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Começo com a citação de Nelly Coelho: “Quem teria inventado essas histórias que os avós dos nossos avós já conheciam e contavam para as crianças, nas noites de serão familiar?”

Existe uma discussão entre pedagogos, pais, teóricos frente a utilização dos contos de fadas como recurso de mobilização da aprendizagem. E adianto, tenho uma grande simpatia pelos contos de fadas!

Venho aqui defender enquanto usuária, profissional e como mãe também!

Acredito e confio que os contos de fadas me ajudaram a elaborar algumas questões. Lembro de que me lembrei na infância – enquanto passava por um momento desafiador – da história do Patinho Feio. Este conto me ajudou a entender que o fato do estranhamento que as crianças, as quais convivia, sentiam por mim, revelava na verdade a minha natureza que era diferente frente às demais. E eu, que me sentia desconfortável e triste neste cenário, entendi que mais cedo ou mais tarde encontraria o meu “bando”, assim como aconteceu no final dessa história.

Um pouco mais adiante na fase pré-adolescente que é por si só desafiadora, encontrei na escrita dos diários uma forma de extravasar as minhas emoções e muitas vezes lá, referia-me a minha mãe como madrasta bruxa ao mesmo tempo que seguia confiante e esperançosa em mim mesma que aquele contexto era temporário. Aliás, isso é uma característica marcante nos contos de fadas: a recompensa sempre se dará na ascensão de ordem espiritual ou existencial da personagem. Percebi nessa dinâmica como foi importante desenvolver esta narrativa interna.  Poder me enxergar e estabelecer um diálogo comigo mesma, de fato me ajudou!

Se observamos o transcorrer da história da humanidade, os registros das histórias aconteciam por meio da oralidade – uma vez que não existia a escrita – de pessoa para pessoa ou por aquela que era vista pelo o grupo como o mais experiente ou o mais sábio ou aquele que assumia o papel social na família, na figura da mãe, avós, bisavós. Uma espécie de responsável ou guardiã da memória familiar.

Por outro lado, se analisarmos que o ser humano passou e passa por um aperfeiçoamento no desenvolvimento das suas etapas de aprendizagem, poderemos entender o caminho que os contos de fadas percorrem.

Isso quer dizer que tivemos ou fomos esses adultos – e se olharmos bem ainda hoje temos pessoas assim – que emocionalmente, cognitivamente, mentalmente apresentam imaturidade neste desenvolvimento, seja por questões subjetivas ou orgânicas, e que transmitiam e transmitem esse conhecimento de geração a geração da forma em que os mesmos compreendiam e compreendem o mundo. Resumo: um dia fomos adultos que entendíamos o mundo como crianças! Que maravilha!

Haja vista que Cristo trouxe os seus ensinamentos não só pela sua atitude, mas por suas parábolas, pelo simples trouxe a forma que garantisse a sua compreensão. Certo? E a simplicidade também é um ponto determinante nos contos de fadas – a diferenciação se dá pelo simples, pela dicotomia de Jung ou pelo jogo de Luz e Sombra de Steiner. Quer dizer que nos contos de fadas não existem elementos que são bons e ruins ao mesmo tempo. Terá aquele que é bom e aquele que é mal, aquele que é belo e aquele que é feio.

O universo onírico marcante na criança em suas primeiras etapas de desenvolvimento encontrou nessas histórias contadas e recontadas de geração em geração acolhimento e aqui abro um parêntese explicando a origem do termo CONTOS DE FADAS que a grosso modo significa: “relato de algo que se cumpriu” e que encontrou expressão na esfera do imaginário fantástico.  

Para a criança tudo está apenas acontecendo. Simples assim.  Nessa fase que vai até os 7 anos (considerando que esse intervalo não é rígido, podendo ser mais ou menos) a criança tem dificuldades de diferenciar o que é real do que é imaginário, diferenciar o sonho do real, ou o sonho do imaginário.  E é, segundo Steiner, nesta atmosfera permeada de encantamento, poesia, e fantasia que o conto de fadas traz em si: representações que concernem à natureza humana (o bem e o mal, a riqueza e a pobreza, o belo e o feio, a vida e a morte, etc) servindo também de alimento à alma humana enquanto símbolos, e arquétipos de forma atemporal, sendo verdadeiro tesouro da humanidade.

Jung fala que os contos de fadas, do mesmo modo que os sonhos, são representações de acontecimentos psíquicos. Enquanto os sonhos apresentam-se sobrecarregados de fatos de natureza pessoal, os contos de fadas encenam dramas da alma, com materiais pertencentes em comum a todos os homens.

Então, os contos de fadas dialogam diretamente entre o contexto existencial e real dos adultos e o universo da criança, num contexto poético e imaginativo, em que a criança se debruça na dinâmica da sombra e da luz, construindo ensaios de vivências inconscientes em que a melhor forma de superar algo é entrando em contato com o mesmo. E o politicamente correto posterga, nega, e evita tais vivências.

Bettelheim (autor do livro A Psicanálise dos Contos de Fadas) entre outros pesquisadores, dedica uma boa parte dos seus estudos explorando o tema  “dos contos de fadas convenientes” que dá um outro rumo ao subjetivo. Diria que a Disney acabou trabalhando de forma rasa toda a carga simbólica e arquetípica presente nos contos de fadas em sua origem. 

Carlgren e Klingborg são dois autores que escrevem sobre o conteúdo escolar para Escolas Waldorf e fazem a seguinte citação em relação aos contos de fadas: “Nenhum outro tipo de poesia mostra de forma tão explícita as possibilidades de transformação inatas no ser humano”.

Bettelhein, então vai ao encontro da Antroposofia, falando que a forma e a estrutura dos contos de fadas sugerem imagens à criança com as quais ela pode sustentar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida”. Steiner segue então a rota da expansão, já que os contos de fadas apresentam o mundo em suas adversidades à criança. Enquanto Jung o de contração, no autoconhecimento em que a criança se reconhece, toma contato e ressignifica a sua própria história.  

Enquanto leio o conto de fadas para o meu filho, posso perceber, por exemplo a dificuldade dele em lidar com algumas temáticas (todas escolhidas por ele). Dos sentimentos ou emoções que ele apresenta, com o que ele fica triste ou feliz em determinada história? Quando pergunto a ele – Se você pudesse escolher uma personagem qual você seria?  Ou se pudesse mudar o final da história o que você mudaria? Observo tudo atentamente.

E é por meio da leitura dos contos de fadas clássicos, que se estabelece esse diálogo, que se abre campo em conhecer o que está velado nele mesmo, que meu filho se desconhece, não elabora, mas que de forma profunda, real acontece e sente.

É considerar que os contos de fadas falam à criança sobre tudo de forma indelével. É a possibilidade que o adulto tem de apresentar o mundo à criança, e que a criança tem, neste isento faz de conta, de se apropriar na sua própria personagem, resolvendo questões, enxergando soluções, gerando possibilidades; enfim encontrando no conto aquilo que Gutfreind propõe na “metáfora curativa”, acolhida naquilo que os contos de fadas possibilitam enquanto “metáfora terapêutica”, perfazendo assim o caminho do simbólico na ressignificação.

Este texto foi escrito pela Bianca Vasques, participante da primeira turma do Zum Zum de Mães, ela é Mãe, Psicopedagoga e Arteterapeuta. 

“Ontem aconteceu com a Lara (2 anos e 5 meses)! Ela me proporcionou mais um momento de aprendizado. E como eu aprendo com ela…. Coincidência ou não, eu queria ver, queria testar, queria experimentar aquilo que eu tinha escutado nos vídeos e na conferência do Zum Zum. E aconteceu!

Estávamos no shopping, eu, meu marido e a Lara. Era domingo de tardezinha. Precisava resolver algumas coisas, pois iremos viajar em família ainda esta semana. Apesar do cansaço nosso e da Lara fomos.

Lara dormiu no carro. Chegando lá, pegamos um carrinho emprestado para que ela continuasse a dormir enquanto fazíamos rapidamente o que precisávamos. Porém, quando colocada no carrinho, ela despertou. No carrinho ainda, passamos por duas lojas com ela. Em uma delas, a vendedora ofereceu um balão para a Lara e ela ainda pôde escolher a cor que queria, cor-de-rosa.

Fomos em mais uma loja, e enquanto eu escolhia umas coisas com a vendedora, meu marido passeava com a Lara, no carrinho, pelos corredores do shopping. Foi quando ouvi um choro dela e, logo, meu marido apareceu com o carrinho na frente da loja em que eu estava. Ela gritava querendo sair do carrinho e assim tiramos ela de lá. Mas o choro continuou… Imediatamente, disse a vendedora que voltaria ali um outro dia. Pedi desculpas e saí.

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Fui para perto da minha filha, não queria meu colo, não me explicava o que queria, simplesmente se jogou no chão, chorando e gritando. Na hora, percebi que ela precisava era da minha presença. O “copinho” entornou! O limite suportável daquele “copinho” estava menor, pois no meio de tudo também estava o cansaço. E as emoções daquela pequenina estavam ali, transbordando da sua forma mais natural possível. Eu precisava estar ali, com ela, validar os seus sentimentos, respeitar as suas emoções. 

Meu marido, queria ir logo embora, sair rápido dali, mesmo porque as pessoas olhavam, julgavam….(tenho fresca na memória a imagem de uma mulher olhando pra mim com um sorriso de “coitada dessa aí “no rosto). Ele me dizia: “a Lara está cansada, vamos embora”.

Mas eu queria ver, sentir, ficar ali com ela, antes de tomar qualquer medida. Por um pequeno momento, deixei ela ali no chão, gritanto. Olhava pra ela, pensava e dizia: “Mamãe está aqui”. Consegui pegá-la no colo e fui para o carro, enquanto meu marido foi devolver o carrinho emprestado. No caminho, ela gritou muito, e tentava se soltar de meus braços. Mas como estava ali, no shopping, mantive firme ela nos meus braços e fui para o carro.

No carro, eu disse a ela que ela poderia chorar, o quanto quisesse, que eu estava ali com ela. Ela chorou, mais um pouquinho, e logo parou de chorar para falar que queria o balão roxo. Ela tinha pegado o balão rosa na loja, mas disse que também queria o roxo. Creio não ser esse o motivo do choro não. Provavelmente, o nosso distanciamento momentâneo (momento em que entrei na loja sem ela) e o desconforto do cansaço que a atingia fizeram as emoções virem à tona. Mas…. ao conversar com ela e, como já estava mais calma, resolvemos voltar à loja para pegar o balão roxo.

Passei no banheiro, lavamos as mãos e fomos. Lara quis ir andando, sozinha. Chegamos na loja, e ela pegou o tão querido balão roxo.

Voltamos para casa. Lá, ela já tranquila e serena, eu e meu marido falamos com ela que sempre que ela precisar, querer chorar, gritar, etc., ela poderá contar com a nossa presença, pois estaremos ali, presentes e conectados com ela. Na mesma hora, ela correu para os nossos braços, nos deu um abraço apertado, um beijo bem gostoso e nos olhava com aquele olhar de quem entendeu todo o ocorrido. 

Como eu amo isso tudo! Como eu aprendo com vocês!!! Obrigada Zum Zum por poder passar por este momento de uma forma bem mais tranquila, bem mais natural, bem mais presente e conectada com a minha pequena.” 

Essa história foi escrita pela querida Letícia Ávila, participante da segunda turma do meu programa On line Zum Zum de Mães. Ela é mãe da Lara de dois anos e Analista do Tribunal de Contas de MG. 

pirraça-3Outro dia fui buscar meu filho João na pracinha e, para variar, ele resistiu. Eu repeti algumas vezes, com firmeza e tranquilidade, que “era hora de irmos para casa”. Ele seguia resistindo e quando estava quase entrando no carro, seu melhor amigo chegou na pracinha. Naquele momento, pensei comigo mesma que sua resistência a ir embora aumentaria. Respirei fundo! Era o momento de não ceder, e por um instante, quase deixei meu filho brincar mais um pouco, mas me lembrei que o caçula estava em casa, que já era hora do João tomar banho, jantar e dormir, pois tinha aula cedo no dia seguinte. Mantive-me firme e disse mais uma vez: “Agora é hora de irmos pra casa João! Amanhã você brinca mais.”. Dessa vez ele acatou o que eu disse, entrou no carro e começou a chorar copiosamente. Entrou rápido, pois não queria que seu amigo o visse chorando.

A partir daí foi um percurso intenso e rico em aprendizagens para nós dois. João seguiu chorando forte e brigando comigo até chegar em casa. Ele dizia coisas do tipo “eu era a pior mãe do mundo, que eu não deixava nada, que a mãe do amigo era muito mais legal, que eu não gostava dele, que eu era feia, chata” e assim por diante. Eu dirigia, escutava em silêncio e respirava lenta e profundamente para manter minha mente no momento presente. O silêncio não era só de palavras, mas também de pensamentos, com a mente tranquila, sem julgamentos a respeito do que estava acontecendo; isso é fundamental para gerar empatia e conexão com a criança para que ela entre em contato com o que está sentindo.

Depois que ele disse tudo que sentiu vontade a meu respeito e eu o escutei atenta, ele entrou num processo de auto ataque e começou a se ofender, dizendo que era “o pior filho, a pior pessoa, que era feio, chato, que queria morrer, que nunca mais ia sair de casa…”. Chegamos em casa e eu passei para o banco de trás do carro e me sentei ali com ele, simplesmente escutei tudo que ele tinha a dizer, tentei fazer contato visual e mantive minha mente no presente, conectada com o que aquela criança tinha para expressar.

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Num determinado momento, ele parecia mais calmo e tentou chegar perto de mim para que eu o abraçasse. Mantive-me ali, presente, mas não correspondi ao abraço, senti que se fizesse isso iria interromper o processo que ele estava vivendo de extravasar suas emoções reprimidas. Repeti mais uma vez a frase que despertou todo o movimento de colocar para fora tudo aquilo que estava guardado fazia algum tempo: “Agora é hora de subirmos para nossa casa João!”. Novamente ele começou a chorar forte, e então percebi que as emoções ainda estavam ali e precisavam serem extravasadas. Nesse momento, suas reações foram de chorar, gritar e chutar forte o ar, além de correr pela garagem por uns 10 minutos, até que foi para o hall de entrada do prédio e sentou-se no sofá. Aos poucos foi se acalmando, diminuindo os gritos e o choro, respirando mais devagar e começando a procurar mais o meu olhar.  Senti que era hora de chamá-lo novamente para subirmos e disse mais uma vez: “João agora é hora de subirmos!”. Dessa vez, João respirou fundo e em silêncio subiu as escadas. Ao chegar em casa foi bastante colaborativo com o que deveria ser feito, tomou um banho demorado, o qual permiti para que, naquele momento, a água levasse o que ainda precisava ser lavado. Enquanto se secava, João me disse: “mamãe, amanhã quero ir mais cedo para a pracinha e vou ligar antes para o Tom (aquele seu amigo do início da nossa história!) para ele ir mais cedo também, pois assim vamos brincar muito!”.

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Ouvir aquilo me deixou emocionada e confiante de que o caminho é por ai. Uma sensação de paz e bem estar tomou conta do meu ser, como se naquele momento eu tivesse cumprido com excelência o meu papel de mãe. A possibilidade de expressar  o que estava reprimido em seu mundo interno de forma vigorosa e contando com a conexão de um adulto presente foi fundamental para surgir essa atitude colaborativa do João e, principalmente, para que o mesmo encontrasse por si só uma solução para a questão que estava vivendo.

Muitos adultos, ao se depararem com situações como essa, vão chama-la de pirraça, birra, “falta de coro”, falta de limite, criança mimada, e uma série de outros nomes que escutamos com frequência. Afinal de contas, o que aconteceu com o João? E o que eu fiz para que ele mudasse sua atitude e me sentisse tão bem?

Quando cheguei para buscar o João na pracinha senti que ele precisava extravasar suas emoções, como já vinha percebendo há algum tempo. Ele vinha me dando sinais, estava irritadiço, pouco colaborativo, agitado, agressivo, enfim com uma série de comportamentos que me indicavam que havia algo ali dentro que precisava vir à tona.

Com o passar das horas, dias e semanas vamos acumulando emoções que por algum motivo ou outro não conseguimos expressar, mas que não desaparecem, ficam ali dando voltas em nosso inconsciente, e vão trazendo mais e mais pressão para a nossa “panela” interna. Em algum momento, essa pressão interna está tão grande que a panela explode e as emoções transbordam pelos olhos, pela boca e por todo o corpo.

As crianças, com sua autenticidade e sabedoria primordial, procuram em seu dia a dia formas naturais de liberar suas emoções acumuladas: correm, pulam, fazem movimentos rápidos e intensos com o corpo, brincam livremente, gargalham, choram etc. No entanto, muitas vezes a falta consciência e maturidade emocional dos pais e cuidadores para propiciar vivências adequadas impedem que isso aconteça de forma natural. Há também outras questões que estão se passando ao entorno e no ambiente das crianças, como por exemplo no caso do João, o nascimento do irmão caçula a poucos meses, sua entrada no primeiro ano do ensino fundamental etc,  que requerem o apoio de um adulto para ajudar a criança a lidar com as emoções que por ventura venham à tona.

Foi exatamente o que senti ali naquele momento.  Era hora de ajudar o João a extravasar. E quando isso acontece, tudo que você precisa fazer é estar presente e disponível para seu filho, pois o resto você vai sentir a medida que a relação for acontecendo. Boa sorte! 🙂

 

mamusca7-620x337Há mais ou menos 6 anos atrás, na época em que o meu primeiro filho nasceu, imaginava a maternidade como uma grande e prazerosa descoberta. Me lembro que, desde os 6 meses de vida do João, eu o levava para a pracinha pela manhã para tomar sol, brincar e, principalmente, para que eu pudesse compartilhar experiências com as outras de mães que moravam, por ali, na vizinhança.

Aquela troca entre mulheres, que estavam passando por desafios parecidos, deixava meu dia muito mais alegre e a maternidade parecia sempre mais leve e tranquila. As mães da pracinha eram um grande apoio e fonte de informação para lidar com pequenos desafios que apareciam durante os primeiros anos de vida do João.

Depois de seis anos, eu e meu marido resolvemos ter um segundo filho. E agora que o Lucas já está com 8 meses, percebo o quanto as coisas mudaram desde então.

Dentre as diversas mudanças ocorridas, destaco o acesso à informação que tem se tornado cada dia mais fácil. Mesmo sem procurarmos as informações chegam até nós com uma rapidez impressionante. Gosto de brincar fazendo a pergunta: quem foi que contou pro Facebook que eu tive um segundo filho? Recebo continuamente matérias, produtos e vídeos relativos á maternidade, segundo filho e coisas correlatas. Aliás, cá entre nós, fico receosa com quanta informação o Google sabe de mim! Daqui a uns dias não vou precisar mais fazer terapia e curso de crescimento pessoal. Caso sinta alguma angústia, medo, ou desafio emocional basta digitar “o que fazer?” no Google que ele me responderá. 😮

Você poderá ver que há uma  infinidade de sites e “especialistas” em maternidade e educação infantil, tudo muito prático e acessível. Muitas vezes nem precisamos sair de casa para comprar um livro, eles chegam direto em nossa casa pelo correio, em alguns casos nem pagar é preciso, simplesmente fazemos um download e zaz!!! Ali está o livro. Além disso, eventos on line, palestras, cursos com profissionais renomados estão a nossa disposição.

Essa acessibilidade à informação traz consigo diversos benefícios, mas também muitos desafios. Um deles vem me acompanhando já faz alguns meses: uma angústia enorme por acreditar que preciso acompanhar toda as informações que estão sendo produzidas, pois isso me tornará uma mãe melhor e infalível. A angústia é não conseguir fazer isso, é claro! Constantemente, quando não estou atenta, me pego buscando informações de forma distraída, desorganizada e compulsiva, presa mentalmente numa competição louca criada pelo “inconsciente materno coletivo” querendo levar o título: “MELHOR MÃE DO PEDAÇO!”.

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Por mais que eu saiba que a informação consumida desta maneira não é necessária e quase sempre não ajuda minha relação com meus filhos, percebo que muitas vezes minha mente fica buscando mais e mais informação. Deixo me levar por esta grande desconexão que ronda a relação das mulheres com a maternidade. Em busca de modelos prontos, pré-estabelecidos, seguimos consumindo dados produzidos por um sistema social que deseja nos manter pouco reflexivas, em disputas umas com as outras e, muitas vezes, guiadas pelo medo de errar e não sermos as melhores.

Frente as possibilidades nas quais podemos pautar nossas escolhas e a imensidão de informações, tomar uma decisão fica cada vez mais difícil. Nos vemos paralisadas frente a essa diversidade ou simplesmente escolhemos o que a maioria, ou alguém de nossa confiança, vem escolhendo sem refletir e sem saber se a resposta é coerente e adequada às suas necessidades e de nossos filhos.

E quando entramos nesse jogo de olhar para fora e buscar incessantemente mais e mais referências externas, incentivamos uma competição velada, as vezes nem tanto, que permeia o universo feminino. Entramos nessa disputa para saber quem é a Melhor Mãe em todos os aspectos, competimos umas com as outras, nos protegemos por meio de rótulos, ideais que não correspondem à realidade da vida que almejamos! E a final nossos filhos pagam o pato nessa disputa insana. Eles são os “troféus’ que exibimos nessas nossas tolices.

E por trás dessa situação, dessa aparente segurança trazida pelo excesso de informações percebo um universo de mulheres inseguras, plenas de emoções reprimidas e com muito medo de silenciar a própria mente para enfrentar seus próprios problemas e refletir internamente sobre o caminho a trilhar.

Essa angústia que me acompanha, provavelmente faz parte da vida de outras mulheres, vivemos seguindo essa necessidade de buscar referenciais externos que mascaram e justificam o que acontece em nossa relação com nossos filhos. Entretanto, o desafio é que entre quatro paredes não conseguimos sustentar esta postura de mulher segura, equilibrada, inteligente, feliz, realizada, boa mãe, ótima profissional, e tudo mais que buscamos ser quando estamos conectadas exclusivamente com as expectativas sociais. Na intimidade de nosso lar as máscaras caem e dão espaço para uma mulher insegura, fragilizada e cansada que não sabe o que fazer, que sente medo, que fala firme com o bebê que acorda de madrugada fora de hora, que perde a paciência com os filhos que suplicam sua atenção com comportamentos agitados e agressivos, que trata seu companheiro sem carinho, que grita e discute na frente das crianças, que não tem energia nem libido para ter uma relação sexual satisfatória com o marido.

E quando olho para esta realidade vejo que há outras alternativas e que posso escolher como desejo me relacionar com meus filhos, com meu marido, com as pessoas. Posso seguir pelo caminho mais fácil, rápido e seguido pela grande maioria das mulheres/mães que escolhem guerrear contra si mesmas, o olhar para fora, o comparar seus filhos com modelos e padrões estabelecidos pelas pesquisas mais modernas dos “últimos minutos”, o sofrer por nunca alcançar os resultados sonhados e o tentar, como um cachorro que corre atrás do rabo, chegar em primeiro lugar numa grande competição da melhor mãe do pedaço! Ou posso escolher o caminho mais difícil, não vou te enganar, o caminho da paciência, da disponibilidade, da disciplina e do comprometimento com sua auto educação e com a educação do seu filho. E caso você opte por  trilhá-lo vai se deparar, aos poucos, com um universo de mais paz no qual você será a mãe que realmente pensou em ser.

As respostas que você tanto busca estarão sempre ao seu alcance, bem ai dentro de você, essa é a boa notícia! Você não precisará mais ficar buscando freneticamente no Google ou Facebook. Simplesmente, vai estar diante da possibilidade de encontrar a paz mental e auto confiança para educar seu filho da maneira como deve ser.

Voltando ao meu processo materno, aquele em que ora me vejo conectada com o caminho rápido e ora buscando arduamente o caminho verdadeiro da paz e silêncio interno, percebo o quanto amadureci como mãe, profissional e ser humano de forma geral. Não foi só o mundo que mudou desde a época da pracinha, eu também mudei bastante. Quando tive o João tinha acabado de me formar no curso de psicologia, fiquei dois anos por conta de cuidar dele e de nossa casa. Hoje, tenho que admitir, com o coração em paz, que já não sinto mais prazer em ficar o dia todo cuidado das crianças, tem algo lá fora que me chama, sinto vontade de sair, trabalhar e me colocar a serviço do mundo, de outras mães e mulheres que, assim como eu, buscam a integralidade do Ser. É como se sentisse que o meu “mundo”, que antes se resumia ao João, a nossa casa, o meu marido e a minhas amigas da pracinha, cresceu e já não cabe mais nas paredes da minha casa. E assim como ele cresceu, a minha consciência também e trouxe consigo uma grande necessidade de amadurecimento e organização. É hora de assumir a responsabilidade por todos os papéis que represento e organizar meu tempo e minha energia para dedicar ao que é prioritário em cada um deles. A mãe, a esposa, a profissional e a dona de casa precisam se harmonizar e dialogar dentro de um espaço de aceitação. A cada instante buscar o referencial interno que me diz sobre o que refletir, sentir e fazer, que me mostra as necessidades e em qual contexto/pessoa estou me relacionando.

Isso só é possível quando vivo minha vida no aqui e agora, quando me liberto dos rótulos, da rigidez e dos padrões que criei e sigo criando em minha vida. Quando me conecto com o desejo autêntico de olhar para dentro e paro de olhar para fora, de me comparar, de comparar meus filhos, de criar expectativas, e de me sentir culpada e estressada.

caminhandoQuero caminhar pelo caminho do meio, com equilíbrio, paz, aceitação e a harmonia com o que é. Confiante de que sou a mãe perfeita, possível para meus filhos, afinal de contas foram eles que me escolheram para guia-los e mostrar-lhes o mundo! 😉

 

 

 

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No dia que o Lucas, meu segundo filho nasceu, João seu irmão mais velho passou a noite ardendo em febre e vomitando. Ficou assim por quatro noites e depois todos os sintomas sumiram. O filho mais velho de uma amiga caiu e quebrou o braço, nos dias que se seguiram ao nascimento do seu irmãozinho. Conheço outra criança mais velha que quando sua irmãzinha tinha apenas dois dias de vida pediu a sua mãe para devolvê-la a cegonha! A filha de outra amiga beliscava a irmãzinha sempre que a mãe não estava por perto.

Enfim, quando um bebê nasce emoções de todos os tipos vão emergir nos membros daquela família, que está passando por uma profunda transformação. Adultos e crianças sentirão este impacto.

Abaixo reuni algumas dicas sobre como podemos nos preparar para a chegada de um bebê na família e seguir apoiando as crianças mais velhas a lidarem com suas emoções diante da chega de um irmãozinho ou irmãzinha.

A princípio as crianças podem ficar muito animadas com a chegada deste novo Ser, mas aos poucos sentimentos como ciúmes, raiva, tristeza e ansiedade podem vir à tona. Sendo assim, pais e mães precisam estar atentos para apoiar suas crianças a trilharem esta jornada com suavidade e confiança.

Da mesma maneira, falarei nas dicas 06 e 07, sobre a importância da criação de uma rede de apoio familiar para que a mãe possa mergulhar nesta relação com os filhos tranquilamente, desfrutando de cada aprendizado que possa emergir. Vamos lá então:

1) Inclua um tempo exclusivo mãe – filho na rotina das crianças mais velhas!

Desde antes do nascimento do bebê é importante que você separe um tempo na rotina diária dos seus filhos mais velhos para que eles façam, juntos com você, o que eles quiserem. Passear na praça, dançar, cantar, pular na cama, explorar um jardim, o que quiserem será bem vindo e você será sua grande parceira. Fique atenta e mergulhe no brincar da criança. Convide sua criança interna para participar da brincadeira e deixe o adulto de lado, evite dar conselhos, orientações e simplesmente deixe-se guiar por seus filhos. Você está ali para conhecê-los ainda mais, para estreitar os laços desta relação e gerar um espaço de intimidade e confiança fundamental para qualquer desafio futuro que possa surgir.

Meia hora diária, ou umas duas horas semanais são suficientes para ajudar no aprofundamento da relação. Desligue seu celular, faça um lanchinho, vá ao banheiro antes do seu tempo exclusivo com as crianças! Nada nem ninguém deve tirar seu foco nestes minutos especiais de conexão, amor e presença, eles podem revitalizar seus pequenos e você, também, poderá se sentir muito bem. Essa atitude vai mostrar para seus filhos o quanto ele é importante para você e vai gerar segurança para que ele enfrente a mudança que está por vir. Lembre-se de continuar este trabalho após o nascimento do bebê sempre que possível.

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2) Fique atento ao brincar e as brincadeiras das crianças mais velhas.

O brincar é o lugar onde a criança vai expressar o que vem absorvendo do mundo ao redor. É ali que a criança elabora suas emoções. Um adulto que sabe disso assume sua responsabilidade de “guardião do brincar” e vai favorecer ao máximo que seu filho entre em atividade lúdica. É responsabilidade do adulto preparar um ambiente seguro com estímulos adequados para que a criança possa se movimentar livremente, tanto dentro quanto fora de casa.

Tente presenciar alguns momentos deste brincar, você não precisa brincar junto aqui, simplesmente prepare o ambiente e fique por ali fazendo suas atividades de adulto, cuidando do bebê, limpando a casa, cozinhando, etc. Fique sempre atenta, observando. Vozes, histórias, personagens, podem dizer muito do que a criança está sentindo, você poderá se surpreender com a quantidade de questões que serão explicitadas pelas crianças. Essa é mais uma oportunidade de você aprofundar o conhecimento sobre seus filhos e apoiá-los a liberar as emoções que por ventura estejam trancadas em seu mundo interior.

3) Favoreça a relação do seu filho com amigos e familiares.

Os filhos mais velhos vão precisar de alguns momentos para “respirar” longe do seu lar que está passando por intensas mudanças. Nesse momentos é fundamental que eles estejam com um adulto de confiança, com o qual possam se expressar livremente e passar um tempo juntos. Esse adulto pode ser uma avó, uma tia, uma amiga da mãe, enfim encontre pessoas próximas que deem atenção e apoio aos seus filhos e combine encontros mesmo antes do bebê nascer. Essa relação entre adulto e criança pode ser muito confortante e acolhedora para a criança.

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Além do adulto, dependendo da idade da criança (sugiro a partir de 3 ou 4 anos) é legal criar uma rotina com amigos com os quais ela possa brincar junto. O João meu filho, 7 anos, depois do nascimento do Lucas, 7 meses, se aproximou muito do seu amigo Tom, que por sua vez também havia ganhado um irmãozinho recentemente. Os dois vão e voltam da escola juntos, brincam ao menos duas tardes na semana livremente na pracinha perto de nossa casa, além de fazerem aula de skate duas vezes por semana. Essa relação entre os dois é extremamente positiva para ambos, eles se apoiam e se divertem muito brincando juntos.

4) Ajude seus filhos a lidarem com a angústia da separação antes do bebê nascer.

A Angústia da separação é um sentimento comum para as crianças em diversos momentos de sua vida. A chegada de um irmão ou irmã pode evocar ainda mais este sentimento e trazer comportamentos desafiadores para os pais.

O que sugiro aqui é que você observe, mesmo antes do bebê nascer, em quais momentos de separação a criança tem maior dificuldade. Pode ser durante a chegada na escola, à noite antes de dormir, quando a mãe vai para o trabalho, ou quando ela está conversando com outra pessoa, ou prestando atenção no celular, enfim, observe o que vem à tona nestes momentos de pequenas separações. Às vezes ela ficará mais chorosa, irritada, agressiva, manhosa.

UnknownO que fazer para apoiá-la? Imaginemos que antes de dormir a criança peça para você contar mais uma história. Fique atenta, pois isso pode indicar que ela está angustiada diante deste momento de separação. E você deve colocar o limite com muito amor. Simplesmente pode dizer: “Meu amor, agora é hora de dormir e já contamos a história de hoje!”. Caso ela comece a chorar, fique ali presente. Este choro está te dizendo o quanto é difícil se despedir e se entregar sozinha a uma longa noite de sono. Escute o choro com compaixão pelo que seu filho está sentindo, sem julga-lo, sem intervir demais, sem tentar dizer para ele o que está sentindo. Não coloque os sentimentos dele em palavras neste momento. Somente fique presente, escutando e siga firme e amorosamente com sua intenção. Dessa forma ele terá a oportunidade, por meio do choro, de trazer este sentimento para a superfície e esvaziar seu campo emocional de forma natural.

5) Faça da chegada do bebê um momento especial para as crianças também.

Alguns dias antes do nascimento do meu segundo filho pedi a uma grande amiga que costurasse um boneco de tricô para o João. Assim, no dia que o Lucas nasceu, deixei o bonequinho envolvido em uma mantinha de flanela em cima da cama do João. Quando ele chegou no seu quarto e viu o boneco ficou muito surpreso, seus olhinhos brilhavam de alegria e seus gestos diziam o quanto ele estava grato pelo presente trazido “dos céus” por seu pequenino irmão. Eu e meu esposo dissemos para ele que o boneco foi um presente do anjo da guarda do Lucas: “Ele trouxe o bonequinho para você no mesmo momento que trouxe o Lucas para nossa família!”

A ideia de presentear a criança mais velha tem o intuito de trazer um objeto simples e aconchegante que possa apoiar a criança a lidar com este momento novo. É claro que o boneco não irá substituir nada, mas pode servir como um pequeno conforto para momentos nos quais o irmão mais velho se sentir sozinho, “abandonado”, etc. Sinto que ajuda a criança a elaborar e expressar melhor o que está sentindo. É importante também deixar claro para a criança mais velha que você a ama muito e ninguém jamais vai tirar o lugar dela em sua vida, em seu coração.

O ideal aqui é dar algum presentinho simples e que traga conforto e alento para seu filho. Pode ser um boneco, um paninho destes gostosos de dormir, um anjinho, uma fadinha, enfim algo que faça parte da crença familiar e que simbolize este momento especial!

6) Crie uma rede de apoio para você após o nascimento do bebê.

mother-grandmother-babyNos primeiros dias após o nascimento do bebê toda ajuda é bem vinda! A mãe está se recuperando do parto e toda a família se reorganizando com a chegada do bebê. Há muito o que se fazer.

Eu me recordo que nas duas primeiras semanas após o nascimento do Lucas, minhas amigas se organizaram para trazer o almoço para minha família, cada dia uma preparava uma comidinha deliciosa e a entregava por volta de 11:30 em minha casa. Foi um presente especial que me trouxe uma sensação de amparo e cuidado maravilhosos. Esse gesto me permitiu ficar mais tranquila e liberada para cuidar do bebê e descansar.

Durante os primeiros quarenta dias de vida do bebê, é importante que a mãe organize uma rede de apoio que a deixe amparada o suficiente para que possa cuidar do bebê e de si mesma. Avós, tias e tios, amigos, vizinhos, ou até mesmo uma empregada doméstica que façam as tarefas da casa, limpeza, comida, roupas, etc. que apoiem nos cuidados com as outras crianças, cuide coisas que precisariam ser feitas em bancos, lojas, fora de casa que antes poderiam ser de responsabilidade da mulher, para que a mesma fique liberada para mergulhar neste momento profundo de auto descoberta e conexão com o bebê.

7) Mantenha seu auto observador ligado após a chegada do bebê.

Como disse anteriormente, sentimentos de todos os tipos surgirão após a chegada do bebê, tanto nos adultos quanto nas crianças. A mãe, que está física, emocional e mentalmente “revirada” , além de lidar com tudo isso, precisa estar tranquila para cuidar do bebê.

Eu me lembro que, após o nascimento dos meus dois filhos, tive uma sensação parecida: quando estava escurecendo eu sentia uma tristeza tão profunda que as lágrimas brotavam dos meus olhos e eu ficava ali debruçada no bercinho deles por alguns minutos olhando para aquele pequenino ser, tão frágil e delicado. Era uma sensação de angústia que tomava conta e trazia uma mistura de sentimentos tais como medo, tristeza, ansiedade e esperança.

Estas e outras sensações são comuns após a chegada de um bebê. Elas trazem, junto com a alegria pela chegada do filhinho, a possibilidade de mostrar à mãe parte de sua sombra, ou seja, aquilo que é rejeitado pelos padrões sociais e por ela mesma ao longo de sua vida e fica ali escondido povoando o seu inconsciente. Estas criações mentais reprimidas precisam vir à tona, vez ou outra, para que façamos uma “limpeza”, e assim possamos integrar esta parte sombria que nos amedronta, afim de buscar a verdadeira liberdade de nosso ser.

A relação mãe-bebê é uma grande oportunidade de auto descoberta e crescimento para a mãe, se ela está disponível e relaxada o suficiente para se conectar com seu bebê e mergulhar neste universo desconhecido de sua sombra. Neste momento o apoio de uma grande amiga, um terapeuta, ou uma rede de mães é fundamental para amenizar e amparar esta jornada intensa e muitas vezes desafiante.

Eu tenho praticado todas as dicas relatadas acima nestes últimos meses após a chegada do Lucas. Penso que eles podem ser úteis e vão apoiar você e sua família nesta linda jornada que é a gravidez e a chegada de um filho!

Aguardo seus comentários para aprender com você!!! 😉

Inspirado no artigo do site “Hand in Hand Parenting”: http://www.handinhandparenting.org/article/five-keys-preparing-for-the-birth-of-a-sibling/?inf_contact_key=aed2e0440926fe4cafd57df1b27837955167993a9e11cd21fa8a50975f9f3e55

758_aplicativos_educativosVira e mexe escuto PAIS E MÃES comentarem que suas CRIANÇAS ficam constantemente ENTEDIADAS, que solicitam muito a sua atenção ou que NÃO PARAM QUIETAS para brincar calmamente! Outros ainda completam “a TELEVISÃO E JOGOS ELETRÔNICOS são a melhor forma de distraí-los e conseguir um tempinho livre!” Confesso que me identifico com essa problemática muitas das vezes.

Será mesmo que as crianças hoje em dia não conseguem se CONCENTRAR PARA BRINCAR TRANQUILAMENTE? E a TV e os Jogos Eletrônicos são bons aliados para pais que desejam um TEMPO LIVRE, sem as crianças lhes solicitando atenção sem parar?

Pensando nessas perguntas tentei refletir sobre os impactos de deixar nossos filhos expostos a este tipo de estímulo, TV e Jogos eletrônicos, e sobre como posso apoiá-los a BRINCAR de forma livre, espontânea, criativa e concentrada. Meu objetivo neste texto é compartilhar minhas reflexões com você e não dizer o que pais e mães podem fazer em relação ao brincar das crianças. Vou levantar alguns pontos para que possamos criar juntos novas possibilidades para nossos filhos vivenciarem uma infância saudável e nós pais e mães sentirmos cada vez mais prazer em estar com eles. Sintam-se à vontade para comentar no final do texto e deixar suas opiniões, elas são sempre bem-vindas!

É sempre bom começar observando a criança e suas reais necessidades. É por meio de uma observação atenta que podemos ficar um mais tranquilos com as escolhas que fazemos para nossos filhos. E esta observação bem feita, talvez, seja o maior desafio pois, para logra-la, é necessário que o adulto silencie sua mente, suas vozes mentais repletas de necessidades próprias, juízos e preconceitos e vá ao encontro desta criança, com total quietude interna, interesse e abertura que o permita escutar de forma profunda e clara o que este pequeno ser tem a lhe dizer.

Hoje, percebo que pais e mães, e me incluo neste grupo, têm grande dificuldade de praticar esta observação adequadamente. Posso afirmar que ela é de fundamental importância para a relação entre pais e filhos, pois é preciso despertar um interesse profundo de um pelo outro e isso nasce de um desejo genuíno de crescimento, de evolução para assim inspirar as crianças com nosso exemplo, com o melhor que temos. Na verdade, poucos estão realmente disponíveis e interessados em olhar para dentro quando há tanto o que olhar, escutar, saborear e tocar por fora em um mundo construído pelo consumo pronto para ser vivido por pessoas que se distrairão e serão cooptadas pelo que está de fora.

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Para nós, pais, o trabalho requer ainda mais atenção pois, na maioria das vezes,  viemos de famílias pequenas com pouca experiência de cuidar de outra pessoa, com pouca prática em “sair de si” e ir em direção as necessidades deste outro, o que aumenta a probabilidade de nos tornarmos seres individualistas e com dificuldades de nos movimentarmos de forma autêntica nesta direção. Muito diferente das grandes famílias do início do século passado, nas quais os filhos mais velhos cuidavam dos irmãos mais novos desde muito cedo e os adultos quando tinham filhos já estavam acostumados a cuidar e se ocupar de outras pessoas, pois praticavam esse movimento de ir em direção do outro e voltar para si desde muito cedo.

As reais necessidades das crianças

É possível identificar as reais necessidades das crianças? SIM, é um desafio para nós, mas é possível fazê-lo! E quando conseguimos romper as barreiras do individualismo e as distrações que nos impedem de silenciar a mente, podemos perceber quais as reais necessidades de nossos filhos.

Quando silencio, consigo observar e perceber que uma criança, em seus primeiros anos de vida, precisa basicamente de:

1) CONTATO, criar vínculo com outros seres humanos, olhar nos olhos, ouvir vozes carinhosas, estar rodeada de pessoas interessadas e atentas a ela, se “sentir sentida”, se sentir amada.  Se apegar a este outro (pai/mãe/cuidador) para se inspirar e imitá-lo, pois dessa forma ela vai aprender o que é SER humano, o que é o mundo e como se relacionar com seu entorno. ‘Somos seres de relações e precisamos dessa interação social tanto quanto precisamos de comida’.
2) MOVIMENTO – A criança é puro movimento, é preciso deixa-la livre para se conhecer, conhecer seu corpo e  o mundo ao redor! Mover-se com liberdade, num espaço seguro e acolhedor, devidamente preparado e organizado, é uma das necessidades básicas das crianças. Elas precisam se movimentar para descobrir todas as possibilidades de seu corpo e, assim, alimentar a força da vontade para, futuramente, se desapegar dessa mãe/pai/cuidador e caminhar de forma autônoma, livre e confiante pelo mundo.

O contato e o movimento são fundamentais para o desenvolvimento do ser. A criança que tem ao seu lado um adulto atento as suas necessidades, presente, disponível para aprofundar-se nesta relação, que prepara um ambiente seguro, com estímulos adequados e permite que ela se movimente com liberdade, se sente segura e tem energia suficiente para explorar o mundo.  E a exploração e a experimentação do mundo vão acontecer por meio do brincar.

O Brincar e os Eletrônicos

154051cafe36fcc904a7f2b9254f841d1068920fBrincando a criança imita o mundo e recria o que recebe das pessoas que a cercam, ela elabora, no seu ritmo, tudo que absorve do seu entorno. No brincar ela movimenta e coloca seu corpo, emoções e mente em funcionamento, a serviço do mundo, das pessoas e dela mesma. Ela cria e explora cada detalhe de coisas simples como um toquinho de madeira, que ora é avião e ora é um cavalinho balançando. Quanto mais simples o brinquedo, mais espaço há para a criança fantasiar e se projetar, mais envolvida e concentrada em seu fazer/brincar ela ficará. Dessa forma, há fantasias suficientes para permitir que a criança fique ali entregue ao momento, inteira e presente e não exista a necessidade de buscar a TV e os jogos eletrônicos.

Num primeiro momento, estes a TV e os joguinhos podem parecer bons aliados para pais e mães que desejam um tempo de descanso sem as crianças por perto.  Este tipo de entretenimento deixa a maioria das crianças hipnotizadas, apáticas e imóveis, por um bom tempo. E aí pensamos que deixá-las assistir um pouco de TV ou jogar um joguinho eletrônico por alguns minutos diários talvez não faça mal. No entanto, o excesso de contato com esse tipo de estímulo, vai no sentido oposto das necessidades das crianças e pode ser extremamente perigoso.

Você tem dúvidas sobre isso? Observe então os impactos dos eletrônicos em você e nos seus filhos ou em outras pessoas ao seu redor. O que vocês sentem, pensam e fazem quando passam tempo demasiado em contato com o que se passa nas telas?

Num primeiro momento o contato excessivo com os eletrônicos gera uma PREGUIÇA E INÉRCIA incríveis. Sinto que a falta de movimento corporal aumenta quando estamos vendo TV, jogando joguinhos eletrônicos ou navegando na internet, quanto mais tempo de contato temos com eles. E os impactos não param por aí, por vezes me sinto angustiada e ansiosa, minha mente fica muito acelerada. E essa aceleração mental e as emoções “negativas” decorrentes deste processo, tais como ansiedade e raiva, influenciam minha relação com os demais e em especial com meus filhos e anseio que eles acompanhem este meu ritmo mental acelerado: “anda logo, menino!”.  Além disso, por vezes, me sinto sozinha e triste, mesmo quando estou rodeada de amigos virtuais e informações “super interessantes”. Percebo que na vida real as pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras, pouco disponíveis para se escutarem, para se comunicarem  e aprofundarem em suas relações.

E o mesmo percebo no João, meu filho de 6 anos, quando assiste, digamos, a 1 hora de TV (a regra aqui em casa é TV e Joguinhos somente na sexta, sábado e domingo por não mais do que 1 hora por dia)  ele fica mais preguiçoso e pouco colaborativo. Passa o dia brincando de forma mais agressiva e agitada, com muita dificuldade de se aquietar e concentrar nas brincadeiras.

Além dos impactos que percebemos gerados pelo contato com as telas, há um conteúdo por trás disso tudo que também deve ser muito bem avaliado pelos pais. O que chega por meio das telas até nossas crianças?

Mais uma vez o caminho é colocar-se lado a lado dos pequenos e avaliar com atenção o conteúdo dos programas e jogos que eles têm contato. Eu tento selecionar ao máximo aqui em casa, mas sempre passa algo desapercebido ou uma avó que finge não conhecer os combinados da casa e deixa ver e jogar algo que não é permitido. É violência, lutas, disputas, competitividade, super poderes, valores e conceitos que impregnam nossos filhos com uma rapidez assustadora. Fora toda a indústria do consumo, que está por trás dos personagens queridinhos das crianças e dos comerciais, que mina a criatividade e o brincar espontâneo das mesmas, uma vez que cria a necessidade de ter/adquirir aquilo para que seu brincar aconteça e você seja feliz.

Desacelere!

Enfim, há muito mais o que observar e compreender sobre os impactos e as sensações dos eletrônicos em nossas vidas e na criação e desenvolvimento de nossos filhos. Seguir neste trabalho nos permite fazer escolhas mais conscientes, para nós e nossos filhos. A sensação que fica é a de que, cada vez mais, precisamos ficar atentos para escolher caminhos de forma consciente e não seguir cegamente o que a grande maioria das pessoas anda fazendo. Muitas vezes há a necessidade de movimentos contraculturais se o desejo de educar de verdade é legítimo. Assim, DESACELERAR, SILENCIAR, ESCUTAR e APROFUNDAR na compreensão se tornam grandes aliados de pais e mães que querem fazer a diferença na educação de seus filhos.

É sempre bom lembrar que as crianças estão chegando agora neste mundo e o ritmo delas é completamente diferente do ritmo de um adulto e do mundo que nos cerca. A criança se coloca numa postura de abertura e confiança e aceita o que seus cuidadores têm para lhe entregar – elas não têm como se protegerem. É preciso que este adulto que já está inserido no mundo, reflita sobre sua vida, desacelere seu ritmo, de vez em quando silencie sua mente, escute seu coração, ouça sua intuição e se aprofunde nas necessidades daquele SER que acabou de chegar, para não seguir repetindo, sem questionar, a forma como a maioria de nós tem se relacionado com o mundo, com seus recursos e principalmente com as crianças.

Continue o seu trabalho e siga observando e se aprofundando neste universo incrível que são nossos filhos. Veja se consegue entregar a eles o que realmente necessitam, com amor, paciência e muita tranquilidade. E se questione: será que eles precisam mesmo de tanto estímulo eletrônico e virtual ao seu redor? E qual a sua responsabilidade como pai e mãe em proteger seu filho e dar limite ao que chega até ele? Deixe seu comentário aqui abaixo para seguirmos juntos nesta reflexão!

Aqui em casa fazemos assim:

1) Deixamos as regras e limites claros e combinadas entre todos!

A vivência do limite já deve vir desde muito cedo para as crianças. O ventre materno é a primeira fronteira que elas se deparam e logo que nascem o corpo da mãe, as roupinhas, a quantidade de luz e som a que o bebê é exposto são exemplos de fronteiras que são percebidas pela criança. Dessa maneira, quanto mais consciente o cuidador está deste processo, mais tranquilo será a vivência do limite para as crianças. Elas se sentirão seguras e confiantes nos limites estabelecidos e isso favorecerá a cooperação delas com relação às regras e aos combinados no futuro.

Aqui em casa, deixamos as regras claras desde muito cedo, a rotina das crianças é prioridade e poucas vezes alterada pelas necessidades dos adultos. Hora de dormir, hora de comer, o que comer, onde brincar (dentro ou fora de casa) e com o que brincar, quais dias e quantas horas ver TV, quais programas são permitidos, jogar joguinhos eletrônicos, entre outras coisas, são decisões minhas e do meu marido somente. Essas regras funcionam como limites  firmes e seguros que guiam o desenvolvimento de nossos filhos de acordo com o que julgamos ser saudável para eles. É importante que pais e mães pesquisem sobre os temas acima, para tomar decisões conscientes sobre as necessidades das crianças e os limites que seguirão a partir daí. Cada família vai ter suas regras e combinados, mas estes devem ser baseados primeiramente nas necessidades das crianças e isso não difere muito de uma para outra. Por exemplo, está cientificamente provado que as crianças devem dormir cedo, entre 18h e 20h, e por muitas horas (12 horas aproximadamente) sem interrupção. Esta regra não deve variar muito de uma família para outra.

Uma outra dica é comunicar as regras da casa a todos que participam da vida e criação das crianças. Avós, tias e tios, cuidadores devem seguir as mesmas regras definidas pelos pais. Crianças precisam de rotina e de limites.

2) Os adultos viram crianças em algum momento do dia ou da semana e brincam com os filhos.

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Em nossa rotina há momentos que os adultos, deixam a racionalidade, a rigidez e a vergonha de lado e submergem no mundo encantado das crianças. E aqui cada um faz o que gosta. Eu, por exemplo, adoro pintar, desenhar, cantar, pular corda e dançar com meu filho mais velho e faço isso sempre que possível com o maior prazer. Meu marido por sua vez, adora lutar, rolar no chão, andar de bicicleta e skate e jogar futebol. Isso ele faz com prazer e alegria mútuos, dele e do João.

Você pode estar pensando, “mas eu não gosto de fazer nada disso, detesto brincar!”. Posso te afirmar que isso não é 100% verdade, dentro de você há uma criança escondidinha doida para sair, se liberar e se entregar a esta experiência tão fundamental de reviver sua infância junto com seus filhos, agora, como adulto e resignificando as experiências do passado! O que você precisa é tentar… se observar, se permitir e descobrir pequenos prazeres que podem ser vividos de forma leve, divertida e muito alegre junto com seus filhos!

3) Os adultos trabalham com as mãos, convidam as crianças para acompanha-los e inspiram um brincar mais concentrado para os pequenos. 

Quando trabalhamos com as mãos e com nosso corpo as crianças podem perceber o processo do trabalho, que tem início, meio e fim (isso fica claro para a criança). Esse Fazer, e não só o Pensar como estamos acostumados em nossa vida de adulto, é o que colocamos em ação quando cozinhamos, costuramos, dançamos, cuidamos do jardim, regamos as plantas, construímos algo, concertamos o carro, arrumamos armários, limpamos a casa. Isto inspira nossos filhos a se movimentarem também, eles começam a fazer algo junto com o adulto, sozinho ou com outras crianças. Assim, o brincar atinge um ritmo de criatividade e concentração muito bonito de se ver.

Percebo que João encontrou seu ritmo na brincadeira e está ali presente e entregue quando começa a cantarolar. Ele passa horas brincando de massinha, montando Lego, brincando com seus bonecos, fazendo cabacinhas e naves espaciais, sempre cantarolando, contando histórias e fazendo vozes diferentes para os personagens que cria em seu brincar! Esta é uma observação que você pode e deve fazer junto ao seu filho, para descobrir quando ele está efetivamente entregue ao brincar.

Esses 3 pontos que pratico em minha casa me ajudam a desenvolver uma relação mais saudável e harmônica com meus filhos. Quanto mais os pratico, maior é a conexão com às necessidades de meus filhos, mais claros ficam os limites e mais criativo e concentrado é o brincar das crianças.

E você o que faz em sua casa? Me conta ai embaixo vou adorar aprender  com você!!! 😉

gleichgewicht“Como apoiar seu filho a ter uma vivência positiva da infância?”

Essa foi a pergunta que guiou o segundo encontro do Zum Zum Zum de Mães! Passamos a tarde trilhando um caminho que nos levou a nossa infância, relembramos brincadeiras, viagens, momentos felizes, desafios, investigamos a relação com nossos pais, irmãos e familiares. Estávamos  em busca de possíveis respostas para esta questão, ora olhando para dentro, para nosso passado, para nossa própria infância e ora compartilhando, escutando e reverberando com o grupo nossa experiência com nossos filhos.

E colhemos frutos preciosos, que nasceram de cada mãe ali presente, de cada criança interior que habita estas mulheres. E nossos insights com certeza irão transformar nossa relação com nossos filhos e talvez apoie você também a criar um espaço positivo e saudável para o desenvolvimento do seu, que favoreça uma vivência positiva e muito especial da infância.

Sinta um pouco dos frutos que colhemos e compartilhe com quem mais você sentir vontade. Deixe também seu comentário e embarque neste Zum Zum Zum conosco!

Para apoiar uma vivência positiva da infância para nossos filhos é preciso basicamente duas coisas: 1) cuidarmos de nós mesmos, nossas emoções, pensamentos e ações e 2) do entorno que cerca nossa família. E é sobre estes  dois aspectos que vamos falar:

1) Um pouco sobre como podemos cuidar de nós mesmos…

Grande parte dos aprendizados dos pequenos acontece por imitação, eles reproduzem o que percebem e captam das pessoas que o cercam. Esse contato com o outro ser humano é extremamente importante desde o início da vida, uma vez que o nosso desenvolvimento se dá através das relações estabelecidas e do que é apreendido das mesmas: sentimentos, emoções e pequenos sinais não verbais (como tom de voz, expressões faciais e corporais, etc.).

As crianças estão abertas, confiantes e entregues a vida, elas “não tem filtros” e não sabem se proteger, vão se conectar com o que está ao seu redor. Somos nós, os adultos, os responsáveis por cuidar do que pensamos, sentimos e fazemos, principalmente na presença de nossos filhos. Enfim, estarmos atentos ao que está passando em nosso “mundo interno”.

Como já dizia Rudolf Steiner, criador da Pedagogia Waldorf, “Toda Educação é Auto Educação!” e partindo desta premissa, para apoiar verdadeiramente nossos filhos a se desenvolverem de forma saudável, precisamos nos atentar ao nosso processo de desenvolvimento pessoal. Compreender a oportunidade que um filho trás para nossa vida, uma vez que cada instante ao lado deles, cada desafio, cada demanda de nossos pequenos é um convite para olharmos para dentro e buscarmos qual é a nossa questão que as crianças estão conectando e trazendo a tona, como uma grande tora de madeira bruta a ser trabalhada. E a partir dai criarmos novas possibilidades para antigas questões, memórias e emoções que não foram devidamente expressadas, assimiladas e integradas ao longo de nossa vida.

Quando compreendemos a grandeza da relação mãe e filho(a) não há mais como fugir ou evitar um grande comprometimento com nosso trabalho de AUTO EDUCAÇÃO. Nasce um desejo ardente de nos tornarmos melhores e mais conscientes para inspirarmos verdadeiramente quem a gente ama!

E por falar em nos tornarmos melhores, identificamos também, em nosso Zum Zum Zum, que para tal é preciso aprender algumas técnicas e ferramentas que nos apoiem a viver uma vida mais PRESENTE ao lado de nossos filhos, uma vez que o mundo ao nosso redor nos convida a ir para fora constantemente. Mentalmente vivemos transitando entre passado e futuro e por vezes ainda vamos “cuidar da vida dos outros”. Expor nossos filhos a esta “confusão mental” faz com que eles se conectem a esta ausência (falta de conexão com o que está acontecendo aqui e agora) e comecem a reagir, tentando chamar nossa atenção e nos trazer de volta ao momento presente.

Meditação, terapia, yoga, caminhada, respiração consciente, dança, canto são ferramentas prazerosas  e úteis que podem nos propiciar o necessário encontro interno para estarmos inteiras com nossos filhos. Estar com eles inteiras, sem apego e culpa pelo que passou e/ou sem ansiedade pelo que estar por vir, pelo que está acontecendo lá fora, longe de nós.”

A infância é um momento muito especial e de grande impacto na vida do ser humano. É um privilégio poder acompanhar os passos e conquistas de nossos filhos e ser conscientemente este adulto que guia, inspira e acompanha cada etapa de perto. Esvaziar a mente (“deixar o celular, a vida do vizinho e o mundo externo de lado”) no momento que estamos com eles, para SER e CONTEMPLAR a beleza do que acontece no AQUI e AGORA, deveria ser uma prática (ou intenção), mesmo que por apenas 30 minutos diários. Estar DISPONÍVEL e inteiro quando estamos juntos de nossos pequenos, física, emocional e mentalmente e deixar que do silêncio brote a verdadeira criatividade para guiar esta relação, é um trabalho para toda a vida!

2) Agora compartilho com você algumas idéias sobre como cuidar do entorno que cerca as crianças…

Criar um AMBIENTE HARMONIOSO em seu lar e demais espaços que transita é essencial para um desenvolvimento saudável de seus filhos. E isso também é papel de pai e mãe, somos nós que devemos escolher, cuidar e preparar os ambientes nos quais a criança vai interagir. Somos como jardineiros que temos em nossas mãos uma pequena plantinha frágil, que depende de nós para regá-la, adubá-la, controlar a quantidade de luz que deve receber diariamente, etc. Se deixarmos a plantinha sem os cuidados necessários, exposta ao vento, ao excesso de luz ou chuva ela pode não resistir. E com nossos filhos é mais ou menos assim que acontece também. As crianças, como disse anteriormente, não sabem se proteger dos estímulos externos, elas trazem consigo uma confiança primordial na vida e nas pessoas e se conectam com tudo que as rodeiam sem distinguir o que é bom e o que é ruim.

Diferente do que acontece com o adulto que, por exemplo, quando não gosta de uma música pode sair do ambiente ou tapar os ouvidos, ou simplesmente pensar em outra coisa e deixar de ouvir aquele som. As crianças “não tem escolhas” elas vão se conectar com o que está ai e quanto mais novas mais sensíveis elas são.

Meu bebe (6 meses), por exemplo, chora copiosamente todas as vezes que escuta seu irmão chorando; ou quando vê o irmão brincando de luta com o pai fica super agitado e começa a gritar. Outro exemplo de sua sensibilidade foi quando o levei ao supermercado pela primeira vez (realmente não encontrei outra opção). Ele tinha apenas 5 meses, depois de 15 minutos de exposição naquele ambiente agitado (excesso de luz, cores, sons, pessoas, aromas, enfim uma bomba de estímulos para um bebê que tinha saído de casa poucas vezes) ele não parava de gritar  e se remexer no sling. Foi a primeira vez que o vi daquela forma. Enfim, estes pequenos exemplos foram somente para ilustrar o que disse acima sobre o quanto nossos pequenos são sensíveis ao entorno.

Agora pare e observe seu filho, se pergunte sobre as reais necessidades deste ser e veja a fragilidade desta vida que te foi confiada! Seu dever como pai e mãe é cuidar do ambiente no qual ele vai se relacionar. É claro que sei que muitas vezes não vamos conseguir controlar tudo e todos, e desafios também são importantes para o desenvolvimento, mas é preciso um esforço de nossa parte nesta direção, especialmente durante os primeiros anos de vida da criança.

E atenção, eu não estou dizendo para você ficar atrás do seu filho o tempo todo impedindo que ele brinque livremente, muito antes pelo contrário. Quando digo que somos responsáveis por cuidar do ambiente, quero dizer que precisamos prepará-lo, limpá-lo, observar a segurança do espaço, deixar brinquedos simples e apropriados para a idade da criança e depois permitir que ele brinque livremente (sob o olhar atento do adulto, mas sem a interferência constante no brincar), explore ao máximo seu corpo e os demais estímulos ali encontrado.

E falando em estímulos, quanto mais simples e natural melhor. Nada de muito estímulo para os pequenos, um simples passeio numa praça já é suficiente. Permita que seu filho tenha contato com a natureza, pise na terra, na areia, na grama, brinque com pedrinhas, sementes, pedaços de madeira, tecidos de algodão, etc. Quanto mais simples for o seu brinquedo maior a possibilidade da criança interagir, se envolver e criar com aquele objeto.

Agora mãos a obra, é preciso disposição e vontade para apoiarmos nossos filhos a vivenciar a infância de forma positiva! E você deseja enriquecer essa conversa? Compartilhe conosco como você apoia o seu filho a vivenciar a infância de forma positiva!

 

 

 

 

zumzumzumE no dia 08 de maio de 2015 comecei um novo momento profissional em minha vida, o Zum Zum Zum de Mães. Sinto que agora estou vivendo um momento de mais escuta e observação, o que permite que minha conexão com as pessoas ao meu redor aumente (em especial com meus filhos).

O primeiro dia deste novo projeto foi revigorante, estava com saudades de escutar mulheres corajosas com histórias, crenças, costumes e valores diferentes e um propósito comum: se conhecerem, crescerem e evoluirem se vendo refletida na Relação com os filhos.

E as histórias são muitas, os desafios também, mas acima de tudo a vontade de fazer melhor e inspirar de forma consciente nossos pequenos grandes filhos!

E quem são essas mulheres? Veja se você se identifica com a história de alguma delas e no final me conte sua história e entre nesse Zum zum zum que já está dando o que falar!

No nosso encontro tinha mãe de todo jeito…

Mãe “parideira”

que inspirou outras mães com sua força de guerreira!

Largou o trabalho para cuidar de seu filho e de seu lar.

As vezes se sente cansada, sem tempo para respirar.

Sua cabeça não pára de pensar,

fica maquinando enquanto ela limpa a casa para lá e para cá.

Outra Mãe mais “fresquinha”

Recém deu a luz a uma menininha

com tantos palpites sua cabeça fica maluquinha.

Escuta conversas de cá e de lá,

sua voz fica baixinha com tanto palpite que o povo tem para dar!

E outras mais amadurecidas,

já com 2 filhos,

Meninos mais velhos e as meninas recém saídas da barriga.

Essas mães se alegram pois perceberam que a chegada da segunda filha ao invés  “derramar o caldo” da vida familiar,

trouxe organização, colocou cada um em seu lugar,

e fez a colaboração entre pai e mãe reinar!

Passou por lá também uma mãe amolecida,

com o coração de manteiga derretida!

A doçura da sua “Mel”, que chegou de mansinho

e em menos de 2 aninhos

descongelou o coração dessa mamãe

que era refém de uma “mente extremamente racional”

e hoje busca o amor incondicional.

Teve mãe que fez a gente se emocionar

com sua linda história que dá o que falar!

Aos 15 anos descobriu que não tinha útero,

um mero detalhe para essa mulher forte

e com um bocado de sorte!

Pediu e confiou

e sua mãe para ela a filha gerou!

E para terminar tinha Mãe precisando de limite e rotina em seu lar

e pediu ao grupo para este tema abordar.

E assim seguimos juntas e dispostas a compartilhar

sobre LIMITE, ROTINA, RELAÇÕES FAMILIARES e o que mais nossa criatividade mandar.

 

zumzumzumDesde que o Lucas, meu segundo filho, nasceu decidi dar um tempo com o trabalho. Era preciso sair de cena para entrar de cabeça nesta nova relação que se iniciava: encerrei o processo com meus clientes no consultório, parei de escrever artigos para o blog e não dei mais nenhuma conferência.

Durante a gestação tentei me preparar para este momento e aparentemente estava em paz com minha decisão. Os primeiros meses foram bem intensos e cheios de surpresas o que me deixou muito envolvida com as questões pessoais e familiares. Aos poucos a poeira foi baixando e comecei a buscar desesperadamente informações, ler livros sobre maternidade, participar de Congressos online, enfim tentava me manter por dentro do que havia de mais “atual” sobre a maternidade, com a desculpa de estar fazendo isso pelos meninos.

Quanto mais eu tentava “me informar” mais os meninos me demandavam, o Lucas acordava de hora em hora, estava cheio de gazes, com o intestino preso; o João tentava chamar minha atenção de todas as formas, estava super agitado e agressivo… Enfim, depois de vários sinais dos meus filhos de que algo não estava legal no meu caminho, comecei a me dar conta que não estava praticando o que há anos tentei ensinar para meus clientes: eu estava buscando do lado de fora – nos livros, congressos e grupos – um SABER que existe somente quando há silêncio em meu interior, quando há paz e presença suficiente para que a verdadeira criatividade possa florescer.

Como já sabia, mais uma vez precisei da ajuda dos meus espelhos mais fiéis João e agora também o Lucas para me deparar com minha SOMBRA, e perceber a angústia, a raiva e a tristeza que essa ruptura brusca com meu trabalho me trouxe. Eu acreditava que, assim como fiz com meu primeiro filho, eu iria ficar 2 anos sem trabalhar, completamente entregue a maternidade. #Sóquenão, a Clarissa mãe do João e do Lucas, não é mais a mesma e a vida dela então nem se fala.

Há 6 anos atrás eu era uma menina de 25 anos, recém formada, que largou tudo em BH para ir morar com companheiro e filho (de um mês de idade) em São Luiz, lá no Maranhão, aparentemente muito corajosa e decidida, mas internamente imatura, insegura e dependente do pai e do esposo. Nestes seis anos, um caminho intenso de auto educação foi trilhado e muita coisa desabrochou: a menina imatura e dependente, depois de se ver sozinha com um filho de 1 ano e meio (depois que se separou do marido) resolveu acordar e correr atrás de sua maturidade, poder pessoal e autonomia.

Ela encontrou muito mais que isso, ela encontrou sua Missão, sentiu com todo seu ser que veio aqui para este “planetinha lindo”, apoiar, aconselhar, comunicar, se relacionar, aprender, ensinar, criar, enfim estar em contato com pais e mães. É isso que enche de alegria e cor a minha vida, é o que dá significado aos meus dias… E agora eu não consigo mais parar, acredito que quando um Ser descobre sua missão aqui na Terra nasce uma urgência interna, uma vontade de servir aos demais e mostrar pro mundo todo o que veio fazer aqui!!!

E foi graças a esta pausa, a este mergulho interno, ora sombrio, ora luminoso, a estas relações com meus pequenos espelhos brilhantes que HOJE percebo o quanto  minha história de vida está me apontando para um caminho mais integral: a Mãe pode ser Profissional, a Mulher pode ser Esposa, a Artista pode ser Dona de casa e assim sigo em paz… Nem sempre tão em paz, mas sempre confiante que as turbulências do caminho servem para me colocar no rumo certo novamente!

E esta tentativa bem objetiva de te contar sobre este processo rico e maravilhoso que estou vivendo tem um propósito: QUERO COMPARTILHAR COM VOCÊ o meu mais novo projeto…

ZUM ZUM ZUM DE MÃES…  Quer saber o que é isso??? Escreva aqui em baixo que te conto mais… 😉

irmaosOuvi dizer que segundo filho é mais fácil, que eu ia tirar de letra! Afinal de contas sou mãe do João (meu primeiro filho) e trabalho com pais e mães há mais de 8 anos. Minha mente, um tanto quanto arrogante, acreditava que não teria nada de novo que eu saberia exatamente o que fazer quando o Lucas, meu segundo filho, chegasse.

Tive uma gravidez relativamente tranquila, me preparei durante os nove meses, fiz Yoga, meditação, caminhada, agachamento, li livros sobre o tema… O parto foi melhor do que eu jamais sonhei: Lucas nasceu em casa, dentro da banheira quentinha que seu pai e as enfermeiras (da equipe de PD do Sofia Feldman – maravilhosa por sinal) prepararam… Chegou e foi direto para meus braços, despertou em cada um, pai, mãe e irmão sentimentos inimagináveis, muito amor e gratidão!

E com o passar dos dias lá vem ela, a VIDA, mais uma vez me surpreender. Quando  Lucas fez 15 dias apresentou alguns sintomas que me fizeram correr com ele para o hospital e por lá ficamos 21 dias internados, antibióticos na veia, 2 punções lombares e muitos aprendizados para essa mãe controladora que queria fazer tudo da maneira mais natural o possível, que se orgulhava em dizer que o João, só havia tomado antibiótico uma vez na vida, que quase nunca ficava doente…

Um novo filho, o segundo, uma nova estrelinha que chegou para reordenar nossa constelação familiar. Um encontro cheio de luz e sombra, força e fragilidade. Um universo ora conhecido e ora desconhecido. E mais uma oportunidade de compreender que a Mente que compara, julga, classifica, nos separa do que É.

E você Lucas é um Ser único, simplesmente você, nem melhor, nem pior, nem mais fácil, nem mais difícil que seu irmão ou que qualquer outro Ser.

Lucas meu filho, você chegou para resgatar a força feminina que há dentro do meu Ser: a mulher, a mãe amorosa que aceita a impermanência e sabe fluir com o rio da Vida.

Obrigada! <3

 

DSC01803Neste dia especial a Bee Family vem reconhecer as Mães que realizam o trabalho mais maravilhoso e difícil do mundo… Você já se deu conta disso?

Ainda não?! Então assista este vídeo que encontrei e resume um pouco dessa vontade de reconhecer a todas as mães do mundo…
Não espere que o reconhecimento venha de fora, a expectativa mata a REALIDADE!
Quando ele vem de fora é maravilhoso SIM e deve ser visto como um EXTRA e não como essencial…
Ninguém tem o dever de te reconhecer…
Você mesmo pode fazer isso e criar este hábito fundamental para desenvolver uma relação de amor próprio,
auto estima e autoconfiança!!!
Basta se permitir, se reconhecer, se agradecer, cuidar de você mesmo(a) diariamente!!!
É o que desejo a cada mãe…
#Dica BEE FAMILY: Antes de dormir faça uma lista do que você se reconhece e complete todas as noite com algo novo!
Eu me RECONHEÇO por…
1) Estar viva e respirar de forma consciente algumas vezes no dia de hoje
2) Dar um abraço gostoso no meu filho hoje pela manhã
3) Ajudar minha mãe a preparar um almoço para a família…
E VOCÊ se reconhece porque??? COMPARTILHE AI ABAIXO CONOSCO e façamos juntas uma lista de mães que se reconhecem por fazerem o melhor que podem com a consciência que tem no momento…

Ontem dei uma entrevista ao programa Opinião Minas, da TV Minas sobre “Pais que deseducam seus filhos!”.

Será que isso é possível? Acompanhe no vídeo abaixo dicas preciosas sobre educação infantil e como sempre chego no tema da auto-educação…

Comente, faça suas perguntas e compartilhe com seus amigos….



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