Como diz a canção do Leoni “me espera amor que estou chegando, depois do inverno é a vida em cores, me espera, amor, nossa temporada das flores¹.

A primavera chega pondo fim a instrospecção do inverno e nos convidando a expansão. Numa explosão de cores e aromas, a temporada das flores enfeita nosso entorno. Ruas coloridas são um convite a um passeio com as crianças, um café com as amigas, um piquenique na praça.

Mas encontra, muitas de nós, cansadas. Num isolamento social que já dura longos meses. Com as crianças sem ir a escola nosso tempo se encurta, nossos afazeres se acumulam e nosso autocuidado precisa ser exercido na marra. Uma realidade bem diferente da canção onde “pelas ruas, flores e amigos, me encontram vestindo meu melhor sorriso”.

Dessa vez a primavera chega em um momento muito especial para toda a humanidade. Será uma primavera em casa, onde as saídas são restritas ao essencial, e marcadas por precauções de segurança. Uma primavera num tempo de incertezas e de certo modo, de medo. Um tempo de espera por uma vacina que possa nos devolver um pouco da vida a que estávamos acostumadas, do ritmo e da rotina que são importantes para nós e as crianças.

Mas os ciclos da natureza são sábios e imprescindíveis. São repletos de ensinamentos e de oportunidades. Se num primeiro momento viver a primavera pode parecer contraditório com esse momento, no fundo o que acontece é exatamente o contrário. Precisamos da primavera.

Para a Antroposofia esse período é regido pelo Arcanjo Micael, que representa a coragem, o impulso individual, a busca pela verdade e a superação dos medos e das ilusões do mundo.

“Micael é o arcanjo que com sua força divina orienta a consciência por meio do pensamento. Evocar seu nome é tornar presente, por meio das palavras, a força, a firmeza e a coragem que pulsam dentro de nós. A luta deste arcanjo representa a luta dos seres humanos contra as sombras que os impedem de evoluir. Muitos são os dragões contemporâneos.” ²

Me diz se não é disso que precisamos nesse momento? Depois do mergulho interior que o inverno nos proporcinou, chegou o momento de brotarmos trazendo de dentro a força, a coragem e a ousadia da vida, da fertilidade. É o momento de seguir sem os excessos, e confiar na fluidez da vida.

Viver a primavera em tempos de pandemia, é trabalhar em nós e nas crianças a coragem, a beleza e a renovação. Ela nos convida a expandir e partilhar nossos aprendizados e nossas experiências. Uma ótima oportunidade para darmos vida e convidarmos para brincar, a nossa criança interior.

Sem esquecermos que contamos com a coragem de Micael que nos acompanha e fortalece em nossas lutas.

Texto: Kika Bárbara, que também é Luiza – @kikabarbara. Mãe da Mari e da Carol, casada com o Marcelo, participante da turma 7 do Zum Zum, momento em que descobriu um novo olhar para a maternidade e um novo caminho para si mesma.

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

1. Música Temporada das Flores

2.https://aitiara.org.br/pm/109-editorial-revista-micael-2018

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Estamos grávidas… e agora? Mil coisas passam pela nossa cabeça, nossos sentimentos já começam a nos alertar para o que estava por vir, mudanças no corpo, nos hormônios, no humor. Ali, naquele momento, o carrossel inicia seu giro, subindo e descendo. E nós iniciamos os preparativos, pré natal, lista de nomes, enxoval… Mas há um item essencial que pouco se fala da sua importância. A necessidade de estarmos com outras mulheres, outras mães.

Um dos problemas da romantização da maternidade e da idéia de um instinto maternal que habita todas nós e que nos transforma em seres dotados da capacidade natural do amor incondicional, nos prejudica em vários aspectos. Um deles, é que sendo essa super mãe não precisamos de ajuda, de apoio e de colo. Essa idéia equivocada nos empurra para uma caminhada solitária, repleta de dúvidas, medos, inseguranças. Percebemos que não somos capazes de suprir todas as expectativas que a sociedade exige, baseada na certeza de que nascemos para ser mães, e todo o conhecimento brotará em nosso ser como mágica juntamente com o bebê.

Mas o que o parto traz consigo é o puerpério que, somado a percepção do real cenário da maternidade, muitas vezes nos joga em um abismo. Às vezes mais fundo, outras mais raso. Nos sentimos cansadas, inseguras, culpadas. Percebemos que nada será como antes, mas não sabemos como será dali pra frente. Sabemos que não somos as mesmas, mas não temos idéia de quem passamos a ser, muitas vezes acreditamos que nos restringimos a ser apenas “a mãe de…”.

E no meio desse cenário, que também traz consigo um amor capaz de nos transformar, sentimos a necessidade de compartilhar, de ter conosco quem seja capaz de compreender todas essas transformações e se conectar a nós.

Nesse movimento vamos nos reunindo em grupos de mães e formando verdadeiras comunidades, onde compartilhamos, escutamos, falamos, resgatamos nossa intuição, nosso saber, que é bem diferente do “instinto materno” construído com base do que esperam de nós.

A palavra comunidade vem do Latim COMMUNITAS, “comunidade, companheirismo”, de COMMUNIS, “comum, geral, compartilhado por muitos, público”.¹ Comunidade pode ser definida como um grupo de pessoas com interesses comuns.

A comunidade nos ajuda a nos perceber e a perceber o outro, a crescer à partir da troca de experiências e do pertencer. A comunidade alivia o peso nas costas, e a culpa materna, nos ajuda a construir uma maternidade com mais leveza.

Pelo menos, essa é a minha comunidade. E você, quer vir também?

 

Texto: Kika Bárbara, que também é Luiza – @kikabarbara . Mãe da Mari e da Carol, casada com o Marcelo, participante da turma 7 do Zum Zum, momento em que descobriu um novo olhar para a maternidade e um novo caminho para si mesma.

Fotografia: Iza Guimarães. Mãe, fotógrafa, participante da turma 3 do Zum Zum, que descobriu e acredita na fotografia como instrumento de autoconhecimento e conexão. Visite o site www.retratoterapia.com.br e siga no instagram @izaguimaraesfotografia. 

1. https://origemdapalavra.com.br/pergunta/etimo-da-palavra-comunidade/

 

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