consciente o foco é no Presente, a Mente é puro Silêncio, o Coração é puro Sentir e ai sim há espaço para falar com poder, sentir com amor, expressar com beleza, dançar, cantar, e SER quem você É e se relacionar com quem você quer!