A Melhor Mãe do Pedaço!

 

mamusca7-620x337Há mais ou menos 6 anos atrás, na época em que o meu primeiro filho nasceu, imaginava a maternidade como uma grande e prazerosa descoberta. Me lembro que, desde os 6 meses de vida do João, eu o levava para a pracinha pela manhã para tomar sol, brincar e, principalmente, para que eu pudesse compartilhar experiências com as outras de mães que moravam, por ali, na vizinhança.

Aquela troca entre mulheres, que estavam passando por desafios parecidos, deixava meu dia muito mais alegre e a maternidade parecia sempre mais leve e tranquila. As mães da pracinha eram um grande apoio e fonte de informação para lidar com pequenos desafios que apareciam durante os primeiros anos de vida do João.

Depois de seis anos, eu e meu marido resolvemos ter um segundo filho. E agora que o Lucas já está com 8 meses, percebo o quanto as coisas mudaram desde então.

Dentre as diversas mudanças ocorridas, destaco o acesso à informação que tem se tornado cada dia mais fácil. Mesmo sem procurarmos as informações chegam até nós com uma rapidez impressionante. Gosto de brincar fazendo a pergunta: quem foi que contou pro Facebook que eu tive um segundo filho? Recebo continuamente matérias, produtos e vídeos relativos á maternidade, segundo filho e coisas correlatas. Aliás, cá entre nós, fico receosa com quanta informação o Google sabe de mim! Daqui a uns dias não vou precisar mais fazer terapia e curso de crescimento pessoal. Caso sinta alguma angústia, medo, ou desafio emocional basta digitar “o que fazer?” no Google que ele me responderá. 😮

Você poderá ver que há uma  infinidade de sites e “especialistas” em maternidade e educação infantil, tudo muito prático e acessível. Muitas vezes nem precisamos sair de casa para comprar um livro, eles chegam direto em nossa casa pelo correio, em alguns casos nem pagar é preciso, simplesmente fazemos um download e zaz!!! Ali está o livro. Além disso, eventos on line, palestras, cursos com profissionais renomados estão a nossa disposição.

Essa acessibilidade à informação traz consigo diversos benefícios, mas também muitos desafios. Um deles vem me acompanhando já faz alguns meses: uma angústia enorme por acreditar que preciso acompanhar toda as informações que estão sendo produzidas, pois isso me tornará uma mãe melhor e infalível. A angústia é não conseguir fazer isso, é claro! Constantemente, quando não estou atenta, me pego buscando informações de forma distraída, desorganizada e compulsiva, presa mentalmente numa competição louca criada pelo “inconsciente materno coletivo” querendo levar o título: “MELHOR MÃE DO PEDAÇO!”.

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Por mais que eu saiba que a informação consumida desta maneira não é necessária e quase sempre não ajuda minha relação com meus filhos, percebo que muitas vezes minha mente fica buscando mais e mais informação. Deixo me levar por esta grande desconexão que ronda a relação das mulheres com a maternidade. Em busca de modelos prontos, pré-estabelecidos, seguimos consumindo dados produzidos por um sistema social que deseja nos manter pouco reflexivas, em disputas umas com as outras e, muitas vezes, guiadas pelo medo de errar e não sermos as melhores.

Frente as possibilidades nas quais podemos pautar nossas escolhas e a imensidão de informações, tomar uma decisão fica cada vez mais difícil. Nos vemos paralisadas frente a essa diversidade ou simplesmente escolhemos o que a maioria, ou alguém de nossa confiança, vem escolhendo sem refletir e sem saber se a resposta é coerente e adequada às suas necessidades e de nossos filhos.

E quando entramos nesse jogo de olhar para fora e buscar incessantemente mais e mais referências externas, incentivamos uma competição velada, as vezes nem tanto, que permeia o universo feminino. Entramos nessa disputa para saber quem é a Melhor Mãe em todos os aspectos, competimos umas com as outras, nos protegemos por meio de rótulos, ideais que não correspondem à realidade da vida que almejamos! E a final nossos filhos pagam o pato nessa disputa insana. Eles são os “troféus’ que exibimos nessas nossas tolices.

E por trás dessa situação, dessa aparente segurança trazida pelo excesso de informações percebo um universo de mulheres inseguras, plenas de emoções reprimidas e com muito medo de silenciar a própria mente para enfrentar seus próprios problemas e refletir internamente sobre o caminho a trilhar.

Essa angústia que me acompanha, provavelmente faz parte da vida de outras mulheres, vivemos seguindo essa necessidade de buscar referenciais externos que mascaram e justificam o que acontece em nossa relação com nossos filhos. Entretanto, o desafio é que entre quatro paredes não conseguimos sustentar esta postura de mulher segura, equilibrada, inteligente, feliz, realizada, boa mãe, ótima profissional, e tudo mais que buscamos ser quando estamos conectadas exclusivamente com as expectativas sociais. Na intimidade de nosso lar as máscaras caem e dão espaço para uma mulher insegura, fragilizada e cansada que não sabe o que fazer, que sente medo, que fala firme com o bebê que acorda de madrugada fora de hora, que perde a paciência com os filhos que suplicam sua atenção com comportamentos agitados e agressivos, que trata seu companheiro sem carinho, que grita e discute na frente das crianças, que não tem energia nem libido para ter uma relação sexual satisfatória com o marido.

E quando olho para esta realidade vejo que há outras alternativas e que posso escolher como desejo me relacionar com meus filhos, com meu marido, com as pessoas. Posso seguir pelo caminho mais fácil, rápido e seguido pela grande maioria das mulheres/mães que escolhem guerrear contra si mesmas, o olhar para fora, o comparar seus filhos com modelos e padrões estabelecidos pelas pesquisas mais modernas dos “últimos minutos”, o sofrer por nunca alcançar os resultados sonhados e o tentar, como um cachorro que corre atrás do rabo, chegar em primeiro lugar numa grande competição da melhor mãe do pedaço! Ou posso escolher o caminho mais difícil, não vou te enganar, o caminho da paciência, da disponibilidade, da disciplina e do comprometimento com sua auto educação e com a educação do seu filho. E caso você opte por  trilhá-lo vai se deparar, aos poucos, com um universo de mais paz no qual você será a mãe que realmente pensou em ser.

As respostas que você tanto busca estarão sempre ao seu alcance, bem ai dentro de você, essa é a boa notícia! Você não precisará mais ficar buscando freneticamente no Google ou Facebook. Simplesmente, vai estar diante da possibilidade de encontrar a paz mental e auto confiança para educar seu filho da maneira como deve ser.

Voltando ao meu processo materno, aquele em que ora me vejo conectada com o caminho rápido e ora buscando arduamente o caminho verdadeiro da paz e silêncio interno, percebo o quanto amadureci como mãe, profissional e ser humano de forma geral. Não foi só o mundo que mudou desde a época da pracinha, eu também mudei bastante. Quando tive o João tinha acabado de me formar no curso de psicologia, fiquei dois anos por conta de cuidar dele e de nossa casa. Hoje, tenho que admitir, com o coração em paz, que já não sinto mais prazer em ficar o dia todo cuidado das crianças, tem algo lá fora que me chama, sinto vontade de sair, trabalhar e me colocar a serviço do mundo, de outras mães e mulheres que, assim como eu, buscam a integralidade do Ser. É como se sentisse que o meu “mundo”, que antes se resumia ao João, a nossa casa, o meu marido e a minhas amigas da pracinha, cresceu e já não cabe mais nas paredes da minha casa. E assim como ele cresceu, a minha consciência também e trouxe consigo uma grande necessidade de amadurecimento e organização. É hora de assumir a responsabilidade por todos os papéis que represento e organizar meu tempo e minha energia para dedicar ao que é prioritário em cada um deles. A mãe, a esposa, a profissional e a dona de casa precisam se harmonizar e dialogar dentro de um espaço de aceitação. A cada instante buscar o referencial interno que me diz sobre o que refletir, sentir e fazer, que me mostra as necessidades e em qual contexto/pessoa estou me relacionando.

Isso só é possível quando vivo minha vida no aqui e agora, quando me liberto dos rótulos, da rigidez e dos padrões que criei e sigo criando em minha vida. Quando me conecto com o desejo autêntico de olhar para dentro e paro de olhar para fora, de me comparar, de comparar meus filhos, de criar expectativas, e de me sentir culpada e estressada.

caminhandoQuero caminhar pelo caminho do meio, com equilíbrio, paz, aceitação e a harmonia com o que é. Confiante de que sou a mãe perfeita, possível para meus filhos, afinal de contas foram eles que me escolheram para guia-los e mostrar-lhes o mundo! 😉

 

 

 

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