Um sábado de compras com o João…

Neste fim de semana, sai com meu filho sábado de manhã para comprar o presente de uma amiguinha, que faria aniversário naquele mesmo dia. Já no carro ele me perguntou se eu também poderia comprar um presente para ele. Eu avisei que não, que hoje iríamos comprar o presente da ANA e nada mais.

Andamos um pouco pela Savassi, bairro comercial de BH, preferi passear ao ar livre, pelas ruas da cidade,  do que ir com ele para dentro de um shopping, pois acreditava que seria menos tentador para o João (meu filho). Logo que chegamos ele me pediu um iogurte. Já tínhamos tomado café da manhã a algum tempo e sabia que ele estava com fome, por isso disse que sim! Tomamos o iogurte e saímos para caminhar e procurar o presente da sua amiga.

Geralmente presenteio as crianças com brinquedos artesanais, de madeira, pano, lã e outros materiais naturais, ou compro uma roupinha básica e confortável que a criança possa usar em seu dia a dia para brincar e se divertir.

Mas não é este o ponto que quero compartilhar com vocês. O que me chamou atenção nesta manhã de sábado é que mesmo com os avisos e combinados anteriores, que deixaram “pelo menos para mim” bem claras as regras, o João insistiu por várias vezes para eu comprar algo para ele. Aos pouco com tanta insistência, fui ficando incomodada, minha paciência foi esgotando e no final falei bem firme com ele no meio da loja, na frente de diversas pessoas, que não iria dar nada para ele naquele dia! (Claro que me senti bem culpada, depois disso!)

Finalmente comprei um macacão para a ANA e fomos embora. Conversando com meu pai depois, percebi que a responsabilidade não era do João. O “papel” dele é lutar por sua vontade, ele vai insistir e persistir por seus desejos… Tenho ciência que ele é uma criança um tanto quanto mimada, “por seus avós” principalmente, pois é neto único das duas famílias. Não culpo os avós, nem o meu filho por isso.  O que faço é fortalecer meu exemplo como mãe e assumo minha responsabilidade como tal. Nesta situação aprendi, que preciso ficar mais atenta e me organizar melhor frente a estas tentações que “coloco meu filho”.

O mundo ao nosso redor está organizado para despertar nossos desejos e nos distrair do que realmente importa. Se nós adultos somos constantemente levados por nossos desejos e distraídos por cores, formas, luzes e ofertas, imagine só as crianças?! Sinto que como mãe meu papel é proteger meu filho destas “tentações” e caso realmente ele precise me acompanhar em um programa como o de sábado de manhã, desejo ter força para manter o “Não” sem sair do meu centro, pois afinal foi eu que escolhi levá-lo para fazer compras… E o pior para fazer compras para outra pessoa e não para ele…

Só me restam agora os aprendizados e a vontade de fazer melhor sempre. Compartilho aqui algumas dicas para enfrentar com mais leveza e naturalidade esse tipo de situação:

1) EVITE tentações – se não for a única opção, não leve seus filhos para fazer compras com você, pelo menos enquanto tem entre 0 e 7 anos… o que ele precisa num sábado de manhã é brincar livremente numa praça, num clube, em sua casa, na casa da avó… e não sair para comprar coisas para outras pessoas!

2) Caso tenha que levá-lo com você para fazer compras, tenha claro o que vai comprar e quanto quer gastar.

3) Escolha o local onde fará suas compras: evite shoppings, dê preferencia as lojas nas Ruas pois são mais interessantes para as crianças e menos tentadoras. Nas ruas tem pássaros, árvores, ele poderá experimentar mais a vida como ela é…

4) Atenção ao horário: tente não sair muito da rotina da criança, alimente-a antes de sair de casa, para que não sinta fome durante o passeio. Além disso não vá num horário que o sol está muito quente!

5) Não tenha medo de dizer NÃO, é fundamental para a criança aprender de forma amorosa e firme a lidar com pequenas frustrações como comprar um presente para outra pessoa e não receber nada neste dia. Seu filho não vai morrer por isso, nem você vai ser a pior mãe do mundo, acredite, dizer não é FUNDAMENTAL. Ainda mais em tempos atuais, nos quais muitos pais e mães tentam compensar a falta de atenção e carinho com a criança por presentes e consumo desmedido.

 

 

 

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