Por quase toda a minha vida, decidi caminhar sozinha. Achava que eu poderia dar conta de tudo sendo apenas eu. As pessoas ao meu redor eram apenas acessórios para o desenvolvimento que eu acreditava que alcançaria com o meu próprio esforço. E por um bom tempo essa caminhada na solidão pareceu funcionar, ou pelo menos eu pensava que funcionava.

Então veio a maternidade e, logo de início, percebi que jamais caminharia sozinha novamente. E me percebi muito feliz em não ter que caminhar sozinha pelo mundo. Agora tinha um par de pequenas mãos que se entrelaçavam às minhas. Mas, ao longo desse caminhar, assim, meio que paradoxalmente, me senti extremamente só. Eu tinha agora a responsabilidade de não somente construir o meu caminho, mas guiar o caminho do meu filho.

Tive que olhar para lugares dentro de mim que jamais pensei que existissem, e percebi que esse olhar não seria possível sem ajuda. Me vi em busca de um horizonte, de uma rede de apoio… e foi quando verdadeiramente me encontrei. Encontrei uma comunidade que me acolheu, me fez consciente, e me libertou.

Sempre achei que eu soubesse quem eu era –  plena na solidão – mas me enxerguei através do outro. Hoje, do lugar em que me encontro, muitas verdades já foram questionadas, há partes de mim que já não me cabem. Busco conhecer de onde vim, para entender quem quero ser e onde quero chegar. Sigo meu caminho em busca do meu verdadeiro eu. Mas já não vou mais só. Vou de mãos dadas com minha rede de apoio, abrindo caminho para mim e para os pequeninos pés que me acompanham…

SOBRE A AUTORA:

Texto: Vanessa Bugni – @vanbugni / @dravanpediatra
Mulher, mãe e pediatra, participante da turma 11 do Zum Zum, comunidade onde encontrou terra firme para seguir seu caminho…

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

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