A Mãe Real X A Mãe Ideal

Já reparou que tem uma idéia comum que paira sobre a cabeça da maioria dos pais e mães, principalmente os que se tornaram pais a pouco tempo?

“Mãe tem que saber de tudo….”

Antigamente esse era um conceito muito mais enraizado, hoje o contexto está mudando e muitas mulheres já se permitem pedir ajuda e relevam o conceito de que elas têm que saber de tudo. Alguns pais já compartilham a responsabilidade de criar um filho, falam o que pensam e participam ativamente da vida da criança. Mas como tudo isso ainda é muito recente e embrionário percebo que algumas famílias ainda sofrem com essas ideologias.

Como mãe, sofri muito quando meu primeiro filho nasceu. E por desconhecimento da prática e de aspectos importantes do desenvolvimento de um bebê, também fiz muitas coisas que hoje me arrependo. E o pior foi que sofri calada por muito tempo, pois carregava comigo a idéia de que “quando se vira mãe, deve saber de tudo”.

Fato é que a maternidade me trouxe uma alegria imensa, mas ao mesmo tempo senti um medo tão grande, quase do mesmo tamanho da alegria que senti ao ver meu filho em minha frente.

Até hoje é motivo de risada entre eu e meu marido, quando lembramos a sensação que nos deu quando a enfermeira nos disse que estávamos de alta e que podíamos ir embora com o nosso filho recém-nascido.

Naquele momento a gente pensou: como assim? Ir embora? Não vou saber cuidar? O que tem que fazer daqui para frente? Que horas troca fralda? Como dá de mamar? Vocês são loucos de deixar a gente ir embora com esse bebê?

Me lembro que o meu sentimento dentro do hospital era de querer ir embora dali, queria minha casa, minhas coisas, minha vida de volta, mas no momento que recebi alta, o desespero bateu forte e a minha sensação era de incompetência, de medo, de completo desconhecimento do que tinha que ser feito.

O fato é que durante minha gravidez, escutei muitos palpites, conselhos e histórias sobre o que deu e não deu certo para outras pessoas. E lá fui eu para a maternidade com a bagagem cheia e tentando colocar em prática tudo que ouvi durante a gestação.

Só que a única coisa que não me dei conta, é que estava tentando antecipar e me prevenir do que estava por vir. E como muitas coisas nessa vida, o idealizado nem sempre está de acordo com a realidade. Nem sempre temos controle sobre o que vai acontecer.

Sabe aquela frase que diz que quando nasce um bebê, nasce também uma mãe? Pois para mim foi a mais pura verdade. Antes de ter o meu filho nos braços, tudo era expectativa e só depois entendi que com o treino, a vivência, é que a construção da relação se daria de maneira efetiva e real. E muito do que pensei antes, teria que testar e colocar em prática para me certificar que aquilo seria possível ou não na nossa construção.

Você não entra em campo antes de ter o bebê nos seus braços, é a convivência que irá fazer a construção dessa relação. Uma mãe pode ter dez filhos e ter uma experiência e um tipo de vinculo diferente com cada um deles. A relação se dá na convivência, no dia a dia, no meio do caminho.

Então se você se identificou com o que estou te contando, também está aí se cobrando em ser a mãe ideal, está tentando seguir os conselhos, os palpites e em atender as expectativas das pessoas ou do mundo a sua volta, repense, avalie e veja se realmente isso faz sentido para você.

Quero dividir com você um fato que aconteceu comigo e que exemplifica bem o quanto essa pressão social pode falar mais alto e abafar os nossos verdadeiros sentimento, a nossa voz do coração.

Saí da maternidade com todas aquelas sensações que já descrevi acima e fui achando que o bebê era aquilo que foi na maternidade, chorava só para mamar, trocava fralda duas ou três vezes, dormia a maior parte do tempo e era só colocar no berço que eu iria descansar um pouco.  Só que não…

Cheguei em casa, tiramos um monte de fotos, os avós em casa e eu doida para dormir. Ah sim, isso é outra coisa que ninguém te fala. Que na maternidade você não dorme, pois é um entra e sai de gente que só quem passa, sabe.

Enfim, coloquei o Pedro no berço, cobri e sai pronta para ir tomar um banho e dormir.

O que aconteceu?

UáááááááááááááááááááUUUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ

Pedro começou a chorar e não parou mais. Fiz tudo o que podia, dei o peito mil vezes, troquei fralda, dei banho, cobri, descobri, enfim… Havia chegado em casa meio dia, e isso já era umas 11 horas da noite e o bebê chorando. Nesta hora minha mãe saca um conselho do tipo: ele deve estar com dor, deve ser cólica! Com três dias de vida???

Ok. Já tinha tentado de tudo e nada dele dormir. Ué, porque não funcionava na minha casa????

Nesta hora, mesmo desconfiada da tal cólica, me deixei levar pela ideia e dei três gotas de TILENOL para o bebê e no cansaço deixei ele dormir aninhado nos meus braços. Dormimos juntos na cama, quentinhos e por um bom tempo.

Hoje quando analiso a situação, com base em tudo o que eu li e experienciei depois, sei que aquilo era normal. Meu filho só estava com tanto medo quanto eu, ele só queria se sentir seguro e ainda estava vivendo a crise da separação. Era só deixar ele por perto, que tudo ia passar. Então, hoje digo para todas as mães, o seu melhor conselho é ouvir você, é ouvir o seu coração.

Esqueça a mãe ideal, ela não existe. O que existe é a Mãe real, aquela que está inteira, com suas certezas, seus medos e que vive essa construção, errando e acertando no caminho. Essa somos todas nós!

Este texto foi escrito por: Deborah Garcia – Psicóloga, Arteterapeuta e Coach familiar.

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