Quando integramos a parte que não nos define…

Eu sou uma pessoa agressiva. Isso não me define, mas o fato é que sou agressiva, em muitas situações e de várias formas. Não é fácil pra mim falar sobre isso, mas decidi tentar, porque esse lugar da escrita despretensiosa me cura de alguma forma. Antes de continuar, te peço gentilmente, não me julgue, acolha a minha história assim como estou tentando me acolher diariamente.

Pois bem, a realidade é que sou agressiva na fala, sou agressiva no toque. Quando a raiva já não cabe mais dentro de mim ela esbarra em quem está por perto. Eu grito, eu sou mal educada, eu sou ríspida, eu agrido verbalmente… Mas também, já agredi fisicamente, já apertei e deixei marcas e isso fez meu coração se despedaçar… Doeu tanto ver o reflexo da agressividade que me habita que não me perdoei ainda. Eu acredito que nada nesse mundo justifica uma agressão, e logo eu, sou agressiva. O problema é que eu não consigo prever, não consigo antecipar e na hora que vejo, já estou repetindo o padrão… É desafiador e muito frustrante e de uns tempos pra cá (desde os Divinos Dois anos do meu filho) tem sido doloroso demais…

Recentemente me dei conta que, aquilo que eu sempre ouvi a aeromoça dizer antes da decolagem sobre as máscaras de oxigênio, é a dica de ouro da vida! É urgente se cuidar para poder cuidar. Se eu não me nutrir de alguma forma, não estiver conectada comigo mesma, como poderei nutrir o outro e me conectar com o outro? A conta não fecha e já não vem fechando há algum tempo por aqui… O último episódio em que perdi o controle, não me lembro nem mais o motivo, mas a cena ainda revivo na minha memória… Perdi a razão, fui lá pro cérebro reptiliano, a emoção tomou conta e a adulta saiu de cena. Segurei com muita força os bracinhos frágeis do meu maior tesouro, daquele que me iniciou nessa infinita jornada de auto conhecimento e responsabilidade. Perdi o chão, perdi o controle, perdi a razão e a minha criança tomou conta e num flashback quase que instantâneo, me lembrei de uma cena recorrente da minha infância : minha professora da primeira série me chacoalhava. Num relance me lembrei que eu já era adulta, que aquilo não passava de uma lembrança. Me senti uma mãe-fraude e me senti muito desamparada e com muita muita muita raiva dessa professora. Me dei conta naquele momento de que eu precisava de ajuda, não dá mais pra sustentar essa agressividade.

Me dei conta ao decorrer dos dias, que eu preciso de um tempo pra mim, que eu preciso me cuidar para oferecer o melhor cuidado para meu filho e para quem me cerca. Ao escrever, o choro ainda vem, é fato, a raiva também, e fica uma tristeza por me sentir tão impotente diante de algo que já conheço e não consigo controlar apenas por saber que existe. No entanto, já consigo identificar qual o caminho preciso seguir em busca dessa cura, e isso para mim é um enorme passo!

Agradeço ao meu marido que, dentro de suas limitações, me acolhe, me aponta, me faz refletir e me incentiva, sem saber conscientemente, a me conhecer melhor e buscar meus caminhos de cura.

Agradeço infinitamente ao meu filho que, no auge da sua pureza, me ama como eu sou e esse amor ilumina as minhas maiores e temerosas sombras que por sua vez, também me conduzem ao caminho do auto conhecimento e da auto responsabilidade.

Por fim, agradeço ao ZumZum6 que me fez mergulhar ainda mais profundamente na minha alma, me possibilitando uma escuta acolhedora e amorosa para a minha história (que não é melhor nem pior do que a de ninguém, mas é a minha história).

E por último agradeço a você, que me lê, me sente e se conecta com essa minha história. Gratidão pela escuta, pelo acolhimento e pelo respeito com as minhas dores, minhas sombras e desafios, que fazem parte de mim, mas não definem que sou.

Ahow

Este Texto foi escrito por: Iara Schmidt (participante do ZumZum 6)
Iara é mineira, e como boa sagitariana é uma viajante nata e buscadora de si. Mãe de um aquarianinho nascido em fevereiro de 2016 – fonte do puro amor e inspiração infinita – realizou da gestação ao puerpério ritos de passagem que transformaram – e continuam transformando – sua essência.

3 Comments

  • Juliana disse:

    Tão pertinente! Tão eu! Ainda bem que tomamos consciência, o que é um excelente caminho.

  • ilza lima disse:

    Puxa!!!Esse relato é tão meu…também estou na jornada, também deixo a menina agressiva tomar conta de mim, hoje menos do que antes, mas ainda assim, ela vez ou outra se faz presente…

  • Valéria Gomes Camargo disse:

    Tão completamente “eu” o seu texto. Dói demais não é? Você ver o pior de você vir à tona ao se tornar mãe. Eu ainda busco ajuda. Ainda busco cura. Minha criança interior ainda chora.

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